{"id":1288,"date":"2002-01-16T00:35:11","date_gmt":"2002-01-16T02:35:11","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=1288"},"modified":"2023-03-27T11:46:21","modified_gmt":"2023-03-27T14:46:21","slug":"brincadeira-arte-e-cultura-em-florianopolis-criancas-constroem-o-boi-de-mamao-para-brincar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/brincadeira-arte-e-cultura-em-florianopolis-criancas-constroem-o-boi-de-mamao-para-brincar\/","title":{"rendered":"Brincadeira, arte e cultura em Florianopolis &#8211; Crian\u00e7as constroem o boi de mam\u00e3o para brincar"},"content":{"rendered":"<h5>Nesta mat\u00e9ria, apresento um pouco de minha experi\u00eancia com uma forma de trabalho que se aproxima do que se denomina projeto. Esse \u00e9 sobre o boi de mam\u00e3o, desenvolvido no primeiro semestre de 1998 com crian\u00e7as de 3 anos em um N\u00facleo de Educa\u00e7\u00e3o Infantil da Rede P\u00fablica Municipal de Florian\u00f3polis-SC.Tivemos a inten\u00e7\u00e3o de articular a brincadeira boi de mam\u00e3o \u2013 manifesta\u00e7\u00e3o do folclore ilh\u00e9u \u2013 com a arte, o conhecimento e a cultura. Conhe\u00e7a mais nas pr\u00f3ximas p\u00e1ginas<\/h5>\n<p><!--more--><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1299\" title=\"avisala_09_boi1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_boi1.jpg\" alt=\"\" width=\"216\" height=\"137\" \/><br \/>\nO trabalho teve a inten\u00e7\u00e3o de articular a brincadeira Boi-de-Mam\u00e3o<br \/>\n\u2013 manifesta\u00e7\u00e3o do folclore ilh\u00e9u \u2013 com a arte, o conhecimento e a cultura. Entre os diversos objetivos, destacamos a constru\u00e7\u00e3o de um boi de mam\u00e3o atrav\u00e9s de um processo l\u00fadico-art\u00edstico e a aproxima\u00e7\u00e3o com a cultura como possibilidade de ampliar a experi\u00eancia est\u00e9tico-visual e assegurar o alimento ao imagin\u00e1rio infantil e suas diversas linguagens: corporais, verbais, est\u00e9ticas e musicais.<\/p>\n<p>Considerei como princ\u00edpio e ponto de partida o direito da crian\u00e7a pequena interagir e usufruir o patrim\u00f4nio art\u00edstico &#8211; cultural da humanidade atrav\u00e9s de sua express\u00e3o universal e local. Como fruto desse contato, o direito de construir categorias est\u00e9ticas de produ\u00e7\u00e3o e aprecia\u00e7\u00e3o da arte al\u00e9m do progressivo dom\u00ednio dos procedimentos do fazer art\u00edstico como forma de express\u00e3o e de conhecimento. Mas, o mais importante, a garantia do direito fundamental da crian\u00e7a: brincar.<\/p>\n<p><strong>Diversos olhares sobre o Boi-de-Mam\u00e3o<\/strong><br \/>\nPartindo do conhecimento pr\u00e9vio das crian\u00e7as e da comunidade sobre a farra do boi e o boi-de-mam\u00e3o do conhecimento popular, organizamos um passeio &#8211; visita ao Museu de Arte de Santa Catarina para ver a Exposi\u00e7\u00e3o de Juarez Machado e seus diversos olhares sobre a cultura da ilha, sobre a farra do boi e o boi-de-mam\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse caminho, percorremos algumas trilhas do \u201cerudito ao popular\u201d \u2013 incurs\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com a arte e conhecimento mais elaborado atrav\u00e9s da arte de Juarez Machado, Portinari, Martinho de Haro e Franklin Cascaes \u2013 para alimentar nosso repert\u00f3rio imag\u00e9tico a fim de favorecer o percurso gr\u00e1fico e pl\u00e1stico na constru\u00e7\u00e3o do nosso boi.<\/p>\n<p>Deleitamos com hist\u00f3rias da mitologia brasileira e do folclore catarinense e ilh\u00e9u, com seus personagens fant\u00e1sticos, para enriquecer nosso imagin\u00e1rio na composi\u00e7\u00e3o dos personagens.<\/p>\n<p>As dificuldades de um trabalho coletivo Na constru\u00e7\u00e3o do nosso boi-de-mam\u00e3o, vivemos um processo lento e o planejamento configurou-se num momento de dif\u00edcil equil\u00edbrio e muitas interroga\u00e7\u00f5es: acreditava que as crian\u00e7as deveriam ser entendidas como sujeitos nesse processo, participando das a\u00e7\u00f5es de forma organizada e intencional.<\/p>\n<p>Mas como organizar tal participa\u00e7\u00e3o encontrando um jeito entre sintonia e compasso do trabalho a ser desenvolvido com as possibilidades reais e potenciais das crian\u00e7as de 3 anos? Em que situa\u00e7\u00f5es essa participa\u00e7\u00e3o poderia ocorrer de fato para que os momentos de espera n\u00e3o fossem maiores que os de participa\u00e7\u00e3o efetiva e de cria\u00e7\u00e3o? Pensava no resultado da alegoria, que deveria ter uma certa resist\u00eancia, sem ser pesada demais, para que as crian\u00e7as pudessem brincar e manipular, al\u00e9m de ter uma est\u00e9tica que identificasse a produ\u00e7\u00e3o do grupo, mas que tamb\u00e9m lembrasse o Boi-de-Mam\u00e3o.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, na constru\u00e7\u00e3o com sucata e na defini\u00e7\u00e3o de formas estruturais, considerava importante que as crian\u00e7as acompanhassem o que \u00e9 o princ\u00edpio do trabalho com sucata: o processo de transforma\u00e7\u00e3o e reaproveitamento do material em nova configura\u00e7\u00e3o, que nesse caso seria a cria\u00e7\u00e3o de figuras e formas do nosso boi.<\/p>\n<p>Elas precisariam saber como uma caixa de papel\u00e3o se transforma no corpo do boi, como embalagens de garrafas pl\u00e1sticas e caixas viram cabe\u00e7as do boi, cavalo e cabra. No entanto, sentia que havia pouca participa\u00e7\u00e3o efetiva das crian\u00e7as nesses momentos e que eles se configuraram mais em momentos de espera \u2013 gerando confus\u00e3o e dificultando o pr\u00f3prio trabalho \u2013 do que em participa\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<div id=\"attachment_1300\" style=\"width: 136px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1300\" class=\"size-full wp-image-1300\" title=\"avisala_09_boi3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_boi3.jpg\" alt=\"\" width=\"126\" height=\"150\" \/><p id=\"caption-attachment-1300\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: M\u00f4nica Fantim<\/p><\/div>\n<p>Perguntava-me onde ou em que as crian\u00e7as realmente podiam contribuir, participar e ajudar para sentirem-se autoras dessa constru\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apenas meras espectadoras. Ent\u00e3o, se antes estava planejado construir tudo com elas para que acompanhassem todo o processo de cria\u00e7\u00e3o, comecei a questionar se tal procedimento era o mais acertado, correto e adequado em tais circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es para garantir a participa\u00e7\u00e3o de todos<\/strong><br \/>\nApoiada nos instrumentos te\u00f3ricometodol\u00f3gicos que Madalena Freire prop\u00f5e \u2013 observa\u00e7\u00e3o, registro, an\u00e1lise e avalia\u00e7\u00e3o e (re)planejamento \u2013, reconsiderei algumas quest\u00f5es, planejando outras formas e momentos de participa\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>Discutindo com outros profissionais e refletindo a esse respeito, pensei numa din\u00e2mica de trabalho para a constru\u00e7\u00e3o das estruturas do boi-de-mam\u00e3o de forma que n\u00e3o comprometesse a autoria coletiva: separei os momentos mais dif\u00edceis e demorados na confec\u00e7\u00e3o e montagem da estrutura b\u00e1sica, que ficariam sob meu encargo, e as crian\u00e7as participariam da papietagem (rasgar papel e colar em v\u00e1rias camadas), da pintura, da escolha e da montagem dos acess\u00f3rios.<\/p>\n<p>Aos poucos outras etapas foram-se sucedendo e fomos dando vida ao nosso boi. Assim, combinamos nosso jeito de ver, saber e fazer com outros tantos jeitos e fomos ampliando nossa experi\u00eancia est\u00e9tico-visual atrav\u00e9s da viv\u00eancia, experimenta\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos culturalmente significativos. Esse caminho tamb\u00e9m nos levou a chegar novamente ao popular, atrav\u00e9s do passeio e da visita ao boi-de-mam\u00e3o de Sambaqui, alimentados por um delicioso piquenique \u00e0 beira-mar.<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o do Boi, s\u00edntese de tantos esfor\u00e7os Vivenciando a riqueza e beleza desse percurso em que buscamos elementos diversos para construir nosso boi-de-mam\u00e3o, restava a s\u00edntese, que seria a apresenta\u00e7\u00e3o \u2013 momento e espa\u00e7o em que a parcela da cria\u00e7\u00e3o individual e coletiva encontraria seu momento de express\u00e3o l\u00fadica e art\u00edstica.<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o, ou melhor, as apresenta\u00e7\u00f5es, de certa forma estiveram presentes em todo o processo, pois sempre cant\u00e1vamos e brinc\u00e1vamos nos momentos de confec\u00e7\u00e3o, dan\u00e7\u00e1vamos assim que cada alegoria ficava pronta \u2013 tomando os devidos cuidados, principalmente nas brincadeiras de p\u00e1tio, quando as crian\u00e7as de outras turmas tamb\u00e9m participavam.<\/p>\n<p>Mas a apresenta\u00e7\u00e3o formal foi o momento mais esperado \u2013 a alegria contagiante das crian\u00e7as, a emo\u00e7\u00e3o e o orgulho dos pais assistindo, vibrando, cantando e fotografando suas crian\u00e7as. No entanto, foi um \u201cgrand finale\u201d sem fim, pois at\u00e9 hoje as crian\u00e7as continuam brincando, se divertindo e apresentando o nosso, e agora de todos, Boi-de-Mam\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Reflex\u00f5es finais<\/strong><br \/>\nTendo cumprido essa trajet\u00f3ria, chegamos ao final do projeto, enriquecidos com os elementos e alimentos da arte, da cultura e do conhecimento, construindo uma possibilidade de educa\u00e7\u00e3o l\u00fadico-est\u00e9tica que permitiu a recria\u00e7\u00e3o de uma brincadeira tradicional na nossa cultura. Conversando, conhecendo, vendo, visitando exposi\u00e7\u00f5es e lugares, desenhando, pintando, representando, cantando, dan\u00e7ando, construindo, brincando, passeando e apresentando: assim as crian\u00e7as vivenciaram esse percurso.<\/p>\n<p>Posso dizer que nosso projeto foi uma trajet\u00f3ria muito rica, cheia de curvas, desvios e atalhos, mas mostrou uma possibilidade de trilhar caminhos apaixonantes e culturalmente significativos entre a arte erudita e popular na Educa\u00e7\u00e3o Infantil. No percurso do projeto, a cultura foi sendo reconstitu\u00edda com arte e ludicidade.<\/p>\n<p>As brincadeiras com o boi, a m\u00fasica, os instrumentos marcando passos e ritmos, os detalhes da confec\u00e7\u00e3o, do ensaio e apresenta\u00e7\u00e3o&#8230; os passeios, tudo configurando a constru\u00e7\u00e3o de uma sintonia entre o projeto com as demais propostas da rotina das crian\u00e7as: as atividades permanentes e as diferentes seq\u00fc\u00eancias.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as dialogaram com os elementos da cultura e do conhecimento mediadas pela professora, que organizava e criava condi\u00e7\u00f5es para tal, compondo todas um grande mosaico colorido e musical. Revela\u00e7\u00e3o de um encontro, de uma sintonia e de um compasso entre crian\u00e7as arte e cultura marcado ludicamente pelas linguagens da arte, da m\u00fasica e da brincadeira.<\/p>\n<p>(M\u00f4nica Fantin, foi professora e coordenadora pedag\u00f3gica da rede p\u00fablica municipal de Florian\u00f3polis. Atualmente \u00e9 professora na UFSC, colaboradora do Museu do Brinquedo da Ilha de Santa Catarina e assessora de projetos art\u00edsticos e culturais, entre eles o \u201cArtistas da Palavra\u201d, do Instituto Cidade Futura)<\/p>\n<div id=\"attachment_1301\" style=\"width: 229px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1301\" class=\"size-full wp-image-1301\" title=\"avisala_09_boi2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_boi2.jpg\" alt=\"\" width=\"219\" height=\"299\" \/><p id=\"caption-attachment-1301\" class=\"wp-caption-text\">Brincar com o Boi-de-Mam\u00e3o \u00e9 uma forma de conhecer a cultura ilhoa<\/p><\/div>\n<h4>O que \u00e9 o Boi-de-Mam\u00e3o<\/h4>\n<p>O folguedo Boi-de-Mam\u00e3o \u00e9 uma das brincadeiras de maior atra\u00e7\u00e3o popular no folclore do litoral catarinense, pois seu enredo envolve hist\u00f3ria, encena\u00e7\u00e3o\/dramatiza\u00e7\u00e3o, m\u00fasica e dan\u00e7a ao redor do tema \u00e9pico da \u201cvida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do boi\u201d.<\/p>\n<p>O Boi-de-Mam\u00e3o catarinense pode ser considerado como uma varia\u00e7\u00e3o do conhecido Bumba-meu-Boi e, se no Nordeste sua apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dram\u00e1tica, em Santa Catarina o tr\u00e1gico e o dram\u00e1tico cederam lugar ao c\u00f4mico e ao l\u00fadico. Com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e varia\u00e7\u00f5es de personagens, m\u00fasicas e coreografias, o Boi-de-Mam\u00e3o catarinense incluiu a Maricota e a Bernun\u00e7a e ficou mais leve e gracioso.<\/p>\n<p>As figuras centrais do Boi-de-Mam\u00e3o s\u00e3o o boi, o vaqueiro, o cavalinho, a cabra e seu Mateus, dono do boi. Dependendo do lugar, da cidade ou da regi\u00e3o, os personagens que acompanham o boi diversificam-se.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1302\" title=\"avisala_09_boi4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_boi4.jpg\" alt=\"\" width=\"345\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_boi4.jpg 345w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_boi4-300x181.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 345px) 100vw, 345px\" \/>A apresenta\u00e7\u00e3o come\u00e7a com as figuras que v\u00e3o surgindo e dan\u00e7ando ao som da cantoria com o \u201cchamador\u201d, que conta e canta os versos chamando para se apresentar: as investidas do boi, a sensa\u00e7\u00e3o de morte e seu ressurgimento atrav\u00e9s da benzedura, uma vez que o veterin\u00e1rio o d\u00e1 como morto; o cavaleiro que la\u00e7a o boi e a cabrinha que pula e berra; a terr\u00edvel bernun\u00e7a, que dan\u00e7a abrindo e fechando sua boca enorme, engole uma crian\u00e7a da plat\u00e9ia e d\u00e1 \u00e0 luz uma bernuncinha; a Maricota, com seus tr\u00eas metros de altura dan\u00e7ando com seus longos bra\u00e7os girando pelo corpo com as m\u00e3os espalmadas e, para finalizar \u201ctodos bichos no sal\u00e3o\u201d. (Podem aparecer outras cria\u00e7\u00f5es, como o Jaragu\u00e1 os urubus, que bicam o boi morto, os cachorros que espantam, al\u00e9m do urso, macaco, caipora, marimbondo e o galinho, que em certos lugares finaliza a apresenta\u00e7\u00e3o.)<\/p>\n<p>Em Florian\u00f3polis, h\u00e1 cerca de 30 anos, havia muitos grupos de Boi-de-Mam\u00e3o e por uma s\u00e9rie de motivos foi desaparecendo esta manifesta\u00e7\u00e3o da cultura. Se antigamente o folguedo era realizado no carnaval e nas ruas dos bairros como uma pr\u00e1tica cotidiana, hoje ele acontece principalmente em eventos culturais, festas juninas e em manifesta\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas.<\/p>\n<h4>O projeto<\/h4>\n<p><strong>Objetivo do projeto<\/strong><\/p>\n<p><strong>Objetivo compartilhado com as crian\u00e7as:<\/strong> Construir um boi-de-mam\u00e3o para a turma.<\/p>\n<p><strong>Objetivo did\u00e1tico do projeto:<\/strong> Conhecer as diversas representa\u00e7\u00f5es<br \/>\nde boi-de-mam\u00e3o na arte (erudita e popular) ampliando a experi\u00eancia est\u00e9tico-visual das crian\u00e7as e alimentando o imagin\u00e1rio infantil atrav\u00e9s de diferentes linguagens verbais, corporais e art\u00edsticas.<\/p>\n<p>O que a professora quer que as crian\u00e7as aprendam<\/p>\n<ol>\n<li>Identificar o boi de mam\u00e3o como brincadeira t\u00edpica e manifesta\u00e7\u00e3o da cultura da ilha.<\/li>\n<li>Ampliar a experi\u00eancia est\u00e9tico-visual das crian\u00e7as.<\/li>\n<li>Interagir com elementos da cultura erudita e popular.<\/li>\n<li>Apreciar representa\u00e7\u00f5es diversas em diferentes artistas, ve\u00edculos e portadores da arte erudita e popular.<\/li>\n<li>Aproximar com as obras de alguns artistas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tem\u00e1tica fornecendo dados para aprecia\u00e7\u00e3o e fazer art\u00edstico de seus trabalhos.<\/li>\n<li>Registrar suas impress\u00f5es para construir seus registros.<\/li>\n<li>Ampliar repert\u00f3rio imag\u00e9tico para construir suas representa\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas e pl\u00e1sticas.<\/li>\n<li>Expressar pensamentos e sentimentos atrav\u00e9s do desenho, da pintura, da m\u00fasica e da dramatiza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Construir com sucatas compreendendo o princ\u00edpio da transforma\u00e7\u00e3o e reutiliza\u00e7\u00e3o de materiais.<\/li>\n<li>Socializar e interagir com o grupo em situa\u00e7\u00f5es organizadas.<\/li>\n<li>Valorizar o conhecimento cultural, a troca e o trabalho cooperativo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Seq\u00fc\u00eancia de atividades<\/p>\n<ol>\n<li>A partir da discuss\u00e3o sobre a farra do boi em decorr\u00eancia da P\u00e1scoa \u2013 \u00e9poca em que mais aparece tal manifesta\u00e7\u00e3o \u2013, conversar com as crian\u00e7as para conhecer o que sabem sobre o boi, relacionando e suscitando o assunto do boi-de-mam\u00e3o: conhecem a brincadeira, a m\u00fasica e os personagens? J\u00e1 brincaram? Onde viram? E outras quest\u00f5es, instigando o interesse para a constru\u00e7\u00e3o do boi-de-mam\u00e3o da turma.<\/li>\n<li>\u00a0Pedir que as crian\u00e7as pesquisem com os pais sobre o boi-de-mam\u00e3o e desenhem seus personagens.<\/li>\n<li>Expor ao grupo a pesquisa realizada e os desenhos feitos pelos pais.<\/li>\n<li>Discutir as v\u00e1rias possibilidades de representa\u00e7\u00e3o do boi-de-mam\u00e3o relacionando o desenho dos pais com algumas representa\u00e7\u00f5es na arte.<\/li>\n<li>Mostrar desenhos, gravuras e pinturas de diversos artistas (Portinari, Martinho de Haro, Franklin Cascaes e Juarez Machado) a respeito da tem\u00e1tica.<\/li>\n<li>Preparar visita ao Museu de Arte de SC (MASC) no Centro Integrado de Cultura para ver a exposi\u00e7\u00e3o de Juarez Machado sobre a ilha, mostrando cat\u00e1logos e dando alguns dados biogr\u00e1ficos.<\/li>\n<li>Visitar a exposi\u00e7\u00e3o de Juarez Machado no MASC.<\/li>\n<li>Fazer registros individuais sobre a visita pintando o que mais gostou.<\/li>\n<li>Pintar um painel coletivo sobre o passeio e montar a exposi\u00e7\u00e3o dos trabalhos sobre a visita \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Ler e contar hist\u00f3rias da mitologia brasileira e do folclore catarinense e ilh\u00e9u (sobretudo na atividade permanente da roda da hist\u00f3ria).<\/li>\n<li>Dramatizar a hist\u00f3ria do Boi-de-Mam\u00e3o com bonecos de fantoche de dedos;<\/li>\n<li>Assistir ao filme do Boi-de-Mam\u00e3o.<\/li>\n<li>Fazer com as crian\u00e7as os personagens do boi com sucata utilizando caixas de papel\u00e3o, caixas de leite, potes de pl\u00e1stico, arame, espuma, jornal, fita crepe, cola, grude, tampas de garrafas, cabos de vassouras, cabide etc.<\/li>\n<li>Papietar os personagens e, ap\u00f3s secar, pintar.<\/li>\n<li>Vestir os personagens com retalhos e tecidos coloridos, vestido, luva, l\u00e3s, e acess\u00f3rios para enfeitar.<\/li>\n<li>Cantar a m\u00fasica do Boi-de-Mam\u00e3o com acompanhamento do som e percuss\u00e3o de ritmos com pandeiros.<\/li>\n<li>Brincar de Boi-de-Mam\u00e3o na sala e no p\u00e1tio da escola;<\/li>\n<li>Desenhar com e sem interfer\u00eancias os personagens e outros temas (trabalho realizado dentro da perspectiva das atividades seq\u00fcenciais).<\/li>\n<li>Visitar o Boi-de-Mam\u00e3o de Sambaqui.<\/li>\n<li>Desenhar o que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o no passeio.<\/li>\n<li>Apresenta\u00e7\u00e3o para outras turmas da escola e para os pais.<\/li>\n<li>Desenhar seu auto-retrato expressando como se sentiram na apresenta\u00e7\u00e3o do boi-de-mam\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica:<\/h4>\n<p>Iniciativa: N\u00facleo de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (NEI) Santo Ant\u00f4nio de P\u00e1dua \u2013 Florian\u00f3polis. Realiza\u00e7\u00e3o: Odete Oliveira Reis (auxiliar de sala), Dione Raizer (professora do NEI), Darcy (auxiliar de servi\u00e7os gerais), Maria Elisabete Ruzza (auxiliar de dire\u00e7\u00e3o) e Maria de F\u00e1tima Barbosa da Costa Ferreira (diretora)<\/p>\n<ul>\n<li>M\u00f4nica Fantin: R. Prof.Walter Bona Castelan, 434, Florian\u00f3polis \u2013 SC 88037-300 Fone (48) 233-2759 \u2022 e-mail: fpretel@ terra.com.br<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Para Saber Mais<\/h4>\n<p>O Boi-de-Mam\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Escola do Boi &#8211; Tel (48) 331-8525 (com Maristela)<\/li>\n<li>Grupo Arreda Boi &#8211; Tel (48) 269-83 21 (com Nado)<\/li>\n<li>NEI Santo Ant\u00f4nio de P\u00e1dua Tel (48) 334-8363 (com Dione)<\/li>\n<li>Museu do Brinquedo da Ilha de Santa Catarina\/Museu Universit\u00e1rio da UFSC Tel (48) 331-9325 (com Peninha)<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Bibliografia:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Arte-educa\u00e7\u00e3o: leitura no subsolo. Org. por A.M. Barbosa. Ed. Cortez.Tel.: (11) 3864-0111.<\/li>\n<li>Reflex\u00f5es: crian\u00e7a o brinquedo e a educa\u00e7\u00e3o.Walter Benjamin. Ed. Summus. Tel.: (11) 3865-9890.<\/li>\n<li>Referencial Curricular Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil. MEC Tel.: (61) 410-8484.<\/li>\n<li>Par\u00e2metros Curriculares Nacionais. Bras\u00edlia, MEC.<\/li>\n<li>Revista Crian\u00e7a no 29, MEC. Tel.: (61) 410-8484.<\/li>\n<li>Por um triz. Paz e Terra. Org. por Monique Deheinzelin. Tel.: (11) 223-6522<\/li>\n<li>Instrumentos Metodol\u00f3gicos II. Planejamento e Avalia\u00e7\u00e3o. Espa\u00e7o Pedag\u00f3gico. Tel.: (11) 5505-5013<\/li>\n<li>As artes e o desenvolvimento humano. Howard Gardner. Ed. Artmed. Tel.: (51) 330-3444.<\/li>\n<li>O desenho cultivado da crian\u00e7a. Rosa Iavelberg. In CAVALCANTI, Z\u00e9lia (org). Arte na sala de aula. Ed. Artmed.<\/li>\n<li>Ilha de Santa Catarina. Caderno de esbo\u00e7os. Juarez Machado. Publicado pela Sim\u00f5es de Assis Galeria de Arte, Curitiba.<\/li>\n<li>Did\u00e1tica do ensino de arte. A linguagem do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. Org. por M. Martins. Ed.FTD. Tel.: (11) 3284-8500.<\/li>\n<li>Aprendizagem escolar e constru\u00e7\u00e3o de conhecimento. C.S. Coll. Ed.Artmed.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta mat\u00e9ria, apresento um pouco de minha experi\u00eancia com uma forma de trabalho que se aproxima do que se denomina projeto. Esse \u00e9 sobre o boi de mam\u00e3o, desenvolvido no primeiro semestre de 1998 com crian\u00e7as de 3 anos em um N\u00facleo de Educa\u00e7\u00e3o Infantil da Rede P\u00fablica Municipal de Florian\u00f3polis-SC.Tivemos a inten\u00e7\u00e3o de articular a brincadeira boi de mam\u00e3o \u2013 manifesta\u00e7\u00e3o do folclore ilh\u00e9u \u2013 com a arte, o conhecimento e a cultura. Por M\u00f4nica Fantin<\/p>\n","protected":false},"author":58,"featured_media":3169,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[327,34],"tags":[1103,28,335,224,196,337,336,334],"class_list":{"0":"post-1288","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-09","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2002","10":"tag-arte","11":"tag-boi-de-mamao","12":"tag-brincadeira","13":"tag-cultura","14":"tag-florianopolis","15":"tag-folclore","16":"tag-monica-fantin","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1288\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3169"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}