Apoio à leitura pelo aluno

Visando ampliar as práticas pedagógicas que incentivam a leitura pela criança, formadoras de Boa Vista do Tupim, no interior da Bahia, atuam com os coordenadores pedagógicos das escolas da rede municipal e obtêm resultados no trabalho dos professores. Elas contam com apoio do Projeto Chapada e do Programa Além das Letras.
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Ilustrações Thais Linhares

Ao trabalhar as diferentes possibilidades de leitura desde as séries iniciais da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, o professor, além de oferecer textos variados aos seus alunos, deve planejar situações em que as crianças possam ler por si mesmas, mesmo antes que elas saibam ler convencionalmente. Nessas situações, as crianças utilizam-se de estratégias de leituras quando formulam hipóteses sobre o que pode estar escrito, inferem o que não está escrito e antecipam o que encontrarão escrito mais adiante. As crianças pequenas podem apoiar-se em diferentes recursos, como nas imagens de um determinado texto, naquilo que já sabem sobre o seu conteúdo e, até mesmo, no reconhecimento de algumas palavras conhecidas.

É função do professor intervir de maneira que “as crianças consigam ler por si mesmas, que progridam no uso de estratégias efetivas, em suas possibilidades de compreender melhor aquilo que lêem”, como afirma Delia Lerner1. Ainda segundo essa autora, “a ajuda dada pelo professor consiste em propor estratégias das quais as crianças irão se apropriando progressivamente e que lhes serão úteis para abordar novos textos que apresentem certo grau de dificuldade. Além disso, nessas situações o professor incitará a cooperação entre os alunos, com o objetivo de que a confrontação de pontos de vista leve a uma melhor compreensão do texto2”.

No entanto, ainda são poucos os professores que compreendem e conhecem essas possibilidades pedagógicas. Portanto, uma formação tendo como conteúdo a gênese da leitura pelas crianças, o reconhecimento das estratégias que utilizam para ler e os tipos de intervenções que as fazem avançar contribuirá, sem dúvida, para uma alfabetização mais plena. Foi exatamente a que formadoras de Boa Vista do Tupim, participantes do Programa Além das Letras3, e também do Projeto Chapada4, se dedicaram no primeiro semestre de 2006.

Como ensinamos?
Todos os anos temos nas escolas de Ensino Fundamental muitas crianças que ainda não sabem ler convencionalmente. Dessas crianças, a maioria freqüenta a escola por dois, três ou mais anos, seguindo sem aprender a ler. Grande parte delas é proveniente de contextos sociais nos quais as práticas de leitura não são privilegiadas e, por isso, dependem unicamente da escola para ter acesso à cultura escrita e para tornarem-se plenas usuárias dela. Ora, se consideramos que todas as crianças são capazes de aprender – e efetivamente não têm aprendido –, precisamos refletir sobre a nossa maneira de ensinar. Uma vez que a minha atuação como formadora volta-se diretamente para os coordenadores pedagógicos, decidimos investir, nos encontros de formação, em conteúdos que apoiassem o trabalho destes profissionais com os professores.

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