{"id":12650,"date":"2013-05-07T15:48:42","date_gmt":"2013-05-07T18:48:42","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=12650"},"modified":"2023-02-03T10:32:13","modified_gmt":"2023-02-03T13:32:13","slug":"de-bichos-e-casas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-54\/de-bichos-e-casas\/","title":{"rendered":"De bichos e casas"},"content":{"rendered":"<p>PAULO LORENZETI\u00b9<\/p>\n<hr>\n<p>OBSERVA\u00c7\u00c3O ATENTA DO PROFESSOR TRANSFORMA CURIOSIDADE DE ALUNO EM PESQUISA QUE ARTICULA CONTE\u00daDOS PARA AL\u00c9M DA ARTE<\/p>\n<hr>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12651 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-12-300x242.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-12-300x242.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-12.png 589w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Encontrar formas mais significativas de ensinar arte sempre foi um desafio. Como fazer com que os alunos tenham uma experi\u00eancia&nbsp; mais profunda em arte e, ao mesmo tempo, que essa experi\u00eancia possa respeitar a cultura da inf\u00e2ncia? Respeitar o universo das crian\u00e7as, o lugar onde vivem, o que veem, o que ouvem, suas maneiras peculiares de se relacionar com o mundo, sua curiosidade natural para a vida, seu contato com a natureza. H\u00e1 muitos caminhos para isso se considerarmos que os artistas, principalmente os contempor\u00e2neos, estabelecem algumas rela\u00e7\u00f5es com o mundo muito pr\u00f3ximas \u00e0s rela\u00e7\u00f5es que as crian\u00e7as estabelecem. Um olhar atento, com curiosidade, inven\u00e7\u00e3o, imprevisibilidade, aus\u00eancia de fronteiras entre as linguagens, colocando o mundo \u00e0s avessas para reinvent\u00e1-lo. Ao abrirmos espa\u00e7os para essas formas de ser das crian\u00e7as e dos artistas teremos um campo ampliado de a\u00e7\u00f5es potencializadoras para a aula de artes, capazes de proporcionar \u00e0s crian\u00e7as o desenvolvimento de suas capacidades corporais, intelectuais, afetivas e sociais.<\/p>\n<p>Na Escola Estadual Professora Diva Gomes dos Santos\u00b2, em uma das aulas de desenho no 2\u00ba ano, notamos uma pequena movimenta\u00e7\u00e3o diferente que vinha do teto. Era um marimbondo solit\u00e1rio que constru\u00eda uma \u201ccasinha\u201d na l\u00e2mpada de nossa sala de aula. As crian\u00e7as n\u00e3o conseguiam se concentrar nos desenhos que estavam fazendo, por causa da movimenta\u00e7\u00e3o e da imensa curiosidade que pairava no ar. At\u00e9 que um aluno perguntou:<\/p>\n<hr>\n<h6>1 Arte-educador, professor da Escola Diva Gomes dos Santos. \u00c9 p\u00f3s-graduado em Linguagens da arte pelo Centro Universit\u00e1rio Maria Ant\u00f4nia \u2013 Universidade de S\u00e3o Paulo.<br \/>\n2 Localizada na cidade de Mau\u00e1 (SP).<\/h6>\n<p><em>\u2013 Professor, o que aquele bicho est\u00e1 fazendo ali?<\/em><\/p>\n<p>Respondi que era um marimbondo e que estava construindo sua casa. E veio outra pergunta:<br \/>\n<em>\u2013 Como ele constr\u00f3i? Ele faz arte?<\/em><\/p>\n<p>Disse que ele constru\u00eda sobrepondo uma forma chamada de hex\u00e1gono, mas ele (o marimbondo) n\u00e3o sabia disso. O que eu n\u00e3o previa \u00e9 que as perguntas feitas naquele instante seriam disparadoras de um grande projeto de estudos sobre artes, que abarcou m\u00faltiplas informa\u00e7\u00f5es de Biologia, de Ci\u00eancia, de Hist\u00f3ria, de Matem\u00e1tica, entre outras.<\/p>\n<h5>Forma inspira pesquisa e cria\u00e7\u00f5es<\/h5>\n<p>O projeto, que mais tarde passou a se chamar \u201cEstudo sobre casas\u201d, aconteceu no decorrer de um ano, nas aulas de artes, sendo duas aulas de 50 minutos por semana, cujo ponto de partida foram as pequenas casas de insetos e animais presentes no ambiente escolar, casas de vespas (marimbondo e outras), aranha, caracol, caramujo e ninho de passarinho. Para cada casa encontrada desenvolv\u00edamos uma s\u00e9rie de atividades e pesquisas abordando diversos elementos:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12652 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-12-300x115.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"115\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-12-300x115.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-12-1024x393.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-12-768x295.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-12.png 1308w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>\u2666 O estudo das formas, incluindo obras de artistas que exploravam essa determinada forma.<\/p>\n<p>\u2666 As materialidades: de que tipo de material as casas eram feitas e como os seres humanos fizeram&nbsp;uso desse material para criar a arte, entre outras coisas.<\/p>\n<p>\u2666 Aspectos construtivos: como as casas eram constru\u00eddas, fazendo sempre um paralelo com a constru\u00e7\u00e3o<br \/>\ndas obras de arte e seus elementos visuais.<\/p>\n<p>Passada a semana daquelas perguntas, elaborei alguns planos de aula para come\u00e7ar a explorar a casa do marimbondo e sua forma hexagonal. Primeiramente, desenhei um hex\u00e1gono na lousa, demonstrando qual era a forma utilizada pelo marimbondo e como a agrupava para criar sua constru\u00e7\u00e3o. Esclareci tamb\u00e9m a forma\u00e7\u00e3o da palavra hex\u00e1gono (seis \u00e2ngulos), falando um pouco sobre a sua origem grega e da paix\u00e3o dessa civiliza\u00e7\u00e3o pela Matem\u00e1tica. A partir da\u00ed, come\u00e7amos uma s\u00e9rie de exerc\u00edcios de desenhos e pinturas utilizando essa forma, para desenvolver a percep\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio das formas no espa\u00e7o compositivo, de maneira que as crian\u00e7as percebessem que n\u00e3o podiam desenhar as formas todas de um lado s\u00f3 do papel, mas que deveriam aprender a ocupar o espa\u00e7o. Iniciamos algumas pesquisas com o intuito de descobrir em quais lugares e objetos encontr\u00e1vamos a forma hexagonal: cal\u00e7adas, bola de futebol, propagandas, carapa\u00e7a da tartaruga, obras de arte.\u00b3<\/p>\n<hr>\n<h6>3 Como as da artista carioca Ana Holck, cujas esculturas foram por n\u00f3s apreciadas. Site da artista: www.anaholck.com\/obras\/view\/1\/56<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12653 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-12-300x115.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"115\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-12-300x115.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-12-1024x392.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-12-768x294.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-12.png 1305w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>No decorrer das atividades, aprendemos que o material utilizado pelo marimbondo para construir sua casa era uma esp\u00e9cie de papel, feita a partir da mastiga\u00e7\u00e3o de madeira velha, e as crian\u00e7as ficaram muito surpresas ao saber que o papel que utilizamos tamb\u00e9m vinha de um processamento da madeira. Al\u00e9m das pinturas e dos desenhos, constru\u00edmos dois trabalhos tridimensionais, um deles uma colmeia de rolinhos de papel higi\u00eanico que continham, dentro deles, pequenos desenhos cujo tema era sobre o que as crian\u00e7as tinham de mais precioso na vida, fazendo uma refer\u00eancia ao mel.<\/p>\n<p>A segunda constru\u00e7\u00e3o estudada foi uma casinha de vespa, feita de barro, encontrada nas madeiras que comp\u00f5em a estrutura do telhado do p\u00e1 tio. A pesquisa sobre esta casa foi muito interessante porque contrastamos as formas, o material e a maneira de constru\u00ed-la com o tipo de constru\u00e7\u00e3o da casa do marimbondo. Aprendemos as diferen\u00e7as entre as formas org\u00e2nicas e geom\u00e9tricas, comparando as casinhas, bem como uma s\u00e9rie de imagens de obras de arte. Estudamos sobre o barro e como o ser humano faz uso dele para construir in\u00fameras coisas, como casas, utens\u00edlios, obras de arte etc. Ainda nesse estudo, vimos que o barro serviu de suporte para a escrita e brincamos de fazer plaquinhas de argila para escrevermos c\u00f3digos inventados por n\u00f3s numa tentativa de nos comunicar, fazendo com que as crian\u00e7as compreendessem a fun\u00e7\u00e3o social da escrita, para al\u00e9m do fazer a li\u00e7\u00e3o na escola.<\/p>\n<h5>Arte como espa\u00e7o de liberdade<\/h5>\n<p>Vale ressaltar que todo esse processo aconteceu nas aulas de artes, momento em que se pode permitir certa liberdade na constru\u00e7\u00e3o de trabalhos mais espec\u00edficos de acordo com a realidade da comunidade escolar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12654 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-13-300x104.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"104\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-13-300x104.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-13-1024x356.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-13-768x267.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-13.png 1350w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A casa da aranha rendeu grande estudo sobre as linhas, suas diferentes formas \u2013 verticais, horizontais, diagonais, onduladas, fortes, fracas \u2013 e as sensa\u00e7\u00f5es visuais delas decorrentes: sensa\u00e7\u00e3o est\u00e1tica, movimento, continuidade etc. Trabalhos das artistas Edith Derdyk (S\u00e3o Paulo, 1955) e Louise Bougeois (Fran\u00e7a, 1911-2010), ajudaram-nos a comparar desenho e escultura. A primeira artista, com suas grandes instala\u00e7\u00f5es com linhas, nos motivou a criar nossa pr\u00f3pria instala\u00e7\u00e3o, amarrando as \u00e1rvores do jardim da escola. A segunda produziu uma escultura de uma aranha gigante, representando simbolicamente a pr\u00f3pria m\u00e3e. Al\u00e9m disso, na escola, havia um menino do 3\u00ba ano, Felipe, que era fascinado por aranhas. Ele nos deu uma aula sobre a maternidade aracn\u00eddea. Na sequ\u00eancia, come\u00e7amos a explorar a forma da espiral para desenhar as teias de aranhas, pois um dos alunos nos trouxe um DVD da s\u00e9rie Charlie e Lola<sup>4 <\/sup>que demonstra como uma aranha constr\u00f3i sua teia. Da\u00ed para a casa do caracol foi um passo.<\/p>\n<hr>\n<h6>4 Charlie e Lola \u2013 Meu Grande Irm\u00e3o. Epis\u00f3dio: \u201cEu n\u00e3o gosto mesmo de aranha\u201d.<\/h6>\n<p>A forma espiralada levou-nos para uma ideia visual de continuidade, de ciclo, de movimento. Conhecemos os objetos \u00f3ticos do franc\u00eas Marcel Du champ (Fran\u00e7a, 1882-1968) e os trabalhos de gravura da artista brasileira Anna Letycia (Rio de Janeiro, 1929). Realizamos trabalhos em pequenos e grandes formatos, com destaque para uma pintura coletiva que se caracterizou como uma interven\u00e7\u00e3o no p\u00e1tio da escola. Al\u00e9m dos trabalhos visuais, vivenciamos diversas experi\u00eancias corporais, por meio de jogos e brincadeiras, associadas \u00e0s formas ou aos temas que est\u00e1vamos estudando. Brincamos de amarelinha no formato de caracol, interpretamos aranhas e marimbondos em jogos teatrais e musicais, numa tentativa de trazer o corpo inteiro para o aprendizado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12655 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-12-300x200.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-12-300x200.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-12-272x182.png 272w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-12.png 623w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Depois de explorarmos todas essas pequenas casas, era importante revermos os percursos de&nbsp; aprendizagem, retomando todo o conhecimento aprendido at\u00e9 o momento. Para isso, foram realizadas<br \/>\nv\u00e1rias a\u00e7\u00f5es, como a cria\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica coletiva sobre o material utilizado na constru\u00e7\u00e3o de uma casa e a forma como \u00e9 constru\u00edda, desde o marimbondo at\u00e9 chegar \u00e0 nossa casa, a casa do ser humano. A m\u00fasica foi composta a partir da apresenta\u00e7\u00e3o que eu fiz dos primeiros versos: A casa do marimbondo \/ \u00e9 feita de madeira velha&#8230; Da\u00ed em diante a m\u00fasica foi sendo constru\u00edda com sugest\u00f5es das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Outra a\u00e7\u00e3o de retomada do conhecimento adquirido sobre casas foi a cria\u00e7\u00e3o de uma composi\u00e7\u00e3o visual que unisse todas a formas, dando origem a uma esp\u00e9cie de casa nova, uma casa de imagina\u00e7\u00e3o, uma casa da abstra\u00e7\u00e3o. Esses desenhos serviram de base para uma pintura a guache, culminando em uma exposi\u00e7\u00e3o intitulada \u201cArrumadas e misturadas: formas\u201d, com textos, curadoria e conceitos constru\u00eddos com as crian\u00e7as. A aprecia\u00e7\u00e3o das obras da artista Beatriz Milhazes (Rio de Janeiro, 1960) contribuiu muito para o desenvolvimento dessas pinturas e possibilitou discuss\u00f5es sobre os conceitos de arte abstrata e figurativa. Da jun\u00e7\u00e3o das formas nasceu o personagem Marivesaracolujo. Ao perguntar para o grupo quem era o morador daquela casa t\u00e3o diferente, a professora Gl\u00e1ucia Faria, polivalente<sup>5 <\/sup>da sala, sugeriu que mescl\u00e1ssemos as palavras marimbondo, vespa, aranha, caracol e caramujo. Marivesaracolujo, pouco a pouco em nossas conversas, foi se caracterizando como uma esp\u00e9cie de super-her\u00f3i defensor da natureza, que nos ensinou sobre preserva\u00e7\u00e3o e cuidados. \u201cEle\u201d nos escrevia pequenas cartas sobre a import\u00e2ncia de reutilizar pap\u00e9is, de n\u00e3o desperdi\u00e7ar a merenda, de n\u00e3o jogar embalagens no p\u00e1tio e de cuidar das \u00e1rvores do jardim da escola.<\/p>\n<p>A partir dos ninhos de passarinhos, a tridimensionalidade, e consequentemente a escultura, passou a ser nosso foco. Primeiramente fizemos desenhos de observa\u00e7\u00e3o de ninhos projetados em uma tev\u00ea. Falamos um pouco sobre a forma circular como sinal de prote\u00e7\u00e3o, vimos alguns logotipos com essa forma, como os de empresas de seguran\u00e7a, de maternidades, para que as crian\u00e7as percebessem como a forma circular atuava no desenho e no conceito das empresas. Recolhemos folhas secas do pinheiro do jardim da escola (material utilizado pelos passarinhos que vivem nesse jardim) para construirmos pequenos \u201cninhos-esculturas\u201d. Em uma conversa, abordamos o cuidado que os passarinhos tinham em construir seus ninhos para acolher e cuidar de seus filhotes; para complementar os nossos \u201cninhos-esculturas\u201d, criamos pequenos ovos de isopor nos quais foram desenhadas coisas que as crian\u00e7as gostariam de acolher e cuidar. Surgiram desenhos de pai, m\u00e3e, parentes e bens materiais, como videogames, carros, casas etc.<\/p>\n<p>Conhecemos diversos artistas, bem como suas obras, e desenvolvemos uma s\u00e9rie de esculturas estimuladas&nbsp; por eles: Franz Krajcberg (Pol\u00f4nia\/Brasil, 1921), Franz Weissman (Brasil, 1911-2005), Luiz Sacilloto (Brasil, 1924-2003) e Sandra Barreiro (Brasil, 1961). Esses dois \u00faltimos artistas s\u00e3o do estado de S\u00e3o Paulo, nossa regi\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12656 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-12-300x277.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-12-300x277.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-12.png 460w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h4>As casas<\/h4>\n<p><em>(letra e m\u00fasica: 2\u00ba anos)<\/em><br \/>\n<em>A casa do marimbondo<\/em><br \/>\n<em>\u00e9 feita de madeira velha<\/em><br \/>\n<em>A casa da outra vespa<\/em><br \/>\n<em>\u00e9 feita do barro que ela pega<\/em><br \/>\n<em>A casa da aranha<\/em><br \/>\n<em>tem matem\u00e1tica por dentro<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 que ela tem oito pernas<\/em><br \/>\n<em>em cada perna sete joelhos<\/em><\/p>\n<p><em>Tem bicho<\/em><br \/>\n<em>que leva a casa nas costas<\/em><br \/>\n<em>E por isso pode morar<\/em><br \/>\n<em>em qualquer lugar<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 o caramujo,<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 a tartaruga<\/em><br \/>\n<em>e o jaboti<\/em><br \/>\n<em>E que eu me lembre:<\/em><br \/>\n<em>O caracol (col, col, col)<\/em><\/p>\n<p><em>O nosso tatu<\/em><br \/>\n<em>Se protege com um casco<\/em><br \/>\n<em>com um nome (carapa\u00e7a)<\/em><br \/>\n<em>Ele pode morar<\/em><br \/>\n<em>num buraco<\/em><br \/>\n<em>que ele vai cavar<\/em><br \/>\n<em>Ele gosta de morar<\/em><br \/>\n<em>bem debaixo da terra<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 o tatu, o nosso tatu (tu, tu, tu)&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>A casa \u00e9 o nosso lugar<\/em><br \/>\n<em>tamb\u00e9m conhecida<\/em><br \/>\n<em>como lar-doce-lar<\/em><br \/>\n<em>pode ser de madeira<\/em><br \/>\n<em>pode ser de tijolo<\/em><br \/>\n<em>ou de qualquer cor<\/em><br \/>\n<em>o importante<\/em><br \/>\n<em>\u00e9 n\u00e3o faltar amor (mor, mor, mor, mor)<\/em><\/p>\n<h4>Um registro art\u00edstico do processo<\/h4>\n<p>Conclu\u00edmos essa primeira parte do estudo com a montagem do livro Estudo sobre as casas \u2013 Desenhos. O livro \u00e9 composto de uma s\u00e9rie de desenhos de todas as casas estudadas, escaneados dos cadernos dos alunos de 3 salas dos 2\u00ba anos e um CD com tr\u00eas m\u00fasicas compostas ao longo do projeto: Rap do marimbondo, As casas e Marivesaracolujo (trava-l\u00ednguas). Como foi poss\u00edvel fazer apenas um exemplar, o livro fica dispon\u00edvel para empr\u00e9stimo aos alunos.<\/p>\n<hr>\n<h6>5 Pedagoga respons\u00e1vel por m\u00faltiplas disciplinas do curr\u00edculo do Ensino Fundamental na Escola.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12657 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/7-11-247x300.png\" alt=\"\" width=\"247\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/7-11-247x300.png 247w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/7-11.png 566w\" sizes=\"auto, (max-width: 247px) 100vw, 247px\" \/><\/p>\n<h4><em>Rap do marimbondo<\/em><\/h4>\n<p><em>Ondo, ondo, ondo<\/em><br \/>\n<em>Ei! tu viu?!<\/em><br \/>\n<em>A casa desse marimbondo? <\/em><\/p>\n<p><em>Espa, espa, espa<\/em><br \/>\n<em>psiu! tu viu?<\/em><br \/>\n<em>A casa dessa vespa?<\/em><\/p>\n<p><em>Cada c\u00f4modo dessa casa<\/em><br \/>\n<em>tem seis paredes iguais<\/em><br \/>\n<em>s\u00e3o chamados de alv\u00e9olos<\/em><br \/>\n<em>hexagonais<\/em><\/p>\n<p><em>Ela n\u00e3o \u00e9 feita n\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o \u00e9 feita de papel<\/em><br \/>\n<em>mas guarda um tesouro<\/em><br \/>\n<em>que \u00e9 o mel<\/em><\/p>\n<h4><em>Marivesaracolujo<\/em> (trava-l\u00ednguas)<\/h4>\n<p><em>Marivesaracolujo, Marivesaracolujo<\/em><br \/>\n<em>mistura de marimbondo<\/em><br \/>\n<em>vespa<\/em><br \/>\n<em>aranha<\/em><br \/>\n<em>caracol<\/em><br \/>\n<em>e<\/em><br \/>\n<em>caramujo<\/em><\/p>\n<p>Parafraseando Jonh Dewey, uma experi\u00eancia est\u00e9tica s\u00f3 \u00e9 est\u00e9tica quando une cogni\u00e7\u00e3o, afeto e vida.<sup>6 <\/sup>Foi esse entrela\u00e7amento que me propus a construir nesse projeto, na tentativa de tornar o contato com a arte mais significativo para as crian\u00e7as. Ter como ponto de partida a curiosidade dos alunos em rela\u00e7\u00e3o aos elementos da natureza presentes no ambiente escolar e adentrar, a partir da\u00ed, os mais vastos conhecimentos \u00e9 uma maneira de compreender que as coisas est\u00e3o interligadas e que \u00e9 preciso explorar esses pontos de conex\u00e3o para criar um trabalho mais integrador e, ao mesmo tempo, abarcar a complexidade da rela\u00e7\u00e3o com o conhecimento no mundo contempor\u00e2neo, que \u00e9 vol\u00e1til, imprevis\u00edvel e desafiador. Ficamos mais pr\u00f3ximos da arte e dos artistas, n\u00e3o apenas como meros espectadores, mas como quem produz arte para tentar compreender o mundo.<\/p>\n<p><em>Acho que o quintal onde a gente brincou \u00e9 maior do que a cidade. A gente s\u00f3 descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas h\u00e1 de ser medido pela intimidade que temos com as coisas<\/em> (Manoel de Barros)<\/p>\n<hr>\n<h6>6 Tendo uma experi\u00eancia, de John Dewey. S\u00e3o Paulo: Abril, 1974 (Cole\u00e7\u00e3o Os Pensadores).<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PAULO LORENZETI\u00b9 OBSERVA\u00c7\u00c3O ATENTA DO PROFESSOR TRANSFORMA CURIOSIDADE DE ALUNO EM PESQUISA QUE ARTICULA CONTE\u00daDOS PARA AL\u00c9M DA ARTE Encontrar formas mais significativas de ensinar arte sempre foi um desafio. Como fazer com que os alunos tenham uma experi\u00eancia&nbsp; mais profunda em arte e, ao mesmo tempo, que essa experi\u00eancia possa respeitar a cultura da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":14667,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1514],"tags":[],"class_list":{"0":"post-12650","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-54","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12650","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12650"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12650\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14667"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}