{"id":12742,"date":"2013-08-20T17:16:26","date_gmt":"2013-08-20T20:16:26","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=12742"},"modified":"2023-04-12T09:08:50","modified_gmt":"2023-04-12T12:08:50","slug":"faz-de-conta-e-atividade-teatral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-55\/faz-de-conta-e-atividade-teatral\/","title":{"rendered":"Faz de conta e atividade teatral"},"content":{"rendered":"<p>OL\u00cdVIA MILL\u00c9O\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>TRABALHO C\u00caNICO COM OBJETOS SIMB\u00d3LICOS, IMITA\u00c7\u00c3O E FAZ DE CONTA COLABORA COM O JOGO TEATRAL QUE PODE COME\u00c7AR NA EDUCA \u00c7\u00c3O INFANTIL<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12743 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-17-300x289.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"289\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-17-300x289.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-17.png 528w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O in\u00edcio do trabalho realizado no Centro Municipal de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CMEI) Vila Verde\u00b2, no ano de 2010, foi norteado por perguntas fundamentais para organizar pensamentos e oferecer um fio condutor. Isso porque, para se trabalhar qualquer \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental que busquemos entender suas caracter\u00edsticas e elementos.<\/p>\n<p><em>O que \u00e9 teatro?<\/em><br \/>\n<em>Existe teatro sem texto?<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 poss\u00edvel trabalhar o teatro com crian\u00e7as de 0 a 3 anos? (Com ou sem texto, h\u00e1 essa possibilidade?)<\/em><br \/>\n<em>Como fazer?<\/em><\/p>\n<p>Para iniciar esta reflex\u00e3o, pensamos a qu\u00ea a palavra teatro nos remete. Al\u00e9m da estrutura tradicional \u2013 espa\u00e7o espec\u00edfico, palco, atores, plateia \u2013, lembramo-nos da representa\u00e7\u00e3o, da comunica\u00e7\u00e3o, do movimento, do ator, do p\u00fablico; enfim, de uma rede de a\u00e7\u00f5es e de rela\u00e7\u00f5es. Teatro \u00e9 representa\u00e7\u00e3o de algo e est\u00e1 intimamente ligado ao ato da imita\u00e7\u00e3o. \u00c9 percep\u00e7\u00e3o, s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es, \u00e9 cr\u00edtica, \u00e9 mobilidade, \u00e9 capacidade de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Teatro \u00e9 algo que existe dentro de cada ser humano, <\/em><em>e pode ser praticado na solid\u00e3o de um <\/em><em>elevador, em frente a um espelho, no Maracan\u00e3 <\/em><em>ou em pra\u00e7a p\u00fablica para milhares de espectadores. <\/em><em>Em qualquer lugar&#8230; at\u00e9 mesmo dentro <\/em><em>dos teatros.<\/em> (BOAL, 2009, p.ix)<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Educadora da rede municipal de Curitiba (PR), cursando gradua\u00e7\u00e3o em Licenciatura em Teatro na Faculdade de Artes do Paran\u00e1. Faz parte da equipe de perman\u00eancia do Centro Municipal de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CMEI) Vila Verde que fica com as crian\u00e7as nos dias em que as educadoras da turma se dedicam exclusivamente aos estudos e planejamentos.<br \/>\n2 Faz parte da Rede de Educa\u00e7\u00e3o da Prefeitura de Curitiba (PR).<\/h6>\n<p>No princ\u00edpio, a ideia foi os adultos dramatizarem para as crian\u00e7as de forma diferenciada, sem o aux\u00edlio de figurino ou cen\u00e1rio grandioso, apenas com objetos que simbolizassem determinado personagem. Se dramatiz\u00e1ssemos um cl\u00e1ssico como Chapeuzinho Vermelho, coloc\u00e1vamos, por exemplo, apenas uma touca na \u201cvov\u00f3\u201d. A prioridade eram os gestos, as express\u00f5es e a mudan\u00e7a de voz. E principalmente, em pequenos grupos, deixar que as crian\u00e7as, inclusive os beb\u00eas, tocassem no material, imitando nossas a\u00e7\u00f5es ou simplesmente brincando com a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12744 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-17-300x164.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"164\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-17-300x164.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-17-1024x559.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-17-768x419.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-17.png 1048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h4>Os alicerces&#8230;<\/h4>\n<p>Em 2012, o foco do planejamento de nossas atividades foi a imita\u00e7\u00e3o, cujo trabalho realizado n\u00f3s o nomeamos como <em>Eu imito e voc\u00ea? Imita como eu imito? Imita eu, imita tu, imita o rabo do tatu!<\/em> Numa<br \/>\nprovoca\u00e7\u00e3o explicada a seguir.<\/p>\n<p>Pensemos em uma crian\u00e7a que nasce numa sociedade em pleno movimento, marcada por preceitos e valores estabelecidos. Aos poucos ela aprende a conviver socialmente, apropria-se de elementos e expressa suas singularidades na conviv\u00eancia. E \u00e9 pela imita\u00e7\u00e3o que a crian\u00e7a vai se inserindo no mundo. Ela vai conhecendo seu corpo e descobrindo possibilidades de a\u00e7\u00e3o a partir da observa\u00e7\u00e3o, atribuindo sentido \u00e0s suas a\u00e7\u00f5es por meio da brincadeira, agindo sobre o mundo e representando aquilo que percebe em seu meio.<\/p>\n<p>Jean Piaget, em seu livro A forma\u00e7\u00e3o do s\u00edmbolo na crian\u00e7a\u00b3, estuda as fases da imita\u00e7\u00e3o no desenvolvimento da crian\u00e7a, bem como a representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e a imita\u00e7\u00e3o como sua g\u00eanese.<\/p>\n<p>Segundo Piaget, do nascimento at\u00e9 os dois anos, a crian\u00e7a est\u00e1 no chamado est\u00e1gio sens\u00f3rio-motor, em que a intelig\u00eancia trabalha com as percep\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do deslocamento do pr\u00f3prio corpo, do contato do corpo com o que est\u00e1 \u00e0 sua volta.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 A forma\u00e7\u00e3o do s\u00edmbolo na crian\u00e7a. Imita\u00e7\u00e3o, jogo e sonho, imagem e representa\u00e7\u00e3o, de Jean Piaget. Rio de Janeiro: Zahar, 1971.<\/h6>\n<p>Assim, a imita\u00e7\u00e3o \u00e9 uma maneira de acomoda\u00e7\u00e3o aos modelos externos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12745 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-17-300x174.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"174\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-17-300x174.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-17-768x444.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-17.png 951w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A partir dos dois anos, come\u00e7a a utiliza\u00e7\u00e3o de signos, isto \u00e9, momento em que a crian\u00e7a \u00e9 capaz de tornar presente aquilo que n\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3ximo dela (representa\u00e7\u00e3o). Inicia-se a rela\u00e7\u00e3o entre significante e significado (fun\u00e7\u00e3o semi\u00f3tica) e, consequentemente, a imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Assim, sabemos hoje que um signo teatral, presen\u00e7a que representa algo, comporta um significante \u2013 seus elementos materiais \u2013 um significado \u2013 seu conceito \u2013 e um referente, objeto ao qual remete na realidade. Assim, sabemos hoje que um signo teatral, presen\u00e7a que representa algo, comporta um significante \u2013 seus elementos materiais \u2013 um significado \u2013 seu conceito \u2013 e um referente, objeto ao qual remete na realidade.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa distin\u00e7\u00e3o entre significado e significante, no entanto, longe de ser um atributo exclusivo da situa\u00e7\u00e3o teatral, j\u00e1 aparece em torno do segundo ano de vida, em uma atividade comum a crian\u00e7as de toda e qualquer cultura e condi\u00e7\u00e3o social: o brinquedo de faz de conta. Ao deslocar uma lata fazendo \u201cbi-bi&#8230;\u201d, ou ao andar na ponta dos p\u00e9s como quem usa saltos altos, a crian\u00e7a opera uma distin\u00e7\u00e3o entre o significado (carro, sapatos de saltos altos) e o significante (lata, p\u00e9s elevados). Tal distin\u00e7\u00e3o indica que ela est\u00e1 sendo capaz de operar com a no\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o, ou seja, j\u00e1 \u00e9 capaz de tornar presente algo que n\u00e3o est\u00e1 diante de\u00a0si.<sup>4<\/sup><\/em><\/p>\n<p>Imitar, portanto, est\u00e1 intimamente ligado ao jogo simb\u00f3lico, essencial para o desenvolvimento humano. E o imitar tamb\u00e9m est\u00e1 ligado ao fazer art\u00edstico. O homem, atrav\u00e9s da Arte, pode expressar o mais \u00ednfimo. Pela Arte, ele vai imitar e imitar-se, imitar a natureza, transcend\u00ea-la e reinventar o mundo. Notamos a\u00ed uma rede de rela\u00e7\u00f5es entre a Arte (o teatro em quest\u00e3o) e o fazer humano.<\/p>\n<p>Agora vale a pena refletir como o teatro acontece na primeira inf\u00e2ncia. Pensemos primeiro que, ao nascer, o beb\u00ea n\u00e3o pensa sobre as palavras porque ele ainda n\u00e3o as conhece, nem estabelece associa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a essas mesmas palavras porque seus pensamentos s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es. Segundo o dramaturgo brasileiro Augusto Boal, em artigo publicado na revista Sala Preta, o contato do beb\u00ea com o mundo acontecer\u00e1 atrav\u00e9s de seus sentidos.<\/p>\n<p><em>Os primeiros contatos com o mundo exterior s\u00e3o de natureza sensorial (&#8230;) \u00c9 o Pensamento Sens\u00edvel que antecede o Pensamento Simb\u00f3lico\u00a0(&#8230;).<sup>5<\/sup><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h6>4 O l\u00fadico e a constru\u00e7\u00e3o do sentido, de Maria L\u00facia de Souza Barros Pupo. Revista Sala Preta, S\u00e3o Paulo, no 1, 2001, p. 181-7.<br \/>\n5 Quando nasce um beb\u00ea. O pensamento sens\u00edvel e o pensamento simb\u00f3lico no teatro do oprimido, de Augusto Boal. Revista Sala Preta, S\u00e3o Paulo, no 6, 2006, p.1.<\/h6>\n<p>Considerando que a crian\u00e7a aprende pelos sentidos, \u00e9 necess\u00e1rio estimul\u00e1-la, propondo sensa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quais ela possa se ajustar e construir sua singularidade por meio de suas a\u00e7\u00f5es. Portanto, o teatro para beb\u00eas visa \u00e0 estimula\u00e7\u00e3o das percep\u00e7\u00f5es, das sensa\u00e7\u00f5es por meio dos elementos que comp\u00f5em a arte teatral.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12746 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-18-240x300.png\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-18-240x300.png 240w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-18.png 622w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p>No teatro tudo comunica: o figurino, o som, a luz, o ator e seu corpo, a voz, o que \u00e9 trazido como cen\u00e1rio&#8230; E tudo isso pode ser presenciado desde cedo. Os beb\u00eas s\u00e3o curiosos por natureza. Tudo chama sua aten\u00e7\u00e3o: sons, cores, objetos, nossos gestos. Por essa raz\u00e3o, se direcionarmos nossos objetivos para a linguagem teatral, \u00e9 com esses elementos que podemos trabalhar.<\/p>\n<p>O teatro na primeira inf\u00e2ncia<sup>6<\/sup>, na realidade, pode ser entendido, segundo Peter Slade (1978), como <em>jogo dram\u00e1tico<\/em>. Melhor explicar: a palavra <strong>drama<\/strong> oferece um suporte mais conexo ao que se realiza na primeira inf\u00e2ncia. Na obra <em>O jogo dram\u00e1tico infantil<\/em>, o autor destaca a palavra <strong>drama<\/strong> como origin\u00e1ria do <em>grego drao<\/em>, que quer dizer <strong>a\u00e7\u00e3o<\/strong>. Para Slade, o drama s\u00e3o as experi\u00eancias pessoais e emocionais de um ser dentro de sua realidade ou sobre ela. A crian\u00e7a, ent\u00e3o, por meio de suas brincadeiras, de seus jogos, traz \u00e0 tona experi\u00eancias e emo\u00e7\u00f5es aliadas \u00e0 realidade em que est\u00e1 inserida.<\/p>\n<p>O drama \u00e9 parte do que a palavra <strong>teatro<\/strong> cont\u00e9m em si e, assim como ele, n\u00e3o deve ser restringido ao sentido estereotipado atribu\u00eddo pelos adultos. A crian\u00e7a de 0 a 3 anos n\u00e3o sente a necessidade de p\u00fablico. Segundo o autor, \u201cN\u00e3o existe o para quem, e quem deve ficar sentado vendo quem est\u00e1 fazendo qu\u00ea\u201d (SLADE, 1978, p.18). E n\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o exista um p\u00fablico espec\u00edfico para o que est\u00e1 sendo feito que o teatro, nessa fase, n\u00e3o v\u00e1 existir. Para Slade, o que a crian\u00e7a exercita \u00e9 o jogo dram\u00e1tico infantil, natural e pr\u00f3prio das observa\u00e7\u00f5es e internaliza\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a diante do meio em que ela est\u00e1 inserida.<\/p>\n<p>Logo, se o imitar \u00e9 t\u00e3o importante na inf\u00e2ncia e tamb\u00e9m um dos componentes poss\u00edveis na arte dram\u00e1tica, o consideramos como parte das atividades a serem realizadas com as crian\u00e7as. \u00c9 claro que n\u00e3o estamos nos referindo \u00e0 imita\u00e7\u00e3o como simples c\u00f3pia, mas sim como um ato de investiga\u00e7\u00e3o, como observa Melissa dos Santos Lopes (2008, p.2):<\/p>\n<p><em>Antes, \u00e9 necess\u00e1rio explicar que o conceito de Imita\u00e7\u00e3o a que me refiro n\u00e3o se dirige \u00e0quela estereotipada, pelo contr\u00e1rio, quando abordo esse termo, minha busca \u00e9 a proximidade entre a realidade do que se v\u00ea, com a realidade de quem vive.<\/em><\/p>\n<p>Ao imitar algo ou algu\u00e9m, o indiv\u00edduo n\u00e3o deixa de imprimir suas peculiaridades naquela imita\u00e7\u00e3o; peculiaridades estas observadas e adquiridas da rela\u00e7\u00e3o com o mundo, com os objetos, com as pessoas; peculiaridades estas que nunca ser\u00e3o iguais. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante ter consci\u00eancia de \u201cseu\u201d corpo para poder buscar o corpo do outro.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>6 Crian\u00e7as de 0 a 3 anos.<\/h6>\n<p>Pela brincadeira, pelo jogo, a crian\u00e7a representa o outro, a realidade e a si mesmo. Brinca de ser fazendo de conta, experimenta diferentes sensa\u00e7\u00f5es, agu\u00e7a os sentidos. \u00c9 a sua liberdade de ser o que quiser e de se conhecer. Sem d\u00favida, isso revela pontos de contato com o teatro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12747 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-17-300x212.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"212\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-17-300x212.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-17-768x542.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-17.png 776w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h4>Cotidiano como tema<\/h4>\n<p>Uma das quest\u00f5es propostas era refletir sobre o cotidiano. Segundo Boal (2009), nossa rotina \u00e9 repleta de cenas ritualizadas: caf\u00e9 da manh\u00e3, almo\u00e7o, jantar, banho&#8230; Constantemente representamos diferentes pap\u00e9is sociais, com diferentes personagens. A Ol\u00edvia que aqui escreve n\u00e3o \u00e9 a mesma em casa, com os amigos, no trabalho&#8230; Pois representa variados pap\u00e9is sociais e se relaciona com diferentes pessoas, objetos e at\u00e9 animais.<\/p>\n<p>A ideia foi levar fragmentos de cenas di\u00e1rias para dentro da sala e se portar conforme o pedido naquela \u201ccena\u201d. Na minha experi\u00eancia universit\u00e1ria do Curso de Teatro, ap\u00f3s apresentarmos alguma cena para os colegas de turma, conversamos sobre o que foi assistido. Ser\u00e1 que com as crian\u00e7as esse tipo de situa\u00e7\u00e3o seria poss\u00edvel? Tentamos ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<h4>Linguagem teatral<\/h4>\n<p>O Teatro na educa\u00e7\u00e3o infantil deve ser entendido como uma experi\u00eancia completamente integrada \u00e0s outras experi\u00eancias vividas pelas crian\u00e7as: a leitura de hist\u00f3rias, a brincadeira, a express\u00e3o pl\u00e1stica, a m\u00fasica, o movimento.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12748 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-16-300x180.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-16-300x180.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-16-768x462.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-16.png 961w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Desde cedo, as crian\u00e7as podem refletir sobre o que \u00e9 espec\u00edfico desta Arte: o espa\u00e7o c\u00eanico, a presen\u00e7a de personagens, a dramaturgia, bem como sobre o cen\u00e1rio, o figurino, a maquiagem, objetos de cena, luz e som, elementos que comp\u00f5em a linguagem teatral.<\/p>\n<p>O Teatro \u00e9 uma arte que integra v\u00e1rias experi\u00eancias; ao fazer teatro a crian\u00e7a se coloca movimentando-se, expressando-se, falando e cantando, como forma de significar situa\u00e7\u00f5es. Seus aspectos motores, afetivos e intelectuais se associam com as linguagens que ela est\u00e1 construindo, experi\u00eancia muito importante no processo de constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria imagem e sentido de si.<\/p>\n<p>A dramatiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada ao jogo, onde reside a raiz de toda a cria\u00e7\u00e3o infantil. Muito cedo, as crian\u00e7as come\u00e7am a brincar de ser coisas diferentes, destacando ou modificando sua pr\u00f3pria apar\u00eancia. A experi\u00eancia de interagir com diferentes parceiros as leva a imitar significativamente seus gestos, movimentos e express\u00f5es. Nessas brincadeiras, as crian\u00e7as poder\u00e3o ser apoiadas pelo professor ou pelos colegas na utiliza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios elementos caracter\u00edsticos do teatro: fantasias, maquiagem, adere\u00e7os, m\u00e1scaras etc.<\/p>\n<p>A aprendizagem do fazer teatral, al\u00e9m de passar pelo aperfei\u00e7oamento do brincar de faz de conta, tamb\u00e9m se beneficia da maior experi\u00eancia das crian\u00e7as em usufruir da conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias que se faz cotidianamente no CEI, creche ou EMEI, em que aprendem a lidar com as palavras e imagens \u00e0s quais elas remetem.<\/p>\n<h5>Fonte: Orienta\u00e7\u00f5es Curriculares \u2013 Expectativas de Aprendizagem e Orienta\u00e7\u00f5es<br \/>\nDid\u00e1ticas para Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Prefeitura Municipal de S\u00e3o Paulo.<\/h5>\n<p>Enquanto uma educadora estava com as crian\u00e7as em um espa\u00e7o no CMEI, outras montavam um cen\u00e1rio bem simples e simb\u00f3lico na sala. Quando as crian\u00e7as voltavam \u00e0 sala, elas percebiam que uma cena, sem muito di\u00e1logo, estava acontecendo.<\/p>\n<p>A primeira cena dessa sequ\u00eancia foi a do caf\u00e9 da manh\u00e3. As crian\u00e7as chegaram, viram as educadoras tomando caf\u00e9 em x\u00edcaras de porcelana, sentadas no ch\u00e3o sobre o tatame. Foram usados objetos n\u00e3o convencionais para causar estranhamento nos pequenos. Sem \u201cdirecionamento\u201d, as crian\u00e7as foram se sentando, transbordando curiosidade em volta da cena, como num teatro de arena. Sem falar nada, \u00edamos colocando caf\u00e9 imagin\u00e1rio na x\u00edcara, ado\u00e7ando e tal&#8230; \u00c0s gargalhadas, as crian\u00e7as iam pedindo para ver o conte\u00fado das x\u00edcaras, imitavam-nos sentindo o aroma, ou pediam para servir, com o bule, os colegas. O objetivo era permitir que eles explorassem aquele material. N\u00e3o houve alvoro\u00e7o porque as crian\u00e7as n\u00e3o estavam curiosas apenas com os objetos, mas com as nossas a\u00e7\u00f5es. Em algum momento<br \/>\ndo dia sempre usamos a estrat\u00e9gia do sil\u00eancio, priorizando a\u00e7\u00f5es, gestos, olhares&#8230;<\/p>\n<p>A segunda cena foi a do banho. Montamos o cen\u00e1rio apenas com uma cortina para box de banheiro e frascos vazios de xampus, e fomos n\u00f3s que come\u00e7amos a brincadeira de faz de conta. As crian\u00e7as do maternal II chegavam e iam se sentando nos tatames, sabendo que alguma coisa estava acontecendo. Ap\u00f3s a cena \u201cmuda\u201d, convers\u00e1vamos a respeito do que eles haviam visto. Surgiram falas como \u201c\u00c9 banho\u201d; \u201cMinha m\u00e3e me d\u00e1 banho e lava minha orelha\u201d&#8230; Em seguida, eles puderam brincar no cen\u00e1rio e com os objetos.<\/p>\n<h4>Augusto Boal (1931-2009)<\/h4>\n<p>Diretor, autor e te\u00f3rico. Por ser um dos \u00fanicos homens de teatro a escrever sobre sua pr\u00e1tica, formulando teorias a respeito de seu trabalho, torna-se uma refer\u00eancia do teatro brasileiro. Principal lideran\u00e7a do Teatro de Arena de S\u00e3o Paulo nos anos 1960. Criador do teatro do oprimido, metodologia internacionalmente conhecida que alia teatro \u00e0 a\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<h6>Fonte: www.itaucultural.org.br\/aplicexternas\/enciclopedia_teatro\/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&amp;cd_verbete=703<\/h6>\n<h4>Um outro olhar<\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12749 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/7-15-218x300.png\" alt=\"\" width=\"218\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/7-15-218x300.png 218w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/7-15.png 592w\" sizes=\"auto, (max-width: 218px) 100vw, 218px\" \/><\/p>\n<p>De fato, \u00e9 preciso mesmo perguntar-se: o que \u00e9 teatro? E o que \u00e9 poss\u00edvel identificar, da natureza teatral, na primeira inf\u00e2ncia?<\/p>\n<p>H\u00e1 muito tempo que o Teatro deixou de ser entendido apenas como a \u201carte da representa\u00e7\u00e3o\u201d. E, se \u00e9 poss\u00edvel falar de situa\u00e7\u00f5es teatrais com crian\u00e7as menores de 3 anos, certamente o ponto de coincid\u00eancia do fazer infantil com o teatro n\u00e3o ser\u00e1 ainda a representa\u00e7\u00e3o, mas a corporeidade, a\u00a0fisicaliza\u00e7\u00e3o<sup>7<\/sup>, o pr\u00f3prio corpo \u2013 elementos importantes no teatro.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que um dos tipos de teatro \u00e9 aquele que \u201crepresenta a realidade\u201d. Por\u00e9m, o trabalho com as crian\u00e7as pequenas pode nos fazer pensar em outras maneiras de entender e propor atividades teatrais para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Machado<sup>8\u00a0<\/sup> (2010) nos convida a pensar numa perspectiva de teatro como o entendia Artaud (1896-1948), para quem, para haver teatro, n\u00e3o \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio que haja representa\u00e7\u00e3o, mas que haja, antes de tudo, vida. Para Artaud, o teatro se faz a partir do corpo do ator, que n\u00e3o mais \u201crepresentar\u00e1\u201d, mas vivenciar\u00e1, corporificar\u00e1 seus personagens, dramas e conflitos no corpo.<\/p>\n<p>Formas de teatro que n\u00e3o necessariamente se comprometem com a linearidade, com a narrativa com come\u00e7o-meio-fim, ou com personagens preestabelecidos chamam-se p\u00f3s-dram\u00e1ticas. E \u00e9 interessante perceber o quanto o teatro p\u00f3s-dram\u00e1tico tem a ver com as formas de express\u00e3o da crian\u00e7a bem pequena. Nesse sentido, pensar o faz de conta e o teatro a partir de uma perspectiva artaudiana pode abrir possibilidades de contemplar o teatro na escola e perspectivas para o nosso trabalho como professores de teatro, em qualquer faixa et\u00e1ria, na chave de um teatro contempor\u00e2neo, p\u00f3s-dram\u00e1tico, em que n\u00e3o se escolher\u00e1 mais temas, personagens ou hist\u00f3rias prontas para serem representadas,<br \/>\nnem falas ou palco e plateia. Nessa perspectiva, a crian\u00e7a \u201c\u00e9\u201d pessoa e personagem, e seu corpo e movimento oferecem materialidade a situa\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias, que podem ser apoiadas pelo professor, modificando os ambientes de brincar das crian\u00e7as com o uso de objetos, luzes, transpar\u00eancias, criando climas, tempos e espa\u00e7os outros:<\/p>\n<p>Trabalhar com crian\u00e7as pequenas na chave do teatro p\u00f3s-dram\u00e1tico \u00e9 voltar o olhar para a crian\u00e7a mesma, e para o dom do faz de conta, para sua capacidade de imaginar e seu polimorfismo. Nesse tipo de trabalho o professor poder\u00e1 at\u00e9 mesmo abrir m\u00e3o do recurso de um ba\u00fa de roupas, fantasias e objetos c\u00eanicos, para fazer um teatro invis\u00edvel (a olho nu). O importante \u00e9 poder propor interc\u00e2mbios entre o brincar e o fazer teatral, de modo que a crian\u00e7a pequena compreenda, ela mesma, semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre esses fazeres. (Machado, 2010, p.100)<\/p>\n<p>Maria Paula Zurawsky, professora, formadora de educadores e artistas do Grupo Furunfunfum de Teatro, em S\u00e3o Paulo (SP)<\/p>\n<hr \/>\n<h6>7 Fisicalizar: Manifesta\u00e7\u00e3o f\u00edsica de uma comunica\u00e7\u00e3o. Express\u00e3o f\u00edsica de uma atitude. Dar vida a um objeto ou situa\u00e7\u00e3o. Em: SPOLIN, V. Orienta\u00e7\u00e3o: Consci\u00eancia Sensorial. In: Improvisa\u00e7\u00e3o para o teatro. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1992, p. 49-51.<br \/>\n8 Implica\u00e7\u00f5es do pensamento merleau-pontiano para compreender o ensino e a pr\u00e1tica teatral junto a crian\u00e7as, de Marina Marcondes Machado. In: Merleau-Ponty e a Educa\u00e7\u00e3o. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2010.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12750 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/8-15-300x158.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"158\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/8-15-300x158.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/8-15-1024x538.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/8-15-768x404.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/8-15-720x380.png 720w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/8-15.png 1345w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A segunda proposta foi a escolha da dramatiza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica favorita deles: O le\u00e3o e a minhoca. Antes de tudo, pesquisamos um pouco sobre os animais e descobrimos que n\u00e3o sab\u00edamos muita coisa sobre eles. Partimos, ent\u00e3o, para a pesquisa dos personagens. Notamos, depois de assistir a alguns v\u00eddeos, que o som produzido pelos le\u00f5es \u00e9 bem diferente do som conhecido por n\u00f3s. Levamos ent\u00e3o \u00e0 roda de conversa, em primeiro lugar, o som gravado. As crian\u00e7as tinham de nos dizer qual era o bicho relativo ao som apresentado. \u201cJoaninha\u201d, \u201cBarata\u201d&#8230; As crian\u00e7as disseram tudo, menos le\u00e3o. Come\u00e7amos, ent\u00e3o, a dar dicas, aliando gestos ao som, at\u00e9 elas acertarem. Des cobrimos, com essa atividade, que investimos bastante no sentido visual sem considerar a possibilidade de ali\u00e1-lo a um est\u00edmulo sonoro, o que se traduziria em excelentes possibilidades de desenvolvimento do processo simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>Em seguida, introduzimos imagens est\u00e1ticas e em movimento. Levamos cart\u00f5es com imagens de le\u00f5es em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es e em diferentes \u00e2ngulos para as rodas de conversa. Falamos sobre essas imagens e as investigamos, favorecendo a imita\u00e7\u00e3o, inclusive, com a observa\u00e7\u00e3o no espelho. Na segunda etapa, levamos v\u00eddeos de le\u00f5es tomando banho, rugindo, andando, correndo, lambendo a pata&#8230; Sempre com a proposta de imitar cada movimento.<\/p>\n<p>Com as crian\u00e7as, garimpamos o terreno do CMEI em busca de minhocas que foram colocadas em um balde e levadas para as salas a fim de observarmos atentamente seus movimentos. Um laborat\u00f3rio! E tudo isso tendo o corpo como foco primordial.<\/p>\n<p>Quando se dramatizou a hist\u00f3ria contida na m\u00fasica, foram introduzidos objetos simb\u00f3licos. Apenas uma meia-cal\u00e7a na cabe\u00e7a para a minhoca e uma juba feita de barbante para o le\u00e3o. Dramatizamos v\u00e1rias vezes na mesma turma, e em cada uma dessas dramatiza\u00e7\u00f5es trocamos os pap\u00e9is. Se numa dramatiza\u00e7\u00e3o fui minhoca, na outra fui le\u00e3o, e assim se seguiu com minhas colegas. A finalidade era a de mostrar \u00e0s crian\u00e7as que qualquer uma podia ser o le\u00e3o ou a minhoca. Brincamos disso com eles, e eles foram le\u00e3o e minhoca ao mesmo tempo!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12751 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9-12-300x207.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"207\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9-12-300x207.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9-12.png 704w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h4>A maquiagem<\/h4>\n<p>Grupos de 7 ou 8 crian\u00e7as sentadas nos tatames, ao som de uma m\u00fasica calma, observaram uma educadora pintando a outra (novamente sem ter a fala por foco, mas a a\u00e7\u00e3o), enquanto a terceira educadora brincava com o restante da turma em outro espa\u00e7o do CMEI (assim como nos demais encaminhamentos). Aos poucos, as crian\u00e7as pediam o material ou n\u00f3s mesmas \u00edamos oferecendo para que o explorassem.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio corpo, o corpo do amigo e at\u00e9 mesmo o nosso viraram um grande suporte para o desenho, de maneira livre. N\u00e3o nos prendemos a desenhar \u201calgo\u201d, nem cobramos isso deles, mas deixamos que o material fosse testado nos corpos, tendo o espelho como fonte para observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Todas essas brincadeiras descritas foram realizadas com as turmas do ber\u00e7\u00e1rio e do maternal I e II. O planejamento n\u00e3o foi seguido ao \u201cp\u00e9 da letra\u201d e as etapas n\u00e3o seguiram iguais em todas as turmas, pois a faixa et\u00e1ria era diferente, e isso precisou ser respeitado. O processo foi registrado fotograficamente e por algumas filmagens que foram exibidas em data show para as crian\u00e7as. Elas se tornaram espectadoras delas mesmas.<\/p>\n<p>Aparentemente simples, as atividades de imita\u00e7\u00e3o de gestos, sons e pr\u00e1ticas sociais cotidianas constituem os primeiros passos para iniciar as crian\u00e7as no jogo teatral.<\/p>\n<p>E assim conclu\u00edmos o ano, com um gostinho de quero mais!<\/p>\n<h4>Antonin Artaud (Fran\u00e7a, 1896-1948)<\/h4>\n<p>Foi um poeta, ator, escritor, dramaturgo, roteirista e diretor de teatro franc\u00eas. Esteve ligado ao movimento surrealista. Sua obra O teatro e seu duplo \u00e9 um dos principais escritos sobre a arte do teatro no s\u00e9culo XX, refer\u00eancia de grandes diretores como Peter Brook, Jerzy Grotowski e Eugenio Barba.<\/p>\n<h6>Fonte: Antonin Artaud: a posi\u00e7\u00e3o da carne, Teixeira Coelho. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1982<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OL\u00cdVIA MILL\u00c9O\u00b9 TRABALHO C\u00caNICO COM OBJETOS SIMB\u00d3LICOS, IMITA\u00c7\u00c3O E FAZ DE CONTA COLABORA COM O JOGO TEATRAL QUE PODE COME\u00c7AR NA EDUCA \u00c7\u00c3O INFANTIL O in\u00edcio do trabalho realizado no Centro Municipal de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CMEI) Vila Verde\u00b2, no ano de 2010, foi norteado por perguntas fundamentais para organizar pensamentos e oferecer um fio condutor. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":15257,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1515],"tags":[],"class_list":{"0":"post-12742","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-55","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12742\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15257"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}