{"id":10870,"date":"2020-07-23T20:47:39","date_gmt":"2020-07-23T23:47:39","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=10870"},"modified":"2020-07-25T10:11:44","modified_gmt":"2020-07-25T13:11:44","slug":"reflexoes-sobre-o-ato-de-registrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/noticias\/reflexoes-sobre-o-ato-de-registrar\/","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es sobre o ato de registrar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Apontamentos das equipes formadoras dos CEIs. do CCJA*<\/strong><\/p>\n<p><em>A viagem n\u00e3o acaba nunca. S\u00f3 os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em mem\u00f3ria, em lembran\u00e7a, em narrativa. Quando o visitante se sentou na areia da praia e disse: \u201cN\u00e3o h\u00e1 mais que ver\u201d, sabia que n\u00e3o era assim. O fim duma viagem \u00e9 apenas o come\u00e7o doutra. \u00c9 preciso ver o que n\u00e3o foi visto, ver outra vez o que se viu j\u00e1, ver na Primavera o que se vira no Ver\u00e3o, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caia, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui n\u00e3o estava. \u00c9 preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para tra\u00e7ar caminhos novos ao lado deles. \u00c9 preciso recome\u00e7ar a viagem. Sempre.&nbsp; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Jos\u00e9 Saramago<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10871 aligncenter\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/barro-300x105.jpg\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"166\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/barro-300x105.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/barro-768x270.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/barro.jpg 805w\" sizes=\"auto, (max-width: 475px) 100vw, 475px\" \/><\/p>\n<p>No Encontro de Forma\u00e7\u00e3o, diante do desafio lan\u00e7ado com as frases da escritora Clarice Lispector, abaixo, as formadoras apontam reflex\u00f5es muito pertinentes e significativas, al\u00e9m de filos\u00f3ficas e po\u00e9ticas, que demonstram o quanto j\u00e1 trabalharam as quest\u00f5es relativas ao seu fazer profissional.<\/p>\n<p><strong><em>&#8220;\u00c9 que &#8216;quem sou eu&#8217;? Provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga \u00e9 incompleto&#8221;.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Diante desta frase, as formadoras fizeram analogias aos sonhos &#8211; \u00e9 ruim sonhar? Os desafios da profiss\u00e3o est\u00e3o tamb\u00e9m na busca, pois o incompleto \u00e9 um est\u00edmulo para continuar, move-nos, n\u00e3o nos paralisa.<\/p>\n<p>As pessoas mais felizes n\u00e3o s\u00e3o aquelas que t\u00eam as melhores coisas materiais, mas aquelas que sabem fazer as melhores coisas com as oportunidades que se apresentam. Mas essas oportunidades se apresentam quando temos clareza de que precisamos \u201cir em busca de\u201d, que somos seres incompletos.<\/p>\n<p>A imprevisibilidade \u00e9 um fato, tudo \u00e9 imprevis\u00edvel.<\/p>\n<p>Questionarmos a n\u00f3s mesmas j\u00e1 traz uma necessidade e a consci\u00eancia da incompletude nos leva a tentar encontrar significados. Na a\u00e7\u00e3o perguntamos: ser\u00e1 que estamos fazendo o suficiente? Estamos fazendo o novo acontecer?<\/p>\n<p>J\u00e1 diante da segunda frase da autora, surgem reflex\u00f5es mais pr\u00f3ximas \u00e0s quest\u00f5es da pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong><em>&#8220;N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil escrever. \u00c9 duro como quebrar rochas. Mas voam fa\u00edscas e lascas como a\u00e7os espelhados&#8221;.&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 preciso ter clareza sobre o que nos mobiliza no ato da leitura.<br \/>\nLer melhora a escuta. O que tenho feito para melhorar a escrita? E a dos professores?<br \/>\nEm primeiro lugar \u00e9 preciso escrever mais, compartilhar mais o escrito, apesar de ser dif\u00edcil registramos para algu\u00e9m. Como tornar o registro claro? O que ele revela?<br \/>\nN\u00e3o realizamos sozinhas os registros, h\u00e1 um movimento de s\u00ednteses e devolutivas. Nos registros devem aparecer as tentativas de aproxima\u00e7\u00e3o, v\u00ednculo, aproxima\u00e7\u00e3o crian\u00e7a\/crian\u00e7a, crian\u00e7a\/educador. H\u00e1 muitas formas de registrar.<br \/>\nTemos responsabilidade tamb\u00e9m pelo registro das professoras, pois, por meio das devolutivas impactamos suas vidas. Como o ato de registrar das professoras e os di\u00e1logos em torno de suas escritas, provocam mudan\u00e7as, engendram novos conhecimentos?<\/p>\n<p>O registro n\u00e3o \u00e9 algo individual, mas \u00e9 di\u00e1logo, \u00e9 compartilhamento e constr\u00f3i uma rede de significa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Recordando e complementando. Trechos da S\u00edntese do Encontro de 09\/10\/2019.<\/strong><\/p>\n<p>Para complementar essas reflex\u00f5es, pareceu-nos interessante retomar uma discuss\u00e3o sobre \u201cs\u00edntese\u201d realizada em um encontro de forma\u00e7\u00e3o anterior, mesmo sem uma sistematiza\u00e7\u00e3o, pois ela revela quest\u00f5es relativas \u00e0 escrita, que apoiam a forma\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento profissional.<\/p>\n<p>Para que serve a s\u00edntese, ent\u00e3o?<\/p>\n<ul>\n<li>documentar, refletir, valorizar os sentimentos<\/li>\n<li>referenciar a\u00e7\u00f5es formativas<\/li>\n<li>documentar conte\u00fados, registrar as falas; porque s\u00e3o importantes e ricos esses momentos.<\/li>\n<li>fazer uma liga\u00e7\u00e3o entre o passado e o presente, e ao fazer a leitura, lembrar-se das coisas, como uma mem\u00f3ria.<\/li>\n<li>para quem escreve h\u00e1 um processo reflexivo bastante grande; pensar, repensar em tudo o que aconteceu e estruturar a escrita.<\/li>\n<li>melhorar o nosso olhar para olharmos a s\u00edntese dos educadores, o que eles escrevem.<\/li>\n<li>no CEI, a s\u00edntese serve para situar a equipe sobre o que a dupla gestora est\u00e1 aprendendo nos encontros de forma\u00e7\u00e3o; \u00e9 uma forma de inclu\u00ed-las no processo de aprendizagem.<\/li>\n<li>os professores t\u00eam de ler, escrever e entender a import\u00e2ncia dessa escrita, porque s\u00f3 se faz quando se v\u00ea sentido.<\/li>\n<li>professores t\u00eam de entender que essa escrita n\u00e3o \u00e9 uma coisa a mais, que eles n\u00e3o v\u00e3o ter mais trabalho, mas que essa escrita facilitar\u00e1, aprimorar\u00e1 seu fazer, na verdade, de uma forma menos trabalhosa.<\/li>\n<li>a s\u00edntese tamb\u00e9m faz parte de um processo de documenta\u00e7\u00e3o do que vai ser arquivado ou vai para um portf\u00f3lio.<\/li>\n<li>pensar na palavra Documenta\u00e7\u00e3o; tem que se fazer uma reflex\u00e3o e n\u00e3o simplesmente ser um papel dado, ou melhor, h\u00e1 outros valores importantes al\u00e9m de documentar.<\/li>\n<li>\u00e9 preciso exercitar, fazer anota\u00e7\u00f5es, mas ainda h\u00e1 a dificuldade de organizar a escrita; todos, desde professores, diretores e coordenadores precisamos saber fazer essa organiza\u00e7\u00e3o. Esse exerc\u00edcio faz voc\u00ea refletir, escrever e escrever; na hora em que voc\u00ea vai organizar tem que repensar toda a estrutura.<\/li>\n<li>para Madalena Freire a s\u00edntese \u00e9 um processo de constitui\u00e7\u00e3o de grupo, pois \u00e9 um instrumento importante de como incluir o outro.<\/li>\n<\/ul>\n<p>E para finalizar e arrematar, nada melhor do que uma frase do Walter Benjamin&#8230;<\/p>\n<p><strong>\u201cAssim se imprime na narrativa a marca do narrador, como a m\u00e3o do oleiro na argila do vaso&#8221;!<\/strong><\/p>\n<p>\u00ad\u00ad\u00ad________________________________________________<\/p>\n<p>*Centros de Educa\u00e7\u00e3o Infantil do CCJA \u2013 Centro Comunit\u00e1rio Jardim Aut\u00f3dromo.<\/p>\n<p>Imagem: <a href=\"https:\/\/www.chamada.com.br\/assets\/images\/stories\/vaso-oleiro.jpg\">https:\/\/www.chamada.com.br\/assets\/images\/stories\/vaso-oleiro.jpg<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apontamentos das equipes formadoras dos CEIs. do CCJA* A viagem n\u00e3o acaba nunca. 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