{"id":13595,"date":"2015-02-15T17:56:55","date_gmt":"2015-02-15T19:56:55","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13595"},"modified":"2024-10-03T11:48:46","modified_gmt":"2024-10-03T14:48:46","slug":"objetos-brincantes-para-mudar-o-espaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-61\/objetos-brincantes-para-mudar-o-espaco\/","title":{"rendered":"Objetos Brincantes para mudar o espa\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>DENISE NALINI\u00b9, JOANA D\u2019ARC DE SOUSA LIMA\u00b2 E SIMONE LUIZINES\u00b3<\/p>\n<hr \/>\n<p>COM FOCO NA BRINCADEIRA, ARTISTAS CONTRIBUEM PARA CONSTRUIR UM AMBIENTE DE QUALIDADE PARA CRIAN\u00c7AS, POSSIBILITANDO DIFERENTES EXPERI\u00caNCIAS LIGADAS \u00c0 EST\u00c9TICA, A CORES, AO TOQUE E AO MOVIMENTO.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13596 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-9-300x216.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-9-300x216.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-9.jpg 393w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Um ambiente que se preocupe com uma organiza\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e que permita a crian\u00e7a se movimentar, explorar, ser protagonista de suas a\u00e7\u00f5es, se encantar e, sobretudo, brincar, garantindo diversos tipos de aprendizagens, o que tem sido para as crian\u00e7as uma preocupa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. Ao propor, no espa\u00e7o da creche, a conviv\u00eancia com elementos visuais e sensoriais variados, como as cores das paredes, vasos com plantas, brinquedos constitu\u00eddos com materiais alternativos, areias coloridas, toquinhos de madeira, panos, caixas, entre tantas outras materialidades, permitimos o acesso a diferentes experi\u00eancias e refer\u00eancias est\u00e9ticas. Dessa forma, as crian\u00e7as podem criar e manifestar suas individualidades se relacionando intensamente com o ambiente.<\/p>\n<p>Essa foi uma quest\u00e3o que norteou a constru\u00e7\u00e3o do Projeto Objetos Brincantes. Nele, o principal objetivo foi integrar arte e educa\u00e7\u00e3o com foco nas experi\u00eancias pessoais e na reorganiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. A ideia foi apresentar uma arte que ultrapassasse o l\u00e1pis e o papel para se instalar na brincadeira, no corpo e no espa\u00e7o.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Coordenadora de Projetos de Arte no Instituto Avisa L\u00e1, coordenadora do Pr\u00f3 Saber \u2013 SP e doutoranda no Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o da FEUSP na \u00e1rea de Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n2 Pesquisadora Capes no \u00e2mbito de P\u00f3s Doutorado em Hist\u00f3ria da Arte Brasileira no Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da UFPE, coordenadora do coletivo Sem T\u00edtulo Produ\u00e7\u00f5es em Arte e Educa\u00e7\u00e3o e Diretora da Galeria de Arte Janete Costa.<br \/>\n3 Coordenadora do Museu Engenho Massangana\/Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco \u2013 Fundaj e Coordenadora pedag\u00f3gica do projeto Mala &amp; Cuia \u2013 Forma\u00e7\u00e3o de mediadores culturais para museus e institui\u00e7\u00f5es culturais.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13597 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-9-300x160.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"160\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-9-300x160.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-9-768x409.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-9.jpg 855w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>As pobres \u00e1reas externas<\/strong><\/p>\n<p>Ao final de um percurso de dois anos de forma\u00e7\u00e3o dos profissionais de creches da Rede Municipal, foram estabelecidos encontros mensais com professores no museu e visitas aos espa\u00e7os das creches da rede, realizadas pela equipe de formadores e propositores do projeto. Nesse caminho, um aspecto que nos marcou foi a aus\u00eancia de objetos para brincar nos espa\u00e7os externos e internos das unidades visitadas.<\/p>\n<p>Os parques, e principalmente as \u00e1reas externas, quando havia, eram \u00e1ridas, assustadoramente vazias, sem beleza ou encantamento. Foi dessa experi\u00eancia que nasceu o desejo de modificar essa situa\u00e7\u00e3o e contribuir para surpreender as crian\u00e7as e a comunidade.<\/p>\n<p>De l\u00e1 pra c\u00e1, as \u00e1guas do rio Capibaribe moveram-se, e nossas vidas tamb\u00e9m. Impulsionadas pela ideia de olhar o entorno sempre em movimento, em deslocamento, erigimos os primeiros pilares conceituais do nosso projeto: experi\u00eancia e deslocamento. Construiu-se a ideia de voltar o olhar para o lugar de experi\u00eancia de cada um. O projeto Objetos Brincantes: Arte Contempor\u00e2nea, Educa\u00e7\u00e3o Infantil e novas possibilidades de se inventar a vida, foi cerzido por fios cujos pontos de amarras revelam a ideia da conviv\u00eancia com artistas pernambucanos.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>4 O Fundo Pernambucano de Incentivo \u00e0 Cultura (Funcultura PE) \u00e9 o principal mecanismo de fomento e difus\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cultural no estado, e est\u00e1 inserido no Sistema de Incentivo \u00e0 Cultura (SIC-PE). Implantado pelo Governo de Pernambuco a partir do di\u00e1logo com a sociedade civil http:\/\/www.cultura.pe.gov.br\/pagina\/funcultura\/sobre\/introducao-ao-funcultura\/#sthash.i1AxtHL4.dpuf<\/h6>\n<p><strong>O artista na creche<\/strong><\/p>\n<p>Em sua primeira edi\u00e7\u00e3o aprovada pelo edital de incentivo \u00e0 cultura de Pernambuco, em\u00a02012<sup>4<\/sup>, o projeto realizou diferentes a\u00e7\u00f5es: tr\u00eas resid\u00eancias art\u00edsticas em unidades da Educa\u00e7\u00e3o Infantil da cidade do Recife; um semin\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o de educadoras; reuni\u00f5es com educadoras e gestoras das tr\u00eas unidades, ora todos juntos, ora de maneira separada, com cada grupo em sua creche.<\/p>\n<p>Tr\u00eas artistas pernambucanos foram convidados para contribuir com seus trabalhos, nos quais a ideia de participa\u00e7\u00e3o, brincadeira e intera\u00e7\u00e3o fossem reconhecidas, assim como o uso de diversos materiais. O resultado, ao final de dez meses de trabalho foi a constru\u00e7\u00e3o de obras art\u00edsticas que ocupam hoje as \u00e1reas externas e os espa\u00e7os internos dessas unidades educacionais. O programa de resid\u00eancia dos artistas foi composto de duas visitas semanais ao espa\u00e7o da escola\/creche com duas horas de perman\u00eancia, ou dependendo da din\u00e2mica estabelecida e pr\u00e9-agendada com a equipe de gest\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o das creches. Eles tamb\u00e9m podiam realizar as visitas apenas em um dia na semana e permanecer por quatro horas. Esses encontros foram previstos para acontecer durante um m\u00eas, perfazendo um total de dezesseis horas de resid\u00eancia, divididas, do ponto de vista conceitual, em dois tempos: o do olhar e o do compartilhar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13598 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-9-300x205.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"205\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-9-300x205.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-9.jpg 447w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Por meio de suas po\u00e9ticas, esses artistas recuperam o tema da participa\u00e7\u00e3o e da ludicidade na Arte Contempor\u00e2nea, quest\u00f5es extremamente caras para a hist\u00f3ria da arte brasileira<sup>5<\/sup>. Junto com eles, foram envolvidos todos os agentes que habitam o espa\u00e7o escolar: professoras,\u00a0ADIs<sup>6<\/sup>, t\u00e9cnicas pedag\u00f3gicas, coordenadoras pedag\u00f3gicas, diretoras das unidades, gestoras da secretaria de educa\u00e7\u00e3o, funcion\u00e1rias que d\u00e3o o suporte na cozinha, limpeza, e, em especial, aten\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as pequenas.<\/p>\n<p>Nessa proposta, a educa\u00e7\u00e3o comparece revelando seus espa\u00e7os e os sujeitos envolvidos na comunidade e na arte potencializando a produ\u00e7\u00e3o de trabalhos realizados no e para o espa\u00e7o das escolas. Uma arte cuja ludicidade e participa\u00e7\u00e3o alteram os modos de compreender essa manifesta\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo provocam a Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Essa reflex\u00e3o foi desencadeada por um semin\u00e1rio formativo, pela produ\u00e7\u00e3o e oferta de um caderno de textos te\u00f3ricos e outro de registro para as educadoras grafarem suas experi\u00eancias pessoais, al\u00e9m da visita dos grupos de cada unidade escolar ao ateli\u00ea dos artistas residentes. As visitas foram uma etapa fundamental na constru\u00e7\u00e3o da ideia de resid\u00eancia e troca.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>5 Sobre o tema no \u00e2mbito da hist\u00f3ria da arte, h\u00e1 diversas possibilidades de percurso, contudo, constru\u00edmos nosso caminho por meio das trajet\u00f3rias dos artistas H\u00e9lio Oiticica e Lygia Clark, que, em meados dos anos 1960, realizaram trabalhos art\u00edsticos que potencializavam a dimens\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o do espectador como realizador da obra do artista. Por exemplo, Lygia Clark constr\u00f3i os Bichos, objeto articulado feito com placas de metal recortados \u00e0 semelhan\u00e7a de um origami, contudo, unidos por dobradi\u00e7as. Para serem obras de arte, esses objetos pediam que o visitante os manipulasse, interferindo, portanto, em sua forma. Assim, a ousadia dessa artista coloca no debate do campo art\u00edstico a rela\u00e7\u00e3o entre objeto e espectador. H\u00e9lio Oiticica, muito pr\u00f3ximo da artista, ao realizar os seus famosos parangol\u00e9s ir\u00e1 provocar discuss\u00e3o semelhante e introduzir o termo de incorpora\u00e7\u00e3o do objeto de arte no sujeito apreciador, transformando este em participador da arte.<br \/>\n6 Auxiliar de desenvolvimento infantil.<br \/>\n7 A Partilha do Sens\u00edvel, de Jacques Ranci\u00e9re. S\u00e3o Paulo: 34, 2005, p. 16.<\/h6>\n<p><strong>A partilha do sens\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>Todas essas fases foram marcadas pela presen\u00e7a dos artistas e, sobretudo, pelas interven\u00e7\u00f5es experimentais propostas por eles para as crian\u00e7as. Dessa forma, o artista foi desafiado a conhecer o modo de apropria\u00e7\u00e3o de conhecimentos das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Apoiamos-nos aqui nas ideias de Jacques Ranci\u00e9re\u00a0(2005)<sup>7<\/sup>, cujo sentido diz respeito ao entendimento da arte enquanto processo e conviv\u00eancia com o exerc\u00edcio da pol\u00eamica acerca das configura\u00e7\u00f5es da vida em sociedade, seus novos recortes e as novas regras que a sustentam. Compreende a arte enquanto uma atividade pol\u00edtica. Em suas palavras pode-se apreender:<\/p>\n<p>Partilha significa duas coisas: a participa\u00e7\u00e3o em conjunto comum e, inversamente, a separa\u00e7\u00e3o, a distribui\u00e7\u00e3o em quinh\u00f5es. Uma partilha do sens\u00edvel \u00e9, portanto, o modo como se determina no sens\u00edvel a rela\u00e7\u00e3o entre um conjunto comum partilhado e a divis\u00e3o das partes exclusivas (p. 16).<\/p>\n<p>Com base nessas ideias, a for\u00e7a do projeto de forma\u00e7\u00e3o recaiu, em seu horizonte maior de abrang\u00eancia, sobre no\u00e7\u00f5es conceituais das \u00e1reas de conhecimento da Arte, da Filosofia e da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A sequ\u00eancia de atividades, pensada em conjunto com todos os participantes do projeto, organizou a\u00e7\u00f5es para os professores realizarem com seus grupos. Isso desencadeou modos de brincar e de se integrar ao cotidiano das crian\u00e7as com uma intencionalidade: ampliar a possibilidade de conhecer e construir experi\u00eancias com a arte. Em cada unidade, essa sequ\u00eancia se relaciona com a forma, com o material ou com as quest\u00f5es que est\u00e3o movendo o artista cujo objetivo \u00e9 familiarizar e criar campos de experi\u00eancias que envolvam as crian\u00e7as na obra em constru\u00e7\u00e3o. Cada resid\u00eancia trouxe consigo um olhar \u00fanico para os espa\u00e7os.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>8 Localizado em Boa Viagem, zona sul da cidade do Recife \u2013 PE.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13599 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-8-300x190.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-8-300x190.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-8.jpg 466w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>As sequ\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>O artista Joelson Gomes realizou suas interven\u00e7\u00f5es na escola de Educa\u00e7\u00e3o Infantil 14\u00a0Bis<sup>8<\/sup>. O espa\u00e7o escolhido foi um amplo parque com \u00e1rea verde, na qual foram implantadas as c\u00e1psulas balan\u00e7os. Essa proposta utilizou a estrutura das \u00e1rvores e teve suas origens vinculadas \u00e0 viv\u00eancia que o artista teve nessa escola. Ele observou que as crian\u00e7as corriam muito, com liberdade, porque o espa\u00e7o era amplo e arborizado. Brincavam de pega, subiam e desciam os elevados de concreto que dividiam os espa\u00e7os, conversavam sobre os pequenos achados da natureza que encontravam, a exemplo dos caminhos de formigas, folhas esquisitas, calangos vagando, entre outros. Pareciam se divertir muito, pois havia um entorno natural rico, largo e amplo para que seus corpos ocupassem de maneira variada os espa\u00e7os do brincar. Segundo sua narrativa, \u201chavia uma aus\u00eancia de brinquedos, objetos que estimulassem a constru\u00e7\u00e3o de mundos e potencializassem a entrega total da imagina\u00e7\u00e3o\u201d. Visto isso, Joelson prop\u00f4s atividades de desenho coletivo no piso da \u00e1rea de entrada do parque com materiais como giz, carv\u00e3o e peda\u00e7os de tijolo que trouxessem \u00e0 tona as possibilidades de um desenho em qualquer espa\u00e7o, sem a utiliza\u00e7\u00e3o de mesas, mas com materiais de uso cotidiano, que ganham for\u00e7a nesse fazer coletivo. Depois disso, realizou uma planta\u00e7\u00e3o em cer\u00e2micas que formavam a palavra po\u00e9tica tempo<sup>9 <\/sup>e finalizou sua obra, denominada Nave\/2014, com a constru\u00e7\u00e3o de naves\/c\u00e1psulas para o tempo, ou seja, balan\u00e7os feitos em ferro e espaguete<sup>10 <\/sup>que foram inseridos nas \u00e1rvores do parque.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Joelson Gomes<\/strong> \u00e9 artista pl\u00e1stico nascido em Vit\u00f3ria de Santo Ant\u00e3o, Pernambuco. Faz parte da \u201cchamada gera\u00e7\u00e3o 1980\u201d do Recife. Integrou o grupo Corgo com os artistas Jos\u00e9 Paulo, Mauricio Silva, Rinaldo Silva, Dantas Suassuna e Christina Machado. O que precede o trabalho em argila e cer\u00e2mica do artista Joelson Gomes foi e ainda \u00e9 a pintura e o desenho. Considera-se, contudo, a produ\u00e7\u00e3o com a cer\u00e2mica um procedimento de po\u00e9tica relativamente nova em sua trajet\u00f3ria. Seu repert\u00f3rio pict\u00f3rico e po\u00e9tico (influ\u00eancia) vem da escola eu ropeia, dos grandes artistas ocidentais. \u00c9 apaixonado por Chagal e Matisse, aprecia Morandi, Balthus. Dos brasileiros, aprecia o trabalho do artista mineiro Guignard; adora a gravura brasileira, como as de J. Borges, Samico e Oswald Goeldi. No mais, acha que tudo o infl uencia, \u201ca comida que como, as panelas de barro, as paisagens de pedra, todos os sentidos e a paisagem natural\u201d. Joelson tem dialogado com uma narrativa liter\u00e1ria que mobiliza muito seu trabalho e dela aparecem desenhos, pinturas, colagens. Produz no \u00e2mbito do seu ateli\u00ea no Po\u00e7o da Panela (Recife), construindo livros de artistas, objetos em cer\u00e2mica, pintura e desenho.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13600 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-8-300x269.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-8-300x269.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-8.jpg 432w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Mauricio Castro vivenciou o espa\u00e7o da creche Novo\u00a0Horizonte<sup>11<\/sup>, situada numa \u00e1rea movimentada, pr\u00f3xima a uma pra\u00e7a e a pontos de \u00f4nibus que tornam o lugar um espa\u00e7o de intensa circula\u00e7\u00e3o de pessoas. Na escola, observou que as crian\u00e7as tinham um espa\u00e7o de parque pequeno, cimentado, sem plantas e com poucos brinquedos dispon\u00edveis. As brincadeiras, assim como a fala, n\u00e3o estavam organizadas e pensadas para o brincar.<\/p>\n<p>A creche foi adaptada a partir de uma casa de tr\u00eas andares, tornando o espa\u00e7o interno apertado. O refeit\u00f3rio, por exemplo, situa-se no corredor entre as salas. H\u00e1 uma \u00e1rea livre na frente da casa e um pequeno quintal com dois chuveir\u00f5es para o banho coletivo das crian\u00e7as. O piso \u00e9 de cimento. H\u00e1 um parque pequeno na parte<br \/>\nde tr\u00e1s, com brinquedos de pl\u00e1stico e uma \u00e1rea grande subutilizada no \u00faltimo piso (uma laje) onde, segundo relatou a diretora, eventualmente, armava-se uma piscina de pl\u00e1stico. Foi nesse espa\u00e7o a c\u00e9u aberto que o artista, em di\u00e1logo com as professoras e demais agentes, apostou na constru\u00e7\u00e3o de um objeto em ferro de grande dimens\u00e3o para criar um espa\u00e7o de conviv\u00eancia, onde plantas pudessem ser cultivadas por crian\u00e7as e adultos juntos. A obra f\u00edsica \u00e9 de uma imensa beleza. A depender da apropria\u00e7\u00e3o que se faz dela, a mesma se transforma em muitas possibilidades de brincar e conviver. Como um brinquedo n\u00e3o estruturado<sup>12<\/sup>. O trabalho foi denominado de Novo Horizonte, em refer\u00eancia ao nome do espa\u00e7o escolar, mas, sobretudo, pela possibilidade de se ver a paisagem e a linha do horizonte, o que a pe\u00e7a escult\u00f3rica possibilitou quando foi instalada na cobertura da casa\/creche. Nesse processo, o verde, t\u00e3o ausente dessa unidade, foi o que nos levou a propor a constru\u00e7\u00e3o de uma parede com garrafas PET para a instala\u00e7\u00e3o de uma pequena horta com as crian\u00e7as. Assim, as fam\u00edlias foram convidadas a trazer garrafas descart\u00e1veis, as quais foram lavadas, usadas para brincadeiras com \u00e1gua e, em seguida, furadas e preparadas para um plantio de v\u00e1rios tipos de sementes com as crian\u00e7as.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Maur\u00edcio Castro<\/strong> nasceu no Recife, em 1963. Filho de arquiteto, conviveu na inf\u00e2ncia com brinquedos (ferramentas de trabalho) que possibilitavam o fazer manual e a inven\u00e7\u00e3o de engenhocas. Ingressou, no in\u00edcio dos anos 1980, na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Pernambuco, sem concluir o curso. Nessa \u00e9poca, frequentou cursos abertos de artes e ateli\u00eas de artistas. Filiou-se a grupos e a movimentos art\u00edsticos de variadas tend\u00eancias. Expressa-se por meio da pintura, do desenho e da gravura. Posteriormente, experimentou materiais ordin\u00e1rios e inventou objetos e esculturas estranhas ao mundo da arte, distanciando-se dos par\u00e2metros de beleza estabelecidos. O artista atua fomentando espa\u00e7os coletivos de produ\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o das artes visuais, como o Ateli\u00ea Quarta Zona de Arte (1988); Coletivo Submarino (2000); Espa\u00e7o MauMau. Atualmente vem produzindo gravuras, filmes de anima\u00e7\u00e3o e pintura.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>9 A proposta do artista de plantio coletivo de trigo sobre pe\u00e7as de cer\u00e2mica que juntas formavam a palavra TEMPO, foram criadas a<br \/>\npartir de uma inspira\u00e7\u00e3o retirada do livro Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, proposto pelo artista e lido pelos professores. 10 Material pl\u00e1stico muito utilizado na produ\u00e7\u00e3o de cadeiras no nordeste brasileiro.<br \/>\n11 Na Zona Norte da cidade do Recife<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13601 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-4-300x217.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"217\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-4-300x217.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-4.jpg 523w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A\u00a0CMEI<sup>13 <\/sup>M\u00e3ezinha do Coque, situada na comunidade do Coque, foi a terceira unidade selecionada e se situa numa \u00e1rea da cidade em ampla especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e f\u00e1cil acesso. O espa\u00e7o f\u00edsico \u00e9 excelente. Uma constru\u00e7\u00e3o rec\u00e9m-conclu\u00edda e inaugurada para ser unidade escolar da Educa\u00e7\u00e3o Infantil, bem iluminada e com boa \u00e1rea, tanto interna quanto externa. Possui uma ampla \u00e1rea na frente, um \u00f3timo p\u00e1tio entre as salas. O parque, assim como na creche anterior, possui brinquedos de pl\u00e1stico e o piso \u00e9 de areia de praia.<\/p>\n<p>Em sua passagem pela M\u00e3ezinha do Coque, o artista Marcelo Silveira realizou um bate-papo com as educadoras e duas a\u00e7\u00f5es experimentais e vivenciais com as crian\u00e7as, nas quais construiu um projeto que valorizava a interven\u00e7\u00e3o na arquitetura da creche. No semin\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o, Marcelo exp\u00f5e sua surpresa ao encontrar um espa\u00e7o completamente arrumado. Disse que o desafio que tinha nas m\u00e3os se assemelhava ao sentimento que o artista sente ao se deparar com uma folha em branco. O que fazer, por onde come\u00e7ar?<\/p>\n<p>Marcelo observou que as crian\u00e7as tinham espa\u00e7o favor\u00e1vel para o brincar, contudo, percebeu em suas viv\u00eancias que elas n\u00e3o se relacionavam entre si porque os espa\u00e7os eram delimitados sempre por paredes. Observou tamb\u00e9m que as crian\u00e7as gostavam de observar seus corpos (uns dos outros) e conversavam sobre hist\u00f3rias que inventavam em suas brincadeiras. Assim, resolveu produzir um trabalho de interven\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o, abrindo portas na altura das crian\u00e7as para que elas pudessem inventar seus caminhos e construir suas trilhas e suas hist\u00f3rias passando por entre as salas de aulas, refeit\u00f3rio e ber\u00e7\u00e1rio.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>12 Brinquedo que possibilita v\u00e1rios tipos de interven\u00e7\u00f5es e de cria\u00e7\u00e3o de entretenimento pelas crian\u00e7as.<br \/>\n13 O programa Primeira Escola objetiva ampliar o n\u00famero de vagas na Educa\u00e7\u00e3o Infantil da Prefeitura da cidade do Recife, para atender um maior n\u00famero de crian\u00e7as com idades entre zero e cinco anos. Para tanto, os Centros Municipais de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CMEIs), equipamentos educacionais que funcionam em diversos bairros da cidade, s\u00e3o \u00e2ncoras desse projeto que atualmente acolhe crian\u00e7as pequenas, com at\u00e9 cinco anos. Ver mais: http:\/\/www2.recife.pe.gov.br\/projetos-e-acoes\/projetos\/programa-primeira-escola-cmeis\/#sthash.MoDBMq7B.dpuf<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13602 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-3-255x300.jpg\" alt=\"\" width=\"255\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-3-255x300.jpg 255w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-3.jpg 421w\" sizes=\"auto, (max-width: 255px) 100vw, 255px\" \/><\/p>\n<p>Foi com essa conviv\u00eancia, trocas, encontros e desencontros que o artista prop\u00f4s uma interven\u00e7\u00e3o radical. A proposta se valeu de sua experimenta\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o. Por meio da met\u00e1fora de Alice no Pa\u00eds das Maravilhas e no exerc\u00edcio experimental da l\u00f3gica do encolher, esticar, diminuir e crescer, Marcelo prop\u00f5e abrir\/encerrar as salas e os espa\u00e7os da unidade escolar, vazando as paredes e interligando os espa\u00e7os por meio da inser\u00e7\u00e3o de pequenas portas de madeira, pintadas como as portas originais da casa, mas na dimens\u00e3o da altura das crian\u00e7as. As mesmas est\u00e3o ligadas por uma trilha proposta por uma faixa crom\u00e1tica pintada no ch\u00e3o. A ideia \u00e9 possibilitar situa\u00e7\u00f5es de viv\u00eancias do corpo por esses espa\u00e7os constru\u00eddos. Uma esp\u00e9cie de desnaturaliza\u00e7\u00e3o dos caminhos ordinariamente praticados no nosso cotidiano. Dessa forma, esse projeto estabeleceu elos significativos entre o que podemos chamar de constru\u00e7\u00e3o de ambiente est\u00e9tico e educa\u00e7\u00e3o, e ativou a viv\u00eancia de experi\u00eancias est\u00e9ticas na comunidade. A via para tal foi a abordagem do espa\u00e7o como sendo ponto de aprendizagem e entretenimento, ampliando significativamente as possibilidades de brincadeiras no \u00e2mbito da creche. Evidencia-se tamb\u00e9m o papel do jogo e da brincadeira nos processos de cria\u00e7\u00e3o e na defini\u00e7\u00e3o dos elementos de espa\u00e7o como linguagem visual l\u00fadica e sens\u00edvel.<\/p>\n<p>Para tornar poss\u00edvel o brincar, as interven\u00e7\u00f5es de Marcelo Silveira exigiram a sensibiliza\u00e7\u00e3o dos adultos para as diferentes formas de movimenta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Para isso, foram organizadas duas sequ\u00eancias de atividades. Na primeira, trazer para a conviv\u00eancia com as crian\u00e7as sua pr\u00f3pria obra: esfera, bolas de madeira de diferentes dimens\u00f5es, trazidas em caminh\u00f5es e descarregadas por gruas, numa a\u00e7\u00e3o que encantou a todos. O empurrar, o correr, o tentar puxar, se encostar e buscar um espa\u00e7o para se esconder, permitiram a proposi\u00e7\u00e3o de cria\u00e7\u00e3o de bolas feitas de papel mach\u00ea com as crian\u00e7as, para que essas aos poucos se transformassem em brinquedos, feitos por todos e para substituir a obra trazida pelo artista para alimentar as brincadeiras infantis. Na segunda proposta, o banho p\u00fablico: para brincar com \u00e1gua, bacias, baldes e objetos que possibilitassem o transporte da \u00e1gua e alimentar uma proposi\u00e7\u00e3o na qual as crian\u00e7as e o artista entrassem em contato brincando e transformando o espa\u00e7o.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Marcelo Luiz Silveira de Melo<\/strong> nasceu em 1962, em Gravat\u00e1, cidade serrana de PE, no in\u00edcio da regi\u00e3o Agreste. Passou a inf\u00e2ncia no engenho de cana-de-a\u00e7\u00facar de seus pais. Considerado um \u201ccurioso\u201d, aprendeu desde menino a reinventar \u201ccoisas\u201d e solu\u00e7\u00f5es para os desafios de sua inf\u00e2ncia. Em 1978, transferiu-se para a cidade de Recife. Atrav\u00e9s do desenho e da pintura iniciou sua experi\u00eancia art\u00edstica. Em 1985 ingressou no curso de Educa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica na Universidade Federal de Pernambuco e de l\u00e1 pra c\u00e1 vem atuando no territ\u00f3rio da arte\/educa\u00e7\u00e3o. Nas experimenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, Marcelo lan\u00e7a m\u00e3o de uma diversidade de materiais org\u00e2nicos ou n\u00e3o. Constr\u00f3i objetos, esculturas, livros e livros de artistas. Interv\u00e9m nos espa\u00e7os p\u00fablicos e\/ou privados, criando estruturas ru\u00eddos e fissuras. Seus trabalhos s\u00e3o exibidos em exposi\u00e7\u00f5es coletivas e individuais no Brasil e no exterior. O artista participou da 29\u00aa Bienal de Artes de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13603 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8-2-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8-2-300x214.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8-2.jpg 434w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Por fim<\/strong><\/p>\n<p>O processo todo foi bastante rico e prazeroso. Crian\u00e7as de quatro meses a cinco anos participaram de a\u00e7\u00f5es coletivas propostas pelos artistas, com seus professores, auxiliares e, \u00e0s vezes, com os pais e toda a comunidade escolar. Foram produzidos cadernos: de registro do professor, de registro do artista e de textos te\u00f3ricos. Por acreditar na for\u00e7a de pot\u00eancia transformadora da arte na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 que constru\u00edmos essa experi\u00eancia compartilhada.<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos apontando que nossa inten\u00e7\u00e3o foi o envolvimento das educadoras\/professoras nesse olhar sobre a rela\u00e7\u00e3o Arte e Educa\u00e7\u00e3o Infantil. As crian\u00e7as participaram de a\u00e7\u00f5es pontuais propostas pelos artistas, como o caso do banho p\u00fablico proposto por Marcelo Silveira; os desenhos ef\u00eameros de giz, peda\u00e7os de tijolos e carv\u00e3o, sugerido por Joelson, mas continuam a conviver no cotidiano com os res\u00edduos que permaneceram no espa\u00e7o escolar. As estruturas esf\u00e9ricas, os barcos e chap\u00e9us de pap\u00e9is que se transformaram em pap\u00e9is molhados e depois em esferas, ap\u00f3s a proposta do banho de bacia. Os desenhos s\u00e3o ef\u00eameros, mas deixam marcas no p\u00e1tio: sensibilizar professoras, ADIs, gestoras, coordenadoras pedag\u00f3gicas e t\u00e9cnicas da Secretaria Municipal para esse olhar integrado e para a pot\u00eancia de um fazer arte junto com artistas e agentes escolares. O que permanece \u00e9 o desejo de que mais professores e artistas possam olhar essa rela\u00e7\u00e3o prof\u00edcua e cont\u00ednua entre arte, educa\u00e7\u00e3o e novos modos de conviver.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Relatos de professoras<\/strong><\/p>\n<p>\u201cRecebemos um e-mail marcando a data do encontro de Marcelo com as crian\u00e7as e informando que a proposta de trabalho seria um banho de mangueira, bacia e brincadeiras com barquinhos de papel que seriam confeccionados, com anteced\u00eancia, por n\u00f3s, e na hora por ele. A constru\u00e7\u00e3o, bem como outras atividades com m\u00fasica, poesia e hist\u00f3rias, foi desenvolvida junto \u00e0s crian\u00e7as. No entanto, nenhum de n\u00f3s alcan\u00e7ou, dentro das nossas limita\u00e7\u00f5es, de in\u00edcio, o princ\u00edpio criador e a frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica da proposta, j\u00e1 que nossos pensamentos estavam voltados para esferas, portas e labirintos, e nada se ligavam \u00e0 \u00e1gua e seus portadores, muito menos aos barquinhos. (&#8230;) A intera\u00e7\u00e3o de Marcelo com as crian\u00e7as foi realmente fant\u00e1stica na hora da atividade. Os barquinhos de papel molhados e rasgados se transformaram em bolas de v\u00e1rios tamanhos pelas m\u00e3os do artista, observado e ajudado pelas crian\u00e7as, que estavam mais pr\u00f3ximas e pela coordenadora do projeto. Ap\u00f3s a atividade, entendemos que o desdobramento do trabalho com os barquinhos consistia em utilizar as bolas resultantes da brincadeira, acrescida de novos pap\u00e9is e materiais em desuso, de forma que chegassem ao tamanho das esferas do artista, expostas no CMEI e que as originais fossem sendo gradualmente substitu\u00eddas pelas constru\u00eddas.<\/p>\n<p>Em um processo de constru\u00e7\u00e3o coletiva, com participa\u00e7\u00e3o de educadores, alunos e artista, essa constru\u00e7\u00e3o resultou na constru\u00e7\u00e3o de nove esferas de papel para substituir as esferas de madeira. Estas, ainda ocupam espa\u00e7os nas salas de aula e no p\u00e1tio interno, onde as crian\u00e7as criaram alternativas de passagem e ao mesmo tempo desafios, em que subir, sentar, ficar em p\u00e9, passar de uma para outra, transform\u00e1-las em cavalinho, escorregar e empurr\u00e1-las tornaram-se atividades cotidianas.\u201d<\/p>\n<h6>Claudia de Vasconcelos, gestora do CMEI M\u00e3ezinha do Coque.<\/h6>\n<hr \/>\n<p><strong>Relatos de professoras<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Projeto Objetos Brincantes, desenvolvido na EMEI 14 Bis, criou um estreito di\u00e1logo entre a educa\u00e7\u00e3o e a cultura. As crian\u00e7as se envolveram e participaram\u00a0 ativamente das viv\u00eancias propostas pelo artista e, com um gestual largo e solto, criaram desenhos ef\u00eameros, por\u00e9m, cheios de tra\u00e7os marcantes e reconhecidamente repletos de significado. A novidade para elas foram os diferentes materiais utilizados, como o carv\u00e3o e o tijolo, que agu\u00e7aram a curiosidade por serem elementos t\u00e3o diferentes e em tamanhos muito maiores. O que para a maioria das crian\u00e7as foi uma experi\u00eancia nova e muito agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em sala de aula, o trabalho com recortes, colagens e superposi\u00e7\u00f5es de imagens encantava a todos pela participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, pelo entusiasmo do artista pl\u00e1stico e pela intera\u00e7\u00e3o das professoras que participaram da oficina de arte. Um novo olhar sobre a arte se deu no aporte de balan\u00e7os em \u00e1rvores da escola, como se fossem instala\u00e7\u00f5es pendulares, bem como a fixa\u00e7\u00e3o de suportes de argila vazados com as letras que formavam a palavra tempo. Preenchidas em seu interior com sementes de r\u00facula, plantadas com esmero e muito cuidado pelas crian\u00e7as que, posteriormente, aguavam e cuidavam das plantas fazendo indaga\u00e7\u00f5es sobre quando nasceriam.<\/p>\n<p>Enquanto educadora, observo que, atrav\u00e9s de projetos como esse e de um contato maior com obras de arte por meio de olhares sens\u00edveis e contemplativos, a curiosidade \u2013 t\u00e3o peculiar nas crian\u00e7as \u2013 aflora a cada momento, bem como o encantamento pelo novo que se descortina. O aluno deixa de ser apenas um apreciador e passa a ser tamb\u00e9m autor de sua obra.\u201d<\/p>\n<h6>Jupira Ferreira de Souza<br \/>\nEspecialista em Arte\/Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco \u2013 UNICAP<\/h6>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DENISE NALINI\u00b9, JOANA D\u2019ARC DE SOUSA LIMA\u00b2 E SIMONE LUIZINES\u00b3 COM FOCO NA BRINCADEIRA, ARTISTAS CONTRIBUEM PARA CONSTRUIR UM AMBIENTE DE QUALIDADE PARA CRIAN\u00c7AS, POSSIBILITANDO DIFERENTES EXPERI\u00caNCIAS LIGADAS \u00c0 EST\u00c9TICA, A CORES, AO TOQUE E AO MOVIMENTO. 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