{"id":13120,"date":"2014-05-17T13:04:01","date_gmt":"2014-05-17T16:04:01","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13120"},"modified":"2024-01-21T23:40:11","modified_gmt":"2024-01-22T02:40:11","slug":"que-conversa-e-essa-depois-da-leitura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-58\/que-conversa-e-essa-depois-da-leitura\/","title":{"rendered":"Que conversa \u00e9 essa depois da leitura?"},"content":{"rendered":"<p>ANA CAROLINA CARVALHO\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>QUEM GOSTA DE LER COSTUMA COMENTAR COM AS PESSOAS PR\u00d3XIMAS SUAS IMPRESS\u00d5ES SOBRE O QUE LEU. ESTE \u00c9 UM COMPORTAMENTO LEITOR QUE PROPORCIONA BOAS INTERA\u00c7\u00d5ES. COMO DISSEMINAR ISSO NA ESCOLA PARA AMPLIAR O GOSTO PELA LEITURA?<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13121 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-4-300x277.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-4-300x277.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-4.png 588w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Uma cena bem comum nas escolas, depois de o professor ler um texto liter\u00e1rio para as crian\u00e7as, \u00e9 propor uma atividade para saber o que os alunos compreenderam do que foi lido. Ao passar pelas salas de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, n\u00e3o \u00e9 raro encontrarmos propostas de desenho da cena preferida da hist\u00f3ria, do personagem mais marcante, de um cen\u00e1rio da hist\u00f3ria. No Ensino Fundamental, as propostas costumam variar um pouco. Em geral, formulam-se v\u00e1rias perguntas para verificar se os alunos leram o texto ou se compreenderam a \u201cmensagem\u201d do texto o que pode contribuir para afastar as crian\u00e7as dos livros. Mesmo propostas aparentemente mais \u201cleves\u201d, como escrever uma frase sobre a hist\u00f3ria, o nome do personagem preferido, a proposi\u00e7\u00e3o em desenho ou texto com um fim diferente ou uma dramatiza\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria, n\u00e3o contribuem para aproximar as crian\u00e7as da leitura. Por que essas propostas ainda s\u00e3o frequentes? Ser\u00e1 que elas ensinam \u00e0s crian\u00e7as algo mais sobre a leitura de literatura? Ou sobre o que significa ler por prazer? O que \u00e9 comum fazer depois de uma leitura? Desenhar? Escrever um final diferente? Dramatizar? Se a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrar aos alunos as variadas dimens\u00f5es da leitura liter\u00e1ria, em quais delas essas atividades se encaixariam?<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Psic\u00f3loga, formadora do Instituto Avisa L\u00e1, mestranda em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) \u2013 S\u00e3o Paulo.<\/h6>\n<p>Lembro-me de algumas conversas que tive com professores com o intuito de entender esse mito relativo ao que fazer depois de ler. Por exemplo, depois de uma boa leitura, pedir para desenhar a parte que mais gostaram. Quanta reclama\u00e7\u00e3o! N\u00e3o era raro ouvir, em un\u00edssono: n\u00f3s n\u00e3o queremos desenhar, queremos falar sobre o texto, conversar sobre o que sentimos, contar algo de que nos lembramos, trocar impress\u00f5es com outros leitores.<\/p>\n<p>E \u00e9 compreens\u00edvel que os professores queiram fazer tudo isso depois de uma leitura, pois \u00e9 isto mesmo o que fazemos quando lemos e desejamos compartilhar o que foi lido com outras pessoas. Estes s\u00e3o comportamentos leitores t\u00edpicos, e ser leitor significa expor suas opini\u00f5es. Conversar sobre o texto, trocar ideias com outros leitores, reler trechos preferidos, indicar aquilo que lemos para outra pessoa. Nada de desenhar, escrever outro final ou dramatizar, certo? Ent\u00e3o, por que propor isso \u00e0s crian\u00e7as?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13122 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-4-180x300.png\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-4-180x300.png 180w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-4.png 387w\" sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/><\/p>\n<h5>Desenhar, dramatizar para compreender?<\/h5>\n<p>Certa vez, numa palestra na regi\u00e3o Norte do Brasil, um professor, muito indignado, me interpelou: eu proponho que as crian\u00e7as desenhem depois de ler porque a arte \u00e9 uma forma de express\u00e3o infantil muito importante e eu acredito que desta maneira elas se expressam muito melhor. Respondi a esse professor que, logicamente, o desenho tem de estar no cotidiano da escola; deve ser foco de investimento constante, di\u00e1rio e permanente do professor, que precisa conhecer o percurso da crian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao desenho para propor atividades que possam instigar os alunos, oferecer desafios etc. Mas o desenho, considerando toda a sua import\u00e2ncia, n\u00e3o faz parte dos comportamentos leitores, ou seja, das a\u00e7\u00f5es realizadas quando lemos uma hist\u00f3ria. Neste caso, podemos at\u00e9 escrever uma resenha, uma indica\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, mas \u00e9 muito dif\u00edcil que venhamos a escrever outro final, assim como \u00e9 quase imposs\u00edvel que desenhemos algo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>E a dramatiza\u00e7\u00e3o? Talvez a dist\u00e2ncia do desenho e da proposta de escrita de outro final fique at\u00e9 mais evidente em rela\u00e7\u00e3o aos comportamentos leitores. Mas o que dizer da dramatiza\u00e7\u00e3o? J\u00e1 ouvi bastante<br \/>\nem encontros de forma\u00e7\u00e3o: As dramatiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o ajudam os alunos a se apropriarem do texto? Sim,<br \/>\npenso que podem ajudar na apropria\u00e7\u00e3o do conte\u00fado do texto, mas ser\u00e1 este o objetivo \u00faltimo da forma\u00e7\u00e3o de leitores? \u00c9 para isso mesmo que lemos literatura? O que mais importa numa hist\u00f3ria \u00e9 o<br \/>\nconte\u00fado ou a forma como ele foi escrito, aparecendo a\u00ed o trabalho do autor, a maneira como ele nos conta algo; a forma como nos envolve na hist\u00f3ria, em seu drama, nas suas tramas? Quando escolhemos uma atividade de dramatiza\u00e7\u00e3o, em geral n\u00e3o privilegiamos o que a literatura tem de mais precioso. Resumimos frases, inventamos um modo de falar, eliminamos partes do texto. Mas n\u00e3o existem romances e contos que s\u00e3o adaptados para o teatro? Sim, \u00e9 evidente. Mas seria preciso realizar um trabalho de adapta\u00e7\u00e3o do texto, o que em geral n\u00e3o acontece. Dramatizar implica conhecimentos e textos espec\u00edficos. Certamente, caberia muito mais dramatizar textos teatrais, que, ali\u00e1s, costumam entrar muito pouco na escola.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13123 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-4-297x300.png\" alt=\"\" width=\"297\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-4-297x300.png 297w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-4.png 754w\" sizes=\"auto, (max-width: 297px) 100vw, 297px\" \/><\/p>\n<h5>Para al\u00e9m de medir e checar<\/h5>\n<p>De onde v\u00eam, ent\u00e3o, essas pr\u00e1ticas, esses mitos escolares em torno da leitura? Lembro-me de uma palestra\u00b2 do escritor Bartolomeu Campos de Queir\u00f3s\u00b3 em que ele questionou a necessidade de a escolar medir tudo, dar nota para tudo. O que fazer no caso da literatura? D\u00e1 para medir a rela\u00e7\u00e3o dos alunos \u2013 ou de qualquer pessoa \u2013 com o texto liter\u00e1rio? O que acontece quando lemos literatura? Para que caminhos um texto pode nos levar? Que conhecimentos, pensamentos, experi\u00eancias acionamos<br \/>\nquando lemos um texto que nos toca? Ser\u00e1 que n\u00f3s mesmos, com\u00a0 leitores, temos consci\u00eancia de tudo o que pensamos quando entramos em contato com um texto, como ele nos emociona, de que maneira nos muda? Temos consci\u00eancia de algumas coisas, mas n\u00e3o de todas.<\/p>\n<p>Na escola, quando lemos um texto para os alunos, tamb\u00e9m temos de levar em considera\u00e7\u00e3o que muito do que eles ir\u00e3o pensar e sentir pode nos escapar. N\u00e3o porque fomos displicentes ou maus professores, mas porque esta \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o deste objeto, que \u00e9 a literatura. Os sil\u00eancios do texto, a sua for\u00e7a, a forma como \u00e9 constru\u00eddo determinam aproxima\u00e7\u00f5es muito subjetivas com a escrita, e se a escola pretende formar leitores, ter\u00e1 de lidar com esse fato inexor\u00e1vel: n\u00e3o vai controlar<sup>4<\/sup>\u00a0tudo o que o texto provoca em seus leitores. N\u00e3o d\u00e1 para transformar toda essa aproxima\u00e7\u00e3o em atividades. Ou, como nos disse Bartolomeu, n\u00e3o d\u00e1 para medir esse contato.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13124 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-4-253x300.png\" alt=\"\" width=\"253\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-4-253x300.png 253w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-4.png 479w\" sizes=\"auto, (max-width: 253px) 100vw, 253px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o seriam essas propostas de desenho, de escrita e de dramatiza\u00e7\u00e3o uma tentativa de controlar o que os alunos entenderam do texto? Mas qual seria a forma de o professor se aproximar mais daquilo que os alunos pensaram sobre o que leram, qual a compreens\u00e3o que tiveram, sen\u00e3o por uma conversa sobre as impress\u00f5es acerca da leitura? Divaga\u00e7\u00f5es variadas sobre o que foi lido, associa\u00e7\u00f5es de cada um? Olhar para a beleza do texto, para o modo como o autor nos apresenta aquilo que deseja contar e conversar sobre isso?<\/p>\n<h5>A troca de impress\u00f5es<\/h5>\n<p>Cec\u00edlia Bajour, em seu livro Ouvir nas entrelinhas \u2013 o valor da escuta nas pr\u00e1ticas de leitura<sup>5\u00a0<\/sup>, afirma que falar sobre um texto \u00e9, de certa forma, \u201cvoltar a l\u00ea-lo\u201d, e a conversa pode ser muito reveladora sobre a forma como nos relacionamos com aquela leitura, de que maneira aquilo nos tocou, o que pensamos sobre ele. Quando falamos para um outro a respeito do que pensamos, entramos em contato com o texto de outra maneira e nos apropriamos de nossa leitura, de nossos pensamentos sobre aquela leitura e reconhecemos os efeitos daquela escrita em n\u00f3s.<br \/>\nSegundo Bajour:<\/p>\n<p>A explicita\u00e7\u00e3o daquilo que sussurra nas cabe\u00e7as dos leitores \u2013 ou seja, a manifesta\u00e7\u00e3o da palavra, do sil\u00eancio e dos gestos que o encontro com os textos suscita \u2013 leva-me a compartilhar a afi rma\u00e7\u00e3o de Aidan Chambers de que o ato de leitura consiste em grande medida na conversa sobre os livros que lemos. Em seu livro Diga-me, imprescind\u00edvel para pensar o tema da escuta, ele inclui o texto de um colega que cita Sarah, uma menina de oito anos: \u201cN\u00e3o sabemos o que pensamos sobre um livro<br \/>\nat\u00e9 que tenhamos falado\u00a0dele\u201d<sup>6<\/sup>.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>2 Semin\u00e1rio Prazer em ler, organizado pelo Instituto C&amp;A, realizado em S\u00e3o Paulo (SP) em 2007.<br \/>\n3 Bartolomeu Campos de Queir\u00f3s (1944-2012) foi um escritor mineiro. Destacou-se, sobretudo, pela sua prosa po\u00e9tica e escreveu em<br \/>\ntorno de 40 livros, em sua maioria, destinados ao p\u00fablico infantojuvenil. Entre seus t\u00edtulos de maior sucesso est\u00e3o At\u00e9 passarinho<br \/>\npassa, Onde tem bruxa tem fada, Por parte de pai, Vermelho amargo, entre outros.<br \/>\n4 Ler e escrever na escola: o real, o poss\u00edvel e o necess\u00e1rio, de Delia Lerner. Editora ArtMed: Porto Alegre, 2002. Neste livro, a autora<br \/>\ndesenvolve essa quest\u00e3o do controle em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura, observando que os \u00fanicos aspectos que podem ser controlados na leitura<br \/>\ns\u00e3o: a habilidade, a flu\u00eancia e a checagem de conhecimento. De fato, a experi\u00eancia leitora n\u00e3o se encaixa nos moldes do controle.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13125 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-4-300x189.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"189\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-4-300x189.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-4.png 613w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A autora vai um pouco mais longe, ao desenvolver a ideia de que a conversa com outros leitores tamb\u00e9m possibilita novas constru\u00e7\u00f5es de sentido, j\u00e1 que \u00e9 a partir de trocas de impress\u00f5es sobre o texto, de fragmentos de ideias, sensa\u00e7\u00f5es, associa\u00e7\u00f5es, que podemos ampliar nossa rela\u00e7\u00e3o com o texto, expandir os sentidos, transformando nossa primeira aproxima\u00e7\u00e3o a partir dos olhares de outros leitores, de suas associa\u00e7\u00f5es, de suas hist\u00f3rias com aquela leitura.<\/p>\n<p>Mas&#8230; ser\u00e1 que \u00e9 somente a leitura que nos ensina a conversar sobre o que lemos? Ou seja, basta ler para saber conversar? Ou isso tamb\u00e9m aprendemos? Se uma aprendizagem \u00e9 necess\u00e1ria, o que \u00e9 preciso ser feito para que possamos aprender? \u00c9 prov\u00e1vel que aquele professor que me interpelou na palestra tamb\u00e9m estivesse querendo me dizer o seguinte: Desenhar meus alunos j\u00e1 sabem, mas ser\u00e1 que saberiam conversar? E eu poderia responder a ele, se nossa conversa tivesse ido mais longe: talvez n\u00e3o saibam, mas podem aprender. Sim, a conversa entre leitores \u00e9 um comportamento, uma a\u00e7\u00e3o que se aprende e se aprimora, e se a escola pretende formar leitores, \u00e9 tamb\u00e9m a sua fun\u00e7\u00e3o proporcionar trocas significativas, conversas entre leitores que possam ressignificar e enriquecer a aproxima\u00e7\u00e3o,<br \/>\nos entendimentos, as associa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis que o texto pode propiciar.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>5 Editora Pulo do Gato: S\u00e3o Paulo, 2013.<br \/>\n6 Idem, p. 22.<br \/>\n7 A literatura infantil nasce com a escola da \u00e9poca moderna e com um novo conceito acerca da inf\u00e2ncia, como uma fase especial, que<br \/>\nnecessita de cuidados nas esferas f\u00edsica, moral e psicol\u00f3gica. Este conceito, como observou Philippe Ari\u00e8s, foi cunhado a partir das<br \/>\ntransforma\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia, que passou a adquirir novo enquadramento (nuclear) com o fim do feudalismo e entrada na \u00e9poca moderna. A literatura infantil surge como um instrumento da escola, para ajudar a educar\/moralizar as crian\u00e7as.<\/h6>\n<h5>A conversa e as li\u00e7\u00f5es de moral<\/h5>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que a conversa ap\u00f3s a leitura n\u00e3o exista na escola, mas, muitas vezes, ela costuma seguir alguns contornos espec\u00edficos, que t\u00eam a ver com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria de inser\u00e7\u00e3o<sup>7\u00a0<\/sup>da leitura liter\u00e1ria no meio escolar. O trecho a seguir, extra\u00eddo do meu di\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o, exemplifica o que estou dizendo:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13126 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-3-152x300.png\" alt=\"\" width=\"152\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-3-152x300.png 152w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-3.png 367w\" sizes=\"auto, (max-width: 152px) 100vw, 152px\" \/><\/p>\n<p><strong>Di\u00e1rio da Forma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Grupo de professores de uma escola de Educa\u00e7\u00e3o Infantil em munic\u00edpio da Grande S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Numa das escolas em que trabalhei como formadora, v\u00e1rias vezes abordei com as professoras o que fazer depois de ler uma hist\u00f3ria com as crian\u00e7as. O que quer\u00edamos com a leitura de um conto, de um livro de literatura infantil, que tipo de experi\u00eancia desej\u00e1vamos que os alunos tivessem ao lermos uma hist\u00f3ria para eles? Conversamos muitas vezes sobre esse casamento t\u00e3o forte que encontramos na escola entre literatura e moral. Por que ca\u00edamos t\u00e3o facilmente nas li\u00e7\u00f5es de moral? Numa das conversas, uma das professoras afirmou: \u201cPorque esta foi a aproxima\u00e7\u00e3o que tivemos com a literatura na escola; isto est\u00e1 muito marcado na gente, e mesmo sabendo que podemos ter outra aproxima\u00e7\u00e3o, na hora da conversa, \u00e9 muito dif\u00edcil fazer diferente\u201d. Nessas forma\u00e7\u00f5es, discut\u00edamos a origem dessa hist\u00f3ria toda, procurando entender a que respondia essa necessidade de educar moralmente as crian\u00e7as por meio da literatura, quais eram as origens dessa uni\u00e3o, para que ela servia. Tamb\u00e9m l\u00edamos muito nas forma\u00e7\u00f5es, propondo outras formas de aproxima\u00e7\u00e3o com o texto. Ler e conversar sobre o que o texto nos havia feito pensar, imaginar e sentir era o melhor caminho para que aqueles professores experimentassem outras abordagens. Depois de algumas rodas de leitura e de conversas havia chegado o momento de uma das professoras realizar a sua roda para o grupo e preparar uma conversa para depois. O texto foi muito bem escolhido. A professora preparou a leitura, tudo feito com o maior cuidado. A professora leu com entona\u00e7\u00e3o, preocupando-se com a escuta dos outros professores, fazendo algumas paradas estrat\u00e9gicas, olhando para o p\u00fablico, atenta que estava \u00e0 forma como os ouvintes relacionavam-se com o que ela lia. Ao final da leitura, a conversa. A professora tamb\u00e9m havia planejado esse momento, mas, ao faz\u00ea-lo, foi provavelmente buscar em sua experi\u00eancia de aluna o mote para a conversa. Ent\u00e3o come\u00e7ou dizendo o que achava que o conto nos ensinava, que aquele texto queria nos mostrar como dever\u00edamos agir em determinada situa\u00e7\u00e3o. Notei que, naquele momento, corr\u00edamos o risco de que a conversa virasse um mon\u00f3logo, com a professora contando ao grupo o que, \u201cna verdade\u201d, aquele texto queria dizer. Com isso, percebi que os professores precisam viver muitas vezes essa troca entre leitores, em especial aqueles que n\u00e3o tiveram essa oportunidade para al\u00e9m do contexto escolar.<\/p>\n<p>Naquele dia, durante a forma\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s a fala inicial da professora, eu acabei entrando em cena, pois<br \/>\npercebi que a sua fala havia tido o mesmo efeito que uma fala contundente de um professor costuma ter<br \/>\nnas crian\u00e7as: todos se calaram, aceitando aquela verdade, deixando de pensar outras coisas sobre o texto. Acho que esse \u00e9 o efeito mais s\u00e9rio que essa postura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura liter\u00e1ria, t\u00e3o comum nas escolas, pode causar nos alunos. \u00c9 o mais s\u00e9rio porque mina o que h\u00e1 de mais rico em rela\u00e7\u00e3o ao nosso contato com a literatura: a constru\u00e7\u00e3o de um di\u00e1logo pessoal com os textos.<\/p>\n<p>Para mudar um pouco o cen\u00e1rio, propus outro caminho, falando algo do tipo: \u201cNossa, eu pensei algo<br \/>\ntotalmente diferente disso. E j\u00e1 que andamos falando por aqui, em nossos encontros anteriores, sobre os<br \/>\ndiferentes modos de um texto tocar seus leitores, acho importante circular outras aproxima\u00e7\u00f5es.\u201d E,<br \/>\nent\u00e3o, dei minha opini\u00e3o sobre a hist\u00f3ria. A partir da\u00ed, outras opini\u00f5es e exemplos retirados da pr\u00f3pria<br \/>\nvida surgiram e, juntos, conseguimos ampliar os sentidos e as associa\u00e7\u00f5es que aquele texto possibilitou<br \/>\npara o grupo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13127 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7-3-258x300.png\" alt=\"\" width=\"258\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7-3-258x300.png 258w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/7-3.png 594w\" sizes=\"auto, (max-width: 258px) 100vw, 258px\" \/><\/p>\n<h5>Outra conversa \u00e9 poss\u00edvel<\/h5>\n<p>Este relato aponta para algumas quest\u00f5es. A necessidade de planejar a conversa, a import\u00e2ncia de o professor se colocar como um leitor que entra em contato com o texto e pensa sobre ele, sem procurar encontrar uma li\u00e7\u00e3o. A import\u00e2ncia de as opini\u00f5es diversas circularem e de m\u00faltiplos sentidos poderem ser constru\u00eddos por todos que fazem parte da experi\u00eancia, a necessidade \u2013 e, ao mesmo tempo, condi\u00e7\u00e3o, da escuta em uma roda de conversa. O que ser\u00e1 que o outro tem a dizer? Como cada um ouviu e se aproximou da hist\u00f3ria? Essa condi\u00e7\u00e3o da conversa entre leitores deve estar sempre na mente do professor, fazer parte de seus objetivos ao planejar uma roda de conversa.<\/p>\n<p>E como o professor pode se colocar em rela\u00e7\u00e3o a um texto, de forma a propiciar essa troca? Muitas vezes, fui questionada em minhas forma\u00e7\u00f5es sobre isso, o que revela o quanto os professores n\u00e3o vivenciaram conversas significativas e subjetivas depois de uma leitura. Em primeiro lugar, ele mesmo deve se fazer in\u00fameras perguntas depois de ler um texto, para al\u00e9m do \u201cgosto ou n\u00e3o gosto\u201d do texto. Alguns questionamentos podem ajudar o professor a planejar esse momento.<\/p>\n<p>Por que eu gosto desse texto? O que me encanta nele? A forma como foi escrito? O que ele me faz pensar? H\u00e1 algo que ele me faz lembrar? De uma cena vivida? De algu\u00e9m? De outra hist\u00f3ria? Como eu poderia compartilhar isso com os alunos? H\u00e1 algum texto que me emocionou? Por qu\u00ea? Ser\u00e1 que o modo como o autor escreveu o texto, escolheu as palavras, a sonoridade, me emocionou? Como poderia falar disso com os alunos? Como acho que eles se sentiriam em rela\u00e7\u00e3o a esse texto? O que pensariam? Levando em conta o que conhe\u00e7o deles, acho que se encantariam com qual personagem? Por qu\u00ea? Sentiriam medo? Empolga\u00e7\u00e3o com determinado texto? Poderiam se lembrar de outra hist\u00f3ria que j\u00e1 li? Qual? Ou ainda: Achei esse texto muito engra\u00e7ado. Por qu\u00ea? O que, na forma como o autor escreveu, torna esse texto engra\u00e7ado? H\u00e1 palavras inventadas? Partes absurdas? Jun\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es esquisitas,<br \/>\nimprov\u00e1veis? O que os alunos achariam disso tudo?<\/p>\n<p>Enfim, s\u00e3o muitas as possibilidades. Claro que, a partir disso tudo, o professor vai escolher alguns caminhos, dependendo do texto, do tipo de conversa que desejar ter com os alunos, considerando que ser\u00e1 sempre interessante variar o modo de conversar, para que algo n\u00e3o se fixe de modo absoluto. Por exemplo, se o professor fizer sempre uma associa\u00e7\u00e3o com outros livros ou hist\u00f3rias, os alunos acabam aprendendo que conversar sobre o que leram \u00e9 sempre assim, quando, na verdade, \u00e9 o texto e a forma como ele nos convocou que sugerem outra conversa. Mas algo sempre precisa estar presente: o seu contato com o texto e uma curiosidade em rela\u00e7\u00e3o ao que os alunos acharam daquela leitura, daquela experi\u00eancia com o texto que acabaram de conhecer. O elemento surpresa, por mais que a conversa tenha sido muito planejada, n\u00e3o pode deixar de faltar. E mais, o professor n\u00e3o precisa se preocupar em fechar a conversa, em conclu\u00ed-la. Uma conversa sobre uma leitura n\u00e3o precisa oferecer respostas certas; os alunos, ali\u00e1s, podem sair com muitas perguntas sobre si mesmos e sobre a vida depois de uma boa conversa. Por que n\u00e3o?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13128 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8-3-187x300.png\" alt=\"\" width=\"187\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8-3-187x300.png 187w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8-3.png 375w\" sizes=\"auto, (max-width: 187px) 100vw, 187px\" \/><\/p>\n<h5>Di\u00e1rio da Forma\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p>Grupo de professores de uma escola de Educa\u00e7\u00e3o Infantil em munic\u00edpio da Grande S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Temos analisado, nos encontros de forma\u00e7\u00e3o, algumas rodas de leitura, com foco na conversa entre as crian\u00e7as e os professores. Ontem, tivemos um encontro muito produtivo! Senti que todos sa\u00edram felizes e com muitas quest\u00f5es sobre a maneira de conduzir a conversa ap\u00f3s a leitura, sobre a forma como podemos elaborar as perguntas \u00e0s crian\u00e7as. A conversa que analisamos nos permitiu considerar em que lugar a professora, ao realizar diferentes tipos de perguntas, colocava os alunos e como entendia o papel do leitor. A hist\u00f3ria escolhida \u2013 O Gr\u00fafalo, de Julia Do naldson e Axel Scheffler<sup>8<\/sup>\u2013 fez o maior sucesso entre as crian\u00e7as e permitiu muitas formas de aproxima\u00e7\u00e3o com o mundo infantil, ao tratar de temas como medo, monstros, as artimanhas do pequeno em rela\u00e7\u00e3o ao grande, a rela\u00e7\u00e3o com o fant\u00e1stico. No entanto, olhando para a forma como a professora fez as perguntas, pudemos concluir que, nas primeiras quest\u00f5es, ela se ateve ao modo tradicional de a escola pensar o leitor: n\u00e3o em um papel ativo, que atribui sentidos pessoais ao que se l\u00ea, fazendo rela\u00e7\u00f5es com outras leituras, pensando sobre o enredo e sobre a sua vida, mas como aquele que dar\u00e1 as respostas \u201ccorretas\u201d, de acordo com o conte\u00fado da hist\u00f3ria, bem ao modo antigo da \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o de texto\u201d. Na medida em que a roda evolu\u00eda, observamos que a professora foi elaborando perguntas mais pessoais, que procuravam ouvir a opini\u00e3o das crian\u00e7as sobre o livro, fazendo-as estabelecer rela\u00e7\u00f5es com outros monstros de outras hist\u00f3rias, ao refletirem sobre semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre eles. O olhar para cada pergunta e a reflex\u00e3o sobre o lugar em que a crian\u00e7a era colocada \u2013 como leitora ativa ou n\u00e3o \u2013 nos ajudou muito a tematizar<sup>9 <\/sup>a pr\u00e1tica. Quais seriam as respostas poss\u00edveis para cada pergunta? Dessa maneira, sa\u00edmos com uma boa \u201cestrat\u00e9gia\u201d para o planejamento da pr\u00f3xima roda, que \u00e9 n\u00e3o apenas elaborar as perguntas, mas fazer um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o: Que tipo de resposta a pergunta permite? A partir dela, a crian\u00e7a consegue pensar sobre o que sentiu, consegue trazer \u00e0 tona as associa\u00e7\u00f5es que estabeleceu com aquela leitura? A an\u00e1lise de outras rodas de leitura e a leitura do texto da Ana Garral\u00f3n, A arte de conversar com as crian\u00e7as sobre suas leituras<sup>10<\/sup>, tamb\u00e9m ajudaram em nossas reflex\u00f5es. Em conjunto, ainda pudemos pensar em algumas possibilidades de encaminhar a conversa depois da leitura de O Gr\u00fafalo. Por que n\u00e3o falar sobre o medo? Por que n\u00e3o falar sobre essa diferen\u00e7a de tamanhos: o ratinho, t\u00e3o pequeno; o Gr\u00fafalo, t\u00e3o grande e assustador? Eis aqui algumas perguntas sugeridas:<\/p>\n<p>\u2013 O ratinho era t\u00e3o pequenino, t\u00e3o fr\u00e1gil, como ele n\u00e3o tinha medo dos outros animais? Nem do Gr\u00fafalo, que era t\u00e3o monstruoso?<br \/>\n\u2013 E o Gr\u00fafalo, ent\u00e3o, como medo do ratinho? Quando estava lendo, me lembrei que n\u00f3s tamb\u00e9m temos medo de bichos muito menores do que a gente. Eu, por exemplo, tenho medo de barata!<br \/>\n\u2013 Quando estava lendo, me lembrei de outras hist\u00f3rias que lemos que falam de personagens pequenos<br \/>\ne mais espertos do que os grandes. Por que ser\u00e1 que isso \u00e9 comum nas hist\u00f3rias?<\/p>\n<p>E por a\u00ed foram nossas conversas&#8230;<\/p>\n<hr \/>\n<h6>8 Editora Brinkebook: S\u00e3o Paulo, 2008.<br \/>\n9 Utilizo aqui a defi ni\u00e7\u00e3o proposta por Telma Weisz: a \u201can\u00e1lise que parte da pr\u00e1tica documentada para explicitar as hip\u00f3teses did\u00e1ticas subjacentes ao trabalho do professor&#8221;. Revista Nova Escola, em mat\u00e9ria publicada em setembro de 2008 em: http:\/\/revistaescola.abril. com.br\/formacao\/formacao-continuada\/tematizacao-pratica-428225.shtml.<br \/>\n10 Publicado na Revista Em\u00edlia: http:\/\/www.revistaemilia.com.br\/mostra.php?id=135<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANA CAROLINA CARVALHO\u00b9 QUEM GOSTA DE LER COSTUMA COMENTAR COM AS PESSOAS PR\u00d3XIMAS SUAS IMPRESS\u00d5ES SOBRE O QUE LEU. ESTE \u00c9 UM COMPORTAMENTO LEITOR QUE PROPORCIONA BOAS INTERA\u00c7\u00d5ES. 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