{"id":1048,"date":"2001-07-06T22:27:32","date_gmt":"2001-07-07T01:27:32","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=1048"},"modified":"2023-03-27T11:38:49","modified_gmt":"2023-03-27T14:38:49","slug":"quem-conhece-pode-escolher-melhor-a-importancia-de-bons-livros-para-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/quem-conhece-pode-escolher-melhor-a-importancia-de-bons-livros-para-criancas\/","title":{"rendered":"Quem conhece pode escolher melhor &#8211; A import\u00e2ncia de bons livros para crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<h5>Como levar os educadores a escolherem bons livros para suas crian\u00e7as? Comecei o trabalho compartilhando com as professoras de uma institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o infantil do Rio de Janeiro um texto de que gosto muito. Arrebatadas pelo poder de Malika e outras hist\u00f3rias, elas iam se dando conta da import\u00e2ncia da diversidade e qualidade dos textos. Essa experi\u00eancia contribuiu para que pudessem selecionar melhores livros para as crian\u00e7as<\/h5>\n<div id=\"attachment_1051\" style=\"width: 333px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1051\" class=\"size-full wp-image-1051\" title=\"reflexoes21\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/reflexoes21.jpg\" alt=\"As ilustra\u00e7\u00f5es desta mat\u00e9ria s\u00e3o obras da artista Beatriz Milhazes. 1001 Noites \u00e0s Luz do Dia, Katia Canton. Ed. Difus\u00e3o Cultural\" width=\"323\" height=\"167\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/reflexoes21.jpg 323w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/reflexoes21-300x155.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 323px) 100vw, 323px\" \/><p id=\"caption-attachment-1051\" class=\"wp-caption-text\">As ilustra\u00e7\u00f5es desta mat\u00e9ria s\u00e3o obras da artista Beatriz Milhazes. 1001<br \/>Noites \u00e0s Luz do Dia, Katia Canton. Ed. Difus\u00e3o Cultural<\/p><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Iniciei o encontro de forma\u00e7\u00e3o fazendo com as professoras o que mais gosto e acho importante. Levei para ler Eu, Malika Ofkir, prisioneira do rei, de Malika Ofkir e Mich\u00e8le Fitoussi. \u00c9 um livro autobiogr\u00e1fico em que Malika conta sua ins\u00f3lita aventura de nascer e viver no Marrocos: membro da elite militar, filha adotiva do rei Mohamed V e depois prisioneira do rei Hassan II, junto com sua m\u00e3e e cinco irm\u00e3os, por mais de vinte anos. Falei sobre o livro, minhas impress\u00f5es e o forte impacto que me causou. Depois li um trecho que selecionei para a ocasi\u00e3o: Malika conta sobre os onze anos<br \/>\nconsecutivos em que, durante todas as noites, contou hist\u00f3rias a seus irm\u00e3os, sua m\u00e3e e uma empregada que os acompanhou na pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto lia, via um interesse e uma emo\u00e7\u00e3o nos olhos e nas express\u00f5es que me deram a certeza de que a porta de entrada para a valoriza\u00e7\u00e3o do prazer de ler na forma\u00e7\u00e3o de leitores \u00e9 essa mesma: a pr\u00f3pria leitura. No final, falamos brevemente sobre o que a leitura havia desencadeado em n\u00f3s e sobre o quanto aquela refer\u00eancia comum, agora posta entre n\u00f3s, nos ligaria sempre e poderia ser invocada a qualquer tempo em que nos encontr\u00e1ssemos, porque fora compartilhada.<\/p>\n<p><strong>O segr<\/strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-1052\" title=\"avisala_07_reflexoes23\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_07_reflexoes23.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"147\" \/><strong>edo da forma\u00e7\u00e3o de leitores <\/strong><br \/>\nTerminada a leitura, chamei a aten\u00e7\u00e3o sobre os passos que havia seguido: a apresenta\u00e7\u00e3o, sele\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9vias do trecho lido, os motivos explicitados, a considera\u00e7\u00e3o do leitor, o incentivo aos coment\u00e1rios posteriores e o clima criado, destacando-os como intencionais, planejados, n\u00e3o acontecidos ao acaso. Essas s\u00e3o as orienta\u00e7\u00f5es para o trabalho com leitura pelo professor. Esse o lugar e a forma da leitura na escola, especialmente na educa\u00e7\u00e3o infantil. Inten\u00e7\u00f5es claras e etapas bem definidas a cumprir, num clima de respeito e intera\u00e7\u00e3o com o texto e o leitor.<\/p>\n<p>O que tem que acontecer para isso? Eu, professora, tamb\u00e9m preciso achar o texto interessante ou ter um motivo relevante para traz\u00ea-lo para as crian\u00e7as. Cada texto escolhido, cada leitura feita, cada sess\u00e3o de coment\u00e1rios, cada realidade criada, convergem para a forma\u00e7\u00e3o de leitores atentos, curiosos, interessados e interessantes. Essa \u00e9 nossa meta, nosso contrato maior: capturar os leitores para o prazer e a import\u00e2ncia de ler.<\/p>\n<p>Falando em contrato, propus trabalharmos para a dinamiza\u00e7\u00e3o e o enriquecimento das atividades de leitura realizadas na institui\u00e7\u00e3o. Isso implicaria em a\u00e7\u00f5es para ampliar e diversificar o acervo de livros e a\u00e7\u00f5es planejadas junto \u00e0s crian\u00e7as com objetivos bem definidos e estrat\u00e9gias pensadas para tal. Nosso trabalho durante o processo de forma\u00e7\u00e3o<sup>1<\/sup> foi conhecer e criar boas atividades para formar falantes, leitores e escritores competentes. Elas vibraram e acharam aquela tarefa muito importante e, ao menos ao ouvi-la como enunciado, comprometeram-se com ela. Gostaram da id\u00e9ia de que conhecer e dominar a l\u00edngua \u00e9 saber us\u00e1-la, produzir e compreender textos e temas como falante, leitor ou escritor, em<br \/>\ndiferentes situa\u00e7\u00f5es, com diversos fins e m\u00faltiplos interlocutores.<br \/>\nEnquanto eu falava sobre a leitura, uma das professoras disse:<\/p>\n<p>\u2013 Mas tamb\u00e9m, voc\u00ea escolhe cada livro! \u2013 como que dizendo \u201cassim \u00e9 f\u00e1cil\u201d.<br \/>\n\u2013 Esse segredo \u00e9 exatamente o nosso trabalho \u2013 respondi, sorrindo \u2013<br \/>\nEscolher cada texto!<\/p>\n<p>Exatamente esse foi o pr\u00f3ximo passo para aquele dia: pensar sobre os<br \/>\nlivros a serem escolhidos para ler. H\u00e1 livros e livros: quais v\u00e3o para as crian\u00e7as? Pedi \u00e0s professoras que levassem para a reuni\u00e3o os livros que haviam lido para as crian\u00e7as nas \u00faltimas duas semanas, aqueles que sempre l\u00eaem. Foi o melhor que podia ter feito. Foi uma excelente situa\u00e7\u00e3o para podermos comentar e discutir a qualidade dos livros. Observei que todas tinham separado pilhas de livros o que demonstrou o envolvimento com a leitura e a import\u00e2ncia de investir nessas atividades em sala de aula.<\/p>\n<p>As professoras do ber\u00e7\u00e1rio II mostraram livros de pequenas hist\u00f3rias com uma s\u00e9rie de imagens com legendas.Trata-se de um conjunto que, a rigor, n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria, embora sejam chamados \u201clivros de hist\u00f3rias\u201d.Tamb\u00e9m separaram v\u00e1rios de pl\u00e1stico. Perguntei se os liam.<\/p>\n<p>\u2013 Sim, e as crian\u00e7as gostam muito, apontam as figuras, gostam muito de imagens.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade. As crian\u00e7as gostam muito de imagens. Ent\u00e3o pedi que as<br \/>\nmostrassem. Conjuntos de animais, frutas, objetos de higiene, pessoas, figuras geom\u00e9tricas, cada p\u00e1gina com uma figura.Atendendo \u00e0 id\u00e9ia de ser \u201ceducativo\u201d, havia uma etiqueta embaixo dizendo sabonete, esponja etc. Eu tamb\u00e9m havia levado a minha pilha de livros.Tirei da minha malinha Zuza e Arquimedes da Eva Furnari. Mostrei a capa e fui folheando, pedindo que elas descrevessem o que viam.<\/p>\n<p>Uma arca, um homem olhando:<br \/>\nComo sabem que ele est\u00e1 olhando? \u2013 perguntei.<br \/>\n\u2013 Ah, o jeito, o lado para onde a cabe\u00e7a est\u00e1 virada \u2013 algu\u00e9m respondeu.<\/p>\n<p>O homem pr\u00f3ximo da arca, a arca aberta com um monstro e ele assustado &#8230;<br \/>\n\u2013 Como sabem que est\u00e1 apavorado? O cabelo e o corpo para tr\u00e1s, quase levantando do ch\u00e3o, como que encostando em algo, os olhos esbugalhados\u2026 \u2013 e assim fomos.<\/p>\n<p>O monstro sem m\u00e1scara. S\u00e3o duas crian\u00e7as. Quem ser\u00e3o? Elas riem. Nova<br \/>\ncena. Uma mulher e a arca. A arca se abre, ela se assusta, corre, as crian\u00e7as riem. Nova cena. Epa! Um monstro aproxima-se! As crian\u00e7as-monstro saem da arca e \u2026 todos se assustam. As crian\u00e7as fogem, o monstro entra na arca, a mulher e o homem chegam dentro de um outro bich\u00e3o, novamente assustam-se todos. As crian\u00e7as do livro riem e riem. E as professoras, mais ainda. Adoraram e quiseram, como as crian\u00e7as, ver novamente. \u00d3timo! Que maravilha! Gostaram? Ent\u00e3o peguei o livro de pl\u00e1stico e disse:<\/p>\n<p>\u2013 Agora vamos ver esse.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o, n\u00e3o \u2013 responderam, entendendo tudo.<br \/>\n\u2013 Por que? \u2013 perguntei.<br \/>\n\u2013 \u00c9 muito sem gra\u00e7a \u2013 uma delas respondeu.<br \/>\n\u2013 E por que os lemos? \u2013 retornei.<br \/>\n\u2013 Porque s\u00e3o para crian\u00e7as \u2013 respondeu-me a outra.<br \/>\n\u2013 S\u00e3o educativos \u2013 algu\u00e9m completou.<br \/>\n\u2013 Hum &#8230; \u2013 disse eu, continuando nossa conversa. \u2013 Ent\u00e3o quem escreveu pensou em ensinar. O que queria ensinar? As formas geom\u00e9tricas, as cores, os h\u00e1bitos de higiene. E como? Uma coisa por vez, tudo bem separado para a crian\u00e7a poder ver bem e repetir. E \u00e9 assim que as coisas se apresentam no mundo? \u00c9 assim que as crian\u00e7as pequenas aprendem? Voc\u00eas, todos os dias com os beb\u00eas, acham que elas olham, escutam, pensam uma coisa por vez? Claro que n\u00e3o, eles v\u00eaem tudo ao mesmo tempo!<\/p>\n<p>E assim fomos refletindo o que se pensa sobre crian\u00e7a, sobre ensinar e sobre ler.<\/p>\n<p>\u2013 Acham que as crian\u00e7as podem entender e gostar de livros diferentes dos que eu trouxe? Ent\u00e3o por que n\u00e3o l\u00eaem esse tipo de livro?<br \/>\n\u2013 Porque n\u00e3o conhecemos \u2013 disse uma professora. Chegamos, ent\u00e3o, a um outro ponto importante: conhecer diferentes livros. Conhecer e ter, algu\u00e9m acrescentou.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-1053\" title=\"avisala_07_reflexoes24\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_07_reflexoes24.jpg\" alt=\"\" width=\"110\" height=\"110\" \/>Quem conhece pode escolher<\/strong><br \/>\nCom os livros na m\u00e3o, fomos ainda discutindo como poder\u00edamos lev\u00e1-los \u00e0s crian\u00e7as, que cuidados dever\u00edamos ter, j\u00e1 que est\u00e3o acostumadas a puxar, morder e amassar os de pl\u00e1stico. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais para ter esses livros? N\u00e3o, nada disso. \u00c9 preciso ter o maior n\u00famero e a maior variedade poss\u00edveis.<\/p>\n<p>\u2013 Mas na hora da hist\u00f3ria vou ler esse \u2013 disse Nancy, apontando para o da Eva Furnari.<br \/>\n\u2013 Isso! Voc\u00ea acabou de falar algo muito importante para a segunda parte do nosso trabalho de hoje \u2013 disse eu, pedindo a Nancy que anotasse o que havia dito porque era uma orienta\u00e7\u00e3o did\u00e1tica important\u00edssima para o trabalho com hist\u00f3rias \u2013 selecionar previamente os textos. Selecionar. N\u00e3o se trata de censurar, proibir, coisas do g\u00eanero. Trata-se de escolher aqueles que ser\u00e3o objeto de maior aten\u00e7\u00e3o, de a\u00e7\u00f5es planejadas, seq\u00fcenciadas, intencionais, com objetivo definido. Al\u00e9m do mais, precisamos ter e conhecer diferentes livros para que possamos promover discuss\u00f5es, criticar nosso acervo, como fizemos juntas. Quem conhece, escolhe. Quem n\u00e3o conhece, \u00e9 escolhido pelo livro.<\/p>\n<p>Nesse tom, continuamos.As professoras do maternal, que estavam trabalhando o tema dos animais, haviam levado primeiramente alguns livros sobre o assunto. Outra vers\u00e3o dos de pl\u00e1stico. Um deles apresentava uma ovelha humanizada que contava como elas nascem, crescem, t\u00eam o pelo cortado e se transformam em l\u00e3. Tudo muito empobrecido.<\/p>\n<p>Comentei o livro apontando os mesmos elementos do livro de pl\u00e1stico.As mesmas id\u00e9ias, as mesmas concep\u00e7\u00f5es, o mesmo pressuposto de que a leitura \u00e9 instrumental, n\u00e3o tem um fim em si mesma. Para tornar isso mais evidente, eu o li com uma voz meio melosa e \u201ceducativa\u201d. Elas morreram de rir, repetindo que era muito bobo.<\/p>\n<p>Para continuar, pedi a Lena, uma das professoras, que lesse um trecho do livro Branca de Neve em vers\u00e3o condensada que havia na institui\u00e7\u00e3o. Algo como:<br \/>\n\u2013 Havia uma menina chamada Branca de Neve que tinha uma madrasta muito m\u00e1 que todos os dias se olhava no espelho e perguntava: espelho, espelho meu, existe algu\u00e9m mais bonita do que eu? \u2013 e pronto.<\/p>\n<p>Li em seguida Branca de Neve e outros contos de Grimm, com sele\u00e7\u00e3o e<br \/>\nadapta\u00e7\u00e3o de Ana Maria Machado:<br \/>\n\u2013 \u201cH\u00e1 muito e muito tempo, bem no meio do inverno, quando os flocos de neve ca\u00edam do c\u00e9u leves como plumas, uma rainha estava sentada costurando junto a uma janela com esquadrias de \u00e9bano. Costurava distra\u00edda, olhando os flocos de neve que ca\u00edam l\u00e1 fora e, por isso, espetou o dedo com a agulha e tr\u00eas gotas de sangue ca\u00edram na neve. Aquele vermelho em cima do branco \u2026\u201d<br \/>\n\u2013 Nossa! Que lindo! Que diferente! Olha, esse livro conta por que ela se chama Branca de Neve! \u2013 disse uma pessoa do grupo.<br \/>\nA partir da\u00ed, o grupo fez o trabalho quase que sozinho. Comparamos diferentes vers\u00f5es de Os tr\u00eas Porquinhos e outros. Foi s\u00f3 encantamento.<\/p>\n<p>As professoras do Jardim I, II e III diziam que os seus alunos tamb\u00e9m n\u00e3o conheciam essas vers\u00f5es. Como fazer para que as apreciassem? Ler direto a vers\u00e3o mais longa e complexa? Contar em um dia e ler em um outro? Ler a mais simples e depois a mais complexa? Existem muitas maneiras. O importante \u00e9 que as crian\u00e7as t\u00eam que conhecer todos esses textos.<\/p>\n<p><strong>Combinados para garantir uma boa leitura na escola<\/strong><br \/>\nE a biblioteca, como melhorar seu acervo? Sugeri uma campanha de livros entre os pais e amigos. No pr\u00f3ximo encontro todas levar\u00edamos ao menos um livro como contribui\u00e7\u00e3o para a biblioteca. N\u00e3o importava se novo ou usado, todas n\u00f3s \u00edamos ampliar as escolhas para educadoras e crian\u00e7as. Animadas, as professoras foram listando tudo o que deveria haver na biblioteca: poesias, brincadeiras cantadas, rimas, de hist\u00f3rias etc. Para terminar, exibi em v\u00eddeo cenas de crian\u00e7as de 2 anos folheando livros, de um trio de crian\u00e7as em que uma delas \u201cl\u00ea\u201d para as outras duas. Uma outra cena em que uma crian\u00e7a \u201cl\u00ea\u201d, folheando as p\u00e1ginas delicadamente e acompanhando com o dedinho a hist\u00f3ria que conta. Elas acharam que aquilo n\u00e3o era poss\u00edvel. Se n\u00e3o vissem, n\u00e3o acreditariam. Como tornar poss\u00edvel? O que o professor deve fazer? Fomos discutindo e pontuando a diferen\u00e7a entre desenvolvimento e aprendizagem.Aquelas crian\u00e7as do v\u00eddeo aprenderam a folhear os livros, a manuse\u00e1-los cuidadosamente, a deleitar-se com seu conte\u00fado etc.<\/p>\n<p>Aprenderam porque um professor ensinou. Como se ensina? O que o professor deve considerar ao planejar o trabalho com leitura de hist\u00f3rias? Vimos que ningu\u00e9m sabia que tudo isso era t\u00e3o importante. Agora que sabemos, o que o professor deve fazer? As professoras ent\u00e3o foram ditando \u2013 e eu pondo na lousa \u2013 uma lista de orienta\u00e7\u00f5es para trabalhar hist\u00f3rias (veja abaixo). N\u00e3o s\u00e3o lindas essas professoras? Avalia\u00e7\u00e3o do encontro: o que aprenderam? A selecionar livros a ter olhar mais cr\u00edtico, gosto pela leitura, a conhecer e se organizar antes, a import\u00e2ncia da atitude do educador, sua postura, a manter o interesse e a aten\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, a respeitar seus limites, a ter objetivos claros e a saber a import\u00e2ncia de trabalhar desde sempre com os pequenos.Achei que valeu o meu dia, a minha semana, antes e depois, tudo.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>O projeto de forma\u00e7\u00e3o nessa institui\u00e7\u00e3o tem a dura\u00e7\u00e3o de 2 anos, com encontros mensais de 4 horas com todas as professoras,<br \/>\nal\u00e9m de outras tarefas deixadas para o m\u00eas.<\/p>\n<p>(Virg\u00ednia Gastaldi, Coordenadora pedag\u00f3gica da Escola Logos \u2013 educa\u00e7\u00e3o infantil e formadora do Instituto Avisa l\u00e1.)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1054\" title=\"avisala_07_reflexoes22\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_07_reflexoes22.jpg\" alt=\"\" width=\"461\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_07_reflexoes22.jpg 461w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/avisala_07_reflexoes22-300x172.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 461px) 100vw, 461px\" \/><\/p>\n<p><strong><em>Primeiros resultados do encontro de forma\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p>As professoras dos ber\u00e7\u00e1rios I contaram que passaram a escolher os livros com mais cuidado. Observaram que as crian\u00e7as gostaram muito de rimas, por isso leram \u201cRimas Infantis\u201d, um livro que tem legendas rimadas para imagens de crian\u00e7as, com figuras de bola, animais etc. Disseram que as crian\u00e7as, estavam mais familiarizadas com os atos de<br \/>\nleitura e que gostaram muito desses momentos. Elas tamb\u00e9m se sentiram<br \/>\nmais animadas para faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p><strong><em>Orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas para a leitura de hist\u00f3rias<\/em><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Conhecer o texto e prepar\u00e1-lo com anteced\u00eancia.<\/li>\n<li>Criar sistem\u00e1tica de leitura na rotina di\u00e1ria.<\/li>\n<li>Considerar o conhecimento pr\u00e9vio das crian\u00e7as.<\/li>\n<li>Planejar em seq\u00fc\u00eancia, em ordem crescente de desafios.<\/li>\n<li>Adequar o tempo e o tipo de leitura \u00e0 condi\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a.<\/li>\n<li>Diversificar t\u00edtulos e vers\u00f5es.<\/li>\n<li>Ampliar o repert\u00f3rio de hist\u00f3rias conhecidas pelas crian\u00e7as.<\/li>\n<li>Criar ambiente agrad\u00e1vel e aconchegante.<\/li>\n<li>Ter atitude cuidadosa de quem l\u00ea para o outro e \u00e9 refer\u00eancia como leitor.<\/li>\n<li>Explicitar suas prefer\u00eancias.<\/li>\n<li>Explicitar o motivo da leitura.<\/li>\n<li>Preocupar-se com a qualidade liter\u00e1ria e n\u00e3o com o conte\u00fado moral.<\/li>\n<li>Garantir na rotina contato com livros de tipos e g\u00eaneros variados, para a forma\u00e7\u00e3o de leitor cr\u00edtico.<\/li>\n<li>Fazer seq\u00fc\u00eancia de planejamento ou projetos envolvendo leitura.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica:<\/h4>\n<p>Esta atividade faz parte do projeto de forma\u00e7\u00e3o realizado por<br \/>\nVirg\u00ednia Gastaldi no Centro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil Gera-a\u00e7\u00e3o Extra. Apoio: Instituto P\u00e3o de A\u00e7\u00facar. CEI Gera-a\u00e7\u00e3o Extra, Av. das Am\u00e9ricas, 2000, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ, 22640-101.<br \/>\nTel.: (21) 439-4020<\/p>\n<h4>Para Saber Mais:<\/h4>\n<ul>\n<li>Eu, Malika Ofkir, prisioneira do rei. Malika Ofkir e Mich\u00e8le Fitoussi. Cia. das Letras Tel.: (11) 3846-0814<\/li>\n<li>Contos de Grimm.Vols. 1 e 2. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria Heloisa Penteado. Ed. \u00c1tica. Tel.: (11) 3346-3000<\/li>\n<li>Contos de Grimm. Tradu\u00e7\u00e3o de Tatiana Belinky. Ed. Martins Fontes. Tel.: (11) 3266-4603<\/li>\n<li>Contos de Grimm. Tradu\u00e7\u00e3o de Heloisa Jahn. Ed. Cia. das Letrinhas. Tel.: (11) 3846-0814<\/li>\n<li>Livro de Hist\u00f3rias. Ed. Cia. das Letrinhas. Tel.: (11) 3846-0814<\/li>\n<\/ul>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como levar os educadores a escolherem bons livros para suas crian\u00e7as? Por Virginia Gastaldi<\/p>\n","protected":false},"author":40,"featured_media":3056,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,248],"tags":[1102,266,265,264,151,175,267],"class_list":{"0":"post-1048","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-reflexoes-do-professor","8":"category-revista-avisala-07","9":"tag-revista-avisa-la-2001","10":"tag-acervo","11":"tag-escolha-dos-livros","12":"tag-historias","13":"tag-leitura","14":"tag-maria-virginia-gastaldi","15":"tag-qualidade","17":"post-with-thumbnail","18":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1048","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/40"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1048"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1048\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}