{"id":11516,"date":"2021-04-02T09:46:43","date_gmt":"2021-04-02T12:46:43","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=11516"},"modified":"2021-04-03T15:49:41","modified_gmt":"2021-04-03T18:49:41","slug":"avisa-la-indica-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/noticias\/avisa-la-indica-5\/","title":{"rendered":"Avisa L\u00e1 Indica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Ana Carolina Carvalho, formadora do Avisa L\u00e1, indica mais um livro para crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m todas as idades.<br \/>\nN\u00e3o deixe de assistir ao v\u00eddeo e ler o texto, s\u00e3o verdadeiros presentes de uma leitora sens\u00edvel que nos instiga a conhecer essa narrativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Clique na imagem para acessar o v\u00eddeo<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/youtu.be\/cVFk3koJRQw\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-11517\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/lili-eu-fico-2-300x190.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/lili-eu-fico-2-300x190.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/lili-eu-fico-2-768x487.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/lili-eu-fico-2.jpg 813w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Em sil\u00eancio, com as palavras<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Ana Carolina Carvalho<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o estamos acostumados a ficar em sil\u00eancio. Nossa sociedade \u00e9 barulhenta e exige que falemos sempre, que tenhamos opini\u00f5es sobre tudo, que apare\u00e7amos. H\u00e1 quase uma ideia de que s\u00f3 est\u00e1 vivo quem aparece nas telas, quem faz barulho, quem quer falar, e fala. O sil\u00eancio incomoda. N\u00e3o deveria o barulho excessivo ser um inc\u00f4modo? Parece que n\u00e3o. Uma crian\u00e7a que pouco fala nos chama a aten\u00e7\u00e3o: algo parece estar fora do lugar. Algo n\u00e3o vai bem.\u00a0 O bom \u00e9 ser ruidoso?<\/p>\n<p>Curiosamente, embora sejamos todos radicalmente diferentes uns dos outros, portanto, com um grau consider\u00e1vel de estranheza frente ao resto do mundo, ser diferente \u201cdemais\u201d pode n\u00e3o ser bem aceito. Sentir-se um estranho no ninho \u00e9 condi\u00e7\u00e3o do humano. Quem sou eu no mundo? Que \u00e9 o mundo? S\u00e3o quest\u00f5es que todos temos, em algum lugar de nossa exist\u00eancia. Buscar palavras para reconhecer o territ\u00f3rio em que vivemos e nos compreender nele pode ser uma das fun\u00e7\u00f5es da literatura.\u00a0 E \u00e9 tamb\u00e9m fun\u00e7\u00e3o da literatura ser esse pr\u00f3prio lugar da estranheza, por trazer aquilo diferente daquilo que estamos acostumados e nos deslocar.<\/p>\n<p>Em um belo ensaio sobre a presen\u00e7a dos livros e da leitura em sua vida, o cr\u00edtico e ensa\u00edsta mexicano Daniel Goldin escreveu<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>: \u201c<em>Quem sabe o horizonte da leitura n\u00e3o seja apenas isso: uma linha t\u00eanue e distante onde o sol se p\u00f5e ou levanta, onde nascem, morrem ou renascem a claridade ou a noite. E somos a noite e o dia. O estranho desamparado e o que acolhe e ampara, e tamb\u00e9m a casa onde esse encontro acontece. E n\u00e3o somos nada disso e somos algu\u00e9m em busca de uma voz que nomeie e fa\u00e7a hospitaleiro esse vasto e indiferente territ\u00f3rio ao qual chamamos mundo\u201d. <\/em><\/p>\n<p><em>Eu fico em sil\u00eancio<\/em>, obra escrita e ilustrada pelo norte-americano David Ouimet, fala de algu\u00e9m \u2013 uma menina &#8211; em busca de uma voz, ela \u00e9 esse estranho desamparado que todos n\u00f3s podemos ser em algum momento da vida. Acompanhamos a menina em sua jornada: ela n\u00e3o se sente parte do mundo, \u00e9 diferente de todos \u00e0 sua volta, est\u00e1 exclu\u00edda. A sensa\u00e7\u00e3o se repete em muitas cenas. Ela deseja n\u00e3o estar ali, nos lugares que frequenta. Sim, em parte, \u00e9 um livro triste, ilustrado em tons escuros, lan\u00e7ando m\u00e3o de cores que poderiam ser tidas como inadequadas para o p\u00fablico infantil. Contudo, essa suposta inadequa\u00e7\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 ali para revelar outra: a da rela\u00e7\u00e3o da personagem com o mundo. Ela \u00e9 silenciosa, o mundo \u00e9 ruidoso, e nesse descompasso, ela se sente uma nota fora do tom.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenhamos medo de livros tristes escritos para as crian\u00e7as. Elas tamb\u00e9m precisam de narrativas que emprestam palavras e imagens para a sua dor, dando-lhe outros contornos. Mas n\u00e3o nos enganemos. O livro tamb\u00e9m \u00e9 esperan\u00e7oso.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma sa\u00edda para al\u00e9m do sil\u00eancio e da retirada do mundo. E a sa\u00edda est\u00e1 no encontro com as palavras, na literatura cujo terreno \u00e9 acolhedor. Ali, h\u00e1 l\u00ednguas que a menina ainda vai falar. H\u00e1 um mundo habit\u00e1vel para todos n\u00f3s, lugar generoso com todos os destinos poss\u00edveis, todos os idiomas. E ent\u00e3o, podemos n\u00e3o s\u00f3 ser ouvidos, mas tamb\u00e9m falar. Por n\u00f3s mesmos e pelas vozes de outrem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Goldin, Daniel. Os dias e os livros: tradu\u00e7\u00e3o: Carmem Cacciacarro \u2013 S\u00e3o Paulo: Editora Pulo do Gato, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Carolina Carvalho, formadora do Avisa L\u00e1, indica mais um livro para crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m todas as idades. N\u00e3o deixe de assistir ao v\u00eddeo e ler o texto, s\u00e3o verdadeiros presentes de uma leitora sens\u00edvel que nos instiga a conhecer essa narrativa. 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