Prazeres e saberes de leitores não convencionais

Muitos educadores não vêem com bons olhos a relação de crianças muito pequenas com a escrita. Neste artigo, Pedro (3 anos), Duda (4 anos), Diogo (5 anos) e Ana (5 anos) desafiam essa postura. Veja com que alegria e competência eles se revelam participantes da cultura escrita

“Ensinar a ler e escrever continua sendo uma das tarefas mais especificamente escolares. Um número muito significativo (demasiadamente significativo) de crianças fracassa já nos primeiros passos da alfabetização. O objetivo deste livro é mostrar que existe uma nova maneira de considerar esse problema. Pretendemos demonstrar que a aprendizagem da leitura, entendida como o questionamento a respeito da natureza, função e valor desse objeto cultural que é a escrita, inicia-se muito antes do que a escola o imagina, transcorrendo por insuspeitos caminhos.” (Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, psicogênese da língua escrita, nota preliminar)

Ilustração de aluno representando os ciclopes, personagens presentes nos mitos gregos (VIrginia Gastaldi)

Ilustração de aluno representando os ciclopes, personagens presentes nos mitos gregos (VIrginia Gastaldi)

O texto acima foi escrito há mais de duas décadas, mas a polêmica sobre alfabetizar ou não crianças na pré-escola ainda é grande. Há uma tendência à concordância na rejeição das práticas de exercício motor, repetição e cópia. O que a elas se opõe, porém, deve ser objeto de discussão, visto que, muitas vezes, essa oposição acaba por desconsiderar o que nelas há de melhor, ou seja, a responsabilidade da Educação Infantil com a alfabetização. Cabem, então, esclarecimentos sobre o que se entende por alfabetização, uma vez que é isso que está em jogo quando a discussão emerge, mas nem sempre a isso se faz referência. Enquanto as discussões se arrastam, grande parte das pré-escolas (e escolas) – públicas e particulares – está longe de serem ambientes em que circulam práticas de leitura e escrita em suas variadas formas, ou seja, ambientes alfabetizadores, e assim deixam de criar para as crianças a oportunidade de participar dessas práticas e com elas aprender. Um ambiente alfabetizador na Educação Infantil em nada se assemelha a práticas tediosas ou precoces.

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