{"id":13252,"date":"2014-08-18T19:01:46","date_gmt":"2014-08-18T22:01:46","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13252"},"modified":"2024-04-29T08:57:18","modified_gmt":"2024-04-29T11:57:18","slug":"criando-e-recriando-o-recreio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-59\/criando-e-recriando-o-recreio\/","title":{"rendered":"Criando e Recriando o Recreio"},"content":{"rendered":"<p>LINDA DERVICHE BLAJ E SILVIA VINOCUR KOCINAS\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>MUDAN\u00c7AS NO RECREIO: A OFERTA DE DIFERENTES OP\u00c7\u00d5ES DE ESCOLHA TEVE A ADES\u00c3O DE CRIAN\u00c7AS E PROFESSORES<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13253 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-12-300x227.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"227\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-12-300x227.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-12.png 638w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O recreio pode ser um momento de intensa aprendizagem, mas, com frequ\u00eancia, tamb\u00e9m parece ser campo de conflitos, disputas e falta de envolvimento das crian\u00e7as em intera\u00e7\u00f5es significativas. Por isso, ele precisa ser avaliado e repensado.<\/p>\n<p>Atualmente, as crian\u00e7as demostram muito interesse por equipamentos eletr\u00f4nicos. Estes, \u00e0s vezes, parecem ser as \u00fanicas op\u00e7\u00f5es de entretenimento. Constatamos, por\u00e9m, que isso nem sempre \u00e9 verdade, pois h\u00e1 tamb\u00e9m uma grande curiosidade pelas hist\u00f3rias, disposi\u00e7\u00e3o para jogar bola, brincar de pega-pega e andar de bicicleta.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Linda Derviche Blaj, diretora da Educa\u00e7\u00e3o Infantil do Col\u00e9gio I. L.Peretz, Mestre em Letras pela USP, pedagoga com especializa\u00e7\u00e3o em Psicopedagogia e em Cuidados Integrativos pela UNIFESP. Silvia Vinocur Kocinas, coordenadora da educa\u00e7\u00e3o infantil do Col\u00e9gio I. L.Peretz, pedadoga formada pela USP com especializa\u00e7\u00e3o em Psicopedagogia e Psicomotricidade.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13254 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-12-300x267.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-12-300x267.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-12.png 727w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tem aumentado a aten\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento das habilidades motoras, criativas e imaginativas. H\u00e1 pesquisas na \u00e1rea da sa\u00fade\u00b2 que recomendam \u00e0 escola e \u00e0 fam\u00edlia o combate ao sedentarismo infantil e o est\u00edmulo \u00e0s atividades esportivas com foco no aspecto l\u00fadico.<\/p>\n<p>As primeiras ideias a respeito da dinamiza\u00e7\u00e3o do recreio surgiram nas conversas que, com frequ\u00eancia, a equipe de profissionais mantinha para discutir sobre as atividades dos alunos nos momentos de intervalo.<\/p>\n<p>O p\u00e1tio onde o recreio acontece \u00e9 espa\u00e7oso e possui diversos setores interligados, conhecidos como tanque de areia grande e pequeno, casa da \u00e1rvore no p\u00e9 de abacate, espa\u00e7o do gira-gira, quiosque e espa\u00e7o dos jabutis. Para maior organiza\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a das crian\u00e7as, ao menos duas professoras permanecem em cada espa\u00e7o, de acordo com uma escala, observando, assessorando e mediando as rela\u00e7\u00f5es entre os alunos, quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Assim, possibilitamos \u00e0s crian\u00e7as descentrarem-se da figura do adulto, podendo, no entanto, visualiz\u00e1-lo. Sentem-se, dessa forma, seguras e confiantes para explorar o ambiente e estabelecer diferentes oportunidades para o contato social.<\/p>\n<p>O recreio \u00e9 dividido em dois hor\u00e1rios: um momento de 40 minutos para os grupos 2, 3 e 4, que englobam as crian\u00e7as mais novas, e outro para os grupos 5 e 6, com crian\u00e7as de 5 e 6 anos.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as de 1 a 2 anos (grupo 2) t\u00eam um momento privilegiado<br \/>\npara a explora\u00e7\u00e3o do p\u00e1tio, com delimita\u00e7\u00e3o do tempo e do espa\u00e7o do recreio.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>2 Segundo a Revista Brasileira de Medicina do Esporte vol.4 no 4: Atividade f\u00edsica e sa\u00fade na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia.<br \/>\n3 Projeto desenvolvido pelo Col\u00e9gio I. L. Peretz com crian\u00e7as de 1 a 6 anos.<\/h6>\n<p><strong>Por que recriar o recreio?<\/strong><\/p>\n<p>Recreio, segundo o dicion\u00e1rio Houaiss, significa algo que serve para divertir; brincadeira, divertimento, folguedo; espa\u00e7o de tempo concedido \u00e0s crian\u00e7as para seus brinquedos nos intervalos das aulas ou do estudo.<\/p>\n<p>O projeto Criando e Recriando o Recreio\u00b3 partiu da necessidade de se ampliar as possiblidades de brincadeiras, as intera\u00e7\u00f5es entre as crian\u00e7as e entre crian\u00e7as e adultos.<\/p>\n<p>Questionamos a maneira como alunos e professores ocupavam o espa\u00e7o e o tempo do recreio e decidimos reorganizar atividades, considerando a seguran\u00e7a e qualidade das propostas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma observa\u00e7\u00e3o cuidadosa do recreio por professores e coordenadores, percebemos que certas situa\u00e7\u00f5es se repetiam. Algumas crian\u00e7as procuravam sempre a mesma atividade, dificilmente explorando novas possibilidades; outras perambulavam pelo p\u00e1tio, sem conseguir fazer suas escolhas e algumas procuravam ficar ao lado da professora, mesmo com constantes incentivos para escolherem uma brincadeira. Perceb\u00edamos tamb\u00e9m a forma\u00e7\u00e3o de subgrupos e muitos deles dificilmente se abriam para trocas com outras crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Humberto Maturana refere-se a viver e conhecer, como palavras que se constroem na rela\u00e7\u00e3o com o outro. Sendo assim, \u00e9 fundamental pensar em como podemos abrir espa\u00e7o para novas rela\u00e7\u00f5es. \u201cA no\u00e7\u00e3o de viver-conhecer est\u00e1 diretamente vinculada com o modo de relacionar-se e de organizar-se nessa rela\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de adapta\u00e7\u00e3o ao meio. O viver-conhecer na rela\u00e7\u00e3o significa, ao mesmo tempo, a cria\u00e7\u00e3o\/recria\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o relacional, e de outros, e a cria\u00e7\u00e3o\/recria\u00e7\u00e3o do sistema em rela\u00e7\u00e3o<sup>4<\/sup>.\u201d<\/p>\n<p>Entendendo o recreio como um momento rico de viver-conhecer, no qual diferentes significa\u00e7\u00f5es s\u00e3o constantemente constru\u00eddas, decidimos inserir novas op\u00e7\u00f5es, oferecendo mais possibilidades de escolha, aprendizagem e intera\u00e7\u00e3o entre os pequenos. S\u00e3o elas:<\/p>\n<p>\u2666 Conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias (uma vez por semana);<br \/>\n\u2666 Atividade f\u00edsica (duas vezes por semana, uma com professor de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e outra com um professor de turma).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13255 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-12-300x252.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"252\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-12-300x252.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-12.png 670w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Cen\u00e1rio e Personagens do recreio<\/strong><\/p>\n<p>O p\u00e1tio \u00e9 um cen\u00e1rio de muitas brincadeiras. As crian\u00e7as s\u00e3o os personagens que conduzem suas hist\u00f3rias reais ou fantasiosas. Aos professores cabe o papel de observar e facilitar os enredos. Por meio da observa\u00e7\u00e3o atenta, os professores se tornam narradores e muitas vezes personagens de novas hist\u00f3rias. N\u00e3o esperamos que sejam os personagens principais, mas que, ao facilitarem e organizarem a brincadeira, auxiliem na descoberta de caminhos e alternativas. Personagens que n\u00e3o necessariamente direcionem as atividades, mas que ofere\u00e7am recursos para que as din\u00e2micas e intera\u00e7\u00f5es aconte\u00e7am<br \/>\nde forma envolvente e aut\u00f4noma.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13256 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-12-300x233.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"233\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-12-300x233.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-12.png 769w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Era uma vez&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>A conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias na hora do recreio acontece uma vez por semana. Ap\u00f3s convidarmos a professora Marcia Blatt, respons\u00e1vel pela biblioteca e contadora de hist\u00f3rias, para retirar os livros das prateleiras e trazer a fantasia para o p\u00e1tio, ela passou a surpreender as crian\u00e7as, utilizando acess\u00f3rios, como, por exemplo, um chap\u00e9u, e portando uma sacola decorada repleta de livros. Depois de alguns minutos, as crian\u00e7as v\u00e3o se aproximando, surpresas e curiosas. Os sons das palavras e a entona\u00e7\u00e3o de sua voz se misturam \u00e0 agita\u00e7\u00e3o das bicicletas e \u00e0s bolas.<\/p>\n<p>Algumas semanas depois do in\u00edcio da conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias no recreio, uma crian\u00e7a de 3 anos, espontaneamente, pegou um livro, aproximou-se dos jabutis e nos disse que eles tamb\u00e9m queriam ouvir as hist\u00f3rias.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>4 Humberto Maturana e o espa\u00e7o relacional da Constru\u00e7\u00e3o do Conhecimento, de Adriano J. H. Vieira. Bras\u00edlia: Centro de Ci\u00eancias de Educa\u00e7\u00e3o e Humanidades (CCEH), 2004. (www.humanitates.ucb.br\/2\/maturana.htm)<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13257 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-12-300x140.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"140\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-12-300x140.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-12-1024x477.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-12-768x358.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-12.png 1362w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>De ouvinte, as crian\u00e7as passaram a reproduzir e a contar as hist\u00f3rias para seus colegas, adultos e tamb\u00e9m para os animais, como pequenos leitores.<\/p>\n<p>Segundo\u00a0Torre<sup>5<\/sup>, a crian\u00e7a que tem entre 3 e 6 anos aprende cerca de uma palavra nova a cada uma hora e meia. Ao entrar em contato com um texto liter\u00e1rio, al\u00e9m do crescimento do vocabul\u00e1rio, a crian\u00e7a \u201cparticipa\u201d de novas realidades.<\/p>\n<p>Na inf\u00e2ncia, os contos t\u00eam a mesma import\u00e2ncia que a brincadeira ou o jogo e a partir deles, a crian\u00e7a compreende o mundo que a cerca. \u201cA hora do conto no recreio \u00e9 um momento m\u00e1gico de encantamento, muito apreciado pelas crian\u00e7as, que ficam com os olhos fixos na professora, mantendo uma escuta atenta. Crian\u00e7as de diferentes grupos se re\u00fanem para uma atividade em comum\u201d, afirma a professora C\u00e9lia Polster, do grupo 3.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, ap\u00f3s ouvir as hist\u00f3rias, a crian\u00e7a repete a narrativa ou as palavras, assim como o faz com o gesto, e o papel do mediador \u00e9 fundamental durante esse per\u00edodo. Os est\u00edmulos externos, os objetos e os interlocutores tornam a linguagem oral funcional e a crian\u00e7a passa a utiliz\u00e1-la em outras situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Consequentemente ela a internaliza e se apropria dela. A amplia\u00e7\u00e3o do seu repert\u00f3rio se d\u00e1 pelo di\u00e1logo, ao ouvir m\u00fasicas e hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Segundo L. Katz, \u201c[&#8230;] os indiv\u00edduos n\u00e3o podem apenas se relacionar uns com os outros: eles precisam relacionar-se uns com os outros acerca de algo. Em outras palavras, os relacionamentos precisam conter interesse ou envolvimento m\u00fatuo, cujos pretextos e textos proporcionem a intera\u00e7\u00e3o adulto\/crian\u00e7a\u201d<sup>6<\/sup>. A narrativa propicia uma experi\u00eancia afetiva com a entrada no imagin\u00e1rio pela linguagem verbal e gestual.<br \/>\nA entona\u00e7\u00e3o da voz d\u00e1 o tom, convidando o ouvinte a entrar no ambiente fantasioso.<\/p>\n<p>\u201cA entona\u00e7\u00e3o situa-se exatamente na fronteira entre o verbal e o n\u00e3o verbal, o dito e o n\u00e3o dito. [&#8230;] \u00c9 pela entona\u00e7\u00e3o que o locutor entra em contato direto com seus ouvintes: a entona\u00e7\u00e3o \u00e9 social por excel\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>A palavra \u00e9 o s\u00edmbolo mais comum e por meio dela as crian\u00e7as se comunicam e percebem que algo pode ser dito e que ser\u00e1 entendido pelo outro. \u00c9 um recurso essencialmente social. A entrada no mundo simb\u00f3lico pela linguagem oral n\u00e3o as afasta da express\u00e3o corporal.<\/p>\n<p>Seu desenvolvimento f\u00edsico, emocional, bem como o cognitivo, est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 entrada no universo simb\u00f3lico das hist\u00f3rias.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>5 Transdisciplinaridade e ecoforma\u00e7\u00e3o um novo olhar sobre a educa\u00e7\u00e3o, de Saturnino de la Torre. S\u00e3o Paulo: Triom, 2008, pag. 117-9.<br \/>\n6 Do texto O que podemos aprender com Reggio Emilia, de L. Katz. In: As cem linguagens da crian\u00e7a: A abordagem de Reggio Emilia<br \/>\nna educa\u00e7\u00e3o da primeira inf\u00e2ncia, de C. Edwards, L. Gandini e G. Fworman. Porto Alegre: ARTMED, 1999, p. 46.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13258 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-11-300x175.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"175\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-11-300x175.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-11-768x448.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-11.png 1008w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>O corpo em movimento: mexe e remexe&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO movimento \u00e9 uma importante dimens\u00e3o do desenvolvimento e da cultura humana. [&#8230;] O movimento humano \u00e9 mais do que simples deslocamento do corpo no espa\u00e7o: constitui-se em uma linguagem que permite \u00e0s crian\u00e7as agirem sobre o meio f\u00edsico e atuarem sobre o ambiente humano, mobilizando as pessoas por meio de seu teor expressivo.\u201d<\/p>\n<p>Pensando na import\u00e2ncia do movimento para o desenvolvimento da crian\u00e7a e nas poucas possibilidades em que costuma ter acesso a ele fora da escola, uma vez que a maioria delas vive em apartamentos e tem a agenda cheia de compromissos, resolvemos oferecer mais op\u00e7\u00f5es de atividades f\u00edsicas no recreio.<\/p>\n<p>Observamos que o espa\u00e7o do futebol era organizado espontaneamente pelas crian\u00e7as, que pegavam uma bola e sa\u00edam brincando pelo p\u00e1tio. Todos pertenciam ao mesmo time e as brigas e pequenos incidentes eram frequentes. Por isso, pedimos ao professor de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica que estabelecesse com as crian\u00e7as algumas regras. Estava claro que para a organiza\u00e7\u00e3o da atividade era necess\u00e1rio a presen\u00e7a de um mediador.<\/p>\n<p>Dessa forma, o professor F\u00e1bio Sassaki passou a organizar semanalmente propostas de jogos e atividades a fim de que fossem ampliadas as possibilidades de escolha e intera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o para as atividades foi delimitado e foram instaladas pequenas traves de pl\u00e1stico. Com essa interven\u00e7\u00e3o, aos poucos, os atritos diminu\u00edram, os jogos ficaram mais organizados e ganharam a participa\u00e7\u00e3o de outras crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Dentre outras atividades que passaram a ser oferecidas, est\u00e3o brincadeiras tradicionais como amarelinha, pega-pega, esconde-esconde, est\u00e1tua, atividades grupais com bolas, bambol\u00eas, p\u00e9s-de-lata, circuitos, corridas, salto e equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>\u201cQuando chego ao p\u00e1tio, as crian\u00e7as perguntam qual \u00e9 a brincadeira do dia e est\u00e3o sempre prontas para novos desafios\u201d, declara o professor F\u00e1bio. Outro exemplo de atividade oferecida \u00e9 o da professora Miriam Fanny Rosenberg (grupo 6), que tinha em sua rotina semanal \u201cbater corda\u201d com sua turma. Ela passou a fazer a brincadeira espontaneamente no p\u00e1tio no hor\u00e1rio do recreio e a atividade foi muito bem recebida pelas crian\u00e7as dos outros grupos. Atualmente e como parte do projeto, \u00e0s sextas-feiras, um professor \u00e9 respons\u00e1vel pelas brincadeiras com corda, que al\u00e9m de desenvolver habilidades motoras e a percep\u00e7\u00e3o r\u00edtmica, demanda organiza\u00e7\u00e3o e paci\u00eancia na espera da vez.<\/p>\n<p>\u2013 O que voc\u00ea mais gosta de fazer no recreio?\u201d<br \/>\n\u2013Pular corda! \u2013 respondeu a aluna do grupo 6.<\/p>\n<p>\u201cA brincadeira de corda \u00e9 muito esperada e, apesar de ser uma atividade individual, as crian\u00e7as contam quantas vezes pulam, torcendo umas pelas outras. Acho fundamental essa diversidade de op\u00e7\u00f5es, principalmente para incentivar as brincadeiras em grupo, pois em outros dias as crian\u00e7as reproduzem por conta pr\u00f3pria o que aprenderam\u201d , relata a professora Claudia Chaimovitz (grupo 6).<\/p>\n<p>Incentivar a crian\u00e7a a buscar e enfrentar novos desafios, dentro de um espa\u00e7o seguro, contribui para a eleva\u00e7\u00e3o da autoestima e desenvolvimento da confian\u00e7a.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13259 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7-11-291x300.png\" alt=\"\" width=\"291\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7-11-291x300.png 291w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7-11.png 479w\" sizes=\"auto, (max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/><\/p>\n<p><strong>E o que dizem os personagens&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 sempre importante ouvir a voz das crian\u00e7as e dos profissionais para avaliar e repensar os encaminhamentos do projeto. Os depoimentos que constam deste artigo foram compilados a partir de uma pesquisa de satisfa\u00e7\u00e3o com os personagens desta a\u00e7\u00e3o. Os professores registraram suas impress\u00f5es e as crian\u00e7as desenharam e falaram sobre o recreio. Notamos que os desenhos s\u00e3o bem coloridos e as crian\u00e7as expressaram sua alegria e satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Por meio da experi\u00eancia com o recreio semidirigido, percebemos o quanto a viv\u00eancia pode ser positiva desde que o aluno n\u00e3o seja obrigado a participar das atividades oferecidas. Nada \u00e9 mais significativo para a crian\u00e7a do que a possibilidade de op\u00e7\u00e3o, com liberdade para criar e propor suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es, no tempo e no espa\u00e7o que desejar. E lembramos que n\u00e3o querer brincar tamb\u00e9m \u00e9 uma escolha poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Ao se deparar com novas possibilidades de brincadeiras e de intera\u00e7\u00e3o, a crian\u00e7a pode somar diferen\u00e7as, mantendo a sua individualidade em um ambiente coletivo e construindo seus pr\u00f3prios caminhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LINDA DERVICHE BLAJ E SILVIA VINOCUR KOCINAS\u00b9 MUDAN\u00c7AS NO RECREIO: A OFERTA DE DIFERENTES OP\u00c7\u00d5ES DE ESCOLHA TEVE A ADES\u00c3O DE CRIAN\u00c7AS E PROFESSORES O recreio pode ser um momento de intensa aprendizagem, mas, com frequ\u00eancia, tamb\u00e9m parece ser campo de conflitos, disputas e falta de envolvimento das crian\u00e7as em intera\u00e7\u00f5es significativas. 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