{"id":10737,"date":"2020-07-16T12:33:52","date_gmt":"2020-07-16T15:33:52","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=10737"},"modified":"2020-07-16T12:39:20","modified_gmt":"2020-07-16T15:39:20","slug":"10737","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/noticias\/10737\/","title":{"rendered":"Breve relato das mem\u00f3rias de minhas indescrit\u00edveis experi\u00eancias de inf\u00e2ncia."},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-10738\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_20191109_114410587_HDR-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_20191109_114410587_HDR-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_20191109_114410587_HDR-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_20191109_114410587_HDR-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_20191109_114410587_HDR-1-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/IMG_20191109_114410587_HDR-1-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Minha alma de crian\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Em meados de 1996 uma menina de cinco anos estava prestes a viver sua primeira experi\u00eancia com a escola. Em sua mente tinha criado um universo de expectativas, regadas com um pouquinho de ansiedade.<br \/>\nTodas as suas expectativas foram superadas, ela encontrou um mundo m\u00e1gico, fant\u00e1stico, parecia um para\u00edso paralelo \u00e0 realidade, o Centro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil Jardim Shangri-l\u00e1 N\u00facleo III.<br \/>\nA creche situada na regi\u00e3o do extremo sul de S\u00e3o Paulo, em uma \u00e1rea rica em fauna e flora, tornava-se um lugar de descobertas, imagina\u00e7\u00e3o e aprendizagem.<br \/>\nNo trajeto at\u00e9 a escola, no per\u00edodo da manh\u00e3, era poss\u00edvel ouvir o canto dos p\u00e1ssaros, observ\u00e1-los voando de um lado para o outro, o vento balan\u00e7ando as \u00e1rvores era como uma melodia orquestral com um encontro de encanto de bal\u00e9 cl\u00e1ssico, extremamente sincronizado.<br \/>\nCada movimento no ch\u00e3o, na terra, no c\u00e9u, no ar, era captado e guardado na mem\u00f3ria afetiva daquela menininha.<br \/>\nOs gravetos no ch\u00e3o, na m\u00e1gica da imagina\u00e7\u00e3o, tornavam-se varinhas de cond\u00e3o, espadas que matavam drag\u00e3o. As pedras do caminho eram chutadas, algumas guardadas e apreciadas, outras separadas para jogar \u201cCinco Marias\u201d.<\/p>\n<p>Quando finalmente chegava \u00e0 creche, sua mente, sua alma, seus sentidos estavam t\u00e3o estimulados que o port\u00e3o de entrada parecia um portal, \u00e2mbito de uma perspectiva de infinito particular.<br \/>\nAo ultrapassar o portal m\u00e1gico, conhecido como port\u00e3o na linguagem dos adultos, a primeira vis\u00e3o \u00e9 a quadra, uma quadra imensa na vis\u00e3o de uma crian\u00e7a.<br \/>\nApesar de seu encantamento com este primeiro espa\u00e7o, ela ainda descobriria outros ambientes ainda mais fascinantes.<br \/>\nSeus olhinhos brilhavam, o cora\u00e7\u00e3o acelerava ao avistar uma casinha de madeira em meio a um gramado. Tendo pai marceneiro, seu contato com madeira era rotineiro, aquela casa de madeira era um objeto subjetivo e afetivo de representatividade familiar.<\/p>\n<p>Enfim, ela subiu umas escadas e chegou a sua sala de aula. O cheiro daquele lugar era muito especial, o aroma das \u00e1rvores, da grama, da massinha, do \u00e1lcool do mime\u00f3grafo. Acredito que esta mem\u00f3ria olfativa, arom\u00e1tica, s\u00f3 conseguir\u00e1 compreender aquele que visitar o ambiente educativo.<br \/>\nMuitas atividades eram desenvolvidas ali, est\u00edmulos para desenvolver e aprimorar diversas habilidades. Algumas propostas marcantes eram a oportunidade de manusear e explorar tintas; o contato, o brincar com a terra e poder cuidar da horta, regar, acompanhar o crescimento e colher, isso \u00e9 uma marca indescrit\u00edvel.<br \/>\nUm belo dia de sol, \u00e0 tarde, a professora sugeriu que as crian\u00e7as colhessem os lim\u00f5es e entregasse para a cozinheira, ela faria uma deliciosa limonada para compor o lanchinho da tarde.<br \/>\nO processo foi realizado por todas as crian\u00e7as do grupo. O cheirinho de fruta rec\u00e9m- colhida invadia toda a creche. Aquele momento tinha sido incr\u00edvel, mas estava apenas come\u00e7ando. A cozinheira preparou a limonada na frente dos pequeninos colhedores, ensinando passo-a-passo. Aquela atividade foi finalizada com todos tomando o melhor suco de lim\u00e3o do mundo.<br \/>\nFalando em alimenta\u00e7\u00e3o, o refeit\u00f3rio era planejado com m\u00f3veis estruturados para a altura das crian\u00e7as, naquele lugar cada crian\u00e7a podia se servir, colocar a quantidade de comida que desejasse comer; eram estimuladas a provar todos os alimentos, mas a quantidade eles que estipulavam. Ter este poder de decis\u00e3o e autonomia, marca qualquer inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>As festas eram os momentos mais aguardados. A creche ganhava uma nova roupagem, atividades coloridas espalhadas por todos os lados, inclusive nas \u00e1rvores, tudo fruto de um processo criativo das crian\u00e7as. As digitais delas estavam presentes por todos os lados, suas marcas e registros intensificando uma identidade pessoal e coletiva. As m\u00fasicas, os presentes que ganhavam, os brinquedos novos tudo isso alegrava a alma.<br \/>\nNo final do ano, a visita do Papai Noel era um encontro \u00e9pico na fantasia e realidade, ele era real! Personificado na frente de todos. Tirar uma foto era o objetivo das crian\u00e7as e dos familiares, al\u00e9m de descobrir o que tinha em seu grande saco de presentes.<\/p>\n<p>Aquela menininha de cinco anos de idade cresceu amando a natureza, respeitando-a, adorando aprender e apreender conhecimentos, ficou apenas seis meses na creche, saiu de l\u00e1 lendo, apesar de n\u00e3o ser este o objetivo daquela fase. Compreender o processo de leitura foi apenas consequ\u00eancia de todos os est\u00edmulos que recebeu. Tornou-se amante da leitura, sua forma de viajar sem sair do lugar.<\/p>\n<p>A menina cresceu, floresceu, gerou fruto. Hoje \u00e9 m\u00e3e de uma beb\u00ea de um aninho de idade que est\u00e1 tendo a oportunidade de visitar o infinito particular da tenra inf\u00e2ncia da mam\u00e3e.<br \/>\nRebeca Medeiros de Carvalho tem a honra de ser matriculada no Centro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil Jardim Shangri-l\u00e1 N\u00facleo III.<\/p>\n<p>A menininha desta hist\u00f3ria que hoje \u00e9 uma mulher tornou-se professora de Educa\u00e7\u00e3o Infantil da Rede Municipal de S\u00e3o Paulo, influenciada pelo per\u00edodo m\u00e1gico que viveu em sua inf\u00e2ncia, durante sua trajet\u00f3ria de descobertas em seus primeiros contatos com a escola.<br \/>\nAcredita que a Educa\u00e7\u00e3o Infantil possui o fio condutor de transforma\u00e7\u00e3o do mundo. N\u00e3o duvida da capacidade autoral de nenhuma crian\u00e7a e acredita dogmaticamente no poder infantil de reescrever hist\u00f3rias e mudar cen\u00e1rios sociais.<\/p>\n<p>Minha alma de crian\u00e7a, em corpo de mulher, deposita com const\u00e2ncia esperan\u00e7a e f\u00e9 nas virtudes das crian\u00e7as o desejo de ser quem elas quiserem.<\/p>\n<p><strong><em>Daniele Barbosa Medeiros de Carvalho.<br \/>\n<\/em><\/strong><strong><em>Mam\u00e3e de: Rebeca Medeiros de Carvalho \u2013 Matriculada no Ber\u00e7\u00e1rio I C<br \/>\n<\/em><\/strong><strong><em>S\u00e3o Paulo, 08 de julho de 2020.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Imagem: Foto da \u00e1rea externa do CEI Jardim Shangri-l\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Minha alma de crian\u00e7a Em meados de 1996 uma menina de cinco anos estava prestes a viver sua primeira experi\u00eancia com a escola. Em sua mente tinha criado um universo de expectativas, regadas com um pouquinho de ansiedade. 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