{"id":1132,"date":"2001-10-17T23:51:35","date_gmt":"2001-10-18T01:51:35","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=1132"},"modified":"2023-11-10T09:08:16","modified_gmt":"2023-11-10T12:08:16","slug":"comida-de-alma-uma-tradicao-de-cuidados-por-meio-da-alimentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/jeitos-de-cuidar\/comida-de-alma-uma-tradicao-de-cuidados-por-meio-da-alimentacao\/","title":{"rendered":"Comida de alma &#8211; Uma tradi\u00e7\u00e3o de cuidados por meio da alimenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h5>Sopas, ch\u00e1s, mingaus e outros que tais. Mais que alimentos, essas delicadas del\u00edcias s\u00e3o um verdadeiro banquete para a alma nos momentos de tristeza, saudade ou at\u00e9 mesmo de dor de cotovelo. Isso \u00e9 o que pensa a cronista e gourmet <a href=\"https:\/\/ninahorta.blogfolha.uol.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nina Horta<\/a> em seu livro N\u00e3o \u00e9 Sopa. Inspirados pela autora a equipe de operacionais da creche e pr\u00e9-escola Gota de Leite, em Santos, SP, resgatou suas pr\u00f3prias comidas da alma para editar um pequeno livro. Para falar sobre o assunto avisa l\u00e1 convidou a nutricionista Elza Corsi<sup>1<\/sup>, que orientou o grupo<\/h5>\n<p><!--more--><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1137\" title=\"avisala_08_jeitos3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_jeitos3.jpg\" alt=\"\" width=\"283\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_jeitos3.jpg 283w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_jeitos3-207x300.jpg 207w\" sizes=\"auto, (max-width: 283px) 100vw, 283px\" \/><\/p>\n<p>Para Elza Corsi, bi\u00f3loga, nutricionista, amante da boa cozinha e dedicada formadora, os cozinheiros, nas institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, fazem muito mais do apenas preparar alimentos: \u201cesses profissionais est\u00e3o ligados aos pap\u00e9is que a alimenta\u00e7\u00e3o exerce nas rela\u00e7\u00f5es humanas, pois \u00e9 certo que a alimenta\u00e7\u00e3o serve para nutrir mas tamb\u00e9m para intermediar rela\u00e7\u00f5es, tranq\u00fcilizar, festejar, celebrar, acolher etc.\u201d.<\/p>\n<p>Contudo, muitos dos profissionais que lidam com a alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia de seu papel. Por isso, \u00e9 importante que o processo de forma\u00e7\u00e3o garanta a constru\u00e7\u00e3o de uma identidade profissional que amplie e fortale\u00e7a sua atua\u00e7\u00e3o. Para tanto, Elza utiliza diversas estrat\u00e9gias. Uma delas \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o de cr\u00f4nicas sobre o assunto, como as de Nina Horta, autora de Comida de Alma, que est\u00e1 no livro N\u00e3o \u00e9 Sopa.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, Elza nos fala das rela\u00e7\u00f5es entre cultura, alimenta\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o e de como utiliza o texto de Nina no trabalho de forma\u00e7\u00e3o de cozinheiros de educa\u00e7\u00e3o infantil, em especial nos encontros com a equipe da Gota de Leite.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1:<\/strong> Como voc\u00ea v\u00ea o papel da alimenta\u00e7\u00e3o na vida das pessoas?<\/p>\n<div id=\"attachment_1138\" style=\"width: 100px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1138\" class=\"size-full wp-image-1138\" title=\"avisala_08_jeitoselza\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_jeitoselza.jpg\" alt=\"\" width=\"90\" height=\"121\" \/><p id=\"caption-attachment-1138\" class=\"wp-caption-text\">Elza Corsi, bi\u00f3loga, nutricionista e formadora<\/p><\/div>\n<p><strong>Elza:<\/strong> A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante para o ser humano. Comer \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o presente em toda sua vida, literalmente, do nascimento at\u00e9 a morte.<br \/>\nExiste a fun\u00e7\u00e3o de nutrir o corpo, propriamente falando, para que se garanta a sobreviv\u00eancia, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Muitas vezes nos alimentamos para nos relacionarmos com as pessoas. Pensamos num jantar para os amigos, numa ceia para a fam\u00edlia. Quando arrumamos um namorado novo, por exemplo, a primeira coisa que pensamos \u00e9: \u201cde que prato que ele gosta\u201d ou \u201ca que restaurante vou lev\u00e1-lo, que h\u00e1 uma comida boa?\u201d A comida traz consigo um sentido de aproxima\u00e7\u00e3o, abre espa\u00e7o para conversar mais tranq\u00fcilamente, para mostrar afetividade, compartilhar.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1:<\/strong> E a comida da alma,o que \u00e9?<\/p>\n<p><strong>Elza:<\/strong> \u00c9 a comida que a gente n\u00e3o precisa mastigar muito, que escorrega pela garganta, segundo a Nina Horta. \u00c9 \u00famida, quentinha, gostosa. Pode ser um ch\u00e1 com canela, uma sopinha de p\u00e3o com leite morno. \u00c9 uma comida que n\u00e3o foi obrigatoriamente feita para alimentar o corpo mas sim a alma, para amainar a tristeza, a dor de cotovelo, para consolar, apaziguar. \u00c9 a comida do consolo que precisamos quando ca\u00edmos e machucamos o joelho ou quando o namorado foi embora. O livro N\u00e3o \u00e9 Sopa da Nina Horta traz algumas receitas da alma que ela resgata da inf\u00e2ncia, aquelas que nos relacionam com nossas hist\u00f3rias e nos remetem \u00e0 mem\u00f3ria de algum momento em que fomos cuidados por algu\u00e9m que nos preparou um alimento especial.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1:<\/strong> A gente pede ou ganha a comida da alma?<\/p>\n<p><strong>Elza:<\/strong> No come\u00e7o a gente ganha de um adulto mais experiente que sabe cuidar, percebe nossas necessidades e vem consolar. Depois que a gente descobre o que \u00e9, rapidamente aprende a pedir. Eu, por exemplo, sempre fui cercada por mulheres que sabiam fazer comidas da alma. Minha av\u00f3 acordava bem cedinho, cinco horas da manh\u00e3, na fazenda, e ia para o curral buscar leite. Os netos dormiam num quarto que dava para o curral. Ela corria para l\u00e1 com um monte de copos e uma bandeja, tirava um monte de leite da vaca, com aquela espuma branquinha, voltava com os copos cheios e batia na janela.<\/p>\n<p>A gente levantava da cama e bebia o leite morninho, ali mesmo na janela. Depois voltava para a cama. Uma tia fazia fios de ovos. Cortava papelmanteiga e fazia bolinhos com os fios de ovos, como se fossem balas, e a gente ganhava no fim da tarde. A outra av\u00f3 servia uma sopinha pela manh\u00e3: pegava uma cumbuquinha, punha leite, p\u00e3o e canela. Era dada na cama,bem quentinha, no inverno. Era muito bom. Por isso, \u00e9 claro, a gente aprendia a pedir.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1:<\/strong> Como voc\u00ea usa o texto de Nina Horta na forma\u00e7\u00e3o das cozinheiras?<\/p>\n<p><strong>Elza:<\/strong> A cr\u00f4nica Comida de Alma \u00e9 um bel\u00edssimo gancho para come\u00e7ar a construir a identidade profissional, para trabalhar com a est\u00e9tica e cria\u00e7\u00e3o de receitas. Eu leio para as cozinheiras. \u00c9 impressionante a identifica\u00e7\u00e3o que elas demonstram. Rapidamente come\u00e7am a falar de suas mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia, hist\u00f3rias \u00e0s vezes tristes, outras divertidas, recursos e artimanhas que utilizavam, quando crian\u00e7as, para receber aten\u00e7\u00e3o e carinho.<\/p>\n<p>Depois de ler e conversar sobre a cr\u00f4nica de Nina Horta eu convido as cozinheiras a escrever suas receitas da alma. Em geral elas se tornam orgulhosas de seu trabalho, porque compreendem que cozinhar em uma institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 fazer comida. Sabem que t\u00eam um papel educacional na forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as que se alimentam por suas m\u00e3os no m\u00ednimo tr\u00eas vezes por dia. Passam a perceber as crian\u00e7as, a olhar para elas. Desenvolvem uma atitude mais carinhosa e se permitem fazer coisas que antes n\u00e3o faziam. Num dia de chuva, por exemplo, podem fazer bolinhos de chuva, para agradar. Quando algu\u00e9m est\u00e1 mais manhoso, podem dispor de um tempo para fazer um chazinho, sabendo que n\u00e3o vai alimentar o corpo e sim levar carinho e aten\u00e7\u00e3o, um jeito de cuidar.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1:<\/strong> Como surgiu Receitas da Alma em Santos?<\/p>\n<p><strong>Elza:<\/strong> Na Gota de Leite, as cozinheiras e as faxineiras est\u00e3o h\u00e1 dois anos vivendo um intenso processo de forma\u00e7\u00e3o profissional.A equipe faz reuni\u00f5es de planejamento de suas a\u00e7\u00f5es e encontros mensais para discutir e aprender mais sobre as especificidades de seu trabalho.<\/p>\n<p>O grupo leu a cr\u00f4nica Comidas da Alma, de Nina Horta, e durante alguns meses, com o apoio da diretora Marlene Remi\u00e3o e de uma atenta escriba (veja box), as pessoas levantaram as comidas que marcaram suas hist\u00f3rias, trazendo \u00e0 tona lembran\u00e7as de cuidados essenciais \u00e0 inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Ao final elas publicaram um livro, depois doado a oito institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o da cidade que compareceram ao semin\u00e1rio organizado na creche. \u201cO livro \u00e9 dedicado a todas as pessoas que trazem no cora\u00e7\u00e3o receitas para praticar o amor\u201d, dizem as autoras logo nas primeiras p\u00e1ginas. E ainda: \u201cs\u00e3o receitas elaboradas com dedica\u00e7\u00e3o &#8230;trazem hist\u00f3rias de pessoas especiais, transmitidas a voc\u00ea para que consigamos compartilhar a sensa\u00e7\u00e3o de estar alimentando n\u00e3o s\u00f3 o corpo, mas tamb\u00e9m a alma. Quando fizermos algumas das receitas contidas nesse livro, saberemos que se trata de muito mais que uma simples refei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h4>Quem \u00e9 Nina Horta &#8211;\u00a0 a escritora que regala o paladar<\/h4>\n<div id=\"attachment_1139\" style=\"width: 89px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1139\" class=\"size-full wp-image-1139\" title=\"avisala_08_jeitosnina\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_jeitosnina.jpg\" alt=\"Nina Horta\" width=\"79\" height=\"109\" \/><p id=\"caption-attachment-1139\" class=\"wp-caption-text\">Nina Horta<\/p><\/div>\n<p>Mineira de origem, Nina Horta chegou a S\u00e3o Paulo aos cinco anos e por aqui ficou. Formou-se em pedagogia, mas dedicou grande parte de sua carreira a estudar a arte culin\u00e1ria. O bom humor, a perspic\u00e1cia e a intelig\u00eancia com que Nina escrevia as cr\u00f4nicas para o jornal Folha de S\u00e3o Paulo conquistaram os leitores curiosos e amantes da culin\u00e1ria, sempre dispostos a folhear uma p\u00e1gina a mais para encontrar as del\u00edcias do sabor, da mem\u00f3ria, da arte e da hist\u00f3ria. \u201cOnde est\u00e3o as receitas de antanho, repetidas num sem-fim, perpetuadas atrav\u00e9s dos tempos como hist\u00f3rias infantis em que n\u00e3o se pode mudar uma v\u00edrgula? Onde aquele compromisso com o passado? A paz de crian\u00e7a dormindo, o conforto do conhecido, do maduro?\u201d, diz ela ao defender o bom livro de receitas tradicionais.<\/p>\n<p>Certamente podemos encontrar isso e muito mais nas p\u00e1ginas de seu livro N\u00e3o \u00e9 Sopa, da editora Cia. das Letras. Entremeadas de boa prosa, encontram-se receitas tradicionais, inventadas, copiadas ou oferecidas pelas leitoras e colaboradoras da boa mesa. Procurada pela avisa l\u00e1, Nina mostrou-se satisfeita com a repercuss\u00e3o de seu trabalho nas creches e diz estar animada e inspirada para escrever um novo livro. N\u00f3s, leitores fi\u00e9is, aguardamos ansiosos!<\/p>\n<h4>Central do Brasil na cozinha: alternativas para enfrentar a dificuldade de escrever<\/h4>\n<div id=\"attachment_1141\" style=\"width: 114px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1141\" class=\"size-full wp-image-1141\" title=\"avisala_08_jeitos4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_jeitos4.jpg\" alt=\"L\u00e9a Medeiros da Silva\" width=\"104\" height=\"138\" \/><p id=\"caption-attachment-1141\" class=\"wp-caption-text\">L\u00e9a Medeiros da Silva<\/p><\/div>\n<p>Escrever receitas da alma, acompanhadas de suas hist\u00f3rias, foi a tarefa que Elza deixou para a equipe operacional da Gota de Leite. Parecia interessante, por\u00e9m nada f\u00e1cil. Sabemos da dificuldade que muitas pessoas encontram ao lidar com a l\u00edngua escrita, sobretudo no caso de profissionais que, por diversos motivos, n\u00e3o tiveram durante os anos de escolaridade um contato mais \u00edntimo com a leitura e a escrita.<\/p>\n<p>A dificuldade de se expressar por escrito muitas vezes envergonha e impede que as pessoas registrem e socializem suas id\u00e9ias. Mas, em Santos, isso n\u00e3o foi empecilho. A exemplo de Dora \u2013 representada pela atriz Fernanda Montenegro no filme Central do Brasil, de Walter Salles \u2013, que se punha diariamente a escrever as cartas ditadas pelos nordestinos que mandavam not\u00edcias aos familiares distantes, L\u00e9a, da equipe operacional da creche, se p\u00f4s a registrar as hist\u00f3rias que ouvia de suas companheiras de trabalho nos corredores da Gota de Leite.<\/p>\n<p>Elogiada por uns e criticada por outros, ela se explica: \u201cest\u00e3o dizendo que eu \u00e9 que escrevi o livro, mas n\u00e3o foi, n\u00e3o! Eu s\u00f3 ouvi as hist\u00f3rias. Eu ia perguntando e depois escrevia tudo. Melhorava um pouco para escrever. Mas as hist\u00f3rias foram elas que me contaram.\u201d Gra\u00e7as \u00e0 escuta atenta de L\u00e9a e o registro, Ruth Maria, Domingas, Maremy, Maria, Maria do Carmo, Maria Jos\u00e9 dos Santos e Maria Jos\u00e9 Arruda puderam transmitir suas tradi\u00e7\u00f5es, levando adiante um conhecimento que servir\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s crian\u00e7as e ao seu grupo de trabalho, como tamb\u00e9m \u00e0s cozinheiras de oito creches que tamb\u00e9m poder\u00e3o, depois desta agrad\u00e1vel leitura, descobrir as mem\u00f3rias e os cuidados que est\u00e3o por tr\u00e1s das comidas da alma.<\/p>\n<p><strong><em>Mingau de Canela<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Quando eu estava meio adoentada ou um pouco triste, minha m\u00e3e fazia esse mingau. Eu me lembro que gostava tanto porque ela levava na cama e se preocupava perguntando se eu estava melhor, se queria mais. \u00c0s vezes eu pedia que ela fizesse, mas n\u00e3o era a mesma coisa se eu n\u00e3o estivesse doente.<\/p>\n<p><strong>Ingredientes:<\/strong><br \/>\n1 copo de leite<br \/>\n1 colher de maisena<br \/>\ncanela<br \/>\na\u00e7\u00facar a gosto<br \/>\nModo de preparar:<br \/>\nEngrossar no fogo, retirar, colocar no prato fundo e salpicar canela.<br \/>\n(Marlene Remi\u00e3o)<\/p>\n<p><strong><em>Salada de batatas com ovos<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Quando crian\u00e7a, lembro que minha m\u00e3e tinha uma cria\u00e7\u00e3o de galinhas e cada filho cuidava de uma em especial. Quando a galinha botava os ovos era uma briga, porque eu queria comer o ovo da minha galinha. A minha irm\u00e3 mais velha, que tomava conta de mim e dos meus irm\u00e3os, preparava uma salada de ovos, que era a minha favorita. Ent\u00e3o, quando eu chegava do col\u00e9gio, ia correndo ver se tinha a salada com ovos da minha galinha.<\/p>\n<p><strong>Ingredientes:<\/strong><br \/>\nBatatas<br \/>\novos<br \/>\nsal<br \/>\nModo de preparar:<br \/>\nDepois de cozidas, picar as batatas e misturar os ovos tamb\u00e9m cozidos e picados.Temperar com sal.<br \/>\n(Ruth Maria da Silva Santos)<\/p>\n<p><strong><em>Capim Cidrao<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Eu me chamo Maria Jos\u00e9 Arruda.Tenho 60 anos. Quando nasci, j\u00e1 vim carregando comigo sofrimento.Tivemos dificuldades financeiras, \u00e9ramos oito irm\u00e3os. Naquela \u00e9poca, n\u00f3s viv\u00edamos resfriados, ent\u00e3o mam\u00e3e come\u00e7ou a fazer esse ch\u00e1, que por sinal \u00e9 uma del\u00edcia. Hoje em dia, quando meus filhos e netos ficam resfriados, eu logo vou dando a eles o que eu aprendi com mam\u00e3e.Todas as vezes eu lembro da minha inf\u00e2ncia, dos meus irm\u00e3os e da minha m\u00e3e, principalmente. Na \u00e9poca de chuva ela tamb\u00e9m dava esse ch\u00e1 para n\u00f3s, para prevenir doen\u00e7as. Pois essa \u00e9 uma lembran\u00e7a que jamais se apagar\u00e1 em minha mente.<\/p>\n<p><strong>Ingredientes:<\/strong><br \/>\n6 folhas de Capim Cidr\u00e3o<br \/>\n1 copo de \u00e1gua<br \/>\n1 gema<br \/>\nA\u00e7\u00facar a gosto<br \/>\nModo de preparar:<br \/>\nLave bem as folhas. Depois, coloque-as em uma leiteira com 1 copo de \u00e1gua. Leve ao fogo para ferver. Depois de fervido, bata a gema do ovo, coloque no ch\u00e1 ainda quente e mexa para fazer a mistura. \u00c9 s\u00f3 beber.<br \/>\n(Maria Jos\u00e9 de Morais Arruda)<\/p>\n<div id=\"attachment_1140\" style=\"width: 198px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1140\" class=\"size-full wp-image-1140\" title=\"avisala_08_jeitos5\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_08_jeitos5.jpg\" alt=\"Bartolom\u00e9 Esteban Murillo (1618-1682) \u2022 Espanha \u2022 Livro G\u00eanios da Pintura \u2022 A Cozinha dos Anjos \u2013 detalhe.\" width=\"188\" height=\"274\" \/><p id=\"caption-attachment-1140\" class=\"wp-caption-text\">Bartolom\u00e9 Esteban Murillo (1618-1682) \u2022 Espanha \u2022 Livro G\u00eanios da Pintura \u2022<br \/>A Cozinha dos Anjos \u2013 detalhe.<\/p><\/div>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica:<\/h4>\n<p>Participaram do projeto proposto por Elza Corsi: Domingas V. de Andrade, Maremy Ortiz de O. Santos, Maria B. de Oliveira, Maria do Carmo de Jesus, Maria Jos\u00e9 dos Santos, Maria Jos\u00e9 Arruda e Ruth Maria da S. Santos, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Marlene Remi\u00e3o.Valdil\u00e9a Alves M. Silva escreveu e preparou os originais editados e diagramados por Carla Luizato.<br \/>\nGota de Leite.Av. Conselheiro N\u00e9bias, 388, Encruzilhada, Santos, SP, 11045-000. Tel.: (13) 3234-5933.<br \/>\nE-mail: gotadeleite@uol.com.br Contatos com Elza: elzacorsi@bol.com.br<\/p>\n<h4>Bibliografia:<\/h4>\n<ul>\n<li>N\u00e3o \u00e9 Sopa. Nina Horta. Ed. Cia. das Letras.Tel.: (11) 3846-0801<\/li>\n<\/ul>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inspirados pela autora Nina Horta, a equipe de operacionais da creche e pr\u00e9-escola Gota de Leite, em Santos, SP, resgatou suas pr\u00f3prias comidas da alma para editar um pequeno livro. Para falar sobre o assunto avisa l\u00e1 convidou a nutricionista Elza Corsi<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,284],"tags":[1102,290,288,286,285,289,287],"class_list":{"0":"post-1132","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-jeitos-de-cuidar","8":"category-revista-avisala-08","9":"tag-revista-avisa-la-2001","10":"tag-alimentacao","11":"tag-comida","12":"tag-elza-corsi","13":"tag-nina-horta","14":"tag-nutricionismo","15":"tag-receitas","17":"post-with-thumbnail","18":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1132"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1132\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16135,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1132\/revisions\/16135"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}