{"id":12916,"date":"2014-02-24T14:09:08","date_gmt":"2014-02-24T17:09:08","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=12916"},"modified":"2023-11-13T21:27:12","modified_gmt":"2023-11-14T00:27:12","slug":"os-bebes-nos-ensinam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-57\/os-bebes-nos-ensinam\/","title":{"rendered":"Os beb\u00eas nos ensinam"},"content":{"rendered":"<p>MARIA DE F\u00c1TIMA TOTTI E JULIANA LICHY\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>A ATITUDE DE CUIDAR \u00c9 CONSTRU\u00cdDA DESDE CEDO NAS RELA\u00c7\u00d5ES QUE SE ESTABELECEM ENTRE AS PESSOAS, E A ESCOLA PODE SER UM LUGAR PRIVILEGIADO PARA SEU DESENVOLVIMENTO. AO SER CUIDADO PELO OUTRO, TEM-SE A DIMENS\u00c3O DO QUE ISSO SIGNIFICA<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12917 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/1-7-300x242.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/1-7-300x242.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/1-7.png 590w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Ao lidar com crian\u00e7as pequenas \u00e9 preciso pensar no sentido do cuidar para al\u00e9m dos cuidados f\u00edsicos e ampliar nosso olhar para a compreens\u00e3o da ess\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p><em>O que \u00e9 cuidar?\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Segundo Leonardo\u00a0<\/em><em>Boff:<sup>2<\/sup><\/em><\/p>\n<p><em>Cuidar \u00e9 mais que um ato, \u00e9 uma atitude.<\/em><br \/>\n<em>Portanto, abrange mais um momento de aten\u00e7\u00e3o, de zelo e desvelo. Representa uma atitude de ocupa\u00e7\u00e3o, preocupa\u00e7\u00e3o, responsabiliza\u00e7\u00e3o com o outro [&#8230;]. O ser humano \u00e9 um ser de cuidado, mais ainda, sua ess\u00eancia se encontra no cuidar. Colocar o cuidado em tudo o que projeta e faz. Eis a caracter\u00edstica singular do ser humano.<\/em><\/p>\n<p>O afeto nas diferentes inst\u00e2ncias permeia atitudes di\u00e1rias do educador que trabalha com crian\u00e7as bem pequenas. A acolhida no momento da chegada \u00e0 escola, o acalanto nos momentos de sono, o afago diante do choro, o conhecimento necess\u00e1rio que temos de ter de cada crian\u00e7a em sua real necessidade, tais como oferecer a chupeta, trocar as fraldas, fazer massagens para aliviar a dor de barriga&#8230; Gentilezas no trato com o outro.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Maria de F\u00e1tima Totti \u00e9 professora do Grupo 2 (crian\u00e7as de 2 anos) e Juliana Lichy \u00e9 professora do Grupo 3 (crian\u00e7as de 3 anos) na Escola Vera Cruz, em S\u00e3o Paulo (SP).<br \/>\n2 Saber cuidar: \u00e9tica do humano, compaix\u00e3o pela terra, de Leonardo Boff. Rio de Janeiro: Vozes, 2004.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12918 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2-7-300x193.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2-7-300x193.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2-7-768x495.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2-7.png 964w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>S\u00e3o in\u00fameras as maneiras de cuidar que envolvem mais do que uma simples a\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Quando falamos do cuidar estamos falando da preserva\u00e7\u00e3o de nossa esp\u00e9cie, de humaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse sentido do cuidado \u00e9 o que baliza nossas a\u00e7\u00f5es e inspirou-nos a trazer o tema para os espa\u00e7os educativos\u00b3, pensando no cuidado como responsabilidade social, como uma atitude essencial para a preserva\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Cuidar e ser cuidado: uma rela\u00e7\u00e3o de\u00a0empatia.<sup>4<\/sup>\u00c9 isso que nos mobiliza a olhar para o outro e sensibilizar-se com sua beleza, sua singularidade, seus desejos e suas necessidades. Reconhecendo o outro como meu semelhante, tornamos leg\u00edtimos os sentimentos e valores que queremos compartilhar com as crian\u00e7as com as quais trabalhamos.<\/p>\n<p>A escola tamb\u00e9m \u00e9 o lugar de construir e ajudar o sujeito em sua constitui\u00e7\u00e3o. Partindo dessa concep\u00e7\u00e3o, nosso trabalho esteve pautado na escuta, no olhar para as crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m nas inten\u00e7\u00f5es que n\u00f3s, professoras, temos e acreditamos ser caminhos mais seguros de aprendizagens e significa\u00e7\u00f5es. Foram muitas discuss\u00f5es em equipe. Pensar sobre a tem\u00e1tica do cuidado \u00e9 essencial na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, afinal, as experi\u00eancias de cuidado com o corpo, com o outro e com o ambiente fazem parte das orienta\u00e7\u00f5es para um trabalho com crian\u00e7as bem pequenas.<\/p>\n<p>Foi assim que constru\u00edmos, no G2 e\u00a0G3<sup>5<\/sup>, percursos de trabalho com a\u00e7\u00f5es voltadas para esse grande tema, o cuidado com o\u00a0outro.<sup>6<\/sup><\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 Em 2013, a escola escolheu o tema cuidado como eixo de trabalho para todas as turmas e forma\u00e7\u00e3o dos professores.<br \/>\n4 Apoiamo-nos no trabalho desenvolvido por Mary Gordon em que aposta no beb\u00ea como desencadeador de empatia e cuidado (ver box, p.12).<br \/>\n5 Respectivamente, grupos com crian\u00e7as entre 1 ano e 8 meses a 2 anos e 5 meses e crian\u00e7as entre 2 anos e meio a 3 anos e meio.<br \/>\n6 O trabalho contou com a atua\u00e7\u00e3o das professoras auxiliares Silvia Nogueira Zerbini, no Grupo 2, e Natalia Ilse, no Grupo 3.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12919 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/3-7-176x300.png\" alt=\"\" width=\"176\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/3-7-176x300.png 176w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/3-7.png 435w\" sizes=\"auto, (max-width: 176px) 100vw, 176px\" \/><\/p>\n<h5>Brincar de casinha \u2013 onde tudo acontece<\/h5>\n<p>O in\u00edcio do ano \u00e9 sempre, para a crian\u00e7a, um momento de constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos de confian\u00e7a, de conhecimento ou reconhecimento do espa\u00e7o da escola e de uma nova rotina de intera\u00e7\u00f5es com o grupo de parceiros. Esse projeto trouxe a possibilidade de favorecer essa constru\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de evidenciar aspectos do crescimento.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos montando cen\u00e1rios de casinha em que as crian\u00e7as pudessem exercer o papel de cuidadoras. Os cen\u00e1rios privilegiavam diferentes contextos: comidinhas a serem preparadas para os \u201cbeb\u00eas\u201d, situa\u00e7\u00f5es de banho e troca com banheiras pequenas e fraldas descart\u00e1veis, camas e ber\u00e7os de brinquedo para o sono das bonecas. As crian\u00e7as demonstravam grande interesse pela proposta, carregando os beb\u00eas no colo, embalando-os, cobrindo-os, trocando as fraldas, alimentando-os com leite e comidinhas, vestindo-os e medicando-os. Al\u00e9m dos \u201cbeb\u00eas\u201d, muitos foram os alvos dos cuidados oferecidos: as professoras, os bichinhos de pel\u00facia e as pr\u00f3prias crian\u00e7as do grupo.<\/p>\n<p>Pudemos observar que para elas o outro ainda est\u00e1 misturado com o eu: eu dou mamadeira para o meu beb\u00ea e mamo tamb\u00e9m, eu o coloco para deitar no bercinho onde, \u00e0s vezes, eu me deito tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que ao mesmo tempo em que estavam imersos nessa brincadeira de faz de conta, viviam uma experi\u00eancia bastante forte de cuidado ao se adaptarem \u00e0 escola. A adapta\u00e7\u00e3o no G2 \u00e9 um momento de muito acolhimento no colo, proximidade f\u00edsica, carinho e intimidade. Des cobrimos nos pequenos gestos como acalmar cada crian\u00e7a, tornando-nos \u00edntimas delas e criando, assim, um v\u00ednculo de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Como etapa seguinte dessa sequ\u00eancia de atividades, escolhemos convidar para a nossa sala os irm\u00e3os menores das crian\u00e7as, com o intuito de que os alunos pudessem se perceber em fases diferentes dos beb\u00eas visitantes e fossem valorizados em seus aspectos de crescimento.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12920 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/4-7-300x135.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"135\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/4-7-300x135.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/4-7-1024x459.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/4-7-768x344.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/4-7.png 1253w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h5>O que o Francisco come?<\/h5>\n<p>Convidamos a m\u00e3e e o irm\u00e3ozinho de 10 meses de Maria para virem nos visitar. Nossa inten\u00e7\u00e3o, nessa etapa, era observar quais os cuidados necess\u00e1rios com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o de um beb\u00ea.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as aguardaram Francisco com curiosidade e sabiam que ir\u00edamos receb\u00ea-los para uma roda de conversa. Assim que ele chegou j\u00e1 perceberam que o beb\u00ea n\u00e3o sabia andar ainda, diferentemente deles. Ele engatinhou por toda a sala. A conversa girou em torno das diferen\u00e7as entre as crian\u00e7as e os beb\u00eas, como Francisco, e o foco foi o crescimento. As crian\u00e7as brincaram de ser beb\u00eas, engatinhando e imitando alguns gestos do Francisco para logo constatarem que j\u00e1 estavam crescidas e mais sabidas.<\/p>\n<p>Durante a visita, as crian\u00e7as mostravam-se ansiosas para cuidar do beb\u00ea, seguindo-o, oferecendo-o brinquedos, tentando chamar sua aten\u00e7\u00e3o. Ele desviava e queria fazer seu pr\u00f3prio caminho. Em vez de aceitar os brinquedos oferecidos, engatinhou rapidamente at\u00e9 a janela, encantado com os adesivos espelhados colados nela. As crian\u00e7as puderam perceber que os beb\u00eas, embora bem pequenos, t\u00eam suas vontades e buscam satisfaz\u00ea-las.<\/p>\n<p>Maria mostrou tudo o que estava na sacola do Francisco, objeto indispens\u00e1vel para os cuidados do beb\u00ea: fraldas, chupeta, mamadeira, papinha etc., algumas coisas diferentes e outras semelhantes \u00e0s encontradas nas mochilas do G2.<\/p>\n<p>Observamos Francisco comendo. A mam\u00e3e colocou um babador e lhe ofereceu uma papinha salgada, servindo-lhe com uma colher que era levada \u00e0 boca pausadamente. Depois tomou \u00e1gua de coco na mamadeira. Como sobremesa, comeu mam\u00e3o amassadinho. Ela nos explicou que ele ainda tem poucos dentes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12921 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5-7-191x300.png\" alt=\"\" width=\"191\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5-7-191x300.png 191w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5-7.png 413w\" sizes=\"auto, (max-width: 191px) 100vw, 191px\" \/><\/p>\n<p>Conversamos sobre como as crian\u00e7as de G2 comem sozinhas, sem babador, mastigando peda\u00e7o de comida e usando copo para beber \u00e1gua de coco.<\/p>\n<p>Inspiradas na visita do Francisco, resolvemos montar um cen\u00e1rio em que as crian\u00e7as pudessem brincar de alimentar as bonecas. Quando as crian\u00e7as chegaram ao p\u00e1tio, l\u00e1 estavam pratinhos, garfos de madeira e peda\u00e7os verdadeiros de mam\u00e3o. E os beb\u00eas (bonecos) aguardando a refei\u00e7\u00e3o. As bonecas, sentadas com seus babadores, compunham a cena. Como os beb\u00eas pequenos e sem dentes podem comer essa fruta? A pergunta estava posta. Com um grande exerc\u00edcio incentivando a autonomia, as crian\u00e7as se desafiaram a cortar, amassar, esmagar a fruta e, num jogo de faz de conta, estabeleciam diferentes rela\u00e7\u00f5es com o que j\u00e1 conheciam e com os novos desafios, como preparar a papinha de mam\u00e3o amassando-a com um garfo de madeira, levar o alimento \u00e0 boca do beb\u00ea etc.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que se envolviam na brincadeira de alimentar os bonecos, mais uma vez inclu\u00edam-se na brincadeira, saboreando a fruta cortada em peda\u00e7os ou experimentando a papinha de mam\u00e3o. Enquanto brincavam, conversavam e estabeleciam novas rela\u00e7\u00f5es na troca com os parceiros. \u201cEu j\u00e1 sei comer sozinho\u201d; \u201cEu tenho dente para mastigar\u201d.<\/p>\n<h5>Que barrig\u00e3o \u00e9 esse?<\/h5>\n<p>Depois da alimenta\u00e7\u00e3o, escolhemos como foco de interesse a gesta\u00e7\u00e3o e o nascimento. A m\u00e3e do Pedro, gr\u00e1vida de sete meses, veio nos visitar. Numa conversa em roda com o grupo de crian\u00e7as, ela contou que l\u00e1 dentro de sua barriga estava crescendo uma menina.<\/p>\n<p>Como ser\u00e1 que o beb\u00ea que est\u00e1 l\u00e1 dentro come?, perguntou a professora. As crian\u00e7as, com carinha de indaga\u00e7\u00e3o, ouviram a explica\u00e7\u00e3o de que o beb\u00ea come atrav\u00e9s de um cord\u00e3o que sai do umbigo do beb\u00ea e liga-se \u00e0 m\u00e3e. Tudo o que a m\u00e3e come vai um pouquinho para o filho.<\/p>\n<p>Mas as crian\u00e7as queriam mesmo era tocar aquela enorme barriga. Os pequenos exploram tudo, conhecem o mundo com as m\u00e3os, com os olhos, com os ouvidos, com a boca. E por meio das sensa\u00e7\u00f5es descobrem o mundo.<\/p>\n<p>E por onde o beb\u00ea vai sair? Uma crian\u00e7a, movida pelo seu conhecimento de hist\u00f3rias, conclui: \u201cO m\u00e9dico pega uma faca e corta a barriga da mam\u00e3e\u201d. Por coincid\u00eancia, neste mesmo dia, brincamos com bexigas e, numa brincadeira espont\u00e2nea, algumas crian\u00e7as colocaram a bexiga embaixo das camisetas, imitando o barrig\u00e3o da m\u00e3e de Pedro. Puderam observar algumas fotos trazidas pela m\u00e3e que mostravam Pedro quando beb\u00ea, sendo amamentado por ela. Essa mesma brincadeira surgiu em outra ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12922 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/6-5-227x300.png\" alt=\"\" width=\"227\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/6-5-227x300.png 227w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/6-5.png 506w\" sizes=\"auto, (max-width: 227px) 100vw, 227px\" \/><\/p>\n<h5>Um beb\u00ea em nossa sala<\/h5>\n<p>O projeto de cuidado no Grupo 3 nasceu com nossas primeiras brincadeiras do ano, em especial aquelas que envolviam os contextos dos jogos simb\u00f3licos de casinha. As crian\u00e7as gostavam muito dos cen\u00e1rios preparados na escola a partir de materiais como tecidos, utens\u00edlios de cozinha, bonecas, panelinhas. Cuidar dos beb\u00eas era frequente, e os beb\u00eas das brincadeiras eram as bonecas, as pr\u00f3prias crian\u00e7as e n\u00f3s, professoras, envolvidos em a\u00e7\u00f5es de ninar, alimentar, trocar a fralda, preparar comidinhas. A tem\u00e1tica do cuidado com beb\u00eas tamb\u00e9m se fazia presente nas rodas de conversas do grupo porque t\u00ednhamos muitas crian\u00e7as com irm\u00e3os bem pequenos e m\u00e3es gr\u00e1vidas. Falar sobre o cuidado era recorrente, bem como a reprodu\u00e7\u00e3o de algumas a\u00e7\u00f5es nas brincadeiras. Dessa forma pensamos: Como essas a\u00e7\u00f5es de cuidado poderiam ser ampliadas e enriquecidas?<\/p>\n<p>A brincadeira de casinha, como todo jogo simb\u00f3lico, \u00e9 uma inst\u00e2ncia em que as crian\u00e7as assumem pap\u00e9is: tornam-se m\u00e3es, pais, filhos, irm\u00e3os, bab\u00e1s&#8230; Ao enriquecermos esses contextos de brincadeiras, ampliamos as possibilidades de imagina\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o do mundo que cerca as crian\u00e7as. \u00c9 essencialmente por meio do brincar que elas se relacionam com o mundo. Lev Vygotsky diz que as brincadeiras das crian\u00e7as representam exemplos aut\u00eanticos de verdadeira cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>As brincadeiras infantis, frequentemente, s\u00e3o <\/em><em>apenas um eco do que a crian\u00e7a viu e ouviu dos <\/em><em>adultos. No entanto, esses elementos da experi\u00eancia <\/em><em>anterior nunca se reproduzem, na brincadeira, <\/em><em>exatamente como ocorreram na realidade. <\/em><em>A brincadeira da crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas <\/em><em>uma simples recorda\u00e7\u00e3o do que vivenciou, mas uma reelabora\u00e7\u00e3o criativa de impress\u00f5es e, <\/em><em>baseada nelas, a constru\u00e7\u00e3o de uma realidade <\/em><em>nova que responde \u00e0s inspira\u00e7\u00f5es e aos anseios <\/em><em>da crian\u00e7a. Assim como na brincadeira, <\/em><em>o \u00edmpeto da crian\u00e7a para criar \u00e9 a imagina\u00e7\u00e3o <\/em><em>em atividade.\u00a0(VYGOTSKY, 2009: 17)<sup>7<\/sup>.<\/em><\/p>\n<p>Ao pensarmos na possibilidade do cuidado como foco e no enriquecimento de um jogo simb\u00f3lico t\u00e3o querido pelas crian\u00e7as, as brincadeiras de casinha, inspiramo-nos no trabalho realizado por Mary Gordon (ver box, p.12). Em um movimento similar, convidamos alguns beb\u00eas e seus familiares para visitarem nosso grupo e nos contar sobre o cuidar. Nossa inten\u00e7\u00e3o era que as crian\u00e7as vivenciassem a\u00e7\u00f5es de cuidado, ampliando o repert\u00f3rio para seus jogos simb\u00f3licos. Recebemos seis beb\u00eas que foram convidados por fazerem parte do nosso contexto relacional: parentes e professores da escola. Cada uma das visitas tiveram focos escolhidos por n\u00f3s como bons eixos de amplia\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de cuidado e enriquecimento das brincadeiras de faz de conta: corpo e higiene, brincadeira, linguagem n\u00e3o verbal, alimenta\u00e7\u00e3o, gravidez e aquisi\u00e7\u00e3o do andar.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>7 Imagina\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o na inf\u00e2ncia, de Lev S. Vygotsky. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2009.<\/h6>\n<p>N\u00e1dia, de oito meses, visitou-nos com a m\u00e3e para nos contar sobre os cuidados com o corpo e a higiene ao tomar banho em nossa sala. A partir desse encontro criamos cen\u00e1rios de brincadeiras de dar banho nas bonecas que se enriqueceram com os olhares mais refinados das crian\u00e7as. Uma das crian\u00e7as \u2013 Beatriz \u2013, depois de ter assistido \u00e0 cena da N\u00e1dia tomando banho, falou-nos:<\/p>\n<p><em>\u2013 Eu j\u00e1 sei como dar banho no beb\u00ea. Primeiro molha a m\u00e3ozinha e depois passa no beb\u00ea.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12923 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/7-4-256x300.png\" alt=\"\" width=\"256\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/7-4-256x300.png 256w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/7-4.png 546w\" sizes=\"auto, (max-width: 256px) 100vw, 256px\" \/><\/p>\n<p>Helena, de cinco meses, esteve em nosso grupo com a m\u00e3e, que contou um pouco sobre as primeiras brincadeiras dos beb\u00eas. Depois de sua visita, propusemos um encontro com o Grupo 1, que tem crian\u00e7as de onze meses a um ano e meio, para que todos pudessem brincar e experimentar outras formas de se relacionar com crian\u00e7as menores e o quanto isso exige cuidado com o outro.<\/p>\n<p>Carolina e Isabel, g\u00eameas de sete meses, estiveram presentes com os pais. Eles nos ensinaram a trocar fralda, dar mamadeira, al\u00e9m de contarem um pouco sobre a gravidez. Depois dessa visita, as crian\u00e7as reproduziram as imagens vistas da m\u00e3e das g\u00eameas de quando ela estava gr\u00e1vida e tamb\u00e9m imitaram o jeito de dar a mamadeira, conforme o pai das beb\u00eas havia mostrado ao grupo.<\/p>\n<p>Pedro, de quatro meses, visitou-nos com a av\u00f3. Ela falou sobre os cuidados de av\u00f3 e a comunica\u00e7\u00e3o que estabelecia com ele por meio de sua linguagem gestual, balbucios e falas. A partir dessa visita surgiram no grupo conversas sobre a linguagem dos beb\u00eas:<\/p>\n<p><em>\u2013 Os beb\u00eas fazem \u201cgugu\u201d, disse Helena.<\/em><br \/>\n<em>\u2013 Eles falam dentro da barriga, afirmou Rodrigo.<\/em><br \/>\n<em>\u2013 Os beb\u00eas falam dentro deles, comentou Felipe.<\/em><\/p>\n<p>Por fi m, a m\u00e3e de Isabel, de onze meses, falou-nos sobre a aprendizagem do andar e a alimenta\u00e7\u00e3o da filha. Na ocasi\u00e3o, ela almo\u00e7ou conosco. Conversamos sobre as fases de alimenta\u00e7\u00e3o do beb\u00ea. As crian\u00e7as ajudaram a preparar parte da sopa de Isabel, a alimentaram, e, \u00e9 claro, experimentaram tamb\u00e9m.<\/p>\n<h5>Sabores que cuidam<\/h5>\n<p>Seguimos ampliando as experi\u00eancias das crian\u00e7as e suas possibilidades de cria\u00e7\u00e3o. Depois da visita da Isabel, que almo\u00e7ou em nossa sala, nos inspiramos a incrementar ainda mais os contextos simb\u00f3licos das casinhas no que se refere \u00e0s brincadeiras de fazer comidinhas. Pensamos sobre os significados que as comidas t\u00eam para as pessoas e que os alimentos tamb\u00e9m podem ser uma forma de cuidar. Nesse sentido, perguntamos: <em>Quais sabores <\/em><em>cuidam? Como a comida aparece nos contextos <\/em><em>relacionais das pessoas como forma de <\/em><em>carinho e aten\u00e7\u00e3o? Como alguns alimentos podem ser inseridos nas brincadeiras de casinha para que <\/em><em>as crian\u00e7as ampliem suas experi\u00eancias de cuidado <\/em><em>a partir do exerc\u00edcio de suas cria\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Com este foco, pedimos \u00e0s fam\u00edlias que enviassem para a escola uma receita especial, que fizesse sentido para a crian\u00e7a. Recebemos receitas muito especiais: o ch\u00e1 de erva cidreira para as noites mais dif\u00edceis, o macarr\u00e3o caseiro feito tradicionalmente na fam\u00edlia, o bolo de chocolate da m\u00e3e confeiteira, o leg\u00edtimo molho pesto de uma fam\u00edlia italiana, o mingau de aveia que \u00e9 saboreado desde beb\u00ea, os ovos mexidos com um toque especial de um pai que adiciona leite \u00e0 receita, o pur\u00ea de batatas.<\/p>\n<p>As receitas foram preparadas na escola. Tivemos a oportunidade de receber duas fam\u00edlias que cozinharam conosco: um pai fez macarr\u00e3o caseiro; o outro, produziu o leg\u00edtimo molh0 pesto italiano. Durante o preparo das receitas ficava evidente o sentido que as prepara\u00e7\u00f5es tinham para a crian\u00e7a que a havia trazido. O cuidado tamb\u00e9m estava presente sob o aspecto da manipula\u00e7\u00e3o dos alimentos e da elabora\u00e7\u00e3o das receitas saboreadas por todos. Quando prontos, os pratos eram oferecidos em cen\u00e1rios de casinha, enriquecendo ainda mais as brincadeiras das crian\u00e7as que se exercitavam no jogo simb\u00f3lico com alimentos de verdade. Ofereciam ch\u00e1 e mingau para os beb\u00eas, colocavam queijo ralado sobre o macarr\u00e3o para agradar o colega que experimentava a receita, davam comidinhas na boca uns dos outros e preparavam os pratos dos filhinhos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12924 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/8-4-196x300.png\" alt=\"\" width=\"196\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/8-4-196x300.png 196w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/8-4.png 374w\" sizes=\"auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><\/p>\n<h5>Das fam\u00edlias para as rela\u00e7\u00f5es na escola<\/h5>\n<p>Depois das visitas dos beb\u00eas em nosso grupo, refletimos sobre como levar o cuidado para as rela\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as. Foi nesse momento que evidenciamos dois caminhos a partir do cuidado: o cuidado com o corpo do outro e o cuidado com o sentimento do outro.<\/p>\n<p><strong>O cuidado com o corpo do outro \u2013<\/strong> Durante as visitas, as crian\u00e7as precisaram conter o pr\u00f3prio corpo e saber os limites do contato poss\u00edvel com beb\u00eas t\u00e3o pequenos: Como se aproximar? Como oferecer carinho sem machucar? Essas foram perguntas que as a\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as refletiam.<\/p>\n<p>Assim, buscando transferir essas mesmas perguntas para as rela\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as, desenvolvemos uma sequ\u00eancia de a\u00e7\u00f5es de sensibiliza\u00e7\u00e3o e contato com o corpo do outro. Diariamente, ap\u00f3s as<br \/>\nbrincadeiras no espa\u00e7o externo, prop\u00fanhamos um momento de descanso, organiz\u00e1vamos diversos cen\u00e1rios nos quais as crian\u00e7as eram convidadas a cuidar do corpo do outro ao se tocarem, se acariciarem, dividirem espa\u00e7o e experimentarem alguns materiais de massagem. Estend\u00edamos um grande pano na sala com algumas almofadas e deix\u00e1vamos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o materiais como algod\u00e3o, pinc\u00e9is, pequenos potes com \u00e1gua e conta-gotas, panos e penas. No come\u00e7o, apresentamos os materiais individualmente para, s\u00f3 depois, compormos um pequeno acervo de utens\u00edlios para esse momento de descanso e relaxamento.<\/p>\n<p>Ao longo dessas viv\u00eancias foi interessante ver como as crian\u00e7as descobriam cada parte do corpo do outro ao sugerirem massagem nos p\u00e9s com os pinc\u00e9is ou passarem bolinhas de algod\u00e3o pela barriga do colega, por exemplo. Na experi\u00eancia de tocar o outro lidavam continuamente com as quest\u00f5es: Como se aproximar sem machucar? Como cuidar do corpo do outro para que ele se sinta confort\u00e1vel? Nesse movimento, as crian\u00e7as se aproximavam em pequenos grupos, duplas ou trios e estabeleciam combinados, perguntavam \u00e0 crian\u00e7a que recebia massagem como preferia que fosse feito e, cuidadosamente, lhe ofereciam as sensa\u00e7\u00f5es dos materiais. Depois as pr\u00f3prias crian\u00e7as invertiam os pap\u00e9is, isto \u00e9, quem havia oferecido carinho agora se dispunha a receb\u00ea-lo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12925 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/9-2-300x292.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/9-2-300x292.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/9-2.png 391w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>O cuidado com o sentimento do outro \u2013<\/strong> Com as visitas dos beb\u00eas foi poss\u00edvel entender o aspecto mais abstrato e subjetivo do cuidado, ou seja, o cuidado com o outro como pessoa que tem sentimentos e jeitos pr\u00f3prios de ser. Poder acolher, querer ajudar. Um exemplo disso foram as leituras das hist\u00f3rias que envolviam enredos de medo ou que continham personagens amedrontadores como monstros, lobos e bruxas. Em uma dessas situa\u00e7\u00f5es em que cont\u00e1vamos a hist\u00f3ria de Chapeuzinho Vermelho duas crian\u00e7as se ofereceram para estar ao lado de outras duas que estavam com muito medo do Lobo. Desde ent\u00e3o essa postura tornou-se recorrente entre as crian\u00e7as:<br \/>\n\u2013 Vou cuidar da Ant\u00f4nia porque ela t\u00e1 com medo do Lobo, disse Beatriz.<\/p>\n<p>Pudemos acompanhar a reverbera\u00e7\u00e3o desse sentido do cuidar do outro em situa\u00e7\u00f5es quando, por exemplo, as crian\u00e7as se ajudavam em situa\u00e7\u00f5es de dificuldade ou buscavam o aux\u00edlio do adulto quando algu\u00e9m estava descontente.<\/p>\n<p>Apesar de termos dividido o entendimento do cuidado como o cuidado do corpo e o cuidado com o sentimento, ou seja, um mais concreto e o outro mais abstrato, \u00e9 importante pontuar que os dois tamb\u00e9m acontecem juntos, afinal o sentido de cuidado s\u00f3 ganha significado quando h\u00e1 alguma a\u00e7\u00e3o que o concretize. \u00c9 assim na brincadeira.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12926 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/10-2-300x274.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"274\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/10-2-300x274.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/10-2.png 496w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Nessa atua\u00e7\u00e3o direta sobre o outro e sobre o mundo pelo olhar cuidadoso, as crian\u00e7as constroem o sentido profundo das rela\u00e7\u00f5es humanas. E com essas viv\u00eancias, conversas, brincadeiras e muito afeto, o cuidado foi instaurado em nosso grupo. A aten\u00e7\u00e3o, a gentileza e o carinho permearam nossos dias. E a cada gesto de tomar para si o cuidado com o outro sent\u00edamos o quanto a clareza de nossas inten\u00e7\u00f5es havia tocado cada um deles.<\/p>\n<h5>O que faz o Roots of Empathy<\/h5>\n<p>O Roots of Empathy (ra\u00edzes da empatia) \u00e9 um programa realizado em salas de aula, que aplicado desde 1996, reduziu significativamente os n\u00edveis de agress\u00e3o entre jovens nas escolas por meio do incentivo do relacionamento com beb\u00eas \u2013 sempre um deles em um grupo, acompanhado de um instrutor adulto. Esses beb\u00eas catalisam a experi\u00eancia da percep\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios sentimentos e o do outro, resultando em uma cultura de mais afeto e compreens\u00e3o.<\/p>\n<h5>O que Mary Gordon diz em Quem se Importa<\/h5>\n<p>\u201c\u00c9 uma oportunidade para que alunos numa sala de aula criem seu entendimento social e emocional. Para que sejam capazes de cuidar do outro, de aprender sobre a experi\u00eancia do outro. E o que acontece neste programa \u00e9 que, quando a empatia que desenvolvem e a habilidade de entender os outros aumentam, todas as coisas ruins, como bullying, diminuem\u201d.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma grande tend\u00eancia chegando \u00e0 educa\u00e7\u00e3o que reconhece a pesquisa que diz: O melhor motor para o aprendizado \u00e9 como n\u00f3s nos sentimos\u201d.<\/p>\n<h6>Fonte: http:\/\/www.quemseimporta.com.br\/o-filme\/empreendedores-sociais-2\/mary-gordon<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-12927\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/11-1-300x245.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/11-1-300x245.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/11-1.png 478w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARIA DE F\u00c1TIMA TOTTI E JULIANA LICHY\u00b9 A ATITUDE DE CUIDAR \u00c9 CONSTRU\u00cdDA DESDE CEDO NAS RELA\u00c7\u00d5ES QUE SE ESTABELECEM ENTRE AS PESSOAS, E A ESCOLA PODE SER UM LUGAR PRIVILEGIADO PARA SEU DESENVOLVIMENTO. AO SER CUIDADO PELO OUTRO, TEM-SE A DIMENS\u00c3O DO QUE ISSO SIGNIFICA Ao lidar com crian\u00e7as pequenas \u00e9 preciso pensar no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":16393,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1517],"tags":[],"class_list":{"0":"post-12916","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-57","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12916"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16397,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12916\/revisions\/16397"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}