{"id":13098,"date":"2014-02-16T18:24:57","date_gmt":"2014-02-16T21:24:57","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13098"},"modified":"2023-11-13T21:27:32","modified_gmt":"2023-11-14T00:27:32","slug":"analisar-a-escrita-para-alfabetizar-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-57\/analisar-a-escrita-para-alfabetizar-melhor\/","title":{"rendered":"Analisar a escrita para alfabetizar melhor"},"content":{"rendered":"<p>CLAUDIENE DIAS DA SILVA E SANDRA DA SILVA DUARTE\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>ANALISAR A ESCRITA DO ALUNO \u00c9 UM IMPORTANTE CONTE\u00daDO A SER DISCUTIDO NA FORMA\u00c7\u00c3O CONTINUADA DE COORDENADORES PEDAG\u00d3GICOS<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13099 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-2-300x268.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-2-300x268.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-2.png 419w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<ul>\n<li><em>De volta aos encontros de forma\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>do Programa Al\u00e9m das Letras.\u00b2<\/em><br \/>\n<em>Nas m\u00e3os, a mala com um punhado<\/em><br \/>\n<em>de expectativas.<\/em><br \/>\n<em>Nos olhos, a beleza do reencontro com<\/em><br \/>\n<em>o conte\u00fado que j\u00e1 fora objeto de reflex\u00e3o.\u00b3<\/em><br \/>\n<em>Das falas, as reflex\u00f5es que trazem muitos<\/em><br \/>\n<em>autores e coautores.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>Apreciar os detalhes \u00e9 um movimento importante para ampliar o olhar, refin\u00e1-lo, de modo que seja poss\u00edvel considerar o que cada pessoa v\u00ea. Assim come\u00e7ou nosso primeiro encontro de forma\u00e7\u00e3o, em 24 de abril de 2013, com o desejo de \u201ctocarmos os cora\u00e7\u00f5es\u201d das coordenadoras pedag\u00f3gicas para que elas pudessem enxergar os nossos conflitos e, com isso, buscarmos um desfecho com \u201cfinal feliz\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 T\u00e9cnicas da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Ariquemes (RO), formadoras do Programa Al\u00e9m das Letras.<br \/>\n2 Escolas participantes do munic\u00edpio de Ariquemes: Aldemir Li ma Cantanhede, Arco- \u00cdris, Chapeuzinho Vermelho, Dr. Dirceu, Profa Eva dos Santos, Ireno Berticelli, Jorge Teixeira, Jos\u00e9 de Anchieta, Mafalda Rodrigues, Magdalena Tagliaferro, M\u00e1rio Quintana, Paulina Mafi ni, Prof. Pedro Louback, Pingo de Gente, Prof. Levi Alves Freitas, Prof. Ven\u00e2ncio Kottwitz, Roberto Turbay, Sonho Meu, Ulisses Guimar\u00e3es, Vinicius de Moraes, Pe. Angelo Spadari e Henrique Dias.<br \/>\n3 Leitura e escrita pelo aluno. A forma\u00e7\u00e3o com esse conte\u00fado teve a dura\u00e7\u00e3o de dois anos, por\u00e9m o processo de forma\u00e7\u00e3o j\u00e1 dura cinco anos.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13100 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-2-300x152.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"152\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-2-300x152.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-2-1024x517.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-2-768x388.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-2.png 1095w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Para tanto, foram definidos esses objetivos:<br \/>\n\u2666 Refletir a respeito dos nossos avan\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura e escrita e conversar sobre o que ainda \u00e9 preciso fazer a partir da an\u00e1lise dos resultados de 2012.<br \/>\n\u2666 Pensar na organiza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado tratado na forma\u00e7\u00e3o sem perder de vista o trabalho com os professores.<br \/>\n\u2666 Compartilhar a necessidade de manuten\u00e7\u00e3o do projeto de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2666 Falar sobre a organiza\u00e7\u00e3o do programa no munic\u00edpio de Ariquemes.<\/p>\n<p>Foram tamb\u00e9m considerados os conte\u00fados:<br \/>\n\u2666 An\u00e1lise e reflex\u00e3o sobre o sistema de escrita.<br \/>\n\u2666 Planejamento do encontro com os professores.<\/p>\n<p>Neste artigo, o objetivo \u00e9 analisar e refletir sobre o sistema de escrita e, mais especificamente, sobre os conhecimentos que o coordenador pedag\u00f3gico precisa construir sobre as situa\u00e7\u00f5es de sondagem e an\u00e1lise de escrita de modo a apoiar sua equipe de professores.<\/p>\n<p><strong>Um pouco do encontro de forma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7amos os trabalhos com uma breve apresenta\u00e7\u00e3o dos coordenadores novos que, apesar de iniciantes na fun\u00e7\u00e3o, j\u00e1 conheciam o Programa por que haviam dele participado como professores em outros momentos. Como boa parte desses novos coordenadores passou a integrar a equipe este ano, encaramos com naturalidade os olhares curiosos e a ansiedade de alguns deles.<\/p>\n<p>Baseados nos dados do resultado final de rendimentos dos alunos em 2012 e respaldados pelas an\u00e1lises de escritas das crian\u00e7as escolhidas de algumas escolas da Rede de Ensino, iniciamos a primeira proposta dessa forma\u00e7\u00e3o, compartilhando os diagn\u00f3sticos. Para isso, formulamos as seguintes quest\u00f5es:<\/p>\n<p><em>O que h\u00e1 em comum nos diagn\u00f3sticos?<\/em><br \/>\n<em>Quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas que devem <\/em><em>ser oferecidas para que um diagn\u00f3stico seja <\/em><em>de fato confi\u00e1vel? Por qu\u00ea?<\/em><\/p>\n<p>Os dados observados levaram-nos a pensar sobre como transform\u00e1-los em objetos de reflex\u00e3o de modo que pud\u00e9ssemos evidenciar para os coordenadores os conte\u00fados que precisariam ser trabalhados com os professores, isto porque os problemas destacados a partir da an\u00e1lise demandavam interven\u00e7\u00f5es formativas.<\/p>\n<p>No come\u00e7o da conversa com as coordenadoras pedag\u00f3gicas participantes do processo de forma\u00e7\u00e3o n\u00f3s observamos um conte\u00fado importante para a forma\u00e7\u00e3o que girava em torno de procedimentos para o momento da sondagem sobre as necessidades formativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escrita. Um grupo de professores de uma determinada escola considerava fundamental a defini\u00e7\u00e3o de um campo sem\u00e2ntico, entendendo que, dessa forma, a crian\u00e7a atribuiria mais sentido para a sua escrita. Ouro grupo de professores dessa mesma escola n\u00e3o considerava nem entendia a relev\u00e2ncia desse cuidado para a realiza\u00e7\u00e3o de um diagn\u00f3stico. Aqui hav\u00edamos identificado uma boa situa\u00e7\u00e3o-problema para o coordenador pedag\u00f3gico trabalhar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13101 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-2-231x300.png\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-2-231x300.png 231w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-2.png 598w\" sizes=\"auto, (max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/p>\n<p><em>Percebo no meu grupo que algumas professoras est\u00e3o bem inteiradas sobre o que devem garantir para a realiza\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico, mas existe um grupo que n\u00e3o entende e, \u00e0s vezes, nem se interessa em saber. Falam que os alunos devem ser alfab\u00e9ticos e pronto. O que sabemos \u00e9 que, com a inclus\u00e3o do ciclo, n\u00e3o recebemos, no 3o ano, 100% de alunos alfab\u00e9ticos esse ano nessas turmas. Sabemos que a expectativa <\/em><em>\u00e9 que cheguem mesmo, mas infelizmente a realidade \u00e9 outra.<\/em><\/p>\n<p>Let\u00edcia \u2013 Coordenadora da Escola Prof. Levi<\/p>\n<p>Mas por que \u00e9 importante a defini\u00e7\u00e3o de campo sem\u00e2ntico nos momentos de sondagem?<\/p>\n<p>A ideia de selecionar uma lista em que as palavras perten\u00e7am a um mesmo campo sem\u00e2ntico se d\u00e1 pela simples raz\u00e3o de respeitar as caracter\u00edsticas funcionais de uma lista. Este g\u00eanero organiza-se em fun\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de palavras que pertencem a um mesmo campo sem\u00e2ntico. Por exemplo, lista de compras, dos ingredientes de uma receita, dos animais do zool\u00f3gico, das coisas gostosas que tinha no anivers\u00e1rio&#8230;<\/p>\n<p>Consideramos que quando a crian\u00e7a escreve com um objetivo claro, quando precisa realmente comunicar uma ideia, ela se empenha muito mais, escreve melhor porque sabe o motivo de sua escrita, para qu\u00ea e o qu\u00ea est\u00e1 escrevendo. Quando escreve numa situa\u00e7\u00e3o significativa, ela consegue \u201cler\u201d, ou seja, consegue dizer o que \u00e9 aquilo, e a comunica\u00e7\u00e3o se torna poss\u00edvel, mesmo tendo ela escrito de forma n\u00e3o convencional, do pr\u00f3prio jeito.<\/p>\n<p>Na situa\u00e7\u00e3o em que apenas escreve algumas palavras ditadas aleatoriamente e em grande quantidade,<br \/>\na crian\u00e7a se v\u00ea em um momento artificial de testagem. Situa\u00e7\u00f5es nas quais geralmente ela se intimida<br \/>\ndiz que n\u00e3o sabe escrever, ou ainda acha que a professora s\u00f3 aceitar\u00e1 a escrita convencional. Assim pouco revela de seu saber.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13102 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-2-300x88.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"88\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-2-300x88.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-2-1024x301.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-2-768x226.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-2.png 1269w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Dialogar para definir e redefinir caminhos na forma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Esta afirma\u00e7\u00e3o estimulou nossa investiga\u00e7\u00e3o. Quer\u00edamos saber por qu\u00ea. Ser\u00e1 que os professores estavam mais interessados em ensinar apenas os \u201cconte\u00fados conceituais\u201d e cumprir burocraticamente as metas propostas no planejamento aprendizagens dos alunos e o que realmente eles precisariam aprender? Por isso a import\u00e2ncia de ele conhecer o pensamento da crian\u00e7a sobre aquilo que escreve, j\u00e1 que observamos alunos n\u00e3o alfab\u00e9ticos no 3o ano. Naquele momento, enfatizamos a import\u00e2ncia de o professor compreender o conte\u00fado que est\u00e1 por tr\u00e1s de cada expectativa de aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>Consultoria Al\u00e9m das Letras Muito al\u00e9m da sondagem<\/strong><\/p>\n<p>Nessa reflex\u00e3o das formadoras locais fica evidente que elas estavam tentando se aproximar o mais poss\u00edvel dos coordenadores de modo a faz\u00ea-los compreender a import\u00e2ncia de se conhecer o que os alunos j\u00e1 sabem para, a partir disso, propor atividades desafiadoras.<\/p>\n<p>Sabemos que n\u00e3o adianta apenas realizar sondagens com campo sem\u00e2ntico definido se nas salas de aula isso n\u00e3o potencializar o que pode ser oferecido como atividades para os alunos avan\u00e7arem. Entendemos que a sondagem \u00e9 mais uma fonte de informa\u00e7\u00e3o sobre os saberes dos alunos. Utilizam-se ainda escrita de listas, de bilhetes, de textos diversos que tenham sentido, que sejam compartilhados com outras crian\u00e7as e com a comunidade, atividades essas que servem para contribuir com escritas cada vez mais elaboradas e interessantes.<\/p>\n<p>Enfim, \u00e9 poss\u00edvel e recomend\u00e1vel conhecer as hip\u00f3teses de escrita das crian\u00e7as num percurso, sem a necessidade de confiar em produ\u00e7\u00f5es esparsas, espor\u00e1dicas e descontextualizadas que talvez n\u00e3o reflitam tudo aquilo que o aluno sabe.<\/p>\n<p>Renata Frauendorf<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13103 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-2-250x300.png\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-2-250x300.png 250w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/5-2.png 647w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/p>\n<p>Em outro momento, formulamos uma quest\u00e3o para problematizar com os coordenadores o que v\u00ednhamos observando nas escolas e em relat\u00f3rios: Do ponto de vista dos investimentos em forma\u00e7\u00e3o, a partir dos diagn\u00f3sticos analisados, quais demandas formativas permanecem?<\/p>\n<p>A coordenadora Nelcilene, da Escola Jos\u00e9 Anchieta, apresentou alguns pontos relevantes para discuss\u00e3o com a equipe de professores a partir do que vinha observando em sua escola, tais como:<br \/>\n\u2666 analisar respeitando os saberes dos alunos, pois todas as sondagens est\u00e3o \u201ca menos\u201d;<\/p>\n<p>\u2666 reconhecer a import\u00e2ncia dos crit\u00e9rios para a realiza\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico: escolher poucas palavras e organiz\u00e1-las em ordem decrescente, do poliss\u00edlabo ao monoss\u00edlabo, pois a reflex\u00e3o n\u00e3o \u00e9 gerada pela quantidade de palavras escritas pela crian\u00e7a;<\/p>\n<p>\u2666 observar que a escrita de uma frase envolve uma das palavras ditadas;<\/p>\n<p>\u2666 entender a import\u00e2ncia de solicitar ao aluno que ele realize a leitura ao final de cada palavra ditada;<\/p>\n<p>\u2666 compreender que o diagn\u00f3stico deve ser realizado individualmente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13104 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-2-300x138.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"138\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-2-300x138.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-2-1024x471.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-2-768x353.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6-2.png 1072w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Essa explana\u00e7\u00e3o \u00e9 representativa da fala de muitos professores, evidenciando a evolu\u00e7\u00e3o dos coordenadores. Sabemos que nem todos est\u00e3o no mesmo momento de aprendizagem; portanto, para garantir uma troca significativa na proposta de an\u00e1lise de escritas \u2013 uma das atividades do encontro<br \/>\n\u2013, distribu\u00edmos as coordenadoras veteranas<sup>4\u00a0 <\/sup>por entre os grupos. \u00c9 preciso considerar os diferentes<br \/>\nsaberes existentes em sala de aula para desenvolvermos boas situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas. Precisamos direcionar o olhar para as especificidades e as necessidades individuais. Neste caso espec\u00edfico, a intera\u00e7\u00e3o estabelecida pelas coordenadoras no grupo permitiu o compartilhamento de saberes e tomadas de decis\u00e3o mais adequadas.<\/p>\n<p>Um trecho de conversa dos subgrupos ilustra bem essa afirma\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><em>Juliana (coordenadora iniciante) olhando para <\/em><em>escrita de Caio ao ouvir Fl\u00e1via, uma das coordenadoras <\/em><em>veteranas, afirmar que o aluno j\u00e1 <\/em><em>apresentava escrita alfab\u00e9tica. Disse ela:<\/em><br \/>\n<em>\u2013 Deve ser mesmo alfab\u00e9tico! Se fosse sil\u00e1bico escreveria um monte de letra at\u00e9 o fim da folha.<\/em><\/p>\n<p>Ao ouvirmos aquela conversa, deixamos por conta de Flavia, que apanhou a folha e passou a explicar as caracter\u00edsticas de cada hip\u00f3tese de escrita a partir do que ali estava exposto. Podemos afirmar que aquele momento contribuiu muito para as aprendizagens. Sabemos que Flavia n\u00e3o deu conta de tudo e que tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiu resolver o problema em pouco tempo. Mas, de alguma forma, sua inquieta\u00e7\u00e3o revelou coletivamente um tipo de aprendizagem. Flavia p\u00f4de colocar em jogo tudo o que sabia de forma bastante contextualizada e, assim, contribuiu com o processo de aprendizagem de uma parceira menos experiente. Na discuss\u00e3o coletiva, Juliana desabafou:<\/p>\n<p><em>Estou muito preocupada com meu grupo de professores. Na minha escola, o ano passado, a forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi conclu\u00edda nem discutimos aprofundadamente esse conte\u00fado. No grupo, fiquei um pouco aflita sobre como fazer para que os professores se apropriem desse conhecimento, sobre o qual tamb\u00e9m sei pouco, e que, na discuss\u00e3o em grupo, percebi que os professores de outras escolas est\u00e3o bem mais \u00e0 frente.<\/em><br \/>\nJuliana \u2013 Coordenadora da Escola Pedro Louback<\/p>\n<hr \/>\n<h6>4 Aquelas que participam desde o in\u00edcio das forma\u00e7\u00f5es do Programa Al\u00e9m das letras.<\/h6>\n<p>Em resposta \u00e0s suas inquieta\u00e7\u00f5es, comentamos que essa coordenadora j\u00e1 tem a compet\u00eancia de olhar para as suas aprendizagens e a dos professores. Isto \u00e9 um ponto de partida para o planejamento da pauta de forma\u00e7\u00e3o, que deve ir ao encontro das necessidades do grupo de professores. Assim, coordenadoras e formadoras desenharam a pauta que seria realizada na escola de forma a subsidiar os coordenadores que necessitavam de maior apoio.<\/p>\n<p><strong>Alimentando mais as discuss\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Por que os dados de resultados de rendimentos de 2012 n\u00e3o revelam a realidade apresentada nesses diagn\u00f3sticos?<\/p>\n<p>Em coro, responderam que a an\u00e1lise de \u201cescrita incorreta\u201d foi o maior problema e, por isso, um grande n\u00famero de alunos n\u00e3o conseguiu atingir a escrita alfab\u00e9tica, tornando incoerentes os resultados finais, de 2012, e os iniciais, de 2013. Nessa an\u00e1lise incorreta, geralmente o professor atribui ao aluno uma hip\u00f3tese inferior \u00e0quela que de fato ele se encontra. E isso ocorre nessa mudan\u00e7a de ano e ao longo dele. H\u00e1 diferentes explica\u00e7\u00f5es e hip\u00f3teses para isso, que n\u00e3o precisam ser listadas aqui. O importante \u00e9 chamar aten\u00e7\u00e3o para esse problema de modo que ele possa ser objeto de reflex\u00e3o nas forma\u00e7\u00f5es com coordenadores e com professores.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que v\u00e1rias justificativas foram dadas, dentre elas:<\/p>\n<p><em>Alguns professores fazem um movimento contr\u00e1rio. Em vez de olharem para o que sabem os alunos e depois pensarem sobre o que eles precisam aprender, olham mais para o que eles n\u00e3o sabem. \u00c9 uma esp\u00e9cie de verifica\u00e7\u00e3o do erro da grafia, n\u00e3o do pensamento da crian\u00e7a.<\/em><br \/>\nEliane \u2013 Coordenadora da Escola Ireno Berticelli<\/p>\n<p><em>Quest\u00f5es ortogr\u00e1ficas t\u00eam sido o maior problema na an\u00e1lise de escrita. Os professores n\u00e3o os consideram alfab\u00e9ticos.<\/em><br \/>\nJoana \u2013 Coordenadora da Escola Arco-\u00cdris<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que analisar as escritas das crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 tarefa simples nem deve ser a \u00fanica fonte de informa\u00e7\u00e3o para o professor sobre o que sabe uma crian\u00e7a. No entanto, uma an\u00e1lise incorreta pode gerar problemas relativos ao desenvolvimento da aprendizagem. A n\u00e3o reflex\u00e3o sobre como a crian\u00e7a constr\u00f3i suas hip\u00f3teses de escrita compromete o resultado de um trabalho. Faz com que o ensino ocorra de forma mec\u00e2nica, o que desqualifica uma das tarefas mais importantes, logo ap\u00f3s a an\u00e1lise das escritas das crian\u00e7as, que \u00e9 o planejamento individualizado e singular. Ficou claro que, para uma boa an\u00e1lise, \u00e9 preciso, entre outras coisas, aprofundamento te\u00f3rico relativo \u00e0s caracter\u00edsticas das escritas das crian\u00e7as para enxergar o que elas sabem a partir do que produzem, reflex\u00f5es compartilhadas entre pares sobre diferentes escritas, assim como informa\u00e7\u00f5es diversificadas do aluno que podem ser observadas e<br \/>\ncolhidas em diferentes situa\u00e7\u00f5es e atividades propostas em sala de aula.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13106 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8-2-300x236.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8-2-300x236.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8-2.png 739w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Para n\u00f3s, educadores, \u00e9 essencial que tenhamos comprometimento com as aprendizagens das crian\u00e7as, pois \u00e9 preciso desenraizar a ideia de que s\u00f3 a nossa \u201cescola recebe aluno n\u00e3o alfab\u00e9tico\u201d e s\u00f3 a nossa escola \u201cconclui o per\u00edodo letivo com os alunos alfab\u00e9ticos\u201d. Essas ideias contribuem para fragmentar o processo porque n\u00e3o permite olh\u00e1-lo de forma cont\u00ednua. Queremos que os professores formem crian\u00e7as para atuarem significativamente onde quer que elas estejam. A responsabilidade \u00e9 nossa, \u00e9 do munic\u00edpio. N\u00e3o importa se \u00e9 escola A ou B, turma X ou Y. Temos de formar professores capazes de propor boas situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas para as crian\u00e7as, bem como compreender seu percurso de aprendizagem.<\/p>\n<p>Convidar as coordenadoras para analisarem as escritas das crian\u00e7as foi muito oportuno porque elas puderam apurar o olhar para a necessidade do tratamento desse conte\u00fado com vistas ao favorecimento<br \/>\ndas aprendizagens dos professores, subsidiando assim as boas situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas junto \u00e0s crian\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CLAUDIENE DIAS DA SILVA E SANDRA DA SILVA DUARTE\u00b9 ANALISAR A ESCRITA DO ALUNO \u00c9 UM IMPORTANTE CONTE\u00daDO A SER DISCUTIDO NA FORMA\u00c7\u00c3O CONTINUADA DE COORDENADORES PEDAG\u00d3GICOS De volta aos encontros de forma\u00e7\u00e3o do Programa Al\u00e9m das Letras.\u00b2 Nas m\u00e3os, a mala com um punhado de expectativas. 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