{"id":1149,"date":"2001-10-19T21:42:31","date_gmt":"2001-10-19T23:42:31","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=1149"},"modified":"2023-03-27T11:43:00","modified_gmt":"2023-03-27T14:43:00","slug":"entre-o-acaso-e-a-intencao-como-a-crianca-pode-conquistar-autonomia-para-criar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/entre-o-acaso-e-a-intencao-como-a-crianca-pode-conquistar-autonomia-para-criar\/","title":{"rendered":"Entre o acaso e a inten\u00e7\u00e3o &#8211; Como a crian\u00e7a pode conquistar autonomia para criar"},"content":{"rendered":"<h5>Que a arte deve estar presente nos curr\u00edculos escolares \u00e9 dado, e ningu\u00e9m discorda. O \u201ccomo\u201d, no entanto, est\u00e1 sujeito a diferentes interpreta\u00e7\u00f5es.Vemos hoje, no Brasil, pelo menos duas tend\u00eancias de ensino da arte que se apresentam quase sempre como opostas: ou bem os educadores levam \u00e0 sala apenas atividades propostas por eles, ou bem apostam nas surpresas da cria\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea das pr\u00f3prias crian\u00e7as. Nesta mat\u00e9ria, voc\u00ea vai conhecer uma experi\u00eancia que pode ajudar a equilibrar as duas pr\u00e1ticas. A introdu\u00e7\u00e3o da oficina de percurso possibilita uma autoria infantil mais elaborada e aut\u00f4noma<\/h5>\n<p><!--more--><\/p>\n<div id=\"attachment_1155\" style=\"width: 294px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1155\" class=\"size-full wp-image-1155\" title=\"avisala_08_tempo1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo1.jpg\" alt=\"Trabalho de crian\u00e7a da Escola Verde que te quero verde\" width=\"284\" height=\"231\" \/><p id=\"caption-attachment-1155\" class=\"wp-caption-text\">Trabalho de crian\u00e7a da Escola Verde que te quero verde<\/p><\/div>\n<p>Quando pensamos quais conte\u00fados as crian\u00e7as podem aprender nos primeiros anos da educa\u00e7\u00e3o infantil, logo lembramos da \u00e1rea de artes visuais. Pintar, desenhar, colar, recortar, montar, modelar, ou a combina\u00e7\u00e3o de todos esses fazeres, s\u00e3o alguns dos primeiros procedimentos que os pequenos experimentar\u00e3o na escola.<\/p>\n<p>Ao realizar essas a\u00e7\u00f5es, eles se deparam com o que s\u00e3o capazes de produzir, surpreendendo-se e maravilhando-se com o processo e com o resultado de seus trabalhos, da mesma forma que se encantam com os jogos e as brincadeiras, pois essas atividades possuem aspectos comuns que os seduz: o acaso, o imprevisto, a surpresa. Enquanto crescem, v\u00e3o sendo capazes de refletir sobre suas experi\u00eancias de produ\u00e7\u00e3o e somam ao aspecto da surpresa, do acaso e do imprevisto, a intencionalidade e o planejamento, conquistando autonomia de cria\u00e7\u00e3o, um dos elementos fundamentais no desenvolvimento do percurso criador.<\/p>\n<div id=\"attachment_1156\" style=\"width: 376px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1156\" class=\"size-full wp-image-1156\" title=\"avisala_08_tempo12\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo12.jpg\" alt=\"Ol\u00edvia, da 2a s\u00e9rie, fez a queda de um helic\u00f3ptero usando cinzas, azuis e verdes, numa combina\u00e7\u00e3o de tons p\u00e1lidos, para representar um tema triste, como fez Lasar Segall. \" width=\"366\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo12.jpg 366w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo12-300x171.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 366px) 100vw, 366px\" \/><p id=\"caption-attachment-1156\" class=\"wp-caption-text\">Ol\u00edvia, da 2a s\u00e9rie, fez a queda de um helic\u00f3ptero usando cinzas, azuis e verdes, numa combina\u00e7\u00e3o de tons p\u00e1lidos, para representar um tema triste, como fez Lasar Segall.<\/p><\/div>\n<p>Apesar de os educadores compreenderem como \u00e9 importante para a forma\u00e7\u00e3o integral do aluno ele ser capaz de se comunicar e se expressar de maneira pessoal atrav\u00e9s da linguagem visual,muitos ainda se perguntam sobre quais a\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas podem ser encaminhadas para atingir este objetivo. O que normalmente encontramos no panorama do ensino das artes visuais nas escolas brasileiras s\u00e3o a\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas opostas: atividades em que as quest\u00f5es art\u00edsticas s\u00e3o internas \u2013 com problemas e solu\u00e7\u00f5es que as pr\u00f3prias crian\u00e7as descobrem e criam \u2013 ou atividades em que as quest\u00f5es art\u00edsticas partem de propostas externas, sempre com problemas colocados pelo professor. Podemos dizer que, ultimamente, h\u00e1 mesmo um predom\u00ednio deste segundo tipo de a\u00e7\u00e3o did\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Usos e abusos das propostas feitas pelo professor <\/strong><br \/>\nMuitas escolas n\u00e3o consideram a constru\u00e7\u00e3o do percurso criador pessoal como um dos objetivos centrais para a \u00e1rea de artes visuais. Por isso abrem m\u00e3o do investimento nas quest\u00f5es trazidas pelas crian\u00e7as e encaminham apenas as propostas externas.<\/p>\n<p>Algumas escolas priorizam o ensino de conte\u00fados da hist\u00f3ria da arte, como, por exemplo, a vida do artista e seu processo criador, ou mesmo a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica em \u00e9pocas e culturas diferentes. S\u00e3o bastante recorrentes as \u201creleituras\u201d <sup>1<\/sup> de obras de artistas, propostas de interfer\u00eancia gr\u00e1fica em que as crian\u00e7as precisam continuar peda\u00e7os de obras de arte, enquanto estudam sobre os artistas, ou ent\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o de tintas naturais e seu uso, enquanto estudam a hist\u00f3ria das tintas.<\/p>\n<p>Outras privilegiam o ensino de t\u00e9cnicas e procedimentos, encaminhando propostas sem contexto e totalmente isoladas, carentes de qualquer seq\u00fc\u00eancia ou rela\u00e7\u00e3o, como, por exemplo, pintar fazendo pintinhas com cotonete, pintar e dobrar a folha ao meio, desenhar com giz de cera cobrindo com nanquin preto para riscar por cima, montar uma imagem colando pedacinhos de papel, como se fosse um mosaico etc.<\/p>\n<p>Sabemos que a crian\u00e7a aprende melhor os conte\u00fados das artes visuais quando tem quest\u00f5es, ou seja, problemas a resolver. No entanto, para desenvolver seu percurso criador, n\u00e3o basta que ela resolva apenas quest\u00f5es art\u00edsticas pr\u00e1ticas nas atividades de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso tamb\u00e9m que se aproprie de conhecimentos proporcionados pelas reflex\u00f5es que surgem a partir da observa\u00e7\u00e3o e aprecia\u00e7\u00e3o de imagens que j\u00e1 produziu e sobre aquelas feitas por outras crian\u00e7as, artistas e povos de diferentes culturas.<\/p>\n<p>No entanto, todo o cuidado \u00e9 pouco nessas pr\u00e1ticas Uma boa quest\u00e3o vinculada a propostas externas \u00e9 a que possibilita respostas diferentes. Por exemplo: na 2a s\u00e9rie da escola Verde que Te Quero Verde, a professora prop\u00f4s a aprecia\u00e7\u00e3o de algumas pinturas de Lasar Segall, para que os alunos comparassem suas cores e temas. Ap\u00f3s chegarem \u00e0 conclus\u00e3o de que todas eram muito tristes por causa dos temas e das cores empregadas, a professora encaminhou uma proposta de produ\u00e7\u00e3o: pediu \u00e0s crian\u00e7as que fizessem uma pintura triste, usando tinta acr\u00edlica e canetinha quando necess\u00e1rio. Para resolver essa quest\u00e3o tinham que pensar nas cores, nas suas combina\u00e7\u00f5es e no tema que iriam representar.<\/p>\n<p><strong>Deixar livre ou dirigir o trabalho de artes? Um falso dilema <\/strong><br \/>\nEncaminhar unicamente atividades a partir de propostas externas pode gerar um percurso criador dependente. Ao contr\u00e1rio, propor apenas atividades que possibilitem a elabora\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es internas muitas vezes resulta num percurso criador de menor qualidade, com um repert\u00f3rio mais limitado.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o de problemas trazidos pelo professor, bem como de quest\u00f5es que as pr\u00f3prias crian\u00e7as levantam, s\u00e3o atividades igualmente importantes e fundamentais para desenvolver o percurso criador do aluno e devem acontecer equilibradamente dentro da rotina escolar. N\u00e3o se pode esquecer que os conte\u00fados da hist\u00f3ria da arte, de t\u00e9cnicas e procedimentos, t\u00eam maior significado para os alunos quando possibilitam a amplia\u00e7\u00e3o do seu repert\u00f3rio de quest\u00f5es art\u00edsticas internas, surgidas de seu pr\u00f3prio fazer, e tamb\u00e9m quando mobilizam seus conhecimentos pr\u00e9vios, constru\u00eddos nos momentos de livre escolha, como vemos a seguir:<\/p>\n<div id=\"attachment_1157\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1157\" class=\"size-full wp-image-1157\" title=\"avisala_08_tempo13\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo13.jpg\" alt=\"Marina, da 2\u00aa s\u00e9rie, escolheu um tema da atualidade que considerou muito triste, o atentando \u00e0s Torres G\u00eameas nos EUA. Ela cuidou para que \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de cores criasse uma atmosfera aterradora.\" width=\"280\" height=\"184\" \/><p id=\"caption-attachment-1157\" class=\"wp-caption-text\">Marina, da 2\u00aa s\u00e9rie, escolheu um tema da atualidade que considerou muito triste, o atentando \u00e0s Torres G\u00eameas nos EUA. Ela cuidou para que \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de cores criasse uma atmosfera aterradora.<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1158\" style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1158\" class=\"size-full wp-image-1158\" title=\"avisala_08_tempo14\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo14.jpg\" alt=\"O desafio proposto \u00e0s duplas Gabriel e B\u00e1rbara (6 anos) e Gabriela e Ana Luiza (5 anos) foi conhecer mais sobre materiais,modalidades e procedimentos. Primeiro tiveram que desenhar, pintar e recortar, desmontando a imagem feita. Depois, colaram as partes em um outro suporte, criando nova composi\u00e7\u00e3o.\" width=\"225\" height=\"169\" \/><p id=\"caption-attachment-1158\" class=\"wp-caption-text\">O desafio proposto \u00e0s duplas Gabriel e B\u00e1rbara (6 anos) e Gabriela e Ana Luiza (5 anos) foi conhecer mais sobre materiais,modalidades e procedimentos. Primeiro tiveram que desenhar, pintar e recortar, desmontando a imagem feita. Depois, colaram as partes em um outro suporte, criando nova composi\u00e7\u00e3o. O tema era livre.<\/p><\/div>\n<p><strong>Arte na rotina da escola Verde<\/strong><br \/>\nAcreditamos que a conquista da autonomia de cria\u00e7\u00e3o se d\u00e1 com o trabalho conjunto desses dois tipos de a\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas. Na Escola Verde que te Quero Verde as crian\u00e7as, desde a educa\u00e7\u00e3o infantil, aprendem artes visuais com esta proposta e, enquanto crescem, v\u00e3o progressivamente conseguindo relacionar os conhecimentos adquiridos a partir dos dois tipos de encaminhamento. Dessa forma, permitimos que o aluno se alimente simultaneamente dos desafios que o educador lhe encaminha e dos que ele pr\u00f3prio se prop\u00f5e a resolver.<\/p>\n<p>Transitando entre essas duas possibilidades, a crian\u00e7a relaciona o que experimentou em ambas, conseguindo, muitas vezes, resolver quest\u00f5es externas com solu\u00e7\u00f5es encontradas a partir das quest\u00f5es internas e vice-versa. Isso torna o aprendizado da arte mais s\u00f3lido, j\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel lan\u00e7ar m\u00e3o de um mesmo conhecimento em contextos diferentes.<\/p>\n<p>Portanto, o planejamento e a pr\u00e1tica das aulas de artes visuais na rotina escolar devem contemplar tanto as atividades que encaminham as quest\u00f5es externas, contidas nas propostas, quanto as que encaminham as internas, que est\u00e3o presentes nas oficinas de percurso.<\/p>\n<p><strong>Entendendo a Oficina <\/strong><br \/>\nA oficina de percurso \u00e9 uma atividade que permite sempre a livre escolha do aluno sobre o trabalho que ir\u00e1 fazer. Isso quer dizer que ele poder\u00e1 definir quais materiais ir\u00e1 usar, quanto tempo precisar\u00e1 para terminar seu trabalho e se o far\u00e1 sozinho ou n\u00e3o. O nome oficina de percurso foi escolhido porque representa muito bem o que prop\u00f5e essa atividade: permitir que o aluno administre seu percurso criador, percebendo no decorrer da escolaridade que uma produ\u00e7\u00e3o surge a partir das experi\u00eancias de produ\u00e7\u00e3o anteriores.<\/p>\n<p>Nessas oficinas ocorre uma diversidade e simultaneidade de quest\u00f5es bastante enriquecedoras. \u00c9 interessante perceber como as quest\u00f5es trazidas pelas crian\u00e7as v\u00e3o se transformando \u00e0 medida que ampliam seu conhecimento art\u00edstico. No in\u00edcio da escolaridade elas se preocupam mais com a explora\u00e7\u00e3o e combina\u00e7\u00e3o de materiais. Mais tarde, pensam nas modalidades \u2013 se questionam sobre se produzir\u00e3o pintura, desenho, colagem etc.\u2013 e no tema que ir\u00e3o desenvolver.<\/p>\n<p>Ao observarmos, por exemplo, um momento de oficina de percurso da 1a s\u00e9rie dessa escola, \u00e9 comum ver as crian\u00e7as propondo-se a produzir trabalhos abstratos nas modalidades que conhecem, combinando ou n\u00e3o os materiais dispon\u00edveis no ateli\u00ea. Isso acontece porque nessa s\u00e9rie as crian\u00e7as aprendem sobre arte abstrata e figurativa por meio de propostas que o professor leva: atividades de aprecia\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os problemas que as crian\u00e7as se colocam v\u00e3o ficando mais complexos \u00e0 medida que persistem trabalhando. No Grupo 2 (3 a 4 anos), por exemplo, encontramos uma crian\u00e7a que se prop\u00f4s a fazer dois trabalhos bem diferentes numa mesma oficina. Em um ela colou palitos em todo o suporte, experimentando as possibilidades da fita crepe e da cola ao mesmo tempo. No outro, explorou e combinou materiais em diferentes modalidades.<\/p>\n<div id=\"attachment_1159\" style=\"width: 218px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1159\" class=\"size-full wp-image-1159\" title=\"avisala_08_tempo16\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo16.jpg\" alt=\"\" width=\"208\" height=\"171\" \/><p id=\"caption-attachment-1159\" class=\"wp-caption-text\">Ol\u00edvia, Sabrina, Camila e Luciana usaram duas aulas de oficina para realizar esse trabalho.<\/p><\/div>\n<p>Na 2a s\u00e9rie, um grupo de meninas tinha uma quest\u00e3o: fazer uma base ecol\u00f3gica. Para resolv\u00ea-la elas usaram duas aulas de artes. Na primeira,foram em busca dos materiais que acharam mais adequados para realizar a sua id\u00e9ia: usaram sucata de isopor para a base, argila para o tronco das \u00e1rvores e papel celofane para as copas, pedindo ajuda da professora para fixar as copas. O trabalho teve de secar de uma aula para outra. Na segunda aula, quando se depararam com o resultado final, n\u00e3o ficaram satisfeitas e partiram para mais um desafio: melhorar o trabalho. Depois de muito \u201cti, ti, ti\u201d chegaram a uma solu\u00e7\u00e3o: trocar os materiais do suporte e da copa (que nada tinham de ecol\u00f3gicos) por papel mach\u00ea.<\/p>\n<p>Neste novo desafio, experimentaram misturar o papel mach\u00ea com tinta, aprendendo assim mais sobre os materiais. Oficinas como esta \u2013 tanto quanto os projetos ou seq\u00fc\u00eancias did\u00e1ticas encaminhados atrav\u00e9s das propostas \u2013 exigem um planejamento complexo que deve seguir orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas espec\u00edficas, que por sua vez d\u00e3o par\u00e2metros para organizar tempo, espa\u00e7o e materiais e garantem boas interven\u00e7\u00f5es do professor. Para quem quiser se aventurar neste tipo de a\u00e7\u00e3o did\u00e1tica, damos, a seguir, algumas das orienta\u00e7\u00f5es constru\u00eddas na escola Verde ao longo dos anos.<\/p>\n<p><strong>Orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas para as oficinas<\/strong><br \/>\nAntes de iniciar a oficina o professor deve apresentar esta atividade para os alunos e conversar sobre as regras para usar e cuidar dos materiais.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que as crian\u00e7as v\u00e3o crescendo, as regras devem ser constru\u00eddas por todos, educador e alunos. Durante a oficina cabe ao professor estimular a pesquisa e a investiga\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias linguagens e materiais, sempre respeitando as escolhas dos alunos e a diferen\u00e7a entre as produ\u00e7\u00f5es, favorecendo a troca de informa\u00e7\u00f5es entre os colegas sobre as experi\u00eancias art\u00edsticas.<\/p>\n<p>Para garantir o percurso conv\u00e9m que a professora guarde os trabalhos n\u00e3o terminados para que as crian\u00e7as continuem a faz\u00ea-los na pr\u00f3xima oficina. Os materiais n\u00e3o podem faltar. A documenta\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00f5es bidimensionais pode ser feita em pastas, que a pr\u00f3pria professora monta com papel craft, grampeador e fita crepe. J\u00e1 as produ\u00e7\u00f5es tridimensionais exigem mais espa\u00e7o, o que normalmente falta nas escolas. Portanto, ao finalizar e apreciar esses trabalhos, as crian\u00e7as podem lev\u00e1-los para casa.<\/p>\n<p><strong>Oferta e organiza\u00e7\u00e3o de materiais<\/strong><br \/>\nPara iniciar pela primeira vez uma oficina de percurso com as crian\u00e7as, a professora pode oferecer como escolha apenas os materiais secos e os suportes. Nas oficinas seguintes acrescentar\u00e1 materiais pr\u00f3prios para a colagem, por exemplo. Depois, \u00e9 interessante introduzir os materiais aquosos e, por fim, as sucatas e os materiais para modelar.Oferecer os materiais nesta ordem normalmente deixa os alunos mais seguros para fazer escolhas, j\u00e1 que v\u00e3o ampliando gradualmente as possibilidades de utiliza\u00e7\u00e3o dos materiais. Isso n\u00e3o quer dizer que, necessariamente, uma oficina deva acontecer sempre assim.<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o deste ou daquele material para crian\u00e7as de diferentes faixas et\u00e1rias depende das condi\u00e7\u00f5es materiais e dos recursos humanos dispon\u00edveis, n\u00famero de alunos por turma etc. Esta an\u00e1lise de condi\u00e7\u00f5es depende da avalia\u00e7\u00e3o do educador.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>A autora coloca a palavra releitura entre aspas por acreditar que crian\u00e7as de 2a s\u00e9rie n\u00e3o fazem releitura propriamente. Para saber mais, leia o artigo C\u00f3pia ou releitura como n\u00e3o levar gato por lebre, na revista P\u00e1tio, n\u00famero 14, de Val\u00e9ria Pimentel e Marisa Szpigel.<\/p>\n<p>(Val\u00e9ria Pimentel, Coordenadora de artes da Escola Verde que Te Quero Verde \u2013 S\u00e3o Vicente, SP)<\/p>\n<h4>Sugest\u00f5es de materiais<\/h4>\n<p>Numa oficina, os materiais ficam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as para que possam fazer suas escolhas. A lista abaixo traz boas sugest\u00f5es para quem quer montar ou reorganizar o espa\u00e7o de ateli\u00ea, seja numa sala reservada s\u00f3 para isso, seja num canto da sala de aula.<\/p>\n<p><strong>Materiais secos:<\/strong> giz de cera, canetinhas, l\u00e1pis, giz de lousa, carv\u00e3o para churrasco. Caso seja poss\u00edvel, tente conseguir giz pastel oleoso e carv\u00e3o para desenho.<\/p>\n<p><strong>Pap\u00e9is variados (chamamos os pap\u00e9is de suportes):<\/strong> estes devem ser oferecidos aos alunos sempre cortados em formas e tamanhos diferentes: papel sulfite, jornal, revista, cartolina, papel espelho, laminado, seda, celofane, color set, camur\u00e7a, crepom, craft e outros como, por exemplo, saco de papel. \u00c9 poss\u00edvel aumentar o tamanho dos suportes colando um papel no outro.<\/p>\n<p><strong>Materiais para colar, juntar e recortar:<\/strong> cola branca, cola de farinha (caseira), fita crepe, durex, tesouras, fios, barbante, grampeador, furador, estilete \u2013 para a professora usar \u2013 e objetos variados para serem colados (palitos, tecidos, tampinhas, areia, pap\u00e9is j\u00e1 picados, papel\u00e3o, macarr\u00e3o, l\u00e3, algod\u00e3o, sementes, folhas, gravetos etc.)<\/p>\n<p><strong>Materiais aquosos:<\/strong> tinta de p\u00f3 xadrez \u2013 juntar o p\u00f3 xadrez, que se compra em casa de constru\u00e7\u00e3o, com \u00e1gua e cola branca \u2013, tinta de terra \u2013 igual ao p\u00f3 xadrez \u2013 , pintura a dedo, tinta com papel crepom \u2013 colocar o papel crepom na \u00e1gua ou no \u00e1lcool, o efeito \u00e9 parecido com a anilina \u2013, guache, plasticor e tinta de anilina.<\/p>\n<p><strong>Instrumentos para usar com os materiais aquosos:<\/strong> pinc\u00e9is e broxinhas de tamanhos variados, rolinhos de pintura de parede, esponja, escova de dente, paninhos para limpeza e potes para \u00e1gua (al\u00e9m do pr\u00f3prio dedo, naturalmente).<\/p>\n<div id=\"attachment_1160\" style=\"width: 287px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1160\" class=\"size-full wp-image-1160\" title=\"avisala_08_tempo15\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo15.jpg\" alt=\"\" width=\"277\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo15.jpg 277w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo15-218x300.jpg 218w\" sizes=\"auto, (max-width: 277px) 100vw, 277px\" \/><p id=\"caption-attachment-1160\" class=\"wp-caption-text\">Lucas, da 1a s\u00e9rie, escolhendo sucata para iniciar um trabalho.<\/p><\/div>\n<p><strong>Sucata (lixo limpo):<\/strong>garrafas pl\u00e1sticas, tampinhas, latas, embalagens (pequenas e grandes) de pl\u00e1stico, papel, papel\u00e3o, isopor, tocos de madeira etc.<\/p>\n<p><strong>Material para modelar:<\/strong> argila ou papel mach\u00ea (papel picado misturado<br \/>\ncom \u00e1gua e cola branca ou de farinha).<\/p>\n<h4>Organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o f\u00edsico<\/h4>\n<p>Considerar e planejar o lugar onde vai ocorrer uma atividade \u00e9 fundamental para que ela funcione bem. A oficina pode acontecer num ateli\u00ea ou na pr\u00f3pria sala de aula.<\/p>\n<p>Por tratar-se de uma atividade que n\u00e3o \u00e9 centralizada no professor, a organiza\u00e7\u00e3o dos materiais deve assegurar ao aluno independ\u00eancia e autogerenciamento do pr\u00f3prio trabalho. Os materiais precisam estar separados por tipos: materiais aquosos e tintas juntos, pap\u00e9is e papel\u00e3o no mesmo espa\u00e7o, cola, tesouras, fita crepe e durex organizados de maneira que fiquem pr\u00f3ximos e assim por diante. O mesmo deve ser feito com as sucatas. Dependendo da idade, os alunos podem ajudar na organiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 interessante que os materiais permane\u00e7am sempre no mesmo lugar, para assegurar a locomo\u00e7\u00e3o dos alunos no espa\u00e7o e o planejamento do que ir\u00e3o fazer.<\/p>\n<div id=\"attachment_1161\" style=\"width: 244px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1161\" class=\"size-full wp-image-1161 \" title=\"avisala_08_tempo17\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo17.jpg\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"148\" \/><p id=\"caption-attachment-1161\" class=\"wp-caption-text\">Espa\u00e7o organizado dentro da sala, pronto para receber as crian\u00e7as do Grupo 4 (5 a 6 anos).<\/p><\/div>\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o do tempo<\/strong><br \/>\nA crian\u00e7a poder\u00e1 fazer v\u00e1rios trabalhos numa mesma oficina ou, se preciso, usar v\u00e1rias oficinas para fazer um mesmo trabalho. O tempo de dura\u00e7\u00e3o da oficina varia conforme a idade das crian\u00e7as e seu envolvimento. Uma oficina para crian\u00e7as de 2 anos costuma durar 20 minutos, para os 6 anos, at\u00e9 1 hora.<\/p>\n<p>Na educa\u00e7\u00e3o infantil \u00e9 interessante propor de uma a duas oficinas por semana; j\u00e1 no ensino fundamental, no m\u00ednimo duas por m\u00eas, intercalando com momentos para desenvolver propostas trazidas pelo professor. Essa organiza\u00e7\u00e3o deve ser flex\u00edvel e se adaptar a cada realidade. Importante reservar um tempo no final da oficina para que os alunos arrumem e limpem todos os materiais e o espa\u00e7o onde trabalharam.<\/p>\n<p><strong>Aprecia\u00e7\u00e3o das produ\u00e7\u00f5es da oficina<\/strong><br \/>\nA sala de aula ou ateli\u00ea deve ter um espa\u00e7o reservado para expor imagens produzidas por adultos ou crian\u00e7as. Imagens art\u00edsticas \u2013 livros de arte, cat\u00e1logos de exposi\u00e7\u00e3o, revistas \u2013 tamb\u00e9m devem ficar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, pois observar bons modelos amplia a possibilidade de cria\u00e7\u00e3o de novas imagens.As crian\u00e7as costumam apenas olh\u00e1-las ou us\u00e1-las como inspira\u00e7\u00e3o para fazer seus trabalhos, observando-as para reproduzi-las ou transform\u00e1-las.<\/p>\n<p>Cabe ao professor promover a aprecia\u00e7\u00e3o dos trabalhos das crian\u00e7as, organizando o espa\u00e7o para que todas vejam o que foi produzido. \u00c9 importante fazer aprecia\u00e7\u00e3o dos trabalhos das crian\u00e7as, mesmo que ainda n\u00e3o estejam terminados, inclusive para discutir como termin\u00e1-los.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio repetir o procedimento em todas as oficinas, evitando que a atividade se torne burocr\u00e1tica e perca o significado. A aprecia\u00e7\u00e3o pode ser feita no come\u00e7o ou final da oficina, sempre indicando o processo dos alunos: como realizou o trabalho, que materiais usou, o que pretende fazer na pr\u00f3xima etapa. O professor tamb\u00e9m pode propor aos alunos que relacionem seus pr\u00f3prios trabalhos com os de outros produtores, artistas ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Interven\u00e7\u00f5es do professor<\/strong><br \/>\nO papel do professor \u00e9 de extrema import\u00e2ncia em todos os momentos da oficina. Ele n\u00e3o p\u00e1ra de avaliar, para saber intervir quando necess\u00e1rio,\u00a0 orientando seus alunos sobre como agir, dando ideias e ajuda.<\/p>\n<div id=\"attachment_1163\" style=\"width: 314px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1163\" class=\"size-full wp-image-1163\" title=\"avisala_08_tempo18\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo18.jpg\" alt=\"\" width=\"304\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo18.jpg 304w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_tempo18-300x184.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 304px) 100vw, 304px\" \/><p id=\"caption-attachment-1163\" class=\"wp-caption-text\">Aprecia\u00e7\u00e3o dos trabalhos: momento para trocar informa\u00e7\u00f5es e descobertas.<\/p><\/div>\n<p>Como esta \u00e9 uma atividade em que cada crian\u00e7a escolhe o que fazer, a professora precisa aqui, mais do que nunca, desenvolver um olhar atento para o grupo e ao mesmo tempo para o que cada crian\u00e7a est\u00e1 realizando: que materiais escolhe e combina, como faz, por que e para qu\u00ea faz, em quanto tempo faz e com quem faz. Desenvolvendo o olhar sobre a produ\u00e7\u00e3o dos alunos , a professora saber\u00e1 como intervir. Um exemplo: a professora observa que um aluno nunca desenvolve trabalhos sozinho, ent\u00e3o deve propor, em algum momento, que ele experimente faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Vale lembrar que, como as interven\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas acontecem para favorecer avan\u00e7os no processo de cria\u00e7\u00e3o dos alunos, \u00e9 preciso olhar e intervir durante o processo e n\u00e3o apenas nos resultados finais.<!--more--><\/p>\n<div id=\"attachment_1162\" style=\"width: 268px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1162\" class=\"size-full wp-image-1162\" title=\"avisala_08tempo17\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08tempo17.jpg\" alt=\"\" width=\"258\" height=\"175\" \/><p id=\"caption-attachment-1162\" class=\"wp-caption-text\">Giovana (7 anos), estudando sobre arte abstrata, recebeu a proposta de<br \/>transformar uma parte de seu desenho figurativo numa imagem abstrata.<\/p><\/div>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica:<\/h4>\n<p>Val\u00e9ria Pimentel, al\u00e9m de orientar o trabalho com artes na escola Verde, tamb\u00e9m desenvolve oficinas e propostas no ateli\u00ea &#8211; valeriapimentel@uol.com.br<br \/>\nEscola Verde que Te Quero Verde, Rua Pero Correia, 533, Itarar\u00e9, S\u00e3o Vicente, SP, 11320-140,Tel.: (13) 3468-9370. www.verde.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vemos hoje, no Brasil, pelo menos duas tend\u00eancias de ensino da arte que se apresentam quase sempre como opostas: ou bem os educadores levam \u00e0 sala apenas atividades propostas por eles, ou bem apostam nas surpresas da cria\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea das pr\u00f3prias crian\u00e7as. Nesta mat\u00e9ria, voc\u00ea vai conhecer uma experi\u00eancia que pode ajudar a equilibrar as duas pr\u00e1ticas. A introdu\u00e7\u00e3o da oficina de percurso possibilita uma autoria infantil mais elaborada e aut\u00f4noma. Por Valeria Pimentel<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":3152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[284,34],"tags":[1102,28,291,124,294,292,295,293],"class_list":{"0":"post-1149","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-08","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2001","10":"tag-arte","11":"tag-autonomia","12":"tag-criacao","13":"tag-educacao-infantil-2","14":"tag-ensino","15":"tag-liberdade","16":"tag-valeria-pimentel","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1149\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}