O sol e as crianças

Crianças de todas as idades necessitam tomar sol e permanecer algum tempo ao ar livre para que possam crescer e se desenvolver com saúde. Muitas vezes a organização da rotina não garante que crianças de todas as idades usufruam os benefícios do sol e da área externa em horários adequados. Conheça nessa matéria benefícios e cuidados que garantem às crianças bons momentos ao ar livre.

Exposição solar moderada e em horários adequados é benéfica e desejável em todas as idades. Países que tem longos períodos de inverno com pouco sol, onde as pessoas permanecem confinadas em ambientes fechados, apresentam casos de depressão e outras doenças por falta de luz solar. Em nosso país tropical – abençoado por Deus e bonito por natureza – as variações climáticas são mais amenas e favorecem atividades ao ar livre o ano todo.
A exposição regular da pele ao sol é fundamental para que possamos sintetizar a vitamina D e fixar cálcio nos ossos, evitando uma doença chamada raquitismo assim como a osteoporose na idade adulta.
Para a criança até 2 anos por estar em ritmo acelerado de crescimento físico, o banho de sol é um cuidado importante a ser garantido diariamente pelos educadores.
Paradoxalmente, nas creches e escolas infantis, observamos que o uso do parque e das áreas externas pode se restringir às crianças maiores de 2 anos que se locomovem com mais independência e facilidade. Assim, quanto menor a criança , mais elas permanecem confinadas no ambiente interno pelos mais variados motivos: porque estão dormindo, sendo trocados, alimentados, porque o educador tem que transportá-las no colo, etc.
A rotina de utilização das áreas externas, como parque, tanque de areia, gramados, deve ser pensada de forma que todas as crianças, inclusive os bebês possam usufruir o espaço e o sol da melhor forma possível, dentro de horários adequados, sempre integrando as diversas atividades pedagógicas e os cuidados.

Cuidados durante a exposição solar
Para podermos nos beneficiar do sol é preciso respeitar os horários –
até as 10 horas e após as 15 horas – e possibilitar que as ondas benéficas (ultravioleta A) entrem em contato direto com a pele, ou seja, é preciso que as crianças estejam com roupas que, no mínimo, deixem pernas e braços descobertos.Tomar sol na região que fica sempre coberta pelas fraldas é bom para tornar a pele mais resistente, evitando e mesmo ajudando a curar assaduras. Os bebês devem iniciar seu banho de sol aos 15 dias de vida, começando com 5 minutos e ir aumentando progressivamente. O tempo de exposição vai variar com a idade da criança (recém nascidos até no máximo 20 minutos) e tipo de pele.
A proteção do rosto com chapéus e bonés é sempre recomendável, principalmente para crianças mais sensíveis (ruivas ou loiras, pele clara, com sardas ou pintas, olhos claros). O uso de protetores solares físicos e químicos são recomendados apenas após os seis meses de vida. São indicados para uso diário e não apenas na praia, resguardando-se as dificuldades econômicas que impedem o acesso da maioria da população brasileira a este recurso. É muito importante que os educadores observem a reação da pele de cada criança ficando atentos à expressão de conforto ou desconforto.
É preciso oferecer água, chás, sucos à vontade, garantindo a reposição de líquidos. Bebês que são amamentados exclusivamente ao peito não necessitam de água desde que sua mãe possa amamentá-lo com mais freqüência.

Planejamento – integrando o cuidar e o educar:
O planejamento vai depender da arquitetura do prédio que pode facilitar ou dificultar o acesso ao solário, da organização dos horários em que se recebem as crianças na creche/escola, a primeira troca e a primeira refeição que devem ser planejadas para que haja tempo para as atividades na área externa ou solário nos horários recomendados. Qualquer que seja a atividade ao ar livre ela deve propiciar oportunidades para que as crianças possam movimentar-se, entrar em contato com a natureza e com outras crianças e adultos, respeitando as necessidades de cada faixa etária e desenvolvimento.
O planejamento da rotina precisa ser flexível para que as atividades que tradicionalmente se desenvolvem em ambientes fechados possam ser adaptadas para a área externa. Para isso é preciso montar uma programação que possibilite a permanência dos bebês e crianças em espaços abertos ou semi-abertos em horários em que o sol é apropriado, como por exemplo:

  • Passeios com os bebês no colo, em carrinhos individuais ou coletivos pelo parque, interagindo com outras crianças, adultos e ambientes.
  • Triciclos para crianças que já estão desenvolvendo as habilidades de pedalar.
  • Amarelinha, bolhas de sabão, brincadeiras e circuitos com pneus, cordas.
  • Brincadeiras com água em tinas ou bacias (nos dias mais quentes) como barquinhos, dar banho nas bonecas, lavar os brinquedos.
  • Observação da natureza. Piquenique no parque na hora do lanche ou do suco.
  • Organizar a oferta de suco ou água da manhã no solário ou no gramado.
  • Planejar momentos de contar histórias, teatro de fantoches, cantigas, trava- língua, ao ar livre.
  • Organizar materiais e ambiente para brincadeiras de casinha e outros jogos simbólicos em lugares que conciliem sombra e sol.
  • Desenho com giz no chão, pintura no solário ou no pátio externo.

(Damaris Gomes Maranhão)

Direto da Prática:
E quando faz frio? Pode ir brincar lá fora? – o que dizem os profissionais de saúde.

Pais e educadores manifestam freqüentemente receio de que a exposição ao frio e umidade “faça mal às crianças”, e isto pode levá-los a restringir as brincadeiras das crianças no outono ou no inverno às áreas fechadas, ou temer as brincadeiras com água. A palavra “resfriado” tanto em português, como em inglês (cold) significa esta associação das doenças respiratórias com o resfriamento do corpo. No entanto não existem ainda evidências que o aumento das doenças respiratórias nos meses frios esteja correlacionada apenas à queda da temperatura.

Outros fatores ligados ao frio como: permanecer confinado e a qualidade da moradia ou do prédio da creche/escola (presença de mofo, falta de ventilação e insolação, muitas pessoas no mesmo ambiente, contato com fumo e poluentes, uso de aquecedores e ar condicionado, uso de produtos químicos) podem oferecer maiores riscos para o adoecimento. Pesquisas em creches associam doença respiratória com permanência em locais fechados. Crianças mal agasalhadas ou com roupas molhadas podem gastar muita energia para manterem-se aquecidas e com isto ficar menos resistentes para se defenderem dos vírus e bactérias.

Para Saber Mais:

  • Infecções respiratórias em crianças. Y Benguini e outros. expired sites OPAS- OMS. Washington, 1998.
  • Departamento de Dermatologia da SPSP. Fotoproteção na infância, Revista Paulista de Pediatria.Vol.18, n4, dezembro, 2000.
  • Enfermagem pediátrica. Elementos essenciais à intervenção efetiva. D.L. Wong, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1999.

Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #7 de julho de 2001. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual – http://loja.avisala.org.br

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