{"id":13165,"date":"2014-05-17T18:17:29","date_gmt":"2014-05-17T21:17:29","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13165"},"modified":"2024-01-21T23:39:43","modified_gmt":"2024-01-22T02:39:43","slug":"muito-alem-de-um-parque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-58\/muito-alem-de-um-parque\/","title":{"rendered":"Muito al\u00e9m de um parque"},"content":{"rendered":"<p>APARECIDA SCAPOLAN VIGO\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>A TRANSFORMA\u00c7\u00c3O DO PARQUE EM UM ESPA\u00c7O EXPRESSIVO ENVOLVEU TODA A COMUNIDADE ESCOLAR, E, PRINCIPALMENTE, AS CRIAN\u00c7AS<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13166 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-7-300x246.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-7-300x246.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-7.png 435w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Os primeiros anos de vida das crian\u00e7as s\u00e3o os mais importantes para estimular os sentidos e a curiosidade sobre o mundo. E as Artes Visuais desenvolvem um papel fundamental nesse processo ampliando a dimens\u00e3o de sonho, da for\u00e7a comunicativa dos objetos \u00e0 nossa volta, das cores e formas, dos gestos e luzes, da experimenta\u00e7\u00e3o, do senso cr\u00edtico e da aprecia\u00e7\u00e3o do belo. Quanto mais ela v\u00ea, toca, ouve, experimenta, mais a crian\u00e7a aprende e assimila, e mais produtiva ser\u00e1 sua imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Centro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CEI) Jardim Clipper\u00b2 \u00e9 um local que prev\u00ea uma rotina planejada do espa\u00e7o, do tempo e materiais para a constru\u00e7\u00e3o de saberes. Local em que as crian\u00e7as t\u00eam possibilidade de brincar com diversos materiais e brinquedos, interagir com crian\u00e7as e adultos, ouvir e ser ouvida, ser cuidada e ser aut\u00f4nomas, elementos fundamentais para ampliar seu repert\u00f3rio de experi\u00eancias e potencializar sua imagina\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Coordenadora pedag\u00f3gica do CEI Clipper, em S\u00e3o Paulo (SP).<br \/>\n2 Localizado na zona sul de S\u00e3o Paulo, atende a 255 crian\u00e7as de 0 a 3 anos, agrupadas por faixa et\u00e1ria em 12 salas de atividades.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13167 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-7-300x108.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"108\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-7-300x108.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-7-768x276.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-7.png 1021w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Essa constru\u00e7\u00e3o de saberes foi ampliada em 2013 com experimenta\u00e7\u00e3o de materiais encontrados na natureza e pouco explorados pelos alunos. A coordenadora pedag\u00f3gica prop\u00f4s aos docentes uma sequ\u00eancia did\u00e1tica que abrangesse experimenta\u00e7\u00e3o desses materiais.<\/p>\n<p>O parque da escola \u00e9 o local mais apreciado pelas crian\u00e7as, pois \u00e9 um espa\u00e7o de explora\u00e7\u00e3o, descobertas, intera\u00e7\u00e3o; portanto, ideal para o desenvolvimento desse trabalho com as crian\u00e7as. Mas nem sempre foi assim&#8230;<\/p>\n<p>O espa\u00e7o externo do CEI era o nosso grande desafio: o local era insalubre, solo alagado, terra argilosa e mato. Com apoio da diretora, visualizamos a possibilidade de investir na transforma\u00e7\u00e3o do parque a ser aproveitado em atividades pedag\u00f3gicas. Para tanto, um caminho precisaria ser percorrido para que pud\u00e9ssemos inclu\u00ed-lo como espa\u00e7o de intera\u00e7\u00e3o. Para compreender o tamanho desse desafio, \u00e9 necess\u00e1rio resgatarmos a hist\u00f3ria de sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Um terreno dif\u00edcil<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro passo foi investir na recupera\u00e7\u00e3o do terreno que come\u00e7ou com a drenagem. Foram colocadas<br \/>\nmanta e britas nos seus limites e a instala\u00e7\u00e3o de um reservat\u00f3rio para captar a \u00e1gua que flu\u00eda do terreno vizinho. A \u00e1rea era aberta, dando acesso ao terreno baldio e \u00e0 rua. Para garantir a seguran\u00e7a das crian\u00e7as, delimitamos essa \u00e1rea e nela constru\u00edmos um muro de prote\u00e7\u00e3o e alambrado.<\/p>\n<p>Pensando na nossa proposta pedag\u00f3gica, o CEI iniciou o projeto de parque com a coloca\u00e7\u00e3o de grama em toda a extens\u00e3o do terreno e a constru\u00e7\u00e3o de uma casinha de alvenaria. Em seguida, adquirimos um playground de madeira, e as crian\u00e7as come\u00e7aram a utilizar a \u00e1rea com outras possibilidades de explora\u00e7\u00f5es, vivenciando bons momentos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13168 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-7-300x239.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"239\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-7-300x239.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-7.png 455w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Depois disso, as atividades pedag\u00f3gicas foram interrompidas no parque devido ao desmoronamento do talude\u00b3. A terra e a vegeta\u00e7\u00e3o desceram invadindo parte do parque, destruindo a drenagem e o muro. A situa\u00e7\u00e3o piorou no per\u00edodo de chuvas: o talude cedeu em propor\u00e7\u00f5es desastrosas, colocando em risco a rua acima das instala\u00e7\u00f5es do CEI. Houve a necessidade da interven\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico municipal por meio da subprefeitura da Capela do Socorro que arcou com o projeto e obra de conten\u00e7\u00e3o. Mesmo com a obra conclu\u00edda ainda t\u00ednhamos problema com o escoamento de \u00e1gua de mina que deixava o terreno \u00famido; por isso, s\u00f3 investimos em brinquedos de pl\u00e1stico devido \u00e0 qualidade do solo.<\/p>\n<p>O processo foi dif\u00edcil, permeado de muitas discuss\u00f5es, reuni\u00f5es com os profissionais respons\u00e1veis pelo projeto de engenharia e a equipe da subprefeitura. \u00c0s vezes, fic\u00e1vamos sem usar o espa\u00e7o por uma semana; durante a obra, por v\u00e1rias semanas. Mesmo com a melhora do espa\u00e7o, parte da \u00e1gua que flui do terreno vizinho corria em canaletas a c\u00e9u aberto pela lateral do muro, chegando at\u00e9 o port\u00e3o que d\u00e1 acesso ao parque, deixando o local insalubre e feio.<\/p>\n<p>Apesar disso, n\u00e3o desistimos desse local e conseguimos deix\u00e1-lo em condi\u00e7\u00f5es seguras de ser ocupado como deve, por crian\u00e7as e brincadeiras.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 Inclina\u00e7\u00e3o na superf\u00edcie de um terreno, de um muro ou de uma obra.<\/h6>\n<p><strong>A arte invade o espa\u00e7o externo<\/strong><\/p>\n<p>Com o espa\u00e7o arrumado, muitas possibilidades se abriram; uma delas ligada \u00e0 Arte contempor\u00e2nea.<br \/>\nO projeto Arte contempor\u00e2nea e a crian\u00e7a de 0 a 3 anos<sup>4 <\/sup>favoreceu a reflex\u00e3o sobre a possibilidade de modificar o parque, fazendo a conex\u00e3o entre arte contempor\u00e2nea e o espa\u00e7o externo.<\/p>\n<p>Cada agrupamento do CEI Jardim Clipper escolheu um artista contempor\u00e2neo para o desenvolvimento<br \/>\ndas atividades. Os docentes do Minigrupo 1, que compreende a faixa et\u00e1ria de 2 a 3 anos, inspiraram-se na obra Paisagem encantada (1963) da artista Tereza D\u2019amico (1914-1965) que utiliza materiais naturais e t\u00e9cnica de colagem na maioria de suas obras. Suas colagens s\u00e3o feitas com pap\u00e9is recortados, tecidos, sementes, pedras, conchas, terras etc. Podemos observar na obra imagens de animais, caminhos, \u00e1gua, montanhas, flores e vegeta\u00e7\u00e3o. Cores bem vivas, que acabam por atrair os olhos dos pequenos.<\/p>\n<p>Assim, decidimos fazer algumas adequa\u00e7\u00f5es no parque tendo como inspira\u00e7\u00e3o a arte contempor\u00e2nea.<br \/>\nAcredit\u00e1vamos que a proposta provocaria interesse, j\u00e1 que o local \u00e9 o preferido da turminha. Al\u00e9m disso, observar a natureza e seus elementos n\u00e3o convencionais amplia o campo de experi\u00eancias das crian\u00e7as, uma vez que propomos novas formas de olhar e de experimentar.<\/p>\n<p>A ideia foi se materializando aos poucos. A primeira inten\u00e7\u00e3o foi encobrir a canaleta e construir um caminho em cima com a participa\u00e7\u00e3o art\u00edstica das crian\u00e7as, mas antes que isso se concretizasse fizeram uma outra obra: o muro coberto de elementos da natureza. No decorrer das atividades de colagem com os materiais naturais, colhidos por elas, percebemos que os pequenos os utilizavam com prazer e interesse. Surgiu a proposta de disponibilizar o muro como suporte para a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, consequentemente proporcionando outras possibilidades de explora\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o externo. Essa interven\u00e7\u00e3o foi desenvolvida em etapas:<\/p>\n<hr \/>\n<h6>4 Elaborado em 2013 com o aux\u00edlio das formadoras Denise Nalini e Mariana Americano do Instituto Avisa L\u00e1.<\/h6>\n<p><strong>1. Observa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em sala de aula, o docente instigou os alunos com perguntas sobre o que tem no parque. As respostas foram surgindo rapidamente: \u201cgira, gira&#8221;, \u201ccasinha\u201d \u201cjanela\u201d, \u201cescorregador\u201d, \u201ccastelo\u201d, \u201cbalan\u00e7o\u201d e \u201cbrinquedo\u201d. Todos falavam ao mesmo tempo, pareciam mestres no assunto brinquedos, mas n\u00e3o citaram outros aspectos que comp\u00f5em o ambiente como terra, vegeta\u00e7\u00e3o, port\u00e3o, pias com torneiras e outros materiais que eventualmente ficam no local. Os docentes, ent\u00e3o, provocaram os alunos com perguntas:<\/p>\n<p><em>\u2013 L\u00e1 tem \u00e1gua?<\/em><br \/>\n<em>\u2013 N\u00e3o, professora \u2013 falou Matheus.<\/em><br \/>\n<em>\u2013 Tem sim \u2013 afirmou Enzo.<\/em><br \/>\n<em>\u2013 Onde sai \u00e1gua?<\/em><br \/>\n<em>\u2013 \u00c1gua da torneira e da terra.<\/em><\/p>\n<p>Em seguida, todos foram para o parque, estimulados a observar os brinquedos, a vegeta\u00e7\u00e3o, o solo, os pr\u00e9dios do entorno, os objetos. Tiraram fotos do local para, mais tarde, servir como material de observa\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a est\u00e9tica do local. Thifany apontou um arbusto florido no quintal vizinho, admirada com a beleza; Janayna comentou:<br \/>\n<em>\u2013 Minha casa tem muitas plantas.<\/em><\/p>\n<p>A crian\u00e7a, desde que nasce, recebe gradativamente informa\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas, pois est\u00e1 inserida em um cen\u00e1rio com imagens, com objetos e elementos naturais, que podem encantar ou passar despercebidos.<br \/>\nQuando chega \u00e0 escola j\u00e1 possui uma experi\u00eancia est\u00e9tica pr\u00f3pria; por isso reage com admira\u00e7\u00e3o \u00e0 beleza das flores, se encanta com o c\u00e9u azul ou com o verde das plantas. A escola pode refinar e agu\u00e7ar as experi\u00eancias j\u00e1 existentes e propor outras tantas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13169 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-7-300x244.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-7-300x244.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-7.png 424w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>2. Coleta<\/strong><\/p>\n<p>Em roda de conversa, foi explicado que a brincadeira da manh\u00e3 seria \u201cca\u00e7a ao tesouro\u201d. Logo percebeu-se um alvoro\u00e7o: risadinhas, olhares curiosos, alguns pensativos, palminhas. Parecia que o divertimento prometia naquela manh\u00e3. A turminha foi convidada a coletar o \u201ctesouro\u201d que consistia em elementos naturais: folhas, galhos, pedras e sementes\u00a0 Foram disponibilizadas sacolinhas para guardar os elementos encontrados. Estimulados pela brincadeira, foram passeando e olhando para baixo; alguns ficavam olhando o solo por alguns minutos talvez observando algum inseto. N\u00e3o nos aproximamos muito para n\u00e3o interferir na brincadeira. \u00c0s vezes, paravam e mostravam o que haviam encontrado. Muito concentrados, todos procuravam os seus \u201ctesouros\u201d. Houve muita intera\u00e7\u00e3o e liberdade.<\/p>\n<p>De volta \u00e0 sala de aula, \u201cos tesouros\u201d foram depositados sobre o tatame; em seguida, separados em caixas de papel\u00e3o e guardados para a atividade de colagem.<\/p>\n<p>Depois dessa primeira experimenta\u00e7\u00e3o, partimos para uma mais complexa. Foram confeccionadas sacolinhas individuais em TNT pintadas por eles. Depois de prontas, as crian\u00e7as levaram-nas para casa para coletar materiais naturais com a fam\u00edlia. A atividade foi estendida por uma semana para que todos participassem. E os materiais foram chegando aos poucos. Chegavam \u00e0 escola animados com suas sacolinhas cheias de sementes, folhas, pedras, paus, mostrando a todos o que tinham coletado em casa.<\/p>\n<p>Houve participa\u00e7\u00e3o significativa dos pais, considerada a quantidade de materiais que as crian\u00e7as traziam nas sacolas. Por tr\u00eas vezes, Jo\u00e3o trouxe sua sacola cheia de materiais. Alguns pais, na entrada, perguntavam aos docentes o que deveriam coletar com os filhos. Outros escreviam recadinhos na agenda sobre os materiais. Lucas, orgulhoso, mostrava para os colegas de sala os gr\u00e3os de caf\u00e9 que ele havia trazido; as crian\u00e7as pegavam e cheiravam, curiosos. A m\u00e3e da Yasmin ficou t\u00e3o empenhada que mandou para escola sementes frescas de piment\u00e3o. Mas o que causou maior interesse foi a semente de cacau trazida pelo aluno Gustavo. Logo a turminha estava em volta do achado, cheirando-o e apertando-o. O interesse pelo cacau foi motivo de pesquisa para satisfazer a curiosidade da turma.<\/p>\n<p>A roda de conversa, ap\u00f3s esse fim de semana, teve como assunto principal a coleta de materiais naturais com a fam\u00edlia, diferentemente dos demais, em que o assunto abordado \u00e9 o passeio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13170 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-7-300x222.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-7-300x222.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-7.png 303w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Paisagem encantada<\/strong><\/p>\n<p>Tereza D\u2019Amico (1914\/1965), artista brasileira, escultora e pintora, iniciou seus estudos em escultura em 1938 na Escola de Belas-Artes de S\u00e3o Paulo, e depois, no atelier de Victor Brecheret. Suas obras abordam temas populares, rurais e religiosos e as colagens s\u00e3o feitas com pap\u00e9is recortados, tecidos, sementes, pedras, conchas e rendas coloridas acompanhados de desenhos aplicados.<\/p>\n<p>Essa obra foi exposta na exposi\u00e7\u00e3o TEREZA D&#8217;AMICO: 1957 \u2013 1965 realizada pela Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo em 2010.<\/p>\n<h6>Fonte: http:\/\/www.pinacoteca.org.br\/pinacoteca-pt\/default.aspx?c=exposicoes&amp;idexp=1066&amp;mn=537&amp;friendly=Exposicao-Tereza-D<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13171 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-6-300x199.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-6-300x199.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-6.png 710w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>3. Aprecia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O processo de cria\u00e7\u00e3o depende de algumas interven\u00e7\u00f5es: oferecer materiais e suportes diversos, estimular as crian\u00e7as a partir de suas experi\u00eancias e, tamb\u00e9m, da aprecia\u00e7\u00e3o de imagens, o que envolve a observa\u00e7\u00e3o, o questionamento, a descoberta e o despertar da capacidade cr\u00edtica. Contando com isso, apresentamos a obra Paisagem encantada (1963). Foi explicado para a turma que a artista comp\u00f4s a obra utilizando materiais naturais, semelhantes aos que eles haviam coletado no parque e nos quintais de casa. A professora iniciou um questionamento para eles verbalizarem suas percep\u00e7\u00f5es. A princ\u00edpio, eles priorizam a beleza e as cores quando questionados sobre o que haviam identificado na obra, puderam revelar que a observa\u00e7\u00e3o estava atenta: a \u00e1rvore \u00e9 azul; o sol, professora, t\u00e1 dentro do mar; eu t\u00f4 vendo uma bola; eu trouxe a pedra igual, n\u00e9, professora? Giovanna ficou mais tempo apreciando: passava a m\u00e3o sobre a imagem; deslizava os dedos sobre a gravura; \u00e0s vezes, parava em algum ponto; depois continuava o exame, percorrendo com os dedos em gestos lentos. Ficou ainda envolvida por alguns minutos, depois foi brincar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13172 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7-6-281x300.png\" alt=\"\" width=\"281\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7-6-281x300.png 281w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7-6.png 365w\" sizes=\"auto, (max-width: 281px) 100vw, 281px\" \/><\/p>\n<p><strong>4. Colagem<\/strong><\/p>\n<p>Em roda, foi combinado que eles fariam a colagem dos materiais que estavam nas caixas. Foi disponibilizado papel\u00e3o, papel kraft, sulfite e papel-cart\u00e3o como suporte, al\u00e9m de cola branca, rolinho<br \/>\nde espuma e pinc\u00e9is. As produ\u00e7\u00f5es foram expostas para aprecia\u00e7\u00e3o de todos. A atividade foi repetida com suporte de papel\u00e3o e massa corrida. Quando j\u00e1 estavam bem familiarizados com a atividade,<br \/>\naconteceu a colagem coletiva no muro da escola. Preparamos o local com mesa para colocar as caixas com os materiais colhidos, intencionalmente para que os alunos fizessem suas escolhas. O muro foi preparado com massa corrida e, em seguida eles iniciaram a colagem. Achavam tudo divertido, pois sorriam muito.<\/p>\n<p>A turma se mostrava cada vez mais interessada nos materiais naturais. Em recrea\u00e7\u00e3o no parque, coletavam-nos sem orienta\u00e7\u00e3o dos professores, guardando-os nos bolsos. De volta \u00e0 sala, os docentes perceberam que os alunos estavam com os bolsos cheios de pedras, capim, folhas, gravetos para fazer colagem. Devido ao interesse, a colagem chegou at\u00e9 mesmo \u00e0 moldura do espelho da sala, \u00e0s caixas de feira que serviam como estante de livros.<\/p>\n<p>Os materiais naturais tamb\u00e9m estavam presentes nas brincadeiras simb\u00f3licas. As crian\u00e7as brincavam de casinha com as pedrinhas, as folhas viravam \u201ccomidinhas\u201d. Matheus, por exemplo, fez \u00e1rvore com folhas e pedras. Percebemos que a atividade deixou-os mais soltos, aut\u00f4nomos, melhorando consideravelmente a autoestima.<\/p>\n<p><strong>Constru\u00e7\u00e3o de um caminho<\/strong><\/p>\n<p>Depois de finalizada a obra de colagem em um dos muros \u00e9 que a proposta inicial de cobrir a canaleta e construir um caminho em cima foi concretizada. S\u00e9rgio, um morador do bairro, ajudou-nos a canalizar a valeta que ficava ao lado do muro. Solucionado o problema, pudemos construir o caminho com a participa\u00e7\u00e3o dos alunos. A ideia era fazer uma conex\u00e3o do port\u00e3o do parque at\u00e9 o tanque de areia e, em seu trajeto, uma ponte de madeira para provocar desafios e emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o local preparado, conversamos muito sobre qual seria o formato. Ficou definido que deveria ter mais ou menos quatro metros de comprimento. As professoras delimitaram o ch\u00e3o com peda\u00e7os de madeira em linha reta, para ter ideia de como ficaria, mas n\u00e3o parecia atraente aos nossos olhos. \u00c0s vezes, fic\u00e1vamos observando o local imaginando com fi caria em linha reta ou curva. Em um desses momentos de observa\u00e7\u00e3o, ouviu-se algu\u00e9m dizer: Deve ser como caminho de ro\u00e7a. Foi a\u00ed que definimos que deveria parecer natural, isto \u00e9, irregular. Marcamos o local de forma irregular, colocamos tiras de PVC para delimitar o espa\u00e7o e, assim, as crian\u00e7as puderam explorar o caminho j\u00e1 demarcado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13173 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8-6-300x229.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"229\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8-6-300x229.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8-6.png 449w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Na semana seguinte, em roda de conversa, foi explicado que eles fariam a colagem de pedras coloridas no caminho. Depois dos combinados, levamos as crian\u00e7as para o parque, separamos as pedras em potes por cores. Organizamos a turma na lateral do caminho e os potinhos foram colocados no ch\u00e3o para que pudessem fazer suas escolhas. S\u00e9rgio preparava e colocava o cimento molhado no local demarcado; as crian\u00e7as, com as m\u00e3os protegidas com luvas de pl\u00e1stico, colocavam as pedras no cimento. Percebemos muita concentra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m ouviam-se gritinhos e gargalhadas a todo momento.<\/p>\n<p>Luan (gritando alegre) \u2013 <em>Isto \u00e9 muito divertido.<\/em><br \/>\nLaura \u2013 <em>Ficou colorido!<\/em><\/p>\n<p>Para melhorar a est\u00e9tica, plantamos coqueiros nas laterais. Os alunos participaram, completando com a terra e fazendo a irriga\u00e7\u00e3o di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em alguns espa\u00e7os do caminho ficaram faltando pedras; outros, com muitas vermelhas; alguns, com mais verdes ou azuis. Foi uma \u201cdesorganiza\u00e7\u00e3o\u201d linda.<\/p>\n<p>A cena foi inusitada. As crian\u00e7as caminhavam pela primeira vez sobre o caminho que elas haviam ajudado a construir e, sem exce\u00e7\u00e3o, todas olhavam para baixo, apreciando a \u201cobra de arte\u201d. Pequenos artistas que experimentaram e fizeram arte, agora produtores da hist\u00f3ria do CEI Clipper.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13174 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/9-4-300x218.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/9-4-300x218.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/9-4.png 466w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Parque incorporado<\/strong><\/p>\n<p>O parque passou por v\u00e1rios processos de transforma\u00e7\u00e3o, mas este \u00faltimo foi o que mais deu prazer pelo fato de as crian\u00e7as serem coautoras da transforma\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s essa experi\u00eancia, o parque passou a ser visto com outro olhar. Al\u00e9m dos brinquedos convencionais, as crian\u00e7as t\u00eam mais interesse nos elementos da natureza: na areia, na \u00e1gua, nas folhas secas e pedras. Isso tudo se juntou \u00e0s brincadeiras di\u00e1rias.<\/p>\n<p>O primeiro contato que eles tiveram com o tanque de areia foi uma festa. Alguns chegavam e paravam<br \/>\nnas bordas, colocavam as m\u00e3os na areia com gestos t\u00edmidos; outros entravam ao primeiro convite do docente. N\u00e3o demorou muito para que o tanque de quatro metros quadrado ficasse pequeno. Cada um brincava ao seu modo, com baldes e p\u00e1s, cavando t\u00fanel, jogando areia na cabe\u00e7a do colega ou simplesmente tocando na areia. A farra era t\u00e3o intensa que os vizinhos do lado direito davam uma espiadinha por cima do muro. Gustavo foi o que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o. Ele entrou no tanque, pegou a areia com as duas m\u00e3os, observou-a, depois come\u00e7ou a passar a areia por todo o corpo com gestos lentos. Come\u00e7ou pelos ombros; desceu para os bra\u00e7os, barriga e pernas. Fez esse ritual v\u00e1rias vezes. Compenetrado, n\u00e3o se importava com nada \u00e0 sua volta. Depois curtiram um banho de mangueira, pr\u00e1tica bastante conhecida por nossos alunos.<\/p>\n<p>Cada um \u00e0 sua maneira demostrava satisfa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s modifica\u00e7\u00f5es. Daniel, ao chegar \u00e0 escola, dirigia seus pais at\u00e9 o parque, apontava, observava o local antes de entrar na sala atividades. A hora da entrada e da sa\u00edda \u00e9 o momento em que mais eles manifestam suas percep\u00e7\u00f5es, fazem coment\u00e1rios orgulhosos sobre o espa\u00e7o, conduzem seus pais pela m\u00e3o para mostrar o que gosta no espa\u00e7o. A horta passou a ser atra\u00e7\u00e3o pequenos. Eles sempre d\u00e3o uma paradinha para tocar e cheirar as folhagens.<\/p>\n<p>As modifica\u00e7\u00f5es provocaram conflito na maneira de pensar dos professores, que tiveram a possibilidade de alimentar tantos saberes inspirados na arte contempor\u00e2nea, compartilhados com crian\u00e7as, fam\u00edlias e escola. Foram inovadoras para a equipe as in\u00fameras pr\u00e1ticas vivenciadas. Os educadores perceberam que, quando h\u00e1 intencionalidade educativa, a constru\u00e7\u00e3o de saberes acontece por meio de materiais muito simples. A Arte e o brincar, quando combinados, resultam em crian\u00e7as felizes, aut\u00f4nomas e soltas.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o de postura dos profissionais de apoio foi muito significativa, em especial da funcion\u00e1ria Ti\u00ea, que desenvolveu uma sensibilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza e ao belo. Ela auxilia na limpeza e cuida com muito esmero e carinho da nossa horta. Esse cuidado se estendeu at\u00e9 a cozinha, pois sempre temos um novo ingrediente na prepara\u00e7\u00e3o do card\u00e1pio. As saladas, os molhos e os sucos ganharam um toque especial com produtos da horta. A equipe de apoio e da cozinha n\u00e3o se contenta apenas com a din\u00e2mica pr\u00f3pria da rotina do CEI. A est\u00e9tica do novo espa\u00e7o refinou ainda mais o olhar. Hoje h\u00e1 vasos de flores no refeit\u00f3rio, flores no jardim, e a apresenta\u00e7\u00e3o do card\u00e1pio est\u00e1 impec\u00e1vel.<\/p>\n<p>Atribu\u00edmos todos esses cuidados com o espa\u00e7o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica<sup>5 <\/sup>que a equipe de limpeza e cozinha teve paralelamente ao projeto Arte contempor\u00e2nea e crian\u00e7a de 0 a 3 anos.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o e a coordena\u00e7\u00e3o acolhem com prazer e respeito a contribui\u00e7\u00e3o desse grupo, aceitando sugest\u00f5es e investindo na continuidade desse projeto. J\u00e1 come\u00e7amos a pensar em uma nova interven\u00e7\u00e3o:<br \/>\ntornar o espa\u00e7o mais arborizado e frut\u00edfero. Um dia sentaremos \u00e0 sombra dessas \u00e1rvores e veremos as crian\u00e7as brincando nos galhos, investigando insetos, observando borboletas e p\u00e1ssaros atra\u00eddos pelas flores e pelos frutos.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>5 Com Elza Corsi, nutricionista e formadora do Instituto Avisa L\u00e1.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>APARECIDA SCAPOLAN VIGO\u00b9 A TRANSFORMA\u00c7\u00c3O DO PARQUE EM UM ESPA\u00c7O EXPRESSIVO ENVOLVEU TODA A COMUNIDADE ESCOLAR, E, PRINCIPALMENTE, AS CRIAN\u00c7AS Os primeiros anos de vida das crian\u00e7as s\u00e3o os mais importantes para estimular os sentidos e a curiosidade sobre o mundo. 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