{"id":12820,"date":"2013-11-16T22:11:45","date_gmt":"2013-11-17T00:11:45","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=12820"},"modified":"2023-08-11T10:49:33","modified_gmt":"2023-08-11T13:49:33","slug":"muito-mais-do-que-trocar-fraldas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-56\/muito-mais-do-que-trocar-fraldas\/","title":{"rendered":"Muito mais do que trocar fraldas"},"content":{"rendered":"<p>DAMARIS GOMES MARANH\u00c3O, FABIANA DINIZ, HELOISA SANTOS DE SOUZA E ELAINE BARROS\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>A TROCA DE FRALDAS NA PERSPECTIVA DA INTERA\u00c7\u00c3O DO PROFESSOR COM A CRIAN\u00c7A E NA DIN\u00c2MICA DO PROCESSO DE TRABALHO DA EQUIPE NA CRECHE<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ao trocar a fralda do beb\u00ea, a m\u00e3e e as outras pessoas que compartilham esse cuidado se relacionam individualmente com ele, de forma constante e \u00edntima. Mudam seu corpo de posi\u00e7\u00e3o, tocam sua pele para limp\u00e1-la, conversam diretamente com ele, fazem brincadeiras e, nesse processo, realizam a media\u00e7\u00e3o com o meio. Esse cuidado, realizado v\u00e1rias vezes ao dia, possibilita \u00e0 crian\u00e7a n\u00e3o apenas conforto e bem-estar, mas a percep\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria delimita\u00e7\u00e3o corporal por meio do toque da pele, da express\u00e3o facial, dos movimentos e da tens\u00e3o muscular do adulto, complementados por seus comandos e tom de voz. Tudo isso fornece aos beb\u00eas indicadores sensoriais do que \u00e9 seu corpo e do que est\u00e1 fora dele. As atitudes do adulto funcionam como um primeiro espelho no qual a crian\u00e7a se refl ete e obt\u00e9m indicadores sobre o pr\u00f3prio comportamento na rela\u00e7\u00e3o com o novo meio.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Damaris Gomes Maranh\u00e3o \u00e9 enfermeira consultora da equipe de sa\u00fade do CEDUC \u2013 Gest\u00e3o e Terceiriza\u00e7\u00e3o de Creches nas Epresas. Colaboradora do Instituto Avisa L\u00e1 e professora do Curso de Enfermagem da Universidade de Santo Amaro (Unisa) e de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Forma\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Infantil do Instituto Superior de Educa\u00e7\u00e3o Vera Cruz. Fabiana Diniz \u00e9 enfermeira da equipe do projeto E-learning do CEDUC. Heloisa Santos de Souza e Elaine Barros s\u00e3o enfermeiras das duas creches administradas pelo CEDUC na empresa Natura Cajamar (SP). O CEDUC \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o privada especializada na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de planejamento e gest\u00e3o de projetos pedag\u00f3gicos em creches de empresas, o que inclui todos os cuidados que os beb\u00eas e as crian\u00e7as menores de 4 anos requerem no espa\u00e7o de cada creche.<\/h6>\n<p>A troca de fraldas, no senso comum, pode parecer um cuidado simples, que n\u00e3o requer estudo ou t\u00e9cnica para ser realizado. Por\u00e9m, se analisado da perspectiva da experi\u00eancia corporal da crian\u00e7a, este e outros cuidados s\u00e3o momentos de rela\u00e7\u00e3o individualizada que devem estar previstos no projeto educativo e na rotina da Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Primeiro, porque na primeira inf\u00e2ncia o conhecimento sobre o ambiente e as pessoas que o comp\u00f5em ocorre de forma simult\u00e2nea com o conhecimento sobre si mesmo, o que se constitui na rela\u00e7\u00e3o com o outro. Segundo, porque, ao ser cuidada, a crian\u00e7a assimila as t\u00e9cnicas corporais, express\u00e3o criada pelo antrop\u00f3logo Marcel Mauss\u00b2 para descrever e explicar como os humanos usam o pr\u00f3prio corpo em cada cultura.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12821 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/1-1-264x300.png\" alt=\"\" width=\"264\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/1-1-264x300.png 264w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/1-1.png 524w\" sizes=\"auto, (max-width: 264px) 100vw, 264px\" \/><\/p>\n<h5>Cuidar: rela\u00e7\u00e3o interpessoal<\/h5>\n<p>Segundo Donald Winnicott\u00b3, \u201co manuseio da pele no cuidado do beb\u00ea \u00e9 um fator importante no est\u00edmulo a uma vida saud\u00e1vel dentro do corpo, da mesma forma como os modos de segurar a crian\u00e7a auxiliam o processo de integra\u00e7\u00e3o\u201d. O autor se refere ao desenvolvimento do sentimento de ser uma pessoa inteira, de uma personalidade separada da m\u00e3e ou do outro cuidador prim\u00e1rio. \u00c9 preciso lembrar que essa\u00a0 consci\u00eancia n\u00e3o ocorre de forma autom\u00e1tica com o corte f\u00edsico do cord\u00e3o umbilical. Ela \u00e9 constru\u00edda, como todo conhecimento, dependente da integra\u00e7\u00e3o entre a maturidade neurol\u00f3gica e as aprendizagens desenvolvidas na rela\u00e7\u00e3o com o meio. O autor refere que para ser uma boa m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel a t\u00e9cnica, mas sim a atitude de desvelo, de preocupa\u00e7\u00e3o, de identifi ca\u00e7\u00e3o com as necessidades biol\u00f3gicas e psicol\u00f3gicas de cada beb\u00ea.<\/p>\n<p>J\u00e1 para os professores, \u00e9 preciso mais que desvelo, boas inten\u00e7\u00f5es e experi\u00eancia pessoal no contexto dom\u00e9stico para que possam identificar-se com as necessidades de cada crian\u00e7a do grupo pelo qual s\u00e3o respons\u00e1veis. Precisam de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfi ca para interagir e realizar com seguran\u00e7a os procedimentos mais adequados para cada crian\u00e7a no contexto coletivo. Dar conta de integrar cuidados individualizados com intencionalidade e interven\u00e7\u00f5es educativas orientadas pelo projeto pedag\u00f3gico. Para isso \u00e9 preciso conhecer com mais profundidade como se d\u00e1 o processo de constru\u00e7\u00e3o, pela crian\u00e7a, da consci\u00eancia de si e do outro, base da sociabilidade.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>2 Sociologia e Antropologia, de Marcel Mauss. S\u00e3o Paulo: Cosac Naif, 2003.<br \/>\n3 Localiza\u00e7\u00e3o da psique no corpo. In: Natureza humana, de Donald Winnicott. Rio de Janeiro: Imago, 1990. p. 143.<\/h6>\n<h5>Aprendizagem de si na intera\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p>Como o beb\u00ea humano nasce imaturo, ele \u00e9 dependente do outro para identifi car e atender \u00e0s diversas necessidades corporais e manter-se seguro, \u00edntegro, confort\u00e1vel, nutrido. Ao mesmo tempo, cresce e desenvolve conhecimentos e habilidades para cuidar de si, do outro e do ambiente, para brincar, interagir e usar ou produzir bens culturais.<\/p>\n<p>Em que pese esse conhecimento ter sido constru\u00eddo no \u00e2mbito dos estudos sobre desenvolvimento humano, na Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u00e9 comum atribuir \u00e0 demanda de constantes cuidados corporais dos beb\u00eas e das crian\u00e7as menores de 3 anos um elemento difi cultador da execu\u00e7\u00e3o do projeto pedag\u00f3gico. Consideramos este um dos equ\u00edvocos originados por uma concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e de cuidado restrita, com base no modelo tradicional. Embora a autonomia no cuidado de si seja uma das premissas na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, esta \u00e9 constru\u00edda cotidianamente nas intera\u00e7\u00f5es estabelecidas no processo de cuidado e educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, desde o nascimento.<\/p>\n<p>Reconhecemos que as primeiras aprendizagens da crian\u00e7a s\u00e3o relativas a si pr\u00f3pria, \u00e0 sua diferencia\u00e7\u00e3o do outro e do meio. Inclui-se aqui a percep\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria sobre as sensa\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio corpo, do que dele sai e nele entra, que forma a base da no\u00e7\u00e3o de eu simb\u00f3lico ou ps\u00edquico. Enfim, conhecimentos que levam \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da identidade. Sendo assim, o professor deve compreender que a sua responsabilidade inclui todos os momentos e espa\u00e7os nos quais a crian\u00e7a interage, al\u00e9m da \u201csala de aula\u201d.<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia corporal \u00e9 constru\u00edda gradativamente pela crian\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o com o outro que faz a media\u00e7\u00e3o entre ela e o meio, e depende tanto das intera\u00e7\u00f5es com o familiar e com o professor que cuida constantemente dela, como do desenvolvimento neurol\u00f3gico e do estado de sa\u00fade da crian\u00e7a.<\/p>\n<h5>O cuidado do beb\u00ea tem hist\u00f3ria<\/h5>\n<p>Ocupar-se das necessidades corporais de outras pessoas \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o dos profissionais de enfermagem ou das v\u00e1rias ocupa\u00e7\u00f5es que se dedicam \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de cuidados pessoais, como as bab\u00e1s. Os cuidados sempre foram atribui\u00e7\u00f5es das mulheres que os realizavam no contexto dom\u00e9stico e sem remunera\u00e7\u00e3o at\u00e9 o movimento feminista possibilitar-lhes outros pap\u00e9is sociais.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>O conhecimento sobre as atitudes e t\u00e9cnicas de cuidado humano foi constru\u00eddo inicialmente pelas mulheres e transmitido entre as gera\u00e7\u00f5es. Por isso esse conhecimento nem sempre \u00e9 reconhecido como tal, mas naturalizado e considerado um instinto feminino, como se fosse inerente \u00e0 biologia do sexo e n\u00e3o \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o das mulheres. E s\u00e3o as mulheres que fundam as profi ss\u00f5es do cuidado, como a de enfermagem, e ocupam na sociedade as fun\u00e7\u00f5es de cuidadoras leigas, como as bab\u00e1s.<\/p>\n<p>Nas creches, a maioria das trabalhadoras foi e \u00e9 do sexo feminino. As primeiras creches brasileiras surgiram nas ind\u00fastrias que empregavam mulheres ou em entidades filantr\u00f3picas que atendiam os filhos das pr\u00f3prias empregadas dom\u00e9sticas ou bab\u00e1s. Essas institui\u00e7\u00f5es, privadas ou filantr\u00f3picas, continuaram contratando bab\u00e1s ou pajens para cuidar e educar as crian\u00e7as. Ap\u00f3s 1970, na cidade de S\u00e3o Paulo, foram implantadas as primeiras creches p\u00fablicas, e em 1973 foram publicados alguns protocolos para orientar cuidados e atividades com as crian\u00e7as, entre eles as atitudes e t\u00e9cnicas para a troca de fraldas. O foco era a seguran\u00e7a f\u00edsica e afetiva com o beb\u00ea, e tamb\u00e9m a higiene, evitando-se acidentes, dermatites e infec\u00e7\u00f5es. Embora j\u00e1 se enfatizasse a import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o entre o cuidador e o beb\u00ea, sobretudo nos momentos de cuidado individualizado, n\u00e3o havia, na \u00e9poca, uma reflex\u00e3o sobre o processo de aprendizagem das crian\u00e7as associado ao processo de ser cuidado pelo outro. A programa\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica da \u00e9poca focava atividades nos intervalos dos cuidados.<sup>5<\/sup><\/p>\n<hr \/>\n<h6>4 Cuidado e cuidadoras: as v\u00e1rias faces do trabalho do Care, de Helena Hirata e Nadya Araujo Guimar\u00e3es. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2012.<\/h6>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980 surgem os primeiros cursos de \u201cber\u00e7aristas\u201d que tamb\u00e9m enfatizavam os cuidados corporais, a rela\u00e7\u00e3o afetiva, a higiene, mas sem associ\u00e1-los ao processo de aprendizagem e desenvolvimento infantil.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12822 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2-1-239x300.png\" alt=\"\" width=\"239\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2-1-239x300.png 239w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2-1.png 425w\" sizes=\"auto, (max-width: 239px) 100vw, 239px\" \/><\/p>\n<p>Com a promulga\u00e7\u00e3o da Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB), de 1996, inicia-se um intenso processo de mudan\u00e7a na organiza\u00e7\u00e3o das creches, uma vez que estas passam a ser reconhecidas como espa\u00e7os educativos e, portanto, com as crian\u00e7as sob responsabilidade dos professores. Para doxal mente, \u00e9 a partir desse momento, de melhor qualifi ca\u00e7\u00e3o dos profi ssionais de creche e aprimoramento da qualidade do servi\u00e7o, que se inicia uma pol\u00eamica, ainda n\u00e3o superada, sobre a quem compete continuar executando os cuidados de higiene.<\/p>\n<h5>Trocar fraldas: fun\u00e7\u00e3o do professor?<\/h5>\n<p>No Referencial Curricular Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Infantil publicado em 1998 e nas Diretrizes Curriculares Nacionais publicadas em 2009 est\u00e1 claro que todos os cuidados com a crian\u00e7a fazem parte as a\u00e7\u00f5es educativas. Apesar disso, muitos professores estranham ter de assumir todas as a\u00e7\u00f5es que envolvem o cuidar, entre outras, a troca de fralda. Alguns argumentam: \u201cMas eu n\u00e3o estudei para isso!\u201d Outros alegam n\u00e3o terem sido preparados durante o curso para executar as t\u00e9cnicas de higiene requeridas em ambiente coletivo.<\/p>\n<p>Associado ao estranhamento e \u00e0 falta de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfi ca sobre o cuidado humano em contexto profi ssional, as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ou privadas consideram muitas vezes dispendioso atribuir a algu\u00e9m especializado, como o professor, o que consideram uma fun\u00e7\u00e3o menos nobre ou comum, como a troca de fraldas. N\u00e3o seria mais econ\u00f4mico contratar um funcion\u00e1rio menos habilitado e com menor remunera\u00e7\u00e3o para higienizar as crian\u00e7as?<\/p>\n<p>Ao assumir esse tipo de organiza\u00e7\u00e3o, a institui\u00e7\u00e3o educativa ensina as crian\u00e7as e compartilha com os familiares a concep\u00e7\u00e3o de que o trabalho manual e \u201csujo\u201d deve ser delegado \u00e0s pessoas menos qualificadas e com menor remunera\u00e7\u00e3o, ou seja, h\u00e1 uma clara divis\u00e3o do processo de trabalho manual e intelectual.<sup>6<\/sup><\/p>\n<hr \/>\n<h6>5 S\u00e3o Paulo, Secretaria de Bem-Estar Social. Projetos Centros Infantis. Programa\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade. PMSP. S\u00e3o Paulo, 1973.<br \/>\n6 Este modelo foi institu\u00eddo por Frederick Taylor, autor da teoria sobre a \u201cadministra\u00e7\u00e3o cient\u00edfi ca do trabalho\u201d implantado nas ind\u00fastrias no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Para Taylor a divis\u00e3o hier\u00e1rquica do trabalho manual em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho intelectual seria mais eficaz e produtiva do ponto de vista econ\u00f4mico. As teorias de administra\u00e7\u00e3o posteriores desenvolveram uma cr\u00edtica a esse modelo, mesmo no planejamento e gerenciamento da produ\u00e7\u00e3o de \u201ccoisas\u201d, muito mais nos servi\u00e7os que cuidam e educam de pessoas.<\/h6>\n<p>De acordo com esse modelo de organiza\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o do trabalho, o cuidado, por ser manual, poderia ser classifi cado como um trabalho fragmentado, delegando-se as tarefas menos nobres para pessoas com pouca instru\u00e7\u00e3o. Afi nal, o conhecimento de cuidar foi constru\u00eddo artesanalmente pelas mulheres, de forma gratuita, dom\u00e9stica, em seus pap\u00e9is sociais pr\u00f3prios do g\u00eanero feminino, baseado nas rela\u00e7\u00f5es afetivas entre m\u00e3e-fi lho, av\u00f3s-netos, tias-sobrinhos ou na caridade das mulheres consagradas. Por isso, ao ser institucionalizado, muitos entendem que pode continuar sendo realizado com base apenas no conhecimento intuitivo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12823 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/3-1-300x249.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"249\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/3-1-300x249.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/3-1.png 472w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Antes de a mulher conquistar direitos e integrar-se ao mundo do trabalho, elas ocupavam a maior parte do seu tempo na socializa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria das crian\u00e7as no \u00e2mbito da fam\u00edlia ou das resid\u00eancias onde trabalhavam. As crian\u00e7as come\u00e7avam a frequentar a escola j\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de cuidar da pr\u00f3pria higiene pessoal. Contem po raneamente, as crian\u00e7as s\u00e3o socializadas simultaneamente na fam\u00edlia e na creche, muitas vezes permanecendo sob cuidado dos professores em per\u00edodo integral, demandando deles novos saberes e fazeres.<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o Infantil traz para o debate p\u00fablico o que antes era privado, a educa\u00e7\u00e3o e o cuidado dos beb\u00eas. Isso implica refl ex\u00f5es sobre o que significa educar beb\u00eas, e sobre o papel do cuidado no desenvolvimento humano, bem como sobre a quem compete o trabalho \u201csujo\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 considerado trabalho \u201climpo\u201d e suas implica\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es sociais. Segundo Hughes<sup>7<\/sup>, o trabalho \u201csujo\u201d compreende n\u00e3o apenas os of\u00edcios ou as atividades complexas que se procura \u201cn\u00e3o fazer\u201d, mas, se poss\u00edvel, delegar a algu\u00e9m em posi\u00e7\u00e3o socioprofissional hierarquicamente inferior. Temos refl etido se \u00e9 essa classifica\u00e7\u00e3o e suas implica\u00e7\u00f5es psicossociol\u00f3gicas que se expressam na demanda pela insist\u00eancia de alguns professores em usar luvas durante a troca de fraldas e mesmo durante o banho das crian\u00e7as. Eles argumentam que temem \u201cpegar doen\u00e7as das crian\u00e7as\u201d mesmo quando informados de que a forma de transmiss\u00e3o das doen\u00e7as mais comuns entre as crian\u00e7as que frequentam creches ou os procedimentos realizados n\u00e3o justificam esse equipamento de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Reiterando, trocar as fraldas de uma crian\u00e7a pode parecer um cuidado simples, prosaico, que n\u00e3o requer conhecimento ou habilidade especial. Entretanto requer, antes de tudo, predisposi\u00e7\u00e3o para o cuidado humano, para lidar com as emo\u00e7\u00f5es suscitadas pelo contato corporal direto e com todas as suas secre\u00e7\u00f5es, em uma intimidade diferente daquela estabelecida nas rela\u00e7\u00f5es parentais. Requer o desenvolvimento de habilidades para comunicar-se e para tocar e manusear o corpo do outro com seguran\u00e7a e respeito e tamb\u00e9m conhecimento e habilidade t\u00e9cnica para evitar a contamina\u00e7\u00e3o de outras regi\u00f5es corporais pelas fezes da pr\u00f3pria pessoa que necessita desse cuidado, do ambiente e de si pr\u00f3prio. Requer tamb\u00e9m preparo t\u00e9cnico e emocional para lidar com algumas eventuais altera\u00e7\u00f5es do estado de sa\u00fade da crian\u00e7a no decorrer do dia, quando de repente a crian\u00e7a manifesta uma diarreia ou uma \u201cdermatite de fralda\u201d, o que pode demandar outras t\u00e9cnicas de cuidado compartilhadas com a fam\u00edlia e com os profissionais de sa\u00fade que a assistem.<\/p>\n<p>Entretanto, consideramos que a principal qualifica\u00e7\u00e3o seria a disponibilidade para interagir com a crian\u00e7a e cuidar dela com postura \u00e9tica, l\u00fadica e afetiva. Essas compet\u00eancias tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o \u201cnaturais\u201d, mas constru\u00eddas no processo de forma\u00e7\u00e3o dos professores.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>7 Division du travail et r\u00f4le social: le regard sociologique, de E. Hughes. Editions de l\u2019Ehess, 1956. Apud \u00c9tica e trabalho do Care, de Pascale Moliner. In: Cuidado e cuidadoras: as v\u00e1rias faces do trabalho do Care, de Helena Hirata e Nadya Araujo Guimar\u00e3es. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2012. p. 29-43.<\/h6>\n<h5>As emo\u00e7\u00f5es do cuidar<\/h5>\n<p>O cuidar do outro \u00e9 permeado por emo\u00e7\u00f5es ou afetos. Afeto no sentido amplo do termo, tanto aqueles considerados \u201cpositivos\u201d (dedica\u00e7\u00e3o e preocupa\u00e7\u00e3o com as necessidades do outro e a alegria e o prazer de constatar a satisfa\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 sendo cuidado), quanto os afetos considerados em nossa cultura como \u201cnegativos\u201d, como uma poss\u00edvel repulsa em rela\u00e7\u00e3o aos dejetos e odores eliminados pelo corpo do outro. Entre essas emo\u00e7\u00f5es, temos o nojo.<\/p>\n<p>O nojo, segundo o Grande Dicion\u00e1rio Houaiss da l\u00edngua portuguesa, \u00e9 o sentimento de repulsa que algo desperta num indiv\u00edduo, que o faz evit\u00e1-lo, n\u00e3o querer toc\u00e1-lo; repugn\u00e2ncia, asco. Trata-se, portanto, de uma emo\u00e7\u00e3o que, como todas, s\u00e3o rea\u00e7\u00f5es corporais, muitas vezes imposs\u00edveis de serem negadas, embora possam ser compreendidas e controladas.<\/p>\n<p>Recorrendo mais uma vez a Wallon, o nojo seria uma manifesta\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia org\u00e2nica nas suas rela\u00e7\u00f5es com os outros. Est\u00e1 associado \u00e0 no\u00e7\u00e3o de identidade \u2013 temos nojo daquilo que consideramos estranho a n\u00f3s, ou seja, daquilo ou da pessoa que n\u00e3o consideramos parte do nosso mundo, do nosso eu, ou que pode amea\u00e7ar nossa integridade psicof\u00edsica.<sup>8<\/sup><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12824 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/4-1-300x281.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/4-1-300x281.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/4-1.png 557w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Durante a constru\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de corpo pr\u00f3prio podem surgir influ\u00eancias rec\u00edprocas, assim como conflitos entre espa\u00e7o subjetivo e espa\u00e7o objetivo. \u00c9 o caso, por exemplo, da extens\u00e3o da sensibilidade \u00edntima a objetos exteriores considerados como parte do corpo. O que se destaca do corpo \u2013 os restos, os excrementos \u2013 suscita nas crian\u00e7as pequenas um certo interesse que parece exprimir o prolongamento delas naquilo que se destaca, naquilo que elas expulsam. Por\u00e9m, s\u00f3 os nossos restos e excrementos nos interessam, pois, quando veem de outros, nos repugnam, pelo menos at\u00e9 o momento em que o nojo se estende \u00e0s nossas produ\u00e7\u00f5es, sob efeito da reciprocidade em rela\u00e7\u00e3o ao que n\u00e3o se tolera nos outros, e, portanto, de si mesmo.<\/p>\n<p>O contato corpo a corpo de v\u00e1rias crian\u00e7as, de diversas classes sociais, implica troca afetiva intensa com cada crian\u00e7a, e que ao fi nal do dia, do semestre ou do ano letivo, ir\u00e3o para casa ou para outro grupo. Os filhos crescem, mas, na escola as crian\u00e7as se sucedem dia a dia, ou seja, sempre permanecem mais ou menos na mesma faixa et\u00e1ria, pois ao sa\u00edrem alguns chegam outras da mesma idade. O processo de cuidado da crian\u00e7a tanto pode ser prazeroso e alimentar o trabalho do docente, como, dependendo de sua vis\u00e3o de mundo e da forma como est\u00e1 organizado, constituir-se em uma tarefa desgastante. No processo formativo do professor \u00e9 importante que o coordenador favore\u00e7a a express\u00e3o desses sentimentos, acolha-os e apoie-os.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>8 As premissas psicofi siol\u00f3gicas da consci\u00eancia corporal. In: As origens do car\u00e1ter da crian\u00e7a, de Henri Wallon. S\u00e3o Paulo: Nova Alexandria, 1995.<\/h6>\n<p>Negar esses sentimentos, e, portanto, n\u00e3o refletir sobre eles, pode deixar os professores solit\u00e1rios diante de certas tarefas para as quais n\u00e3o foram formados, portanto sem terem desenvolvido atitudes e procedimentos que servem n\u00e3o apenas para proteger as crian\u00e7as, mas a si pr\u00f3prios, seja f\u00edsica ou emocionalmente.<\/p>\n<p>Observa-se, nas demandas dos professores em cursos de forma\u00e7\u00e3o ou nos sites especializados em Educa\u00e7\u00e3o Infantil, que esse tema tem sido negligenciado, pouco debatido. Acreditamos que isto justifica o fato de observarmos com frequ\u00eancia comportamentos que poderiam ser interpretados como resist\u00eancia por parte dos professores. Por exemplo a difi culdade em aprenderem que o uso da luva de forma indiscriminada e sem t\u00e9cnica correta pode resultar em uma falsa prote\u00e7\u00e3o. De que os professores precisam se proteger?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12825 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5-1-300x257.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5-1-300x257.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5-1.png 504w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h5>Luva, para qu\u00ea?<\/h5>\n<p>Do ponto de vista microbiol\u00f3gico, pode-se afirmar que os v\u00edrus e as bact\u00e9rias presentes nas fezes das crian\u00e7as n\u00e3o entram atrav\u00e9s da pele \u00edntegra das m\u00e3os. Entram sim pela boca do professor, caso este n\u00e3o lave as m\u00e3os ap\u00f3s a troca e inadvertidamente as leve \u00e0 boca ou aos alimentos antes de serem ingeridos, seja com as m\u00e3os enluvadas ou n\u00e3o. A luva n\u00e3o substitui a lavagem de m\u00e3os e somente seria indicado no caso de as fezes conterem sangue e serem tocadas diretamente por um professor que tenha les\u00f5es abertas nas m\u00e3os. Mesmo explicando esse fato, informando com v\u00eddeos e visitas ao Museu de Microbiologia, alguns professores resistem e alguns compram luvas destinadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de contato com subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, como as tintas usadas em sal\u00f5es de cabeleireiro, portanto inadequadas, \u00e0s vezes de cor preta, para trocarem as fraldas e darem banho nas crian\u00e7as. Por que essa resist\u00eancia?<br \/>\nO que n\u00e3o foi atingido pela explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica concreta?<\/p>\n<p>Talvez as emo\u00e7\u00f5es amb\u00edguas das rela\u00e7\u00f5es humanas no cuidado com o corpo do outro. Lidar com as secre\u00e7\u00f5es e com a vulnerabilidade humana nos remete \u00e0 nossa pr\u00f3pria vulnerabilidade, o que pode ser psiquicamente insuport\u00e1vel do ponto de vista social e psicol\u00f3gico. Entretanto, o conhecimento humano possibilita lidar com essas contradi\u00e7\u00f5es e super\u00e1-las no sentido de alcan\u00e7ar o cuidado \u00e9tico, ou seja, o melhor cuidado para as crian\u00e7as.<\/p>\n<h5>Jogos de altern\u00e2ncia<\/h5>\n<p>Em geral, as crian\u00e7as, em seu in\u00edcio na creche, t\u00eam uma hist\u00f3ria de cuidados prestados no contexto dom\u00e9stico. Elas j\u00e1 trazem conhecimentos constru\u00eddos no processo de cuidado e de educa\u00e7\u00e3o familiar ou at\u00e9 mesmo em outra institui\u00e7\u00e3o, e o professor precisa observ\u00e1-las, dar tempo para elas expressarem suas necessidades e colaborarem no processo do cuidado de si mesmas. Assim, \u00e9 preciso considerar \u201cos conhecimentos pr\u00e9vios\u201d da crian\u00e7a constru\u00eddos fora e dentro da institui\u00e7\u00e3o, expressos na postura corporal e gestos, na m\u00edmica facial ou palavras, durante a troca, para ent\u00e3o, a partir deles, estabelecer novas rela\u00e7\u00f5es e construir novas aprendizagens, sempre valorizando o protagonismo da crian\u00e7a no cuidado de si pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>A intera\u00e7\u00e3o estabelecida entre o professor e cada crian\u00e7a pode ser muito prazerosa, resultando numa altern\u00e2ncia de gestos e express\u00f5es, o que Wallon denominaria de jogos de altern\u00e2ncia. Altern\u00e2ncia de movimentos e gestos, como em uma dan\u00e7a entre o professor e a crian\u00e7a no qual ora um conduz, ora o outro, em um ritmo constru\u00eddo pela dupla.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa \u201cdan\u00e7a\u201d afetiva que \u00e9 preciso investir, valorizando o momento da troca de fralda como um processo de riqueza interativa.<\/p>\n<h5>Procedimentos padronizados, um modo de priorizar a rela\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o inicial para preparar o educador para a troca de fraldas conforme princ\u00edpios do CEDUC inicia-se com estudo dos conceitos e pela descri\u00e7\u00e3o te\u00f3rica dos procedimentos, o passo a passo, de acordo com as t\u00e9cnicas previstas pelos especialistas e educadores, esclarecendo as d\u00favidas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12826 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/6-1-300x241.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"241\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/6-1-300x241.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/6-1.png 507w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o dos procedimentos pr\u00e1ticos ocorre em uma das seis unidades, iniciada pela demonstra\u00e7\u00e3o com bonecos pela enfermeira da mesma unidade. Essa fase \u00e9 documentada em fotografias para registro do processo formativo e posterior avalia\u00e7\u00e3o e compartilhamento das experi\u00eancias com outras unidades.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa primeira etapa a educadora nova insere-se na sua unidade, mas ainda observando e interagindo com as crian\u00e7as em sala e nos ambientes de cuidado, com foco na constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos com as crian\u00e7as, familiares e equipe. Iniciar\u00e1 os primeiros cuidados diretos com as crian\u00e7as sob supervis\u00e3o de uma educadora mais experiente. Nesses momentos o supervisor\/formador avalia com a<br \/>\nnova profissional sua rela\u00e7\u00e3o com as crian\u00e7as, as habilidades nos procedimentos e esclarece d\u00favidas, at\u00e9 que ela se sinta segura e integrada ao grupo para, ent\u00e3o, desempenhar os procedimentos sem a tutoria constante das colegas de trabalho.<\/p>\n<p>Tanto a enfermeira quanto a educadora (l\u00edder) do grupo continuam respons\u00e1veis por garantir que os valores envolvidos nos procedimentos n\u00e3o se percam no dia a dia. Nas unidades CEDUC, todos os profi ssionais s\u00e3o constantemente convidados a refl etirem sobre a pr\u00f3pria pr\u00e1tica e reverem suas atitudes no \u00e2mbito educacional. Essas reflex\u00f5es acontecem nos encontros para estudos com toda a equipe, em reuni\u00f5es em pequenos grupos ou ainda em encontros individuais. Os recursos podem ser avalia\u00e7\u00e3o de fi lmagens do cotidiano, aprofundamento de estudos dos conceitos sobre cuidar e educar, acompanhamento e orienta\u00e7\u00e3o diretamente em campo, durante a execu\u00e7\u00e3o dos procedimentos.<\/p>\n<p>Discutir as quest\u00f5es do cotidiano com os integrantes da rotina da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para, de fato, dizer aos profi ssionais que eles fazem parte de todo o processo educativo: desempenho de procedimentos, tomada de decis\u00f5es, organiza\u00e7\u00e3o da rotina de trabalho; enfim, signifi ca valorizar cada adulto que lida com a crian\u00e7a no seu processo de trabalho como profi ssional importante para a institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFabiana Diniz, Heloisa Santos de Souza e Elaine Barros. Enfermeiras do CEDUC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAMARIS GOMES MARANH\u00c3O, FABIANA DINIZ, HELOISA SANTOS DE SOUZA E ELAINE BARROS\u00b9 A TROCA DE FRALDAS NA PERSPECTIVA DA INTERA\u00c7\u00c3O DO PROFESSOR COM A CRIAN\u00c7A E NA DIN\u00c2MICA DO PROCESSO DE TRABALHO DA EQUIPE NA CRECHE Ao trocar a fralda do beb\u00ea, a m\u00e3e e as outras pessoas que compartilham esse cuidado se relacionam individualmente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":15806,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1516],"tags":[],"class_list":{"0":"post-12820","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-56","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12820","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12820"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12820\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15811,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12820\/revisions\/15811"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15806"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}