{"id":12594,"date":"2013-05-07T12:08:21","date_gmt":"2013-05-07T15:08:21","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=12594"},"modified":"2023-02-03T10:32:36","modified_gmt":"2023-02-03T13:32:36","slug":"documentacao-exposicao-e-experiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-54\/documentacao-exposicao-e-experiencia\/","title":{"rendered":"Documenta\u00e7\u00e3o, exposi\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>DENISE NALINI E MARIANA AMERICANO\u00b9<\/p>\n<hr>\n<p>EXPOSI\u00c7\u00c3O MARCA PERCURSO DE FORMA\u00c7\u00c3O DOS PROFESSORES TENDO COMO TEMA ARTE CONTEMPOR\u00c2NEA E DESENVOLVIMENTO INFANTIL. REVELA TAMB\u00c9M A EXPERI\u00caNCIA VIVIDA PELAS CRIAN\u00c7AS QUE PUDERAM EXPERIMENTAR E SE EXPRESSAR<\/p>\n<hr>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12595 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-8-300x227.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"227\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-8-300x227.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-8.png 663w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><em>Quando a porta do CEI\u00b2 abriu, fomos recebidas por uma cortina feita de folhas <\/em><em>de revista enroladas no formato de tubos, um convite para tocar e passar por eles, uma marca que nos mostrava que n\u00e3o entrar\u00edamos numa exposi\u00e7\u00e3o convencional.<\/em><\/p>\n<p><em>O convite se ampliou pedindo a presen\u00e7a dos nossos sentidos ao passarmos dentro do \u201ct\u00fanel das sensa\u00e7\u00f5es\u201d . Um t\u00fanel de tecido transparente, de v\u00e1rias cores, verde-lim\u00e3o, amarelo, laranja e rosa\u00b3 que nos propiciava pisar em diferentes materiais de v\u00e1rias texturas, manusear e sentir cheiros, al\u00e9m de poder ver atrav\u00e9s da transpar\u00eancia, conhecendo aquele espa\u00e7o de uma maneira especial. Uma entrada que inspirava e nos dava vontade de seguir adiante.<\/em><\/p>\n<p><em>Trabalhos expostos nas \u00e1rvores e no gramado compunham o ambiente, onde cria\u00e7\u00e3o e <\/em><em>natureza misturavam-se harmoniosamente. Recorte e colagem, constru\u00e7\u00e3o, desenhos, <\/em><em>cada t\u00e9cnica tinha o seu espa\u00e7o mesclado aos elementos naturais. Marcas de uma preocupa\u00e7\u00e3o com a documenta\u00e7\u00e3o do processo de cria\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e com a ocupa\u00e7\u00e3o <\/em><em>do espa\u00e7o.<\/em><\/p>\n<hr>\n<h6>1 Formadoras do Instituto Avisa L\u00e1 \u2013 S\u00e3o Paulo (SP).<br \/>\n2 Centro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CEI) \u2013 N\u00facleo III do Jardim Shangri-l\u00e1, em S\u00e3o Paulo (SP).<br \/>\n3 Este t\u00fanel fazia refer\u00eancia \u00e0 obra \u201cEsta\u00e7\u00e3o Arcoverde\u201d do metr\u00f4 do Rio de Janeiro (RJ), cuja programa\u00e7\u00e3o crom\u00e1tica \u00e9 de Am\u00e9lia Toledo.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12596 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-8-300x235.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-8-300x235.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-8-768x601.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-8.png 903w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><em>O vento tamb\u00e9m se mostrava presente ao movimentar os m\u00f3biles e tecidos que estavam ao alcance de todos para serem observados e tocados. M\u00f3biles feitos pelas crian\u00e7as e tecidos com marcas de que foram muito usados em suas brincadeiras.<\/em><\/p>\n<p><em>At\u00e9 mesmo a casinha de madeira, que \u00e9 parte integrante do jardim, neste dia serviu de suporte para exposi\u00e7\u00f5es de trabalhos e ganhou nova fun\u00e7\u00e3o. As crian\u00e7as, ao subirem nos degraus da escada para chegar ao escorregador, descobriam que a cada passo uma luz se acendia como m\u00e1gica. Era s\u00f3 pisar no degrau para observar as luzes se acenderem.<\/em><\/p>\n<p>O evento foi aberto para toda a comunidade. Durante dois dias mais de 100 educadores, vindos de diferentes creches e unidades educativas da regi\u00e3o, tiveram a oportunidade de pensar sobre como aproximar a crian\u00e7a da arte contempor\u00e2nea. Por meio de palestras expositivas, relatos de experi\u00eancias dos profissionais do CEI Shangri-l\u00e1, debates e oficinas, os participantes puderam refletir e ampliar seus conhecimentos colocando a \u201cm\u00e3o na massa\u201d. Assim como as crian\u00e7as, experimentaram diferentes materiais e linguagens art\u00edsticas.<\/p>\n<hr>\n<h6>4 A equipe participou de diferentes programas de forma\u00e7\u00e3o do Instituto Avisa L\u00e1: Capacitar (2001), Extens\u00e3o (2003), Tutoria, Cursos a dist\u00e2ncia e presenciais.<\/h6>\n<h5>Antes do encontro, um caminho<\/h5>\n<p>Este encontro foi fruto de um longo trabalho de mais de seis meses de atua\u00e7\u00e3o com ricas reflex\u00f5es sobre Arte Contempor\u00e2nea e o desenvolvimento da crian\u00e7a de 0 a 3 anos. Mais do que um evento pontual, o grupo de profissionais passou seis meses a refletir e agir tendo como tema a Arte Contempor\u00e2nea e a crian\u00e7a de 0 a 3 anos.<\/p>\n<p>O que \u00e9 Arte? E Arte Contempor\u00e2nea? Como s\u00e3o os artistas que fazem a Arte Contempor\u00e2nea? Qual rela\u00e7\u00e3o as obras desses artistas podem estabelecer com as crian\u00e7as pequenas? Por que trabalhar Arte Contempor\u00e2nea com crian\u00e7as t\u00e3o pequenas? Foram essas quest\u00f5es que motivaram as educadoras a pesquisar, a conhecer e a visitar diferentes museus e exposi\u00e7\u00f5es e, sobretudo, a observar as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Vindas de um processo de forma\u00e7\u00e3o continuada desde&nbsp;2001<sup>4<\/sup>, essa equipe havia incorporado as quest\u00f5es do cotidiano como tema para reflex\u00e3o did\u00e1tica. No entanto, buscando sempre aprofundar conhecimentos e pr\u00e1ticas em 2012, tiveram como preocupa\u00e7\u00e3o central compreender como dois grandes temas poderiam convergir. De um lado, a certeza de que a Arte \u00e9 um dos principais alimentos para um desenvolvimento e uma aprendizagem significativa; de outro, a certeza de que s\u00f3 a Arte n\u00e3o basta. \u00c9 preciso conhecer as crian\u00e7as e saber o que elas sabem e o que as mobiliza. Quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas do desenvolvimento desta faixa et\u00e1ria? O que faz sentido para as crian\u00e7as? Como elas aprendem? O que precisam aprender?<\/p>\n<p>Para trilhar esse percurso de busca de respostas desencadeamos um movimento de partilhar sensibilidades, aprofundar indaga\u00e7\u00f5es e promover a aproxima\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as com alguns artistas e algumas obras de Arte Contempor\u00e2nea. Nesse processo reflexivo, primeiro procuramos entusiasmar os professores com as buscas das crian\u00e7as e, a seguir, com as quest\u00f5es dos artistas, aprofundando o processo constitutivo das obras, destacando o que poderia servir de alimento para o trabalho.<\/p>\n<p>Fundamental tamb\u00e9m foi a viv\u00eancia dos educadores, que puderam ser tocados pelas obras e pelas instala\u00e7\u00f5es visitadas e apresentadas na forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12597 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-8-300x172.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"172\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-8-300x172.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-8-768x439.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-8.png 946w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Acreditamos que somente quando algo faz sentido para o professor \u00e9 poss\u00edvel inspirar a cria\u00e7\u00e3o de uma po\u00e9tica com as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Dessa forma, nosso primeiro grande desafio foi o de \u201cconter\u201d os educadores que se encantaram com o que conheceram e queriam \u201creproduzir\u201d as obras dos artistas estudados. A nossa interven\u00e7\u00e3o foi no sentido de ajudar a pesquisar mais sobre a rela\u00e7\u00e3o de cada artista com o seu trabalho e buscar o ponto de encontro com as crian\u00e7as. Assim, cada um dos grupos precisou escolher um foco para o trabalho que dialogasse com as crian\u00e7as. O que este artista fala? O que ele prop\u00f5e e como isto se relaciona com as necessidades de aprendizagem destas crian\u00e7as?<\/p>\n<hr>\n<h6>5 Ver artigo das mesmas autoras publicado na edi\u00e7\u00e3o anterior da revista Avisa l\u00e1, \u201cA crian\u00e7a e a arte: busca e encontro\u201d.<\/h6>\n<h5>Na forma\u00e7\u00e3o, professor vira \u201cartista\u201d<\/h5>\n<p>Para pensar essa exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso voltar no tempo, pela oportunidade de constru\u00e7\u00e3o de um percurso em que as crian\u00e7as e os professores se transformam em produtores de cultura, investimento que s\u00f3 uma forma\u00e7\u00e3o continuada possibilita. A interven\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o buscou aprofundar o olhar de cada professor para seu grupo, a constru\u00e7\u00e3o de pautas de observa\u00e7\u00e3o, o que caracteriza o fazer e o pensar das crian\u00e7as dessa faixa et\u00e1ria. Al\u00e9m disso, a elabora\u00e7\u00e3o e o acompanhamento dos projetos dos professores, bem como a viv\u00eancia de diferentes experi\u00eancias est\u00e9ticas, possibilitaram uma reconceitualiza\u00e7\u00e3o do papel do professor em arte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12598 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-9-300x157.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"157\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-9-300x157.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-9-768x402.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-9-720x380.png 720w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-9.png 774w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Convidamos os professores a trazer objetos que as crian\u00e7as mais gostassem e a apresentar suas observa\u00e7\u00f5es de como elas brincavam e se apropriavam&nbsp; deles. Nesse momento, os objetivos da forma\u00e7\u00e3o era possibilitar ao educador maior conhecimento com as crian\u00e7as de sua turma e quais se riam, portanto, as suas necessidades de aprendizagem. Somente a partir desse olhar as releituras das propostas dos artistas pelo professor poderiam ganhar sentido para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Esse foi o movimento na revis\u00e3o das propostas do trabalho de Antony Gormley com as crian\u00e7as de 3 anos. Com a sensibilidade aflorada e o estudo das professoras a ideia da experi\u00eancia do corpo no espa\u00e7o ganhou sentido. A equipe do minigrupo I se aprofundou nesta quest\u00e3o e trabalhou diversas formas de representa\u00e7\u00e3o do corpo humano.<br \/>\nCome\u00e7ando pelo contorno desse corpo, trabalhando a totalidade e tamb\u00e9m cada uma das partes, como na atividade de represent\u00e1-las atrav\u00e9s de atadura gessada.<\/p>\n<p>Da mesma forma, as professoras do Ber\u00e7\u00e1rio II foram desafiadas a buscar um encontro entre o trabalho da Am\u00e9lia Toledo e as crian\u00e7as. Essa senhora doce e preocupada com a natureza levou as professoras a redescobrir o parque, a horta, os cheiros caracter\u00edsticos do entorno da creche. Essa artista, de certa forma, convidou as crian\u00e7as a ouvirem<br \/>\nos sons do lugar, a perceberem a mistura dos l\u00edquidos. E fez com que os professores pudessem olhar como brinquedos, restos de uma \u00e1rvore reca\u00edda e o po\u00e7o da creche poderiam encantar de forma inusitada as crian\u00e7as. \u00c9 esse tipo de pensamento e a\u00e7\u00e3o que a arte pode constituir, um pensamento divergente, complexo, sutil. Era como se Am\u00e9lia tivesse estado entre n\u00f3s, de t\u00e3o profundo que foi o nosso mergulho em seu trabalho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12599 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-7-300x182.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"182\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-7-300x182.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-7.png 573w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Na exposi\u00e7\u00e3o, ao montarem as salas e os cen\u00e1rios para as oficinas, as professoras revelaram suas leituras dos artistas e de suas obras.<\/p>\n<p>Da Am\u00e9lia Toledo estavam as toras de madeiras e uma pequena \u00e1rvore que serviu de suporte para os retratos das brincadeiras vividas e conhecidas das crian\u00e7as. O po\u00e7o constru\u00eddo com caixas de leite e empapelamento estava onde era o antigo po\u00e7o da creche. Fotos do processo nos mostravam as experi\u00eancias realizadas. L\u00edquidos e argilas. Uma cortina de conchinhas e uma esp\u00e9cie de escorregador de madeira que nos remetiam \u00e0s obras \u201cCachoeira\u201d e \u201cSete ondas\u201d, respectivamente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12600 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-8-300x172.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"172\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-8-300x172.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-8-768x439.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-8.png 906w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 a turma do Ber\u00e7\u00e1rio I (B1) se envolveu com o trabalho de Olafur Eliasson<sup>5<\/sup>, escolhendo como recorte de seu trabalho as experi\u00eancias com os reflexos e a luminosidade. Na sala do B1 estavam caleidosc\u00f3pios feitos com pequenos espelhos redondos, pufe de bolinhas para deitar e olhar num espelho pendurado no teto tal como na exposi\u00e7\u00e3o \u201cSeu corpo na obra\u201d, realizada na Pinacoteca de S\u00e3o Paulo em 2011. Al\u00e9m do espelho grande havia outros pendurados numa estrutura de ferro e tamb\u00e9m<br \/>\num globo espelhado. Em outro ambiente cortinas de papel-celofane compunham o espa\u00e7o, sugerindo uma gostosa brincadeira de se esconder e achar, t\u00e3o apreciada nessa idade.<\/p>\n<p>Do que as nossas crian\u00e7as brincam? Esta foi a pergunta inicial das crian\u00e7as do Minigrupo II, que ousadamente sa\u00edram a campo para pesquisar, nas casas e no CEI, as brincadeiras preferidas de sua turma. Elas fotografaram e colecionaram v\u00e1rios jogos simb\u00f3licos aos quais acrescentamos elementos n\u00e3o estruturados como: caixas de papel\u00e3o, peda\u00e7os de madeira, tecidos, tudo o que pudesse ajudar a alimentar a imagina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e trouxesse novas possibilidades de brincar.<\/p>\n<h5>A creche como comunidade de aprendizagem para todos<\/h5>\n<p>De acordo com as gestoras<sup>6<\/sup>, alguns elementos foram fundamentais para que esse trabalho pudesse acontecer. O primeiro se refere \u00e0 pr\u00f3pria parceria entre elas que, juntas, buscaram uma forma\u00e7\u00e3o de qualidade, reflexiva e comprometida com a qualidade da educa\u00e7\u00e3o. Outro ponto enfatizado \u00e9 a necessidade de autonomia dessa equipe para priorizar as quest\u00f5es pedag\u00f3gicas. Dessa forma, podem oferecer \u00e0 comunidade e \u00e0s crian\u00e7as materiais de qualidade e profissionais bem formados que compreendem o seu papel na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as pequenas. Relatam tamb\u00e9m o quanto o investimento na forma\u00e7\u00e3o continuada levou-as \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma estrutura formativa que, mesmo diante de problemas, continuou sendo um porto seguro para os professores poderem discutir e aprofundar seus saberes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12601 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/7-8-231x300.png\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/7-8-231x300.png 231w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/7-8.png 395w\" sizes=\"auto, (max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/p>\n<p>Para concluir, n\u00e3o \u00e9 apenas uma forma\u00e7\u00e3o pontual que garantiu esse encontro. \u00c9 preciso destacar a presen\u00e7a constante de Nair e Ben\u00ea, as gestoras, que acolheram, propuseram momentos de estudo, buscaram diferentes formas de viabilizar e, sobretudo, partilharam com as fam\u00edlias e com a comunidade essa exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Maridos, cunhados, amigos&#8230; cada um ganhou uma responsabilidade: ajudar na instala\u00e7\u00e3o el\u00e9trica da casinha, serrar a grande tora de madeira; pais e filhos que, nesse processo, podem aprender que a creche \u00e9 um espa\u00e7o de conviv\u00eancia para as fam\u00edlias, e que educa\u00e7\u00e3o e cultura se fazem nessa parceria e nesse compromisso de todos. Como diz o ditado africano: \u00e9 preciso uma aldeia inteira para educar uma crian\u00e7a. \u00c9 essa aldeia que constru\u00edmos no cotidiano e ainda temos como resultado espa\u00e7os maravilhosos que enriquecem a brincadeira e o aprendizado das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 esse esp\u00edrito que garantiu \u00e0 equipe de 22 profissionais motiva\u00e7\u00e3o para preparar cada um dos detalhes dessa exposi\u00e7\u00e3o: o desejo de saber e de saber fazer.<\/p>\n<hr>\n<h6>6 Nair Bortoleti e Benedita Machado Mello s\u00e3o, respectivamente, diretora e coordenadora pedag\u00f3gica do CEI Jardim Shangri-l\u00e1.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12602 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/8-8-300x215.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"215\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/8-8-300x215.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/8-8-768x549.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/8-8.png 903w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h4>Onde est\u00e1 a arte, no espa\u00e7o<\/h4>\n<h5>As paredes das escolas falam?<\/h5>\n<p>Uma boa ideia para proporcionar uma experi\u00eancia est\u00e9tica no ambiente escolar \u00e9 expor a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, o que contribui muito para a forma\u00e7\u00e3o de todos na escola.<\/p>\n<p>Cada vez que compartilhamos a produ\u00e7\u00e3o de um grupo de crian\u00e7as, isso precisa ser exposto com rigor est\u00e9tico, considerando as necessidades dos trabalhos a serem mostrados \u2013 usar um painel limpo, pendurar os trabalhos com harmonia, distribu\u00eddos para que n\u00e3o fiquem entulhados. A exposi\u00e7\u00e3o deve mostrar o cuidado do professor com a produ\u00e7\u00e3o e seus alunos. A valoriza\u00e7\u00e3o do processo de cria\u00e7\u00e3o deve acompanhar a exposi\u00e7\u00e3o. (&#8230;)<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 um ambiente de trocas que apresenta outra forma de comunica\u00e7\u00e3o para a comunidade expressiva de sua escola. Espa\u00e7o que tamb\u00e9m pertence \u00e0s crian\u00e7as, pois \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o delas que est\u00e1 ali. Povoar um ambiente de elementos significativos, que dizem respeito \u00e0s crian\u00e7as, faz toda a diferen\u00e7a \u2013 em vez de usar adere\u00e7os que interferem<br \/>\nno trabalho das meninas e meninos, efeitos midi\u00e1ticos superficiais, que n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o cultural daquela comunidade (&#8230;). Povoar constantemente a escola com a produ\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as \u00e9 mostrar a vida da escola. Desta forma, professores compartilham com a comunidade escolar o que est\u00e1 acontecendo com seu grupo. \u00c9 interessante ter um evento de vez em quando, com a participa\u00e7\u00e3o dos pais, um ritual \u2013 como as mostras culturais. A escola tamb\u00e9m necessita de rituais de encontro, celebra\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12603 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9-6-300x210.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9-6-300x210.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9-6.png 607w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Uma exposi\u00e7\u00e3o pode ser um bom momento de encontro entre as pessoas, onde vemos e conversamos sobre os trabalhos e o aprendizado das crian\u00e7as. Uma exposi\u00e7\u00e3o pode ser uma celebra\u00e7\u00e3o. Entretanto isso n\u00e3o exclui a necessidade expor o trabalho das crian\u00e7as sempre.<\/p>\n<h6>Stela Barbieri em: Intera\u00e7\u00f5es: onde est\u00e1 a arte na inf\u00e2ncia?<br \/>\nCole\u00e7\u00e3o Intera\u00e7\u00f5es (pags.56 a 58). S\u00e3o Paulo: Blusher, 2012.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DENISE NALINI E MARIANA AMERICANO\u00b9 EXPOSI\u00c7\u00c3O MARCA PERCURSO DE FORMA\u00c7\u00c3O DOS PROFESSORES TENDO COMO TEMA ARTE CONTEMPOR\u00c2NEA E DESENVOLVIMENTO INFANTIL. REVELA TAMB\u00c9M A EXPERI\u00caNCIA VIVIDA PELAS CRIAN\u00c7AS QUE PUDERAM EXPERIMENTAR E SE EXPRESSAR Quando a porta do CEI\u00b2 abriu, fomos recebidas por uma cortina feita de folhas de revista enroladas no formato de tubos, um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":14667,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1514],"tags":[],"class_list":{"0":"post-12594","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-54","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12594"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12594\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14667"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}