{"id":12801,"date":"2013-08-15T20:57:36","date_gmt":"2013-08-15T23:57:36","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=12801"},"modified":"2023-04-12T09:09:18","modified_gmt":"2023-04-12T12:09:18","slug":"o-que-penso-o-que-faco-e-o-que-registro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-55\/o-que-penso-o-que-faco-e-o-que-registro\/","title":{"rendered":"O que penso, o que fa\u00e7o e o que registro"},"content":{"rendered":"<p>SILVANA AUGUSTO\u00b9<\/p>\n<hr>\n<p>O USO DOS REGISTROS DO PROFESSOR COMO INSTRUMENTO QUE IMPULSIONA A REFLEX\u00c3O POSSIBILITA, EM CURSO A DIST\u00c2NCIA, O DI\u00c1LOGO CONT\u00cdNUO ENTRE TEORIAS E PR\u00c1TICA DO PROFESSOR<\/p>\n<hr>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12802 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/1-300x273.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"273\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/1-300x273.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/1.png 735w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Em nossa pr\u00e1tica na escola, entendemos que todos os registros devem ser produzidos e utilizados para a forma\u00e7\u00e3o dos professores. Um planejamento, um registro de pr\u00e1tica, uma p\u00e1gina de di\u00e1rio de campo, uma anota\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00e3o direta, em qualquer um desses casos, precisam ter um prop\u00f3sito claro, evitando usar a escrita dos professores de modo burocr\u00e1tico. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 necess\u00e1rio explorar seu potencial como instrumento de reflex\u00e3o.<\/p>\n<h5>Reflex\u00e3o cultivada<\/h5>\n<p>Mas o que, afinal, significa \u201cser reflexivo\u201d? Todo pensamento \u00e9 reflexivo? Para Alarc\u00e3o (2000), o pensamento reflexivo \u00e9 uma capacidade a ser cultivada. Trata-se da capacidade de voltar-se para si pr\u00f3prio e pensar o pr\u00f3prio pensamento:<\/p>\n<p><em>\u201cPressupondo um distanciamento que permite uma representa\u00e7\u00e3o mental do objeto de an\u00e1lise, a reflex\u00e3o \u00e9, no dizer do grande fil\u00f3sofo educacional americano John Dewey (1933), uma forma especializada de pensar. Implica uma perscruta\u00e7\u00e3o ativa, volunt\u00e1ria, persistente e rigorosa daquilo que habitualmente se pratica, evidencia os motivos que justificam nossas a\u00e7\u00f5es ou convic\u00e7\u00f5es e ilumina as consequ\u00eancias a que elas conduzem. Eu diria que ser reflexivo \u00e9 ter a capacidade de utilizar o pensamento como atribuidor de sentido\u201d<\/em><\/p>\n<hr>\n<h6>1 Coordenadora pedag\u00f3gica dos cursos a dist\u00e2ncia do Instituto Avisa L\u00e1 e professora do Instituto Superior de Educa\u00e7\u00e3o Vera Cruz, em S\u00e3o Paulo (SP).<\/h6>\n<p>A experi\u00eancia tem mostrado que, com algumas interven\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel conseguir que os professores produzam relatos bem elaborados de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia. No entanto, nem sempre eles se colocam em rela\u00e7\u00e3o ao que pensaram e fizeram, pensam sobre como chegaram a formular determinada proposta e sua adequa\u00e7\u00e3o, problematizam o que pensaram anteriormente a partir do que de fato ocorreu em sala de aula e das novas refer\u00eancias te\u00f3ricas. Ao refletir sobre seus registros, o professor tem a chance de tomar consci\u00eancia em um n\u00edvel mais elevado dos fatores que o levaram a considerar determinada interpreta\u00e7\u00e3o da realidade e as ideias que embasam seu fazer pedag\u00f3gico. Esse movimento depende de boas media\u00e7\u00f5es, capazes de ajudar o professor a problematizar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12803 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2-233x300.png\" alt=\"\" width=\"233\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2-233x300.png 233w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2.png 625w\" sizes=\"auto, (max-width: 233px) 100vw, 233px\" \/><\/p>\n<p>Problematizar uma experi\u00eancia \u00e9 algo mais complexo do que simplesmente descrev\u00ea-la. Para chegar a esse ponto, \u00e9 importante que n\u00e3o se aceite a experi\u00eancia como um evento j\u00e1 dado, pronto ou acabado. Ao contr\u00e1rio, o professor dever\u00e1 buscar novas informa\u00e7\u00f5es, outros referenciais te\u00f3ricos que permitam a ele rever suas posi\u00e7\u00f5es, ou, ainda, confirmar suas ideias, tomando mais consci\u00eancia sobre suas implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas se essas ideias \u2013 o papel do registro como instrumento do pensamento e a reflex\u00e3o sobre a pr\u00f3pria pr\u00e1tica \u2013 s\u00e3o de fato pontos importantes de nossas concep\u00e7\u00f5es e fundamentam nossas a\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o, \u00e9 preciso pensar em sua aplica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na forma\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia de professores. \u00c9 por essa raz\u00e3o que trabalhamos em ambiente virtual de aprendizagem e n\u00e3o desenvolvemos conte\u00fados prontos para um ensino programado. \u00c9 por isso tamb\u00e9m que valorizamos a interatividade das ferramentas, como forma de promover as trocas em grupos heterog\u00eaneos. E, ainda, \u00e9 por essa raz\u00e3o que pensamos o encadeamento das atividades do curso procurando ampliar o sentido que cada escrita tem, seja ela uma postagem no f\u00f3rum, um registro a ser enviado como tarefa, uma s\u00edntese de conclus\u00e3o de curso. Tudo isso para garantir as melhores condi\u00e7\u00f5es para o exerc\u00edcio da reflex\u00e3o sobre a pr\u00f3pria pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O curso a dist\u00e2ncia ofereceu materiais como v\u00eddeos e textos espec\u00edficos. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m prop\u00f4s algumas atividades que deveriam ser desenvolvidas por todos os participantes. O estudo e a elabora\u00e7\u00e3o de textos-s\u00edntese s\u00e3o algumas estrat\u00e9gias que utilizamos em nosso curso. Mas n\u00e3o as \u00fanicas. O prop\u00f3sito final de todo esse estudo \u00e9 promover mudan\u00e7as na pr\u00e1tica profissional dos participantes; por isso, valorizamos muito o movimento de retomada dos pr\u00f3prios registros.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12804 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/3-300x155.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"155\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/3-300x155.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/3-1024x530.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/3-768x398.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/3.png 1033w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O que veremos a seguir \u00e9 o detalhamento de dois momentos importantes de um curso a distancia, o in\u00edcio e o fim, como forma de ilustrar o uso que fazemos dos registros como instrumento a servi\u00e7o do professor em seu processo de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h5>Um tanto de teoria<\/h5>\n<p>Uma das atividades propostas no in\u00edcio do curso era escrever um texto breve que pudesse explicitar o que pensam as crian\u00e7as sobre a escrita. Esse passo foi importante porque permitiu que todos acessassem as informa\u00e7\u00f5es mais recorrentes sobre o assunto, as refer\u00eancias te\u00f3ricas mais usadas. Ao escrever, cada um tamb\u00e9m p\u00f4de se lembrar do que j\u00e1 sabia, de leituras anteriores e de se dar conta de suas d\u00favidas te\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Para apoiar a tarefa, oferecemos uma orienta\u00e7\u00e3o detalhada de estudo de um texto e um v\u00eddeo, al\u00e9m de uma orienta\u00e7\u00e3o para a escrita. Desse modo, a proposta criou para todos os professores uma oportunidade para colocar em jogo procedimentos da leitura e da escrita profissional.<\/p>\n<p>Em seu texto, Cibele Kanazake, participante do curso, lembrou o papel do nome pr\u00f3prio na constru\u00e7\u00e3o<br \/>\nda identidade da crian\u00e7a:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12805 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/4-300x253.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/4-300x253.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/4.png 728w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>\u2013 O trabalho com nome pr\u00f3prio \u00e9 importante por se tratar do nome da crian\u00e7a, que \u00e9 \u00fanica, e que acaba por se tornar parte de sua identidade. Esse trabalho, desde a Educa\u00e7\u00e3o Infantil, \u00e9 relevante porque o nome pode servir para indicar algu\u00e9m, para destacar pessoas, por n\u00e3o se alterar, para conhecer-se e conhecer outras pessoas que tamb\u00e9m t\u00eam seu pr\u00f3prio nome, tornando-se uma refer\u00eancia para distinguir a si mesma dentro de um grupo. Ali\u00e1s, algumas crian\u00e7as acham que as letras que comp\u00f5em seu nome s\u00f3 pertencem a elas, e ficam aborrecidas quando notam que outras pessoas usam as mesmas letras de seu nome. Com o tempo essa insatisfa\u00e7\u00e3o passa por perceberem que as letras s\u00e3o as mesmas, mas o que torna as letras diferentes s\u00e3o suas ordens e o que elas representam.<\/p>\n<p>Dinara Orlando pensou algo parecido:<\/p>\n<p>\u2013 Para a crian\u00e7a, o nome serve como meio de identifica\u00e7\u00e3o, para reconhecer o que \u00e9 seu, demarcar o seu espa\u00e7o. Escrever o nome possibilita \u00e0 crian\u00e7a compreender como a escrita funciona, fazendo-a refletir sobre o sistema alfab\u00e9tico. Aprendendo a escrever, a crian\u00e7a poder\u00e1 identificar um trabalho feito (desenho, pintura&#8230;),&nbsp; ser\u00e1 capaz de diferenciar letras de n\u00fameros ou mesmo diferenciar umas letras de outras, at\u00e9 mesmo a orienta\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da escrita. A partir do momento que ela sabe escrever seu nome ou at\u00e9 mesmo o dos colegas, esse conhecimento servir\u00e1 como base para ela escrever outras palavras.<\/p>\n<p>Cibele e Dinara est\u00e3o certas. Mas ficariam restritas a essas abordagens se n\u00e3o estivessem participando de um grupo heterog\u00eaneo, que tem tantas ideias diferentes sobre o assunto. Essa \u00e9 uma das vantagens de se trabalhar em grupo e de ter boas ferramentas que permitam conhecer o que os colegas pensam. Claudia Cristina de Arruda Schons, por exemplo, observou a quest\u00e3o sob outro aspecto. Ela refletiu sobre o papel do nome na reflex\u00e3o que a crian\u00e7a faz sobre como se escreve:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12806 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5-300x197.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5-300x197.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5-1024x673.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5-768x504.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5.png 1084w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>\u2013 O nome do aluno, na alfabetiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 extremamente importante, pois \u00e9 atrav\u00e9s dele que os alunos conhecem as primeiras letras do alfabeto. Esse trabalho se inicia na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, quando a professora apresenta para a crian\u00e7a o seu nome e come\u00e7a a fazer rela\u00e7\u00f5es com a letra inicial do nome da crian\u00e7a. Escrever o nome, nesse per\u00edodo, se torna algo prazeroso para o aluno. Ao chegar ao primeiro ano do Ensino Fundamental, o nome pr\u00f3prio se torna um aliado do professor, pois \u00e9 a partir da\u00ed que se inicia todo o trabalho da alfabetiza\u00e7\u00e3o. O professor apresenta o alfabeto aos alunos, sempre relacionando com o nome das crian\u00e7as e com outras palavras de refer\u00eancia a letra apresentada. O nome pr\u00f3prio \u00e9 important\u00edssimo na alfabetiza\u00e7\u00e3o, pois no in\u00edcio desse processo a crian\u00e7a se reporta \u00e0s letras que j\u00e1 memorizou, que s\u00e3o com certeza as letras do seu nome. S\u00f3 quando est\u00e1 num n\u00edvel de alfabetiza\u00e7\u00e3o mais<br \/>\navan\u00e7ado \u00e9 que deixa de utilizar as letras do seu nome para, ent\u00e3o, come\u00e7ar a fazer as rela\u00e7\u00f5es de fonema-grafema.<\/p>\n<p>Na mesma dire\u00e7\u00e3o, Sandra Mara Mendes de Campos escreveu:<\/p>\n<p>\u2013 Para responder \u00e0 quest\u00e3o proposta, se n\u00e3o tivesse assistido ao v\u00eddeo2 que aborda essa quest\u00e3o, provavelmente ligaria a proposta de trabalho com o nome \u00e0s quest\u00f5es de identidade de nossos alunos e \u00e0 primeira forma significativa de contato com a escrita. Pelo fato de o pr\u00f3prio nome relacionar-se com algo muito pr\u00f3prio de cada um, mesmo que na sala de aula os alunos tenham nomes repetidos. Faria essa liga\u00e7\u00e3o, pois o nome me caracteriza e me situa dentro de um contexto familiar, escolar&#8230; A partir do v\u00eddeo, percebi pr\u00e1ticas que realmente precisam ser discutidas, pois o nome \u00e9 a dimens\u00e3o maior que a crian\u00e7a faz da escrita. No v\u00eddeo, o menino se utiliza das letras de seu pr\u00f3prio nome para escrever sua lista de brincadeiras, demonstrando sua refer\u00eancia para a escrita. Outra quest\u00e3o para reflex\u00e3o \u00e9 o fato de<br \/>\nque mesmo a crian\u00e7a dominando a escrita de seu nome, n\u00e3o significa dizer que ela entende o sistema de escrita. Portanto, h\u00e1 muito mais que se pensar na aquisi\u00e7\u00e3o da escrita e no uso do nome pr\u00f3prio para propor um trabalho consciente de alfabetiza\u00e7\u00e3o e de apropria\u00e7\u00e3o da escrita<\/p>\n<hr>\n<h6>2 O nome pr\u00f3prio e o pr\u00f3prio nome, v\u00eddeo da cole\u00e7\u00e3o do Programa de Forma\u00e7\u00e3o de Professores Alfabetizadores (PROFA), dispon\u00edvel no ambiente do curso a dist\u00e2ncia.<\/h6>\n<p>Andrea Cunha foi um pouco al\u00e9m, explicitando as quest\u00f5es lingu\u00edsticas que est\u00e3o em jogo na escrita do nome:<\/p>\n<p>\u2013 A escrita do pr\u00f3prio nome representa uma oportunidade privilegiada de reflex\u00e3o sobre o funcionamento do sistema de escrita, pelas seguintes raz\u00f5es: tanto do ponto de vista lingu\u00edstico, como do gr\u00e1fico, o nome pr\u00f3prio \u00e9 um modelo est\u00e1vel; \u00e9 um nome que se refere a um \u00fanico objeto, com o que se elimina para o educando a ambiguidade na interpreta\u00e7\u00e3o; tem valor de verdade porque se reporta a uma exist\u00eancia, a um saber compartilhado por ambos \u2013 emissor e receptor; do ponto de vista da fun\u00e7\u00e3o, fica claro que identificar objetos ou indiv\u00edduos com nomes faz parte dos interc\u00e2mbios sociais de nossa cultura; a forma e o valor sonoro convencional das letras; a quantidade de letras necess\u00e1rias para escrever os nomes; a variedade, a posi\u00e7\u00e3o e a ordem das letras em uma escrita convencional; a realidade convencional da escrita, que serve de refer\u00eancia para checar as pr\u00f3prias hip\u00f3teses. O trabalho oportunizar\u00e1 aos alunos, al\u00e9m da conquista da escrita do pr\u00f3prio nome, a compreens\u00e3o da escrita do pr\u00f3prio nome; momentos de reflex\u00e3o sobre a escrita a partir de uma refer\u00eancia est\u00e1vel \u2013 o pr\u00f3prio nome; e a compreens\u00e3o da import\u00e2ncia do nome pr\u00f3prio, suas letras, sua quantidade, variedade,<br \/>\nposi\u00e7\u00e3o e ordem.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12807 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/6-300x250.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/6-300x250.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/6.png 653w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h5>A reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica<\/h5>\n<p>Ao longo do curso, a formadora foi alimentando as discuss\u00f5es do grupo com v\u00eddeos, novos textos e an\u00e1lises de atividades. Mas al\u00e9m do conhecimento te\u00f3rico que foi constru\u00eddo em grupo, tamb\u00e9m houve<br \/>\ngrande investimento nos desafios pr\u00e1ticos, convidando a todos para a reflex\u00e3o sobre algumas a\u00e7\u00f5es de sala de aula. Dessa maneira, o curso foi promovendo o di\u00e1logo cont\u00ednuo entre as teorias e a pr\u00e1tica do professor.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o nos interessava apenas a an\u00e1lise de pr\u00e1ticas desenvolvidas por outros professores, o que era poss\u00edvel ser feito a partir dos v\u00eddeos. Quer\u00edamos mais do que isso porque acreditamos que o que faz o professor mudar seu trabalho n\u00e3o \u00e9 refletir sobre qualquer pr\u00e1tica, mas sim refletir sobre sua pr\u00f3pria pr\u00e1tica. Por isso, criamos um contexto que permitiu que todos os professores pudessem rever suas aprendizagens e reavaliar o que costumam fazer em sala de aula. Na primeira unidade do curso, hav\u00edamos proposto que todos os professores listassem todas as atividades que realizam a partir da escrita do nome pr\u00f3prio. Ao final, deveriam retomar seus escritos e avaliar o que poderiam mudar, considerando tudo o que foi aprendido em grupo, nas atividades individuais e nos f\u00f3runs de discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Observamos resultados muito interessantes. Cibele Kanazake, por exemplo, j\u00e1 havia dito, em uma de suas atividades individuais, que<\/p>\n<p><em>o trabalho com nome pr\u00f3prio deve ser usado para montar uma lista com o nome dos alunos de um grupo, dos alunos que faltaram, para escrever o nome nas atividades, nos trabalhos e nos seus materiais. Creio que escrever repetidas vezes o nome \u00e9 uma c\u00f3pia sem significa\u00e7\u00e3o, portanto, n\u00e3o creio que seja uma atividade interessante.<\/em><\/p>\n<p>Ao rever sua pr\u00e1tica, ela aprofundou seu olhar, como se observa no relato seguinte.<\/p>\n<p>Durante o curso, fui confrontando meus conhecimentos pessoais com os adquiridos, e essa nova assimila\u00e7\u00e3o me fez repensar minha pr\u00e1tica pedag\u00f3gica e os tipos de atividades oferecidas aos alunos. Reli o texto que eu havia produzido no in\u00edcio do curso, relatando as diferentes atividades que j\u00e1 havia realizado e, dentre elas, selecionei uma que considero necess\u00e1rio rever e modificar.<\/p>\n<p>De todas as atividades que fiz e descrevi cuidadosamente em unidades anteriores, penso que a quarta atividade citada \u00e9 menos desafiadora. Essa foi a descri\u00e7\u00e3o da atividade:<\/p>\n<p><em>Fizemos a compara\u00e7\u00e3o dos nomes das crian\u00e7as utilizando os crach\u00e1s. Elas anotaram seu primeiro <\/em><em>nome no meio da ficha de papel quadriculado que lhes dei e tinham que procurar pela sala o nome de <\/em><em>algum colega com mais quantidade de letras para colocar sobre o seu nome e outro com menor quantidade que deveria ser registrado abaixo do nome deles. Eles sa\u00edam pela sala manipulando os crach\u00e1s e contando as letras dos nomes dos colegas. Foi uma festa!<\/em><\/p>\n<p>Como podem notar pela descri\u00e7\u00e3o acima, os alunos n\u00e3o foram desafiados a ler o que estava escrito, apenas contaram a quantidade de letras e pouco se importaram com os nomes que selecionaram para registrar acima e abaixo de seus nomes pr\u00f3prios. Tamb\u00e9m n\u00e3o se preocuparam com as letras empregadas nesses nomes, se&nbsp; havia semelhan\u00e7a ou diferen\u00e7a no uso delas, se tinham letras iguais \u00e0s do seu nome etc. Sendo assim, essa atividade n\u00e3o foi significativa, n\u00e3o mobilizou todo o conhecimento deles, tanto para a leitura quanto para a escrita. Apesar de as crian\u00e7as terem ficado felizes e animadas com a atividade, isso n\u00e3o gerou novos conhecimentos sobre a l\u00edngua escrita.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12808 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/7-232x300.png\" alt=\"\" width=\"232\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/7-232x300.png 232w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/7.png 599w\" sizes=\"auto, (max-width: 232px) 100vw, 232px\" \/><\/p>\n<p>Refletindo sobre as atividades no curso, descobri que existem propostas mais interessantes que eu poderia desenvolver com meus alunos num pr\u00f3ximo ano. Uma delas \u00e9 Nome Oculto. Trata-se de uma proposta na qual a crian\u00e7a precisa adivinhar o nome que o professor esconde no crach\u00e1 com um papel. Para adivinhar, a crian\u00e7a precisa pensar no nome dos colegas de sala e pedir dicas, perguntando sobre as letras que devem estar ali. S\u00f3 ent\u00e3o o professor vai mostrando aos poucos, confirmando ou n\u00e3o a hip\u00f3tese da crian\u00e7a. Essa atividade \u00e9 desafiadora e motivadora, pois as crian\u00e7as v\u00e3o repensando sobre os nomes que podem ter com a letra inicial e final mostradas, bem como tirando as d\u00favidas de que nome formaria, observando a segunda, a terceira letra, e assim sucessivamente, at\u00e9 \u201cdescobrirem\u201d (na verdade est\u00e3o lendo) o nome que estava escondido no crach\u00e1, principalmente quando os nomes forem parecidos.<\/p>\n<p>Outra atividade que considero desafiadora e relevante, que eu n\u00e3o tinha feito ainda, s\u00f3 fiz depois da sugest\u00e3o da formadora Cristiane Pelissari, \u00e9 a da agenda telef\u00f4nica. Nessa atividade, a crian\u00e7a percebe, por meio de uma atividade real, a necessidade e utilidade desse tipo discursivo de escrita. Separei a turma em agrupamentos distintos, de acordo com o que sabiam, distribu\u00ed os crach\u00e1s de mesa, apresentei a proposta da atividade, explorei a forma como deve ser organizada essa agenda e, por fim, expliquei o conceito de ordem alfab\u00e9tica. Primeiro cada grupo deveria identificar os nomes recebidos por eles e, depois, classificar os nomes em ordem alfab\u00e9tica. Durante essa classifica\u00e7\u00e3o, eu percorri os grupos para observar se eles estavam reconhecendo o nome dos colegas, se tinham entendido o que era ordem alfab\u00e9tica. Caso necess\u00e1rio, faria algumas interven\u00e7\u00f5es nos grupos com quest\u00f5es que favoreceriam a execu\u00e7\u00e3o da atividade: qual ser\u00e1 o nome deste crach\u00e1? Qual \u00e9 a primeira letra deste crach\u00e1? E qual \u00e9 a letra que termina esse nome? Que nome tem essa letra inicial e final? E agora, o que devemos fazer se h\u00e1 nomes come\u00e7ados por letras iguais? Como faremos para saber qual deles aparecer\u00e1 primeiro em nossa agenda? Essas quest\u00f5es seriam mudadas conforme a necessidade do grupo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s os grupos terem feito suas tarefas, eu conduzi a organiza\u00e7\u00e3o alfab\u00e9tica de todos os nomes na lousa para depois colocarmos na nossa agenda. Para isso, foi questionado qual era a primeira letra do alfabeto e quais nomes tinham com essa letra. Ao esclarecermos essa d\u00favida pela observa\u00e7\u00e3o da segunda letra e olhando no alfabeto pra saber qual letra vem antes, fomos para a segunda letra, at\u00e9 chegarmos \u00e0 \u00faltima letra do alfabeto. Nenhum grupo deixou de participar. Para que todos falassem, eu ia chamando os alunos mais calados para compartilharem suas ideias.<\/p>\n<p>Durante a classifica\u00e7\u00e3o da ordem dos nomes, os alunos foram falando seus telefones de contato para completarmos nossa agenda e, como eu era a escriba, fui registrando tudo. Expliquei como seria registrado na agenda: primeiro o nome e depois o telefone dos colegas. Todos passaram a registrar o nome dos colegas para montar nossa agenda telef\u00f4nica com minha orienta\u00e7\u00e3o, quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12809 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/8-300x270.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/8-300x270.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/8.png 733w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Por fim, verificamos que algumas folhas ficaram sem nomes. Questionei: Por que ser\u00e1 que essas folhas ficaram em branco? Eles conclu\u00edram que, na nossa turma, n\u00e3o havia nome com todas as letras, e como cada folha tem uma letra, algumas delas ficaram em branco.<\/p>\n<p>Nessa atividade, a ordem alfab\u00e9tica e o repensar sobre os nomes apareceram duas vezes. Na primeira vez num grupo menor e, em seguida, para a classe toda. As crian\u00e7as precisaram mobilizar todo o conhecimento que possu\u00edam sobre o sistema de escrita e tiveram contato com uma situa\u00e7\u00e3o real e, assim, puderam perceber a fun\u00e7\u00e3o social da escrita baseada num g\u00eanero discursivo bastante \u00fatil. Penso que tenha explicado as atividades detalhadamente e exposto o que aprendi sobre a alfabetiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCibele Kanazake<\/p>\n<p>Esse breve texto s\u00f3 foi poss\u00edvel ser escrito gra\u00e7as \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos professores que explicitaram suas ideias nas s\u00ednteses que formularam e tamb\u00e9m nos f\u00f3runs de discuss\u00e3o. Agora, outros professores podem repensar sua pr\u00e1tica considerando o que esse grupo elaborou at\u00e9 agora. Esse \u00e9, para n\u00f3s, um dos principais motivos de continuar investindo na forma\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SILVANA AUGUSTO\u00b9 O USO DOS REGISTROS DO PROFESSOR COMO INSTRUMENTO QUE IMPULSIONA A REFLEX\u00c3O POSSIBILITA, EM CURSO A DIST\u00c2NCIA, O DI\u00c1LOGO CONT\u00cdNUO ENTRE TEORIAS E PR\u00c1TICA DO PROFESSOR Em nossa pr\u00e1tica na escola, entendemos que todos os registros devem ser produzidos e utilizados para a forma\u00e7\u00e3o dos professores. 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